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sábado, 31 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL!!


Laudi Flor
laudiflor@gmail.com




Quando sinto o cheiro de tinta fresca, volto a ser criança porque lembro que minha mãe sempre pintava a casa que morávamos justamente no mês de dezembro, na época do Natal, feito isso, ela arrumava a árvore e tudo era festa.
Na noite de Natal, os nossos sapatos novos, ficavam ao lado da cama a espera dos presentes que seriam carinhosamente colocados ali, durante a madrugada.
Recordo que eu e meus irmãos aguardávamos ansiosamente a data da visita do Papai Noel, e ele (Papai Noel), sempre aparecia guiado pelas mãos de meus pais, que com sacrifício nos presenteava com o que existia de melhor no comércio: bonecas da estrela, patins, estojo de lápis decorado, caminhões, e outros mimos.
Tenho boas lembranças dos Natais da minha infância, a festa na Igreja Presbiteriana, o lanche farto, o presépio, as peças encenadas pelas crianças, os hinos entoados, enfim...
Poderia abrir um parêntesis e falar de tanta coisa relacionada ao Natal, mas, a lembrança resgatada pelo cheiro de tinta fresca, me trouxe a memória, os bons momentos que agora compartilho com o querido leitor (a), desejando a você querido amigo, um bom Natal, um feliz Natal, muito amor e paz, pra você.. Pra você. \o/


Obs: Imagem enviada pela autora.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A LINGUAGEM DOS SINAIS

Laudi Flor
laudiflor@gmail.com



Ela falava ao telefone e caminhava "nervosamente" no pátio do aeroporto. Dizia que sentia muito mas não entendeu a mensagem e não conseguiu adivinhar de que se tratava o recado, por isso mesmo, não teve nenhuma reação.

Não consegui saber o desfecho final da conversa mas sempre tive desejo de entender a linguagem dos sinais. Não me refiro à linguagem exercitada pelos surdos, ( Libras-LS), refiro-me, aquela em que inexistem frases audíveis e que falam mais que um dicionário inteiro; a linguagem dos sinais, do amor e dos amantes, a linguagem incondicional da mãe para o filho, a linguagem dos poetas e seresteiros, os sinais do tempo, se vai cair a chuva pra molhar a terra ou vai fazer sol de rachar, os sinais da idade, os primeiros cabelos brancos, o significado premonitório dos sonhos.

Meu bisavô era Profeta da Chuva, sabia observar a natureza, e previa certeiramente quando o tempo ia mudar. Se o céu estava estrelado, a chuva não caía (tão romântico), sem dúvida, ele entendia os sinais do tempo.

Alceu Valença, diz em sua música, Anunciação: “Tu vens, tu vens, eu já escuto teus sinais", porém, devido a minha pouca experiência com esse tipo de linguagem, prefiro Djavan, quando diz: "Teus sinais me confundem da aos pés mas por dentro eu te devoro. Teu olhar não me diz exato quem tu és mesmo assim eu te devoro".


Obs; Imagem enviada pela autora.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ORAÇÃO


Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


Recebi um pedido de oração através do email coorporativo. Contava que alguém iria se submeter a cirurgia do pâncreas e dizia assim: “Peço que orem ou rezem em suas igrejas, templos, casas espíritas, salões do reino, sinagogas e mesquitas, por alguém que precisa de suas orações...” E continuando o pedido: “Essa pessoa é um homem de bem, decente, correto e bom!”

Achei perfeita, a maneira humilde e universal em que chegou até mim a solicitação.Todo homem precisa de oração, seja ele bom ou mau, principalmente quando está acometido de enfermidade.

O Ministério (da Oração), tem tocado meu coração desde menina, de modo que, quando encontro pessoa enferma, só tenho sossego, quando coloco o pedido diante do Altíssimo!

Vivemos pela Graça e pela Misericórdia de Deus, ou seja, vivemos porque Deus assim permite. Não pelos nossos próprios méritos, que, aliás, não temos, mas pela Graça do Senhor.

Foi assim, que o cego Bartimeu, ao pressentir a presença de Jesus, clamou em alta voz: ”Jesus filho de Davi, tem misericórdia de mim”, e foi curado.

Pedir a misericórdia de Deus em qualquer lugar, nos templos, salões, sinagogas e mesquitas, é o que precisamos! Misericórdia para que ele restaure a saúde do enfermo e a bondade dos homens. Seja ele “homem de bem, decente correto e bom!”


Obs: Imagem enviada pela autora.

 
 

domingo, 6 de novembro de 2011

DRAGÃO


Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


Lembro-me daquela música do Erasmo:

“... Sei que você fez os seus castelos E sonhou ser salva do dragão
Desilusão meu bem
Quando acordou estava sem ninguém
Sozinha no silêncio do seu quarto
Procura a espada do seu salvador
Que no sonho se desespera
Jamais vai poder livrar você da fera da solidão...”

