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sábado, 31 de dezembro de 2011

A BARGANHA DELETÉRIA


Maria Lioza de Araújo Correia


Como todos os anos, o Natal chegou carregado dos sentimentos de amor, fraternidade e Justiça, que emanam do seu profundo sentido transcendental e que são os pilares do Reino de Deus, ora apresentado de forma contundente e verdadeira: "O Reino de Deus traz em si uma proposta radicalmente nova de relacionamento entre as pessoas e os grupos humanos; traz em si uma crítica a muitos projetos e maneiras de se organizar a sociedade e a vida de cada um ...; traz em si a denúncia de que a injustiça se petrificou nas estruturas sócio-econômicas que a cada dia matam milhares de seres humanos. Uns têm tudo, outros não têm nem terra, nem trabalho, nem salário digno, nem casa, nem comida... O Natal nos interpela a rever nossos projetos, rever os rumos que estamos tomando em nossa vida individual, social e comunitária, avaliá-los à luz da mensagem, revelada pelo profeta Isaías, segundo o qual, o Messias que ele anuncia fará reinar sobre a terra a paz e a justiça e difundirá o conhecimento de Deus: "Ele julgará as nações, corrigirá muitos povos". (Is 2, 1-5); "Ele não julgará segundo a aparência. Ele não dará sentença apenas por ouvir dizer. Antes julgará os fracos com justiça, com equidade pronunciará sentença em favor dos pobres da terra”. (Is 11, 1-9); Porei o direito como regra e a justiça como nível”. (Is 28, 16-17).

Como se vê, a justiça é um dos pilares e uma constante na mensagem profética sobre o Reino de Deus, que veio até nós na pessoa de Jesus Cristo a quem o profeta Isaías veste com o manto da Lealdade e o circunda com o cinto da Justiça, na expressão poética do canto "Da cepa brotou a rama", de autoria de Reginaldo Veloso, em que reproduz magistralmente, as exigências messiânicas anunciadas pelo profeta para a concretização do esperado e desejado Reino de Deus.

Infelizmente, este reino não se revela na justiça dos homens, cujos pilares não são revestidos com a argamassa da Lealdade nem circundados com o cinto da Justiça, como aconteceu, nos dias de espera do Natal, tempo propício à conversão dos costumes, quando João, clamando no deserto: "Convertei-vos! Preparai uma estrada para o Senhor! Endireitai os seus caminhos!", nos reporta ao vergonhoso episódio das articulações engendradas entre o PMDB e ministros do Supremo Tribunal Federal, as quais culminaram com a autorização daquela Corte de Justiça para permitir a Jader Barbalho assumir o mandato de senador, do qual estava afastado em função da sua ficha parlamentar ter-se revelado extremamente suja e sua imagem política maculada por atos e exemplos não condizentes com os princípios éticos, obrigatórios para quem exerce um mandato parlamentar.

O referido caso, publicado na grande mídia, trouxe perplexidade ao país, onde a Justiça além de cega é, também, surda e capenga, resultando lenta e tardia para agir a favor do clamor popular por direito e justiça, a exemplo do "Ficha Limpa", cuja decisão, até hoje, permanece indefinida. Entretanto, quando existe em jogo algum interesse de peso, as deficiências inerentes à Justiça desaparecem e as decisões surgem com celeridade inacreditável para quem é habitualmente morosa e tardia.

No recente caso, acima mencionado, as tratativas entre ministros do STF e caciques do PMDB, tendo como objetivo acatar o pedido do referido senador para voltar ao Senado, ocuparam o pequeno período de um mês, apenas, ao mesmo tempo em que provectos ministros do STF conquistavam a influência daquela casa legislativa para conseguir a inclusão de reajuste salarial em favor do Judiciário, no orçamento de 2012, em proposta apresentada extemporaneamente, após o prazo decorrido em agosto, quando o projeto de lei do orçamento já havia sido encaminhado ao Congresso.

