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sábado, 31 de dezembro de 2011
SÓ MAIS UM ANO
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
jfdelvitoralencar@hotmail.com
Já notaram como há muito esta estampada uma imprensão de que os anos estão passando cada vez mais rápidos? Pura ilusão da modernidade que nos enche de trabalho, de problemas e de raros momentos de lazer, o que acaba nos dando a sensação de que nos falta tempo. O que nos falta na verdade é uma melhor organização e utilização do tempo, só isso.
Pois bem, mas o certo é que, rápido ou mesmo no seu curso normal, mais um ano se vai e já nos preparamos cheios de esperança para mais um ano cheio de realizações, esse é o jargão habitual, queremos sempre nos apegar aos sonhos e esquecer, por instantes, a realidade vivida que é cheia de dificuldades, pelo menos para a maioria.
Mas em fim, é chegado o momento de incluirmos em nossas orações o pedido de mais saúde, menos violência, mais emprego, melhores oportunidades, moradia e etc. E esquecemos, por alguns minutos, que somos responsáveis, às vezes, por esse quadro de abandono em que se encontra boa parte de nossa população brasileira. Nossos representantes políticos chegam ao poder através do nosso voto, então, nesse caso, somos responsáveis sim.
Mas deixemos isso e vamos, com um olhar cidadão, expor o que queremos, de fato, para o ano que se aproxima. E o que eu quero mesmo? O básico, comida o ano inteiro, que não me falte saúde e nem coragem para trabalhar, que meus filhos possam dar valor ao mínimo que lhes dou, que meu casamento seja duradouro, que Cristo possa ser encarado como salvador e não como o crucificado ou como aquele que nasceu pobrezinho. Quero que ele seja visto como Rei, como homem que lutou e não se acovardou diante das injustiças. Quero poder ter meus direitos respeitados, mas desde que eu seja cumpridor dos meus deveres. Quero poder entender que a vida é somente um ciclo e que, por ser assim, eu preciso aproveitar, me divertir, ser feliz. Aí você pode estar se perguntando, mas como fazer tudo isso e ser feliz se faço parte das mazelas sociais do Brasil. Verdade, não tem como. Mas podemos começar a lutar para essa realidade mudar, precisamos estar unidos, fazer parte de algo, sair do anonimato e, mesmo que pobres, ser verdadeiramente cidadãos.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
UM SANDUÍCHE DIFERENTE
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
Final de semestre na faculdade e boa parte da turma estava reunida na orla da cidade de Óbidos para comemorar mais uma etapa vencida e o retorno para casa. Era uma turma composta por pessoas de Itaituba, Óbidos, Juruti, Salinópolis, Santa Isabel do Pará, Oriximiná, Alenquer, Curuá e Santarém. Por essa razão dá para imaginar o tamanho de nossa alegria após dois meses de intenso estudo longe de casa.
Entre copos, gargalhadas e muito barulho, a conversa caminhou para as pessoas que vivem como nômades e são conhecedoras da antiga arte de adivinhar, ler as mãos e fazer pequenas “mágicas”. Uns diziam que acreditavam, outros afirmavam que isso é pura arte de enrolar e ganhar dinheiro fácil.
Não chegávamos a um consenso quando um Sr. De Alenquer, aparentemente muito sério e com ares de quem entedia do assunto, iniciou a seguinte estória.
“- Talvez muitos de vocês duvidem, mas eu acredito porque vi!
A mulher com vestido longo e colorido se aproximou de um colega que estava no bar e pediu para ler a sua mão. O homem se recusou alegando não acreditar em tais coisas e por não ter como pagá-la. Ela então o advertiu que não havia pedido nenhum pagamento, só queria ler a sua mão.
Meio contrariado e envergonhado ele estendeu as mãos e ela pediu que ele colocasse uma moeda de R$0,50 na sua mão direita.
Ele então disse que não pagaria pelo serviço.
Ela continuou e disse que devolveria a moeda, mas precisava do dinheiro para provar a ele que ela também sabia a arte da mágica.
Ele retirou uma moeda do bolso e colocou na mão direita. Ela pediu que ele fechasse a mão enquanto ela fazia seu ritual de magia e em pouco mais de trinta segundos ela pediu que ele abrisse a mão e pegasse a moeda.