Um dia, ela acorda e chega à conclusão que já é uma mulher e do nada, conclui que o príncipe encantado que andava em seu sonho, montado no cavalo branco, não vai mais aparecer, deu o bolo, deixou-a a ver navios, e não a salvará da torre que a mantém reclusa, e nem do dragão que a aterroriza, isso porque o seu salvador nada mais é que um homem comum e quando muito, ele, vai conviver pacificamente com a fera que vigia o castelo, trocando figurinhas, sem se dar conta que a princesa como “mulher”, tem sede de atitudes másculas e protetoras.

Muito antes do que se imagina a Bela Adormecida acorda e percebe que ainda vive encastelada e de súbito, toma a decisão de livrar-se das amarras que a mantém presa. Larga o príncipe, vai à luta, conquista o dragão,que já não se mostra tão inatingível, e sai em busca de sua própria vida.

Assim, a sensação de espera cede lugar a algo muito maior, a realização de resgatar-se, sentir-se viva, e guerreira! \o


Obs: Imagem enviada pela autora.

domingo, 16 de outubro de 2011

DESISTIR, NUNCA!


Laudi Flor


A natureza nos ensina que nem sempre os rótulos que colocamos nas coisas, são um espelho autentico daquilo que vemos.

Isso acontece porque as pessoas são infinitas, e nos surpreendem a cada momento, seja pelo lado direito, seja pelo avesso, o ser humano é imprevisível e a natureza também acompanha essa imprevisibilidade, e que bom quando isso acontece de maneira positiva, é um sinal de que nada, absolutamente nada, está pronto e acabado.

Mas é preciso insistir na mudança!

Falei tudo isso, porque cansei de emprestar minha atenção, meu carinho, a um vasinho de flor, se molhava muito, as folhas caíam, se molhava pouco: as folhas caíam, assim, desisti de cuidar dela, e a coloquei no final da fila,lá na janela da cozinha, de maneira que eu mesma não pudesse vê-la.

Pois bem, dia desses fui até o final da fila e me surpreendi com vários botões nas pontinhas dos galhos, de uma cor tão maravilhosa, que só a natureza sabe fazer, fiquei tão envergonhada com a minha atitude para com ela, porque eu já havia julgado e condenado, simplesmente porque não aconteceu no momento que desejei, isso me fez refletir que nunca podemos desistir, nem das pessoas, nem das coisas, nem das flores e muito menos dos nossos sonhos, na minha sala de trabalho, tem um desenho de uma ave tentando engolir um sapo, e o sapo por sua vez, segura com as mãos o pescoço da Ave, logo abaixo, vem a inscrição, “mesmo quando tudo parece perdido, não desista, nunca!!! \0/ \0/ \0/


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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

CENTOPÉIA

Laudi Flor


Já ouviu alguém falar assim: “não estava preparada pra ser mãe”, “não estava preparada pra assumir um relacionamento com fulano”, agora pergunto: vc conhece alguma escola secular que prepara para alguém para ser mãe, é instintivo, concorda? Vc conhece algum curso ou seminário que prepara o indivíduo para amar uma determinada pessoa?
Não. Claro que não!
Caso fosse pré requisito conhecer os mistérios da maternidade, certamente desistiríamos antes que acontecesse.
O coração escolhe aleatoriamente o fazer ou não fazer, não se sabe como.
O amor independe do saber consciente, ele simplesmente acontece e não adianta procurar as fórmulas mágicas de como foi que aconteceu, porque imagino que se algum dia encontrar a explicação, ele (o amor), deixará de existir.
Conhecem a fábula da Centopéia?
Pois bem, a Centopéia caminhava feliz na floresta, e o gafanhoto (sempre ele), elogiou a elegância no caminhar da amiga e perguntou a ela: “quando a senhora vai começar a andar, qual é a perna que a senhora mexe primeiro??
Pois é, contam que a centopéia ficou paralítica.
Algumas coisas acontecem e não tem explicação lógica,quem explica como é que se faz um carinho, um afago, um gesto de ternura genuíno, tem explicação?
Quem ensinou aos bebes tartarugas que eles deviam sair do ovo e correr pro mar?
Quem falou pras árvores que no outono as folhas devem cair para renovação?
Recentemente lendo esta fábula concluí que existem coisas que só se faz bem se não descobrirmos cientificamente como é que se faz e nem de onde elas vem, a proposta é simplesmente fazer e ser feliz!\0/


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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

BONSAI


Laudi Flor


Estava escrito: “Árvore Bonsai – Jabuticaba-18 anos. Vende-se."