Causa espécie que representantes da Suprema instância da Justiça tenha-se prestado a barganhar com as raposas políticas, troca de favores a serviço de interesses recíprocos, não propriamente edificantes para a Justiça, e, certamente, temerários para os interesses do povo brasileiro.

Por outro lado, é também lamentável que ministros integrantes da alta corte do Judiciário, detentores de prerrogativas e privilégios que são inacessíveis à imensa maioria dos cidadãos e trabalhadores brasileiros, estejam a criar arestas políticas, mediante pressões, não condizentes com a "liturgia" do cargo que ocupam, à moda própria das categorias populares e de seus sindicatos, quando reivindicam aumento para salários de sobrevivência, incomparavelmente inferiores aos de juízes e ministros dos Tribunais Superiores.

Ademais, não consta que o Poder Judiciario viva de "pires na mão", como é o caso da grande maioria das categorias de trabalhadores para quem um reajuste salarial é questão de sobrevivência e não de aumento de renda. Pelo contrário, é sabido que nas altas esferas federais e até estaduais predominam os altos salários, além dos privilégios e vantagens assegurados constitucionalmente à magistratura, nas duas esferas.

Por isso, soa completamente desafinada a ameaça de greve por parte desses lídimos representantes da Justiça Federal brasileira, que através de sua associação (AJUFE), alegam como argumento para tanto, desrespeito à Constituição Federal e configuração de crime de responsabilidade por parte da presidenta Dilma Roussef, segundo declarado pelo presidente da referida entidade de classe. Ora, a Constituição é para todos, sendo dever precípuo do STF zelar pela sua guarda e cumprimento de suas diretrizes, de forma geral. Assim, o Art. 7º, da CF, em seu inciso IV, determina que: o salário mínimo "seja capaz de atender as necessidades vitais básicas dos trabalhadores e de suas famílias com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisisitivo...".

No entanto, não se percebe o zelo pela Lei Maior, por parte de ministros da Suprema Corte, para fazer cumprir o que é ali determinado no tocante ao salário minimo dos trabalhadores civis, sendo o descumprimento do Art. 7º, inciso IV, fato público e notório ao longo de todos os governos, desde priscas eras. Talvez, se os salários dos três poderes fossem vinculados ao salário mínimo, houvesse interesse no cumprimento do dispositivo constitucional que se refere à grande massa dos trabalhadores brasileiros.

Em face da discrepância existente entre os direitos das baixas categorias, que constituem a maioria da população brasileira e os privilégios mantidos e reivindicados pelas elevadas categorias, agiu acertadamente a presidenta Dilma Roussef, em recomendar ao Congresso a não aprovação do aumento salarial dos magistrados e servidores dos tribunais federais.

Na verdade, a recomendação da presidenta está coerente com as medidas de austeridade que ela vem impondo ao seu governo, servindo, também, como prevenção para evitar que a crise internacional que segue demolindo a economia dos Estados Unidos e da Europa, envie o seu vírus demolidor à economia brasileira.

Nesse contexto em que a maioria sobrevive com salários inferiores às suas necessidades e, por conseguinte, de forma compulsória, vem dando, desde muito tempo, sua contribuição ao desenvolvimento do país, é inadmissível que a associação de classe dos magistrados federais estimule a divergência política contra as medidas de austeridade do governo, que visam estabilidade econômica para todos, mormente para os mais necessitados, em que, data venia, não se enquadra a magistratura federal.

Portanto, seria edificante que a magistratura assumisse o honroso lugar que ocupa no cenário brasileiro, vestindo o "manto da Lealdade" circundado pelo "cinto da Justiça", que o profeta Isaias, em sua mensagem messiânica nos mostra como sendo pilares do Reino de Deus na terra.



terça-feira, 29 de novembro de 2011

A AMAZÔNIA É BRASIL E PERTENCE A TODOS OS BRASILEIROS.