Ao abrir a mão, nada! A moeda havia sumido ali na nossa frente. Nisso, a Sra. Saiu caminhando tranquilamente sem falar mais nada.
Todos ficamos admirados, pois não havia como aquela mulher ter pego a moeda.
O homem ainda sem entender quase nada, solicitou ao balconista um sanduíche que, para surpresa de todos nós, quando ele mordeu, adivinhem o que tinha dentro?”
Nesse instante, o Sr. interrompeu sua estória e então foi possível perceber um silêncio total, pois todos nós estávamos acompanhando atentamente o desfecho da estória.
Cortando o silêncio, uma colega de Itaituba gritou respondendo ao suspense deixado pela pergunta:
- A moeda de R$0,50.
O homem deu um sorriso maroto e continuou:
- Não! No sanduíche havia queijo, tomate, alface...Onde já se viu sanduíche com moeda!
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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terça-feira, 29 de novembro de 2011
JACARÉ CAOLHO
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
Esse fato se deu no Rio Curuá-Una na localidade de Castanheira. Eram três amigos que vez ou outra arrumam as tralhas e saem para pescar, tomar birita, rir bastante e esquecer um pouco a rotina da vida de trabalho.
Armaram as malhadeiras durante o dia e já haviam pescado bastante peixe, mas o divertido é sair à noite para pescar de Zagaia – haste de madeira com três bicos de aço – e quem sabe ter a sorte de matar um jacaré.
Saíram com esse propósito e após alguns minutos de conversa e risadas por conta dos peixes que não conseguiam acertar com a Zagaia, eis que o pescador da proa da canoa focou com sua lanterna em direção a uma pequena ilha e avistou um provável jacaré. O piloto da canoa mudou a trajetória da viagem e o proeiro pegou a espingarda para fazer o disparo no bicho.
Como a canoa estava longe do animal, tiveram tempo para fazer suposições sobre o jacaré que parecia estar imóvel a observá-los e a cada remada a brasa se mostrava maior e mais perto é claro. O estranho era que os três percebiam que o réptil estava fora d’água. Então o piloto da canoa começou a desconfiar da coisa e afirmou em alto e bom tom que em mais de vinte anos morando naquela região jamais tinha visto um jacaré caolho, pois no fogo da lanterna só era possível identificar uma brasa e não duas como de habitual quando se foca em um jacaré.
Estavam os três amigos nessa conversa quando a canoa encalhou em terra e o proeiro nervoso para atirar, procurou uma posição melhor para visualizar a cabeça do animal quando um bacurau, ave noturna e de olhos esbugalhados, saiu voando. Foram uns cinco minutos de risos incontroláveis.
Já pensou, os três esperavam ver um jacaré e surgiu um bacurau. É para rir mesmo. E ainda se confirmou que o piloto da canoa, realmente, conhece o que é o olho de um jacaré no fogo da lanterna.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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segunda-feira, 14 de novembro de 2011
RIO PERENE
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
Três amigos curtiam as férias de final de ano em Santarém, precisamente no Bar Mascotinho, degustando os prazeres da terrinha e colocando a conversa em dia.
Dois desses amigos estudam em outro estado e o terceiro faz História em uma Instituição de Ensino Superior, particular, sem muita credibilidade entre os estudantes das universidades públicas locais.
Estavam os três numa boa conversa quando rouba a cena um cidadão catador de latinhas, que observando a chegada de uma embarcação de linha, provavelmente da cidade de Alenquer, pediu aos três que ficassem de olho em suas latinhas enquanto ele tentaria a sorte como carregador de bagagens na embarcação para ganhar um trocado extra, pois ele necessitava desse dinheiro.
Os amigos ficaram guarnecendo o resultado da coleta seletiva do homenzinho e um deles comentou que podia apostar como aquele senhor era do Maranhão. Suas características o faziam lembrar dos seus familiares que também são daquele Estado do Nordeste.
O homem não demorou a retornar e a curiosidade dos três rapazes em descobrir a naturalidade do pequeno trabalhador foi tão grande que um deles se encheu de coragem e quis saber de onde era aquele cidadão. O homem confirmou o que já era tomado por certo. Ele era mesmo maranhense, precisamente da cidade de Pindaremirim.