Fiquei encantada com a magnitude da árvore em miniatura, perfeita! Seu formato lembrava o Baobá descrito no livro” Pequeno Príncipe”. Perguntei-me porque alguém cultivaria um ser vivo por dezoito anos a fio e depois o colocaria a venda. Entendo que por maior que seja o preço, esse valor não ressarciria o dono se levarmos em conta as manhãs, os dias, os meses e os anos de amor intenso até que ele (o bonsai) se tornasse aquela coisa linda, estonteante que agora estava ali exposta à venda.

O dia-dia nos faz descobrir novas paixões, atualmente encontro-me encantada com um bebe Bonsai de Jabuticaba que ganhei ano passado. De lá pra cá, passo horas apreciando seu desenvolvimento, consultando os blogs especializados, conversando com pessoas, esterilizando as ferramentas da poda, adquirindo conhecimento e até orando a Deus pra que ele me conceda a suprema alegria de vê-la florescer e dar frutos.

Voltando ao caso Bonsai exposto a venda, pensei sinceramente em comprá-lo, perguntei o preço e o valor informado não me assustou mas por incrível que pareça, me ocorreu que seu dono o colocou na vitrine apenas para chamar atenção em favor da floricultura e das outras plantas existentes pois não é possível que alguém depois de tantos anos de amor e paciência, desista e queira passar adiante o objeto de seu amor.

Não, pensei, não vou levá-lo comigo.

E assim, tirei da cabeça qualquer idéia de comprar aquela árvore porque tenho por certo que se eu a trouxesse pra minha casa, certamente ela morreria de saudade do seu dono, da sua fala, do seu jeito e do seu cuidado, porque o amor como diz a bíblia é paciente e bondoso,tudo suporta, tudo crê, tudo espera.


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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

MUSA



Laudi Flor


Fui a uma noite de autógrafos de renomado escritor. Figura brilhante, sensível, amoroso, um homem encantador. Falava-nos sobre a vida e suas paixões no meio daquele mundo por ele narrado. Peguei-me imaginando se ele seria casado e por que nunca havia mencionado sobre esse assunto em seus livros.

A maioria dos autores, com raras exceções, não mencionam o amor que fica em casa, e isso me intriga.

É certo que os poetas, escritores e artistas criam para si uma figura imaginária, uma Musa como ideal de perfeição e por esse ideal entregam-se inteiramente, derramam-se , sofrem e explodem de sentimentos e paixões, seja nos sonhos, seja na vida real, mas a pergunta em mim, ainda não calou. Por que não citam uma única vez a beleza interior de quem está a seu lado, não falam dos seus cabelos, da sua boca,de seus olhos?

Contam sobre o cachorro, os filhos, os pássaros, as flores mas por nem um momento falam sobre sua relação com a pessoa que caminha a seu lado diariamente. Será que o hábito subtrai do autor o desejo de falar pro mundo inteiro do seu amor de casa ou será que a musa eleita por ele não é exatamente aquela que caminha lado a lado?

Sei que não chegarei a bom termo e não conseguirei por um ponto final nesse questionamento, por isso caro leitor, deixo pra que vc tenha a sua própria conclusão mas lembre-se que os poetas ,escritores e artistas tem razões que as próprias razões desconhecem.


Obs: Imagem enviada pela autora.



domingo, 31 de julho de 2011

MONGES


Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


Há algum tempo, visitei o Mosteiro de São Bento, em Olinda-PE. Ali fui informada que diariamente, precisamente as 17:30 horas, havia audição de canto gregoriano,entoado pelos monges que lá residiam.

Todos os dias, faça chuva ou faça sol, com público para assistir o espetáculo ou sem ninguém que aprecie o evento,no horário determinado, eles estão alí, bem vestidos, limpos, prontos a entoar seu canto e encantar quem se dispõe a ouvi-los.Todas os dias, com o mesmo entusiasmo, cantam e oferecem a Deus o que tem de melhor, o canto Gregoriano.

Pois bem, tomando como exemplo os monges, nosso blog, " Perfume de Flor ", sempre que possível, havendo leitores ou não, vai postar um novo texto. Se alguém, ou um extraterrestre de outra galáxia ler e apreciar o texto que bom! O prazer é todo meu!

Nossa proposta é perfumar a vida, e levar o leitor a inteirar-se de coisas doces e dóceis, porque manchetes desagradáveis não é preciso levar a seu conhecimento, saltam aos nossos olhos, todos os dias nos jornais, e noticiários da TV.

O prazer de escrever é todo meu, minha alma é de poeta e certamente escreveria para as estrelas se não existissem leitores.Portanto caro leitor, se vc me brinda com sua presença amiga e deseja comentar situações análogas, estou aguardando seu comentário, simplesmente porque o prazer é todo meu! \0/


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domingo, 10 de julho de 2011

VIOLETAS


Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


Encontrei um amigo dos tempos do colégio e ele perguntou: “Você cantava no conjunto coral da Igreja? Jura?” Ele nunca me viu e ele participava do mesmo coral que eu cantava.

