Mostrando postagens com marcador Saulo Marden. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saulo Marden. Mostrar todas as postagens

sábado, 31 de dezembro de 2011

NATAL 2011


Saulo Marden


Setenta natais! Da minha infância lembro de poucos. A compreensão da chegada do Natal surgia com a transformação da pequena rua onde morava que se enchia de luzes e cores para receber o Menino – Deus. Era um tempo mágico, que vinha junto com as férias. Fascinado, ouvia a história do nascimento de Jesus. O Deus- pequenino nascido em Belém e que viera ao mundo para nos salvar. À noite, missa e pastoril. Papai Noel pendurado na parede para lembrar que as crianças comportadas iriam receber presentes. Certeza era que o Noel nem sempre os trazia, ocupado que estava em atender tanta gente.

Setenta natais! Naveguei em tantos mares desconhecidos, descobri terras novas nessa longa jornada. Somos como embarcações, a enfrentar calmarias e tempestades. Muitas ainda virão e as ultrapassarei com a ajuda dos familiares e amigos guiados por Ele, viajantes que somos do mesmo barco da vida.

Neste momento de paz e reflexão aproveito para agradecer:

A minha mulher que soube ajudar a manobrar o leme desviando a embarcação dos obstáculos e o conduzindo sempre a porto seguro, quaisquer que fossem as situações que se apresentassem;

Aos meus filhos que me orgulham ao conduzirem seus próprios barcos dando prova do aprendizado da leitura dos mapas de navegação;

Aos meus netos que escutam minhas estórias onde sempre estão presentes os bons valores como honestidade, honra, respeito ao próximo e à natureza;

Aos amigos que contribuíram para tornar minhas viagens navegáveis;

E a todos, os meus sinceros votos de um Natal em comunhão com Ele e um 2012 cheio de saúde e prosperidade.


Obs: Imagem enviada pelo autor.


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

NATAL DE 2010


Saulo Marden
(saulomardencosta.neves@gmail.com)


Escrever sobre o Natal não é para mim tarefa fácil. Todos os textos existentes, sejam simples ou rebuscados, traduzem com sentimento a alegria pelo nascimento Dele.

E neste período, mais nos voltamos aos ensinamentos deixados, e externamos nossa fé no menino-Deus. Com os olhos voltados para o mistério de seu nascimento olhamos o céu como os peregrinos e reis ,que O buscaram através das estrelas . Certos estamos de que Sua vinda, encarnado como homem e nascido na humildade de uma manjedoura, enche-nos de esperança . Vislumbramos a paz em todos os corações , abrandados que estamos pela magia trazida com a chegada Dele. Sentimo-nos todos partículas harmônicas neste imenso universo, estrelas multicoloridas, que neste dia, saúda e reverencia o Príncipe da Luz.

Com este pensamento, lembro do texto sobre “A Lenda das Estrelas”, de autor por mim desconhecido, mas reproduzido na íntegra conforme recebi.

“Lenda das estrelas

Era uma vez milhões e milhões de estrelas no céu. E havia estrelas de todas as cores: brancas, lilases, prateadas, douradas e até aquelas que mudam de cor: ora azul, ora vermelha, ora amarela...

Um dia as estrelas chegaram perto de Deus, todo Poderoso, o senhor do Universo, e falaram:

− Deus, queremos morar lá, no meio dos homens. Queremos descer até a terra.

Deus não entendeu, mas falou:

− Está bem. Eu vou mantê-las pequenas, como vocês são vistas, e podem descer até a terra.

Todas as estrelas do céu, da perfeição, do infinito, desceram até a terra. Vieram fazer companhia aos homens. E a terra, que era toda escura, ficou toda iluminada. Algumas estrelas começaram a pegar corrida com os vaga-lumes, outras se aninharam nos brinquedos das crianças, outras foram para o píncaro das igrejas. E a terra ficou maravilhosamente iluminada... toda iluminada com as estrelas do céu.

Passado um tempo, porém, as estrelas começaram a voltar para o céu. Primeiro foram as estrelas brancas. Elas chegaram no céu e Deus perguntou:

− O que houve? Vocês pediram para morar com os homens e agora estão voltando?

− Senhor, nós não agüentamos!... é complicado... as relações são difíceis... há muita fome, muita miséria, muita doença, muita velhice, muita morte... nós não agüentamos ficar na terra, no meio dos homens.