Esclarecido isso, um dos três amigos, o que estuda em Campinas no Estado de São Paulo falou que tinha uns amigos daquela mesma cidade que, aliás, era banhada por um rio perene – Leia-se, rio permanente. Nisso o homenzinho interrompeu a fala do rapaz e afirmou com a veemência de quem é conhecedor de causa que no Maranhão não existe nenhum rio com esse nome, ressaltando ainda que, o rio que banha Pindaremirim é o Rio Pindaré.
Isso é o que dá querer formalizar um papo informal de mesa de bar!
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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domingo, 30 de outubro de 2011
TURMA DO CANAVIAL
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
Eu não poderia deixar de registrar aqui o dia-a dia de uma turma que quando bem entende, e são bem entendidos pelo que percebo, faz sua rodada de amigos e biriteiros no “Banco da Praça”, patrimônio zelado por eles à sombra de uma árvore frondosa bem no centro de Boa Esperança.
Autodenominam-se a “Turma do Canavial” simplesmente pelo fato de seus integrantes serem amantes da maldita cachaça. E apesar das brigas eventuais, são amigos inseparáveis de copo e de trabalho.
São eles:
Candinho ou Garcia – ex-jogador de muito talento, filho da comunidade de Arapixuna e compadre do Osvaldo de Andrade, filho do Agapito.
Flau – ex-jogador fenomenal e irmão do Candinho.
Neto – tem um braço quebrado que é resultado das intermináveis bebedeiras.
Aroldão ou Marupá – dono de um chute poderoso da canhota.
Aracu ou Peixe – está regenerado e não bebe mais.
Valeco ou Manobinta – também está um pouco afastado da turma.
Borrodogue ou Borró – esse vez ou outra bate num amigo.
Emanuel – o caçula da equipe.
Estão aí todos os integrantes fiéis da “Turma do Canavial”, mas têm aqueles que, por pura curiosidade, também se juntam à equipe e em meio a muita conversa ajudam a secar litros e litros de aguardente destilada.
P.S: Apesar de estarem sempre com umas na cabeça, eles nunca se negam a cavar uma sepultura, desde que não falte o incentivo líquido com teor alcoólico.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
TRISTE FESTA
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
Final do Campeonato do Planalto Santareno, versão 2008. Tudo armado para a partida decisiva e uma ansiedade que maltratava qualquer torcedor fanático, tanto do Grêmio – o papa título – como do União.
A larga vantagem era toda do União que precisava não mais do que um simples empate. Time com o melhor elenco e patrocinadores dispostos a pagar pela festa que, com certeza, iria varar o dia seguinte. Mas como em jogo de futebol o placar só se define ao final dos noventa minutos, restava então esperar, ansiosamente, pelo desfecho da importante partida futebolística.
O Grêmio entrava em campo com uma enorme desvantagem, mas era compensado pela forte tradição em decisões e por ter em seu elenco figurinhas carimbadas do futebol santareno, sem falar na crendice popular local que afirma ser o Grêmio um time que sempre dá um “jeitinho brasileiro” para sagrar-se campeão nas competições que disputa, o que não é verdade. Ou será que é?
Já o União entrava em campo como favorito e esbanjando confiança. Trouxe balões verdes, uma alusão à cor predominante do clube, uma faixa pedindo lealdade dentro de campo por parte dos jogadores adversários e, para abrilhantar o espetáculo, sua equipe técnica veio toda uniformizada. Um verdadeiro picadeiro sem lona.
E tudo estava a favor do União que saiu à frente no placar com um golaço do jogador “Café”, o mesmo jogador que mais tarde desperdiçaria um pênalti.
Mas o Grêmio não se abateu com os fatos e fez o improvável para os mais incrédulos: ganhou o jogo com dois gols do excepcional e inspirado Luis Henrique, sob o comando quase apagado pelo nervosismo do técnico gremista.
Após o encerramento da partida, a torcida do União se mostrava desolada como se um balde de água fria tivesse estragado o planejado, mas como a festa estava armada, era uma pena não festejar o Vice- Campeonato com fogos de artifício, papel picado, muita cerveja e carne assada.