Maria Lioza de Araújo Correia


Esta notícia já está requentada, pois já a recebi por e-mail umas três vezes. Para evitar a internacionalização da Amazônia, o que o Brasil tem a fazer é manter sua autonomia lá, mediante obras como a hidrelétrica de Belo Monte, tão combatida pelos ''defensores" internacionais da natureza, através de ONGS comprometidas, pricipalmente, com os interesses particulares dos pseudo defensores da ecologia e das causas indígenas. Interessante é que, quando do terrível desastre ecológico no Golfo do México, o qual até hoje não foi solucionado em termos de recuperação ambiental, não se viram esses zelosos da natureza batalharem para que os Estados Unidos tomassem uma posição clara e punissem exemplarmente a empresa de causou o acidente. A própria Green Peace, tão prestimosa em acusar quando se trata do Brasil, não deu um pio, não se manifestou no desastre do Golfo do México, permaneceu calada que só um coco. Foi silenciada porque é mantida pelos grandes grupos do capital internacinal e não poderia se voltar contra quem a financia.

Por outro lado, setores da Igreja Católica e de outras igrejas, principalmente vindos dos Estados Unidos e de países europeus, bem como grupos que se apresentam como defensores das causa indigenista, também pertencentes ou influenciados por essas ONGS, vivem dando declarações e estimulando a polêmica contra as obras do Governo na Amazônia. Isso não ajuda o Brasil, pois as tribos indígenas que querem preservar as imensas áreas de terras, não tem condição de conservar sem a intervenção governamental a grande extensão das áereas reivindicadas.

Ademais, o Brasil não pode retroceder no processo desenvolmentista, sob pena de correr o risco de enfrentar uma grande dificuldade energética que prejudicará em muito o seu desenolvimento. Este é um dos pontos atacados na propaganda subliminar e camuflada contra a hidrelétrica de Belo Monte e contra todas as que forem necessárias para atender à demanda de energia da qual o Brasil vai precisar para continuar crescendo a fim de poder resolver os problemas econômicos e sociais de seu povo. Daí,o medo das grandes potências, de que o Brasil com suas riquezas, venha a se tornar mais forte e poderoso do que os carcomidos e exaustos países do hemisfério Norte, os quais já não dispõem de recursos naturais e querem a todo custo proibir o uso desses bens pelos países que os possuem. Isso vale também com relação ao petróleo do Oriente Médio, haja vista a guerra do Iraque e os ataques e bloqueios políticos e econômicos contra o Irã, porque possuem o petróleo que ainda move o mundo. Sob o mesmo aspecto, nós também temos o pré-sal que vai gerar ainda muita polêmica e muita cobiça internacional, mas que deve ser explorado pelo Brasil e usufruído em favor de todos os brasileiros e não apenas dos Estados onde se encontra a bacia petrolífera.

Portanto, se a Amazônia ou outras regiões do Brasil estão correndo o tal risco de internacionalização, o que temos a fazer é apoiar o governo em tudo o que puder ser feito nas regiões cobiçadas, especialmente na Amazônia, para que o mundo veja que ela nos pertence e dela podemos dispor em favor do Brasil, pois o Brasil e tudo o que tem dentro dele é dos brasileiros e somente eles é que poderão dispor desses bens, evidentemente com controle pelos órgãos governamentais. Essas ONGS, em sua grande maioria estão na Amazônia, a serviço dos grandes grupos internacionais, sob a desculpa de prestarem serviço humanitário questionável sobre vários aspectos que violam os interesses e a autonomia nacionais.

domingo, 30 de outubro de 2011

A MÚSICA COMO UMA DAS EXPRESSÕES MAIS REPRESENTATIVAS DA CULTURA BRASILEIRA.


Maria Lioza de Araújo Correia


          Analisando-se a trajetória da música brasileira, desde os primórdios de sua manifestação até o tempo atual, verifica-se que ela passou por diversas fases, num processo lento ou acelerado de transformação, de acordo com a realidade social, política e cultural de cada época, fundindo-se no que hoje conhecemos e vivenciamos como música popular brasileira.