E Deus falou:

− Mas é claro! Vocês são perfeitas, imaculadas, eternas, do céu. E foram querer viver no meio dos homens...

E todas as estrelas repetiram a mesma coisa:

− Há muito ciúme, muita inveja, muita briga, muito desespero, muita mudança, é muito inseguro... não dá.

E Deus compreendeu que as estrelas tinham cometido um engano ao irem até a terra.

Depois que todas chegaram, Deus falou assim:

− Está faltando uma! Está faltando uma estrela! Será que ela se perdeu pelo caminho ou eu errei a conta?

(... e Deus não erra... portanto)

Neste momento um anjo que estava por perto disse:
‘Senhor, teve uma estrela que apesar de tudo, resolveu ficar lá’.

Desejos a todos neste Natal, que a(s) estrela(s) que resolveram ficar, por aqui iluminem todos os lares e os abasteçam de alegrias durante 2011.

Este é nosso desejo,

22/12/2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

SAUDADE INSTANTÂNEA



Saulo Marden
(saulomardencosta.neves@gmail.com)


Nunca pensei que saudade se manifestasse em espaços de tempo tão curtos.

Depois que você nasceu, João Victor, entrei na adolescência da terceira idade. Daí em diante tudo se tornou rápido demais. Saiba que ainda temos muitas coisas para aprender juntos antes de chegar o momento de enfrentar a minha infância da velhice.

Preocupado não estou. Preciso é continuar com saúde e garra, muita garra para acompanhá-lo, orientá-lo enquanto a sanidade não me abandona.

Você goza de muita energia. Não é brincadeira para qualquer um. Dorme pouco, trela muito. A todo instante, quando estou por perto o escuto “avô... avô...”, seja dia ou noite. Com um ano e oito meses você tirava o telefone do gancho e encenava falar comigo.

Por essas e outras mais, nunca imaginei sentir saudade instantânea mesmo estando ao lado de quem amo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

LEMBRANÇAS – ALIMENTO DE VIDA



Saulo Marden
(saulomardencosta.neves@gmail.com)


Por que lembramos tanto do passado, do tempo em que éramos crianças? Brincar, não trabalhar, depender de outros contribuem para sermos felizes? Não nos conformamos em ser adultos, em ser conscientes de tudo o que fazemos? Serão afirmativos os dois últimos questionamentos?

A criança só vê o possível. Na sua imaginação tudo é simples, tudo é possível, tudo é brincadeira. O excesso de proibição nessa fase da vida poderá levá-la precocemente à região desconhecida da adolescência. A compreensão das regras de conduta torna-se por demais questionadas. Os relacionamentos se complicam. As atitudes incoerentes com as regras da sociedade dificultam o entendimento, provocam rupturas no laço familiar, deixam sequelas, as vezes tão fortes que chegam a interferir no modo de ser e de pensar. As perdas das referências da infância e os ganhos da fase adulta entram em contradições: implodem, explodem. Mergulhados no seu mundo interior, negam crescer em sociedade. Sem medo se lançam nas aventuras cheias de armadilhas. A preocupação com as consequências, fora dos planos. Ultrapassar essa fase requer cuidado. O se afirmar como adulto sem as lembranças do amor recebido, sem os ensinamentos incorporados, facilita o aprendizado nas ruas. Torna-se vulnerável, facilita os caçadores que sem pressa, sem alarde oferecem vantagens, estimulam os apetites até sentirem-se donos da situação.

Passado o tempo das experiências, do conhecer novos caminhos, alguns, apenas alguns, conseguem se libertar. O trabalho para voltarem a realidade da vida torna-se insano. A única saída é enxergar e freiar os impulsos até se tornarem adultos com responsabilidades e discernimentos.

Quando o tempo passa e o pensar torna-se mais demorado do que o agir, o fôlego fica curto, dificulta o acompanhamento dos jovens. As lembranças se tornam alimento de vida. Nessas horas a que mais os fortalece são as da infância. Por isso é importante ressaltar: deixem as crianças se distraírem, sonharem. Brinquem com elas, sem pressão. Usem a boa vontade e a paciência de um pescador na pescaria dos filhos. Tragam para junto de si e no futuro entenderão o quanto foram saudaveis aqueles momentos.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

ALMAS GÊMEAS



Saulo Marden
(saulomardencosta.neves@gmail.com)