Incrível! Concorda?

Às vezes a gente se torna invisível, seja por querer, seja porque os outros deliberadamente fingem que não nos vêem. A invisibilidade é excelente em alguns momentos:

1) Naquela hora que o professor cobra as explicações sobre a problemática existente entre o planeta terra e o planeta Venus, com relação ao aquecimento solar e você nem imagina de que se trata.

2) Quando você chega atrasado ao evento mais importante da empresa;

3)Quando reincide no atraso e seu chefe o convoca pra uma conversa e outras situações.

Falam por aí que após certa idade a mulher ganha de presente a qualidade de se tornar invisível! Não acredita? Pois é a mais pura verdade. Ela some, evapora, desaparece e ninguém a observa, simplesmente porque ela interiormente acredita que não é importante para si mesma e aceita esse fato resignadamente. Pois bem, a qualidade de ser invisível não decorre da idade, mas das atitudes interiores diante da vida. Quer uma prova?

Falei no início que cantava no coral e que o amigo nunca me viu, não foi? Naquela época em que cantava no coral eu era uma jovenzinha complicada, insatisfeita e sem brilho, por isso nem fui observada.

O fato é que o fenômeno começa dentro da gente e os outros apenas aceitam. Tente levantar sua auto-estima, cuide das violetas que se encontram na sua janela e que possivelmente estão secas e sem-vida, e a coisa começa mudar, faça o teste!

Agora me pergunto: Porque será que o colega do colégio me observou a essa altura da vida? Você explica?...


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domingo, 19 de junho de 2011

A BRIGA DAS VONTADES


Laudi Flor


Não raro, me deparo com uma vontade tremenda de fazer coisas, que me parecem impossíveis. De um lado está o desejo enorme de concretizar qualquer sonho por mais louco que ele seja, do outro lado está a razão e essa me impede de realizar qualquer loucura, simplesmente porque ela (a razão),está ao lado da coerência.

Dizem que temos dois lados; o lado A e o lado B, o certo e o errado, o esquerdo e o direito, o lado de dentro e o lado de fora, um que diz não e outro que diz sim, um que voa como anjinho e outro que nos alfineta como diabinhos. Acredito mesmo que todas as pessoas vivem esse dilema, simplesmente porque dentro delas residem, como inquilinos permanentes, o sim e o não!

O poeta escreveu: ”Que há um lado carente dizendo que sim, e essa vida da gente gritando que não!”,certamente estava vivendo um desses conflitos existenciais. Clarice Lispector diria que essa é "a pior vontade de viver!"

E assim, aquele desejo de tomar um sorvete imenso acompanhado de bolo de chocolate quente resiste e desiste em favor da dieta e do corpo perfeito, o desejo de se tornar macaca de auditório e correr atrás do autógrafo do seu cantor preferido, resiste e desiste em favor do senso do ridículo e da postura elegante, o desejo de jogar tudo pro alto e se exilar numa ilha deserta, resiste e desiste em favor do emprego, salário e família.

É isso leitor amigo, todos nós nos balançamos entre o bem e o mal, e quem ousar dizer que possui só um lado, ou seja: só o bem ou só o mal, deve rever urgente seus conceitos, afinal, tem coisa mais chata e tediosa que conviver com alguém que se apresente sempre como “eterno bonzinho”, ou aquele que se apresenta como alguém que vê maldade em tudo? Sem contar que: Ter os dois lados, significa ter opção na hora decisão. Concordam?


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domingo, 22 de maio de 2011

HUM ANO


Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


A internet chegou pra ficar e não é que ela facilitou mesmo a vida de muita gente?!

Há algum tempo, precisávamos de intermediários para quase tudo, hoje temos o mundo a distancia do mouse ou a um toque das mãos, um simples “clic” e tudo está resolvido: Programar viagens, marcar consultas, comprar passagens aéreas, alugar e comprar imóveis, fazer matrículas, provas, cursos, até descobrir se a doença diagnosticada é realmente maligna, aprender a ler exames laboratoriais, arranjar namorados, comprar bens de uso pessoal, enfim toda uma gama de serviços a nosso alcance.

A internet é extraordinária, mas não se deve ir com tanta sede ao pote, afinal, nunca se sabe quem está do outro lado da linha, não é verdade?