Não sou tão novo assim, porém foi a primeira vez que pude presenciar a comemoração de um Vice-Campeonato com tanta pompa.
- Ainda bem que eles não ganharam, pois do contrário seria festa para um mês inteirinho.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011
JABUTI COM MALÁRIA
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
Um amigo, exímio caçador e renomado cidadão por seus contos nada convencionais, se apropriou da palavra em uma roda de amigos para relatar um fato curioso.
Estava ele em uma localidade de nome Sete Voltas, às margens do Rio Curuá-Una. Só pelo nome, já se pode imaginar que o lugar é distante e quase desabitado. No entanto, é farto de caças e peixes de todas as espécies.
Pois bem, estava esse amigo em seu barraco, curtindo o descanso do meio-dia quando sua atenção foi desviada para um barulho estranho vindo de dentro da mata fechada. Era como se latas e baldes estivessem sendo chacoalhados. O medo foi menor que sua curiosidade. Então ele caminhou em direção ao barulho que aumentava e inspirava certo cuidado àquela hora do dia.
Depois de percorridos uns cem metros mata adentro, ele percebeu um clarão de uma provável derrubada e chegando mais perto pôde contar uns trinta jabutis no meio do descampado. Uns por cima dos outros tremendo e se debatendo como se estivessem sentindo calafrio.
“- Vocês não acreditam?
Duvidam?
É a mais absoluta verdade. Todos aqueles jabutis estavam acometidos de malária.”
Para quem não sabe, malária é uma doença comum nesta região, e com o calor do sol faz seus pacientes tremerem de frio. E diante dessa afirmativa ninguém ousou contrariar o amigo.
uem sabe ter a sorte de matar um jacar ante e sequecer a rotina da vida de trabalholi capingarda tambvegetaç OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
ESPÍRITO DA MATA
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
Um velho Senhor, cidadão caboclo, acostumado aos prazeres da caça e da pesca, carrega consigo os mistérios da Amazônia. Isso que passo a relatar aconteceu em Boa Esperança, Município de Santarém no Estado do Pará.
Eram três pessoas com o velho Senhor caçando à noite e ainda não passava das 21h quando o velho andando na varrida – caminho aberto na mata para a prática da caçada noturna e ganha este nome porque o caminho é varrido para que os caçadores não façam barulho ao caminharem – percebeu o caminhar de uma Paca que se aproximava com certa velocidade. Imaginando que a Paca já estava ao alcance do fogo da lanterna, o velho acendeu seu equipamento luminoso com a espingarda também já preparada para fazer o disparo e abater tão cobiçada caça. E foi o que aconteceu, ele efetuou o disparo acertando o animal que apenas pulou e caiu no meio da varrida se debatendo. O velho trocou o cartucho e fez novo disparo para se certificar da morte do indefeso roedor.
No entanto, a Paca continuou a se debater e com ares de quem estava querendo correr. Como dessa vez o cartucho havia ficado preso na espingarda o velho decidiu matar o animal a cacetadas usando a própria arma de fogo, mas ao preparar o golpe e fazendo esforço para acertar o bicho ali caído e todo ensangüentado, algo muito estranho aconteceu. Alguém segurou a arma evitando o golpe.
O velho Senhor, pelo que se sabe dele, não é nem um pouco medroso, mas diante dos fatos largou a espingarda e saiu correndo à procura de seus companheiros. Relatou o ocorrido e todos se dirigiram ao local do acontecido onde não encontraram a Paca, somente as marcas de sangue e a arma suspensa no ar, presa a um cipó de espinhos grandes e recurvos, conhecido como Unha de Gato. Aí já se pode imaginar o que aconteceu. Gargalhada geral!
Porém o mistério continuou, pois se vocês bem lembram a Paca sumiu após ter levado dois tiros, e olha que o velho não costuma errar seus alvos, a prova disso era o sangue no meio da varrida.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011
PRESO POR NÃO PAGAR A CONTA
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
Essa história aconteceu na pequena cidade de Juruti que com a chegada da ALCOA naquele Município para explorar nosso minério (pois continuamos como colônia fornecedora de matéria-prima aos grandes centros mundiais, um desrespeito para com o nosso povo) absorveu mão-de-obra de toda a Região Oeste do Pará.