Viver uma vida a dois, conhecer a outra, aceitá-la nas diferenças, doar-se, saber agregar são os requisitos de uma alma gêmea. Os que falam ter encontrado dizem que se alimentam da comunhão das idéias. São felizes, descontraídos. O amor cresce a níveis incalculáveis. Eles permitem interação sempre em comum acordo. Comentam serem dois corpos, numa só alma. Dois espíritos com intensidades de energia que se completam. Nestas circunstâncias o positivo e o negativo se fundem, o “duo” torna-se “uno”, daí surge a onipresença, a onisciência, a semelhança física. Ao olhar para um lembra do outro. Quem teve a felicidade de conhecer um casal assim, sabe que quando um não está presente a alegria, a harmonia não é a mesma. Falta alguma coisa para estabilizar o fiel da balança. Enquanto estão juntos todos em volta sentem vibrações positivas. Dificilmente vemos desequilíbrio em suas emoções. Será que até o último dia da vida deles o amor carnal, o amor no companheirismo, o amor na doação continuam em alternância? Se isto ocorrer fica evidenciada a necessidade de se conhecer a “Alma gêmea”. Por que há tão poucos casos desse tipo de relacionamento? Será mudança dos tempos? Tem a ver com a forma dos jovens de hoje se envolverem num relacionamento? Antes, um simples olhar sinalizava a atração e daí em diante, de forma lenta e contínua cedia lugar as diversas fases para o entendimento, a compreensão, o respeito pelo (a) outro (a). Hoje difícil são os que adotam esse comportamento. Preferem ser imediatistas em poucas horas se tornam íntimos. O conhecimento dos valores fica resumido ao carnal que não garante uma união duradoura. O resultado é o “casa, separa”. Os filhos são os mais prejudicados e, às vezes, nem chegam a conhecer o pai. A figura paterna é substituída pelo avô, avó. Quanto a humanidade não se beneficiaria se os jovens de hoje saíssem à procura da “Alma Gêmea” e não somente no sentido de distração, aventura?

* * *

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

UM SENTIDO À VIDA

Saulo Marden


O acordar numa manhã ensolarada é sempre prazeroso. E, quando as expectativas para o enfrentamento do dia são aceitáveis, nos sentimos eufóricos. Assim, muitos esperam que aconteça no período Natalino. É nesse momento que percebemos a necessidade de rever nosso modo de pensar. O dia a dia, a luta pela sobrevivência alterou nossos valores. O “ter”, o “poder” substituíram o “ser”. A solidariedade, a partilha esquecida e, quando existe, é insignificante.
Qual o motivo de nos lembrarmos Dele com intensidade apenas nessa época de Natal? É por que não adotamos Seus ensinamentos no decorrer do ano? Por que nossas ações são mesquinhas? O que nos levou a agir dessa forma? Esses e muitos outros questionamentos continuarão latentes se não nos determinarmos a refletir, a agir.
Vejam o exemplo escrito por Mitch Albom no livro “A última grande lição”:

“... Vivemos envolvidos em trilhões de pequenas coisas apenas para continuar tocando para a frente. ...É só isso que eu quero? Não está faltando alguma coisa? ...Sabe o que realmente traz satisfação? ...Oferecer aos outros o que tem para dar... Dedique-se à comunidade, empenhe-se em criar alguma coisa que dê sentido à sua vida.”
Que a lição deixada por Mitch Albom sirva para a reflexão de nossas ações não apenas no Natal, mas em todos os dias, em todas as horas. Com esse propósito desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de realizações.
“Deus tem surpresas para nós, é só acreditar.”

(21/12/2009)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

VIDA


Saulo Marden
(saulomardencosta.neves@gmail.com)



Mundo velho
Mundo novo
Solo cansado
Solo fértil
Ar morto
Ar puro
Parentes, amigos
Saída saudosa
chegada feliz
desencontro
reencontro


* * *

terça-feira, 6 de outubro de 2009

CONHEÇA MEU MUNDO

Saulo Marden
(saulomardencosta.neves@gmail.com)



Com um ano e cinco meses, quando ainda se comunicava por palavras soltas: índio, dato, vê, au au, tudo, quer, aqui, mami, papi, vô, avó, caco, recebeu a visita dos avós. Não fora a única, mas aquela marcou pelo comportamento astucioso. Os outros encontros e brincadeiras ocorriam, quase sempre, fora do seu habitat.