Só sei que a inclusão digital chegou até mim e através dela resolvo parte de meus problemas diários, busco receitas e faço a ceia de Natal e Ano Novo, encontro sem problemas como transformar uma camiseta velha em algo moderno e arrojado. Constato que meu bonsai está amarelando e descubro lá na internet como devo fazer pra deixá-lo verde e feliz,seleciono material para um trabalho científico, converso com pessoas que residem do outro lado do planeta, participo de comunidades literárias, troco idéias sobre o que acontece diariamente no mundo, enfim, um universo fantástico e ainda desconhecido. Sem contar que há exatamente hum ano, virei uma internauta de carteirinha quando lancei na rede mundial de computadores, no espaço virtual o “Perfume de Flor”; blog de conchinhas literárias, onde compartilho com alguns leitores textos de minha autoria.

No dia que virei uma internauta, esqueci a timidez e assumi meu lado escritora autodidata. Aceitei humildemente as falhas do meu português ruim e decidi que iria “botar o meu bloco na rua” de qualquer maneira. Aí então descobri que o mundo vai muito além dos jardins do prédio que moro e que as pessoas têm problemas iguais aos meus, são abertas a novas idéias e estão dispostas a caminhar juntas.

Há exatamente hum ano, a rede mundial de computadores adicionou mais uma estrelinha no seu espaço virtual e a constelação de escritores famosos já aguardam que a simples estrelinha se torne uma “STAR”. \o/


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domingo, 24 de abril de 2011

EXPECTATIVA


Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


Quando iniciei a carreira de advogada, uma de minhas primeiras batalhas judiciais enfrentadas, dizia respeito à tese defendida pelas Centrais Sindicais que afirmavam ser “ a expectativa o melhor direito”. Na época, alegavam que se um empregado foi informado através da mídia de um determinado aumento em seu salário, ainda que aquele aumento não se transformasse em lei, o servidor teria assegurado o direito, pois viveu calcado em uma expectativa. Trocando em miúdos : aquele que esperou, contou, fez planos e não realizou aquilo que planejou, por ser isento de culpa não poderia ser decepcionado.A tese prosperou em alguns Tribunais mas em outros não!

Pois bem, as expectativas de coisas boas, de dias melhores, de emoções positivas fazem um bem danado ao espírito, ainda que essa expectativa seja frustrada por esse ou aquele obstáculo. Ela é infinita enquanto permanece impregnada em você.

Segundo o dicionário expectativa é:

1. Expectação; espera.

2. Esperança baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas.

3. Esperança.

4. Probabilidade

Fazer das pequenas coisas uma promessa de coisas positivas, desejar, sonhar, criar a esperança dos bons momentos antes mesmo que eles aconteçam, é essencial a existência humana. Os floreios anteriores aos acontecimentos podem eventualmente se frustrar mas de outro modo podem eternizar o doce que há nas coisas comuns e assim valer por uma vida inteira.

Contou-me uma amiga que ao comprar um bom vinho já fica no aguardo do momento em que vai saboreá-lo. Assim,prepara-se com uma boa música, uma roupa bonita e confortável, deixando tudo à meia luz para curtir cada cada gole como se tivesse uma agradável companhia e como se aquele gole fosse o último. A expectativa da degustação do vinho a faz viver intensamente o momento, ainda que a degustação seja solitária.

Muitas vezes nos pegamos criando expectativas de coisas desagradáveis, que mais parecem assombrações:Doenças, derrotas, discórdias e esquecemos que podíamos ter antecipado os acontecimentos em nosso favor, pensando e agindo de forma esperançosa. Não quero dizer que o pensar positivamente possa fazer com que você sempre seja um ganhador mas pode facilitar as coisas, clarear sua alma e tornar tudo mais fácil. Enfim a expectativa de coisas boas, aderindo a tese das Centrais Sindicais é o melhor direito!


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segunda-feira, 21 de março de 2011

NOVOS TEMPOS


Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


As antigas profissões ganharam nomes sofisticados e complicados. Tudo, a fim de que as atividades mais simples ganhassem “status” de primeiro mundo, por exemplo: O professor de educação física agora é personal trainer, a antiga manicure é personal stylist, quem arruma os armários da casa e põe as coisas no lugar, é chamado de personal home organizer...

Existe consultoria para tudo o que imaginar: Consultoria de organização e planejamento doméstico, de imagem, financeira, marketing, amorosa, ambiental e por aí vai, tudo em nome da modernidade. Nada contra, mas, aqui pra nós, que saudade tenho de nossas avós, que arrumavam a casa inteirinha, pagavam as contas, aprontavam as crianças para a escola, cozinhavam, lavavam, entendiam de tudo de uma maneira simples e descomplicada sendo chamadas carinhosamente de dona-de-casa.