Vai nossa riqueza, ficam as mazelas da pobreza de um país de terceiro mundo. Mas vamos ao ocorrido. Um amigo, que prefiro não revelar sua identidade, empregado naquele complexo mineral, resolveu curtir a noite com uns amigos em um modesto bordel da cidadezinha. Como já havia bebido bastante, se encheu de coragem e foi para o quarto com uma das garotas que davam expediente e outras coisas mais naquele local.
Já no quarto, a mulher se preparava para atuar em seu ofício, quando percebeu que seu cliente, de tão bêbado, estava dormindo e sem condições de fazer qualquer coisa naquela noite.
A mulher, como boa profissional, acordou seu cliente e o fez lembrar que ele lhe devia a importância de R$ 50,00. Ao que prontamente o sujeito se negou a pagar alegando não ter desfrutado de nenhum serviço que o obrigasse a pagar tal valor.
Em meio a xingamentos e lamúrias, a mulher acionou a polícia se dizendo lesada enquanto trabalhadora honesta e responsável em colocar na sua mesa o pão nosso de cada dia. O rapaz não pagou, é bem certo, porém viu o sol nascer quadrado.
Como dizia minha avó, “vai devagar com o andor que o santo é de barro”. O mercado está mesmo dinâmico, onde já se viu dar calote até nas profissionais do sexo.
- Onde esse mundo vai parar!!?
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
MENINICE
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
Ainda rapazote, tive o privilégio de desfrutar das coisas boas de Santarém. Roubar caju nas residências ricas da Maracangalha, saborear as mangas da Vera-Paz, juntar cutite na SUDAM e pular o muro do Cabral para matar aulas. Tempo bom e, como bem afirma Chico da Silva, “que não volta nunca mais”.
Mas como nem tudo é maravilha, sofria em ter que levantar de madrugada para ir pescar na companhia de meu falecido avô. Por vezes, fingia estar em sono profundo, mas o velho nem sempre engolia tal estratégia e saíamos para as pescarias de tarrafa no Lago do Mapiri. Nunca entendi o porquê dos netos terem que se submeter a esse sofrimento quando deveriam estar dormindo o melhor do sono humano. E isso sempre piorava quando a madrugada estava chuvosa. Um verdadeiro martírio, mas era a forma de se colocar alimento farto na mesa.
No entanto, nisso tudo havia um pouco de aprendizado de vida. Aprendi a dar valor às coisas do dia-a-dia e cresci acreditando que poderíamos sempre desfrutar da natureza sem que ela pudesse ser agredida pela ação humana. Engano meu. Hoje vejo a Amazônia pedindo socorro, agonizando.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
INCRÍVEL PESCARIA
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
Descobri ao longo da vida o quanto as pessoas são céticas, ou talvez um pouco “São Tomé”, só acreditam vendo. Não sei exatamente o ano de tal façanha, mas o certo é que estávamos eu, meu pai e um velho amigo pescando às proximidades da Hidrelétrica de Curuá-Una. E nessa pescaria foi preciso iscar os locais da pesca com farinha e, em certa ocasião, como a farinha havia sido colocada bem junto à margem do rio, joguei a tarrafa cobrindo um pouco da vegetação, e isso ainda devia ser umas 15 h. Foi quando estranhei o resultado daquela tarrafada. Acreditem! Não é que junto aos diversos peixes também veio um tatu. É verdade!! Um Tatu, desses que habitam toda a nossa região. E o mais interessante é que só pegamos um, porque os outros dois conseguiram escapar da tarrafa.
Contando assim parece mesmo mentira e como diz o povo, isso é estória de pescador. Se eu não estivesse lá, também não acreditaria, mas eu vi, se bem que o tatu nem era tão grande assim, ainda era filhote, porém os dois que escaparam, esses sim, provavelmente, eram os chefes da família dos desdentados.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
CARINHO
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
jfdelvitoralencar@hotmail.com
Tarde da noite ele me chama.
É o medo da escuridão que o faz acordar,
Ligeiro ele deita ao meu lado ofegante,
Me abraça
E dorme tranquilo.