Naquela noite agiu diferente. Estava em casa, no seu próprio domínio, e queria mostrar seu universo, bem diferente do que estava acostumado com os avós: “o cachorro, o gatinho, escutar ... os passarinhos, pedir a benção a São Francisco, passear na pracinha, mexer nos armários do avô, brincar de esconde-esconde atrás das portas.... Essas e outras, faziam parte do mundo encantado que era a casa dos avós, cheio de descobertas, fascinação pelo desconhecido, e da alegria do contacto físico com as coisas mágicas que encantam e ampliam os horizontes, carregam o seu pequeno cérebro de informações:

“Preciso mostrar a eles que também tenho o meu mundo”.

Acredito que tenha pensado assim pelo seu comportamento naquela noite. Uma visita inesquecível. Mostrava que tinha aprendido depressa as lições, não somente dos pais, também dos avós.

Logo que chegaram, levantou os braços para os receber. Beijos nas gorduchas bochechas eram repetidos sem que reclamasse. Agradecia com risos, mas articulava alguma coisa, pois logo quis sair do braço. Desceu e saiu correndo em disparada por dentro de casa até chegar a varanda do apartamento.

“Vovô vê au, au.” A noite toda foi para apresentar o seu mundo: abria armários, tirava CDs. Sempre com um olhar expressivo e palavras soltas saia mostrando tudo. Em determinado momento entrou no quarto. Os brinquedos estavam guardados em caixas plásticas, mas não foi motivo para não os tirar um por um. No “dog-taxi” apertou um botão e com a música tocando começou a dançar com as mãos nos ouvidos , seu tique nervoso indicando estar encabulado. Depois puxou o velocípede e pediu para empurrá-lo. As brincadeiras não tinham muita duração. Sempre outro brinquedo chamava sua atenção para mostrar o que sabia fazer com ele. O importante era se afirmar no mundo da brincadeira. Assim procedeu com todos e o quarto virou uma bagunça onde até para pisar no chão tornou-se difícil.

Depois de duas horas de brincadeiras, a mãe chegou. Abraços e beijos se repetiram. No entanto ao chegar a hora do banho, de vestir o pijama, apresentou mais uma novidade: “Pensam que não entendo que depois do banho vão me botar para dormir, hoje não vai ser fácil, nem pensem que vou dormir. Meus avós estão aqui e ainda tenho muita coisa para mostrar a eles.”
Foi trabalhoso a mãe e a avó convencê-lo: parecia um gato com pernas e braços estirados para não entrar na banheira. Entretanto, o pior estava por vir: “Do jeito que estou com sono, se vestir esta camisa de força que faz dormir na hora, não vou resistir, eu quero ir pro braço do vô e da avó.”

Mais algumas brincadeiras e aceitou o pijama. Daí em diante a briga com o sono foi de cortar o coração. O avô pegou livros de estorinhas- “Não quero”; ligou o vídeo- “Não quero.”. A única saída foi a avó colocá-lo no braço e cantar: “Dois dedinhos, sabidinhos fazem não....não...não, três dedinhos sabidinhos fazem sim...sim...sim,” enquanto o avô com dois dedos, fazia sombras na parede ao compasso da canção. Mesmo assim, não quis se deitar no braço: “Pensam que sou besta de perder esta oportunidade de ficar com meus avós? Eles pouco vêm aqui e quando vêm vou dormir?... vou nada. Eu brigo com o sono. Quero ver ele me derrubar. Vou pular, dar cambalhotas em cima da cama, abrir e fechar a cortina”. Com tantos movimentos, a resistência física foi minguando, se esgotando, até sumir. E mais uma noite se passou com os anjos em sua vigília.


22/05/04
* * *
(Texto extraído do livro “Dias Felizes” – autor: Saulo Marden)

Obs: Imagm enviada pelo autor.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

ATÉ QUANDO?

Saulo Marden
(saulomardencosta.neves@gmail.com)


Horas antes a mobilidade e a energia de um jovem homem. No presente momento, um morto-vivo na cama de um hospital. Barriga para cima, olhos fixos no teto. Tudo sem nexo, um arco-íris sem cor.

Médicos, enfermeiras. Batimento cardíaco, respiração normal. Diagnóstico: causa desconhecida.

Dia após dia na expectativa da evolução da ciência.

Estado de inconsciência, até quando?

* * *
Obs: Imagem enviada pelo autor.