Pois é. Em nome dos novos tempos assisti na TV uma entrevista com uma simpática senhora que se apresentava como “consultora de organização e planejamento doméstico”(Ufa, que nome grande!) e ela dizia mais ou menos assim: “ Somos esposas, mães, mulher porém todas essas funções nada mais são do que prestação de serviços!” Como assim??? Prestação de serviços?Vi-me perdida diante da TV.

Quer dizer que quando preparo o almoço ou vou a farmácia buscar um medicamento para meu filho que está ardendo em febre, estou prestando um serviço a família? Se fizer um bolo, todos terão que me reembolsar por essa prestação de serviços?

Se encararmos tais funções como uma simples prestação de serviços, esta prestação não deveria ser paga em moeda corrente? Mas, o amor não conta? O ato de dar e receber em família não são atos voluntários de amor e que por isso independem de pagamento?

Estou pasma!Que encontrem novos “temas” para antigas profissões, tudo bem! Agora mudar o nome da palavra “amor”, para prestação de serviços é inaceitável!

Tudo se torna mais grave se, por este prisma, imaginarmos que como esposas, somos parceiras sexuais de alguém que está vivendo sob o mesmo teto, na saúde e na doença e, deste modo, teríamos que “cobrar” pela prestação de serviços. Assim, deixaria de ser prestação de serviços para se chamar prostituição. Diante disso, caríssimos, o que dizer?

Neste passo, leitor (a) amigo (a), nadando contra a corrente das tendências da modernidade, vou ficando por aqui como “amante a moda antiga”, que desempenha as funções de esposa, mãe, amiga e mulher pelo imenso prazer outorgado, pelo amor


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domingo, 20 de fevereiro de 2011

A PLENO VAPOR


Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


Sempre tive a impressão que quando começa o ano os dias não estão maduros o bastante para serem dias, as manhãs ainda não despertaram do sono e as noites são infantis. Parece até que as pessoas vivem o momento como se estivessem em final de festa, retornando pra casa, acordando de um sonho, um pesadelo, ou então,estão de ressaca e se comportam sem ânimo como se fossem filmados em câmera lenta.

Tudo coincide com o período das férias escolares, assim as ruas já não exibem seu maior movimento, as horas se arrastam e tudo caminha preguiçosamente. Esse ritmo é mantido até meados do mês de fevereiro quando a própria vida resolve acordar as manhãs e tornar adulta a noite que outrora agia como criança.Neste lance, as coisas tomam rumo e as engrenagens começas a aquecer os motores. Movimenta-se a máquina que volta a funcionar a princípio lentamente mas depois em ritmo acelerado, até chegar dezembro,quando tudo corre a pleno vapor!

Rubem Alves fala o seguinte: “Catar conchinhas... Eis aí uma deliciosa brincadeira para quem deseja ser escritor. A alma é um grande mar que vai depositando conchinhas no pensamento. É preciso guardá-las. Quem deseja ser escritor há de aprender com as crianças a catar conchinhas, pensamentos avulsos, como esses com que estou brincando, e guardá-las num caderninho. O que torna a conchinha importante não é o seu tamanho, mas o fato de que alguém a cata da areia e a mostra para quem não a viu: “Veja...”Literatura é mostrar conchinhas.

Pois é, estou catando conchinhas caro leitor, tentando organizar os pensamentos avulsos que pairam na minha caixinha de surpresas, para depois mostrá-las a você como quem mostra um tesouro precioso, dizendo assim: Veja encontrei essa conchinha, não é linda??...


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domingo, 23 de janeiro de 2011

D. QUIXOTE



Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


Ele passava na vila todos os dias as 13h00min( treze horas) em ponto. Exibia um porte esguio, vestia sempre uma única roupa surrada e suja, usava um chapéu preto que o deixava com ar de D. Quixote de La Mancha, e assim, sob o sol escaldante do nordeste, asfalto seco, ardente e sem vida, ele conseguia andar sem sapatos. Isso parecia não incomodá-lo.

Nunca perguntei seu nome, mas aqui o chamaremos de D. Quixote.

Naquela época eu tinha concluído o colegial,estava noiva e já procurava emprego, um “bico” que custeasse minhas despesas básicas. Raramente sobrava tempo, mas quando o mormaço da tarde incomodava , debruçava-me na janela e ficava a sonhar, apreciando o movimento dos carros. De longe já observava a caminhada do meu personagem favorito, já conhecia sua maneira elegante de pedir esmolas. Assim, me apressava em correr a cozinha para arrumar um prato com tudo que havia sobrado do almoço!

Fui me afeiçoando àquela figura e nem me importava com as chacotas das amigas, que falavam em tom de brincadeira: “Lá vem o seu velho pobretão !”.

O tempo passou, finalmente consegui acertar aulas de reforço e aquele “primeiro emprego” me conferiu a oportunidade de oferecer aquele senhor um par de sapatos, já que no meu entender, o asfalto era por demais sofrido e devia incomodar seus pés.