Lhe falo ao ouvido que ele é o filho amado,
O mais querido, abençoado.
Acaricio-lhe o rosto e pego no sono,
Estamos juntos, tranquilos,
Em segurança.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
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domingo, 7 de agosto de 2011
FILHOS
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
jfdelvitoralencar@hotmail.com
Eles, que até a pouco nem sabiam andar,
Agora devido ao tempo passado
Estão crescidos, formados.
Vão, como que aos poucos, saindo de casa,
Ficam fora uma manhã,
Uma tarde,
Um dia inteiro,
Uma noite,
Até saírem de vez.
A saudade então nos abate,
Faz-nos lembrar que eles cresceram
E que o mundo os espera para a vida.
Olhamos pra nós e entendemos...
Já estamos velhos e sozinhos de novo!!!
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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José de Alencar Godinho Guimarães
domingo, 31 de julho de 2011
TEXTO DE JOSÉ DE ALENCAR GODINHO GUIMARÃES *
jfdelvitoralencar@hotmail.com
Rara sensação moderna
da tranquilidade da mente
que em teia de problermas
se lança ao absurdo desconhecido
a procura exagerada
da leveza da alma
que se deita e se acalma
alheia,
sozinha,
em paz.
* Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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José de Alencar Godinho Guimarães
domingo, 24 de julho de 2011
MUNDO DE MENINO POBRE
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
jfdelvitoralencar@hotmail.com
Menino queimado do sol
Suado, escorrendo sujeira.
Sujo da terra solta
Que levanta poeira.
Menino dos olhos que brilham
Sem se importar com sua aparência.
Menino que corre solto
Com os pés descalços empoeirados.
Feliz com sua liberdade,
Livre para inventar seus brinquedos únicos.
Inventor do seu próprio mundo
Envolto dessa realidade adulta
Que não o entende.
Menino cansado voltando pra casa
Ansioso pelo novo dia para poder brincar,
Brincadeira honesta no seu mundo de menino pobre
Encoberto pela sujeira da felicidade.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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domingo, 17 de julho de 2011
INFÂNCIA RURAL
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
jfdelvitoralencar@hotmail.com
E ele ainda menino,
bem menino mesmo
já levanta cedo para trabalhar em casa,
A tarde vai à escola,
Acha tempo, mesmo que pouco,
Para aprender a brincar,
E vejam, que menino educado,
Responsável de si,
Sabe o valor do respeito
E será um grande homem
Por ter, desde cedo, começado a trabalhar em casa,
Estudar e brincar
Nesse mundo ao avesso
Que quer proibir o menino de viver.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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domingo, 3 de julho de 2011
ANDARILHO
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
jfdelvitoralencar@hotmail.com
Saio vagando pelo mundo
Sem rumo, a esmo,
Abismado, incrédulo,
Viajante sem destino,
Peregrino livre
Que com o cair da noite
Cansado adormece
Sentindo esse mundo pulsante
De vida tão plural.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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domingo, 26 de junho de 2011
DENÚNCIA
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
jfdelvitoralencar@hotmail.com
Encho-me de coragem
E mesmo sem entender
Quase nada de leis
Preparo um dossiê de denúncias
Contra esse coração
Que age por conta própria
E me obriga a um amor incondicional
Levado pela exuberância das cores,
Um rubro negro de paixão
De toda uma nação
Que apaixonada grita
E comemora títulos,
Chora as derrotas
E sofre com sua agonia
A beira do rebaixamento.
Denuncio esse coração flamenguista
Que nada entende de bola,
Mas se mantêm firme torcendo...
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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domingo, 5 de junho de 2011
O PREÇO DA VIDA
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
jfdelvitoralencar@hotmail.com
Mais uma vez aconteceu, e logo no Pará. Chego a acreditar que isso virou banalidade pela tremenda impunidade e pelo fato do dinheiro sempre falar mais alto, inclusive mais alto que nossos gritos desesperados para que se tome alguma atitude política para salvarmos o que ainda resta da nossa floresta que sucumbi a cada dia e se vê desprotegida a cada companheiro morto. Companheiros mortos pela bala da impunidade e a pedido dessa classe social que tudo pode.
Nossa região mais uma vez se vê diante da barbárie. Tudo para que nossa floresta seja arrastada até os pátios abarrotados de madeira ilegal e lucrativa para poucos. Estamos de luto com as bocas amargas pela injustiça social que atinge o meio agrário paraense. Homens e mulheres que derramaram seu sangue para implorar por nossa floresta, mas parece que ninguém nos ouve e esse silêncio miserável é macabro como os disparos que nos procuram em meio à floresta e nos acertam sem nos dar chance de legítima defesa. Somos caçados feito bichos, sem nenhum pudor. Fazemos parte das listas humanas que anunciam a morte por encomenda e a polícia se queixa que não foi notificada. Uma pena, pois com isso nossos gritos vão ficando escassos em meio a esse monte de exageros praticados contra nossa floresta.
Imagino então um cortejo fúnebre com olhares de desilusão sucumbidos aos fatos reais onde se mata por ganância. Nossos companheiros carregados em direção a terra aberta que sugará nossos sonhos de liberdade e de justiça social. Homens e mulheres enterrando nossas vozes caboclas derrotadas pelas balas impunes daqueles que podem comprar até nossas vidas.
Até quando nossas autoridades fingirão que os problemas agrários e ambientais não existem na Amazônia? Terão que ver mais gente tombada ao chão como nossas árvores que nada podem fazer para se defender? Nossos gritos só querem alertá-los para os crimes que aqui acontecem todos os dias, só isso...
Entendo que não é pedir demais, não quero ver meus amigos e familiares engrossando essa lista de pessoas assassinadas só porque defendem nossa floresta e nosso povo amazônida.
Não permitam que gente inocente tenha que viver como foragido, driblando a força inescrupulosa de gente que explora nossa terra e vê em nossas falas uma ameaça em potencial para abalar seus impérios de dinheiro sujo.
Descansem em paz trabalhadores de Ipixuna, não permitiremos que suas mortes nos intimidem, pelo contrário, suas mortes só reforçam a necessidade de continuarmos defendendo nossa rica e frágil floresta. E que Deus nos proteja, pois nossa polícia e autoridades acenam ao longe em meio aos bandidos que saqueiam impunemente nosso chão.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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domingo, 29 de maio de 2011
AMIGO
José de Alencar Godinho Guimarães (*)
jfdelvitoralencar@hotmail.com
Fico com o olhar quase perdido
Num momento de reflexão.
Impossível não se comover
Com a agonia desse rio majestoso,
Sua água densa
Agonizando com o calor,
Seu leito é um depósito da estupidez humana.
Num instante imagino sua revolta,
Sua água pronta pra nos engolir.
Nisso vem à lembrança
Um companheiro-amigo,
Fico como que alheio ao real,
Esqueço que estou acompanhado,
Pois esta em minha boca o gosto do veneno,
Veneno da defesa é claro,
Por haverem devastado seu habitat,
Infelizmente a vítima
Foi um homem inocente,
Guerreiro do mundo,
Pronto a lutar por educação
Para nossos trabalhadores e trabalhadoras,
Homens e mulheres
Aprendendo a escrever sua história de lutas.
Nisso me desespero,
Vejo nossa saúde doente,
Nosso amigo em um leito branco,
Como se o branco não representasse a morte
Em nossos hospitais.
Peço desculpas por parecer estranho,
É que não suporto o cheiro dos antibióticos,
Não posso acreditar
Que nosso amigo
Foi vítima
De uma estrutura educacional excludente,
Mas desde já ele é um vencedor,
Preferiu os perigos do mundo
À uma vida sem compromisso social.
Seus familiares com certeza
Estão como eu,
Apreensivos,
Temerosos,
Preocupados.
Afinal é a vida de um lutador
Que acreditou
Que o seu trabalho
Mudaria esse quadro social de abandono.
Acreditou que a sua esperança
Pudesse ser o alimento
Para nosso povo cansado de sofrer.
Seja forte companheiro,
Vença o veneno da defesa,
Pois a educação
Para essa gente
É um direito maior que qualquer desafio.
(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA
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José de Alencar Godinho Guimarães
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