Pedi a alguém que conseguisse o número de seus sapatos a fim de presentear-lhe, mas estranhamente “D. Quixote”, não quis informar. Resolvi, então, ir perguntar pessoalmente. Ele balançou a cabeça negativamente. Fiquei intrigada e tornei a investir em minha proposta. Ouvi do meu personagem o seguinte: “Não quero os sapatos, porque no dia que você for embora da vila, meus pés estarão finos! Não sei se outra pessoa comprará outro par de sapatos pra mim! Se não comprar o sofrimento será ainda maior!” E não aceitou o presente.

Eu podia ter argumentado que: “Amanhã é outro dia” ou ”a felicidade do momento, vale uma vida”, mas era jovem demais pra isso!

Hoje, entendo perfeitamente sua recusa. Ocorre que muitas vezes, é melhor privar daquilo que é desejado para preservar-se por inteiro, a ter de jogar todas as cartas, apostando em algo que posteriormente o fará sofrer. Pode parecer comodismo caro leitor, mas é uma maneira sensata de viver a vida!.


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domingo, 12 de dezembro de 2010

TRES DIAS



Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


“Trago a pessoa amada de volta em três dias”. Era o que prometia o cartaz colado em um poste num ponto de ônibus.

Estava implícito: “Seu desejo é uma ordem! Trago a pessoa amada de volta em três dias, a ferro e fogo!” Ainda que a pessoa amada não pretenda reconciliar, mesmo que essa pessoa não te ame o suficiente, “trago a pessoa amada à força!”

Seguindo essa linha de raciocínio e supondo verdadeira essa assertiva, poderíamos considerar que o simples querer e o “pagamento” a alguém lhe devolveria o amor de sua vida, porém, neste exato momento, indago: A partir da volta da “pessoa amada”, as coisas entre o casal seriam mais simples ou mais complicadas?

Será que seu desejo é tão egoísta, tão maior e mais importante que a vontade do outro? Será que vale a pena ter o bem amado mesmo quando ele deseja estar bem longe de você?Você ficaria infinitamente feliz com a presença de seu amor e ele (seu amor) sonha com a sua ausência. Prender o corpo e não prender o coração, o pensamento, a memória, faz algum sentido?

Se a assertiva fosse verdadeira seríamos fantoches nas mãos daqueles que julgam ter o poder para trazer o amor.

De tudo, fica certo que coisa boa é coisa consentida!Aquela que é desejada, querida, amada, e aquela que fica melhor ainda quando é “a dois”. Quando “dois” buscam o mesmo objetivo,sentem a mesma saudade e compartilham da mesma paixão e do mesmo fogo não por três dias mas por uma vida inteira.


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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ANJOS DE GÁS



Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


Sempre tive deslumbramento especial pelos balões de gás, aqueles coloridos que povoam os parques de diversões, aniversários, festas escolares, Natais, comemorações...

Esses balões são quase encantados, têm vontade própria e permanecem nas mãos daqueles que eles mesmos escolhem. Digo isso porque ao menor descuido do seu dono, somem no infinito azul, deixando-nos tristes pela trágica impressão da perda brusca, pelo oco, pelo sentimento desconcertante de que não agradou.

Lembro que quando criança tinha o cuidado de enrolar na mão, com voltas e voltas, o cordão que prendia o balão, mas de nada adiantava. Inevitavelmente “fugiam”!Pensava: “Onde estariam em melhor situação do que preso a mim que o cobria de cuidados?”

Como o cachorrinho abandonado na Praça que não aceita os carinhos da senhora, mas abana o rabo até não poder mais, ao ver uma criança que ele escolheu em total nonsense, decididamente, não tenho dúvidas, eles, os balões, escolhem seus donos.

Nunca vi brilho nem fantasia nos balões sem gás que permaneciam dias comigo. Queria mesmo os fujões porque pareciam vivos, porque certamente escapavam para viver toda uma imensidão de cor anil.

Imagino que hoje muitas coisas escapam de nossas mãos, escorregam entre nossos dedos. Assim num piscar de olhos e sem avisar aparecem e desaparecem do nada, deixando-nos com uma terrível sensação de vazio, sumiço e melancolia.

É o que acontece com o emprego, com os amigos, com o tempo, com os planos para o futuro, com a palavra que deixou de ser pronunciada... Enumerar as razões que fazem com que a cor da alegria do momento evapore, numa poeira de tempo, é quase impossível. Só sabemos que perdemos, esquecendo que para perder, um dia ganhamos.

De tudo, temos sorte! Em alguns casos, existe a possibilidade da substituição; trocar o azul pelo vermelho, o amarelo pelo verde, o laranja pelo branco... De outra forma então, quando não se puder substituir, resta curtir a dor do abandono deixando-os “voar, voar, subir, subir, ir por onde for” para que lá, como “anjos de gás” alegrem e divirtam eternamente os anjos dos céus!

Então, você, caro leitor, se perdeu o balão colorido como eu, tranqüilize-se e alegre-se, pois no fundo, a partida foi por uma boa causa. No mais, imite-o e vá ganhar o seu mundo!


Obs: Imagem enviada pelo autor.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

NARCISO



Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


Um dia desses, estávamos num restaurante com alguns amigos, quando observei um casal de namorados numa mesinha de fundo do canto direito. Deduzi, sem dúvida, que para os dois a música não tocava os garçons não existiam, os cantores não cantavam as pessoas não falavam... Nada parecia incomodar, e o mundo parecia ser apenas “dois”. Sim, eles estavam apaixonados e assim, o clima de encantamento e magia invadia, perfumando tudo ao redor. Muito mais que beijos, eles se acarinhavam através dos olhares, trocavam afagos e faziam as carícias invisíveis que só eles sabiam como faziam e só eles sentiam. Pensei comigo: “Poxa vida, que legal!”

O fato lembrou-me a mitológica história de Narciso. Narciso era a mais bela dentre todas as criaturas que viviam nos campos e nos bosques. De tão belo, ao ver-se refletido nas águas de uma fonte, apaixonou-se pela imagem, e então sendo incapaz de afastar-se de seu próprio reflexo, ficou a contemplá-lo até consumir-se. Logo, nasceu a flor conhecida pelo nome de “Narciso” no lugar onde morrera.

Rubem Alves, conta que existe uma continuação desse mito. O autor relata que após a morte de Narciso, as criaturas do bosque, dilaceradas pela tristeza de sua ausência, lembraram-se que, de todas, a fonte era quem mais contemplara Narciso. Então, foram até ela e pediram: “Fonte, fale-nos sobre a beleza de Narciso!” E a fonte retrucou: ”Narciso era belo? Eu nunca notei...” As criaturas, incrédulas, perguntaram: “O que você via quando Narciso estava diante de você, a mirar-se? E a fonte responde: “O que é que eu via? Eu via minha beleza refletida nos olhos dele...”

Mas falei tudo isso, pra chegar ao casal de namorados. Entre eles, só a beleza existia.

Narciso via a beleza dele nas águas puras e cristalinas da fonte, e a fonte por sua vez, via sua beleza nos olhos de Narciso, estavam apaixonados!

É isso! A paixão reflete nos olhos do ser amado a beleza mais límpida e pura que existe dentro da gente, simples assim!

Obs; Imagem enviada pela autora.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

UMA LEMBRANÇA



Laudi Flor
laudiflor@gmail.com


Quando menina, visitava a casa de meus avós na pacata cidade de Palmares-PE, a margem do Rio Una, zona da Mata Sul do estado de Pernambuco. Todos os anos nossas férias começavam e terminavam lá. Para nós, crianças da cidade, ávidas por brincadeiras, a casa branca com as janelas azuis na antiga Usina 13 de Maio era como o sítio do Pica-pau amarelo com Emília e Narizinho, cheia de magia e encantamento. Para nós, aquele cenário era um relicário, uma caixa de surpresas, uma cartola prateada de onde saíam coelhos, estrelas, lenços coloridos e esvoaçantes, príncipes encantados, princesas, sapos, cavalos, era a nossa Disneylândia, a realização de todos nossos sonhos, tantas flores, tantas frutas,tanta alegria!

Palmares, região das Usinas, da cana-de açúcar, dos Senhores de Engenhos, conhecida como "Terra dos Poetas", a "Pérola do Una".Lembro dos torrões de açúcar que a Usina 13 de Maio fornecia gratuitamente quando estava em manutenção.Lembro do povo de linguajar doce como o melado, lembro dos caldos de cana feitos no quintal da casa de meus avós, os pulos nas amarelinhas e as bonecas de pano costuradas na sala principal.

Quanta saudade!

Hoje assisto o noticiário na TV e com profunda tristeza, constato que a cidade fora devastada pelas chuvas que se abateram sobre aquela região. Fico a imaginar: Será que aquele “bougainville” rosa, ainda permanece? Será que a casa que meus avôs residiam ainda está de pé? Será que a Igreja Presbiteriana da Praça resistiu? E o povo de Palmares, como andará? É certo que a família mudou para capital, apenas alguns parentes distantes permaneceram ali, mas a lembrança e a saudade é tão forte quanto a própria vida que existe em mim.


“Tudo lá parecia impregnado de eternidade” , já dizia Manuel Bandeira e será sempre assim a minha Palmares.Eterna.


Obs: Imagem enviada pela autora.