          Nesse percurso foi-se processando a gestação de uma identidade musical nacional que já despontava desde os finais do século XVII através de traços musicais brasileiros nas modinhas, lundus, no ritmo sincopado e, posteriormente, no século XIX, se expressava nas danças como reisados, cheganças, congos e em outras manifestações folclóricas, ocasionando, no século XX, a transformação da modinha em música popular e o surgimento do maxixe, do samba, dos seresteiros e dos conjuntos de chorões, além de inúmeras danças rurais, em que se vislumbravam características da uma incipiente identidade nacional brasileira, nessas expressões musicais populares, segundo Mário de Andrade.

          Assim, com o surgimento do Modernismo que teve sua maior expressão concretizada na Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, surgiram questões relativas à definição de uma identidade brasileira na música, na literatura e nas artes em geral, podendo-se afirmar que o debate sobre as origens da música no Brasil, intensificou-se a partir daquele movimento, através das obras de Mário de Andrade e Renato de Almeida, ao longo das décadas de 20 a 30.

          Em relação à música, tomando-se como referência de expressão musical brasileira o samba, cujas origens foram objeto de debates por parte de historiadores, sociólogos, músicos e estudiosos, a tese de Mário de Andrade sobre o assunto, baseava-se na concepção de que “a arte nacional estava feita na “inconsciência do povo”, sendo a arte popular a alma dessa nacionalidade” ... e ainda, “a música popular brasileira é a mais completa, mais totalmente nacional, mais forte criação de nossa raça até agora”. Entretanto, ele entendia ser necessário acompanhar a evolução dos tempos e modernizar a criação musical sem extirpar suas raízes, fincadas no chão da autêntica brasilidade, na qual não se enquadrava a música urbana, porquanto impregnada de sonoridades e elementos estrangeiros.

          Contrárias a essa tese surgiram outras tantas que serviram para ampliar e aprofundar os debates em torno do assunto, sem contudo, levar a uma conclusão pacífica a respeito das origens do samba, que a despeito de todas as polêmicas, terminou consagrado como um dos ícones da música popular brasileira e um dos lídimos representantes da nossa cultura.

          A propósito, importa destacar que, na década de 50, em função do panorama político e social favorável às mudanças na sociedade, o rádio como fator de progresso, foi decisivo para a divulgação de gêneros musicais estrangeiros como os boleros mexicanos, os tangos argentinos, o jazz e principalmente as famosas bandas americanas, que ocupavam o espaço da música brasileira e de forma sub-reptícia, porém intencionalmente mercantilista, exerciam sua influência nas massas urbanas, embaladas pelas paradas de sucesso, pelos fã clubes, etc.

            Face a essas circunstâncias que se delineavam adversas à divulgação da música brasileira, surgiram movimentos, por parte de folcloristas, músicos e intelectuais, em prol da reabilitação das raízes musicais populares, a exemplo da Revista de Música, criada em 1954, da Antologia da Música Popular Brasileira Popular e do 1º Congresso Nacional do Samba, em 1962, organizado pela Companhia de Defesa do Folclore Brasileiro, cujo objetivo era “preservar as características do samba sem tirar-lhe as perspectivas de modernidade e progresso”.

          Foi nesse contexto que a partir de l959, surgiu a, Bossa Nova, “projeto de renovação estética e modernização que, ao mesmo tempo, reivindicava o seu lugar na tradição do samba” e trouxe de volta o debate, tornando-o acirrado, como demonstra Brasílio Itiberê denunciando a devastadora influência da música estrangeira na nossa música, num recado direto aos protagonistas da Bossa Nova: “... ela foi ferida de morte na sua parte orgânica mais preciosa, atingida no cerne, na medula, isto é, no ritmo. Desaparece o ímpeto dinamogênico do sincopado e, privada de sua vivacidade rítmica, a melodia popular se amolentou, tornou-se invertebrada, perdendo caracteres raciais específicos...”.

          Na esteira de críticas à Bossa Nova, também Ary Vasconcelos lançou um livro sobre a história da música urbana e sua divisão em quatro fases, indo da primitiva (1889/1927) para a fase de ouro (1927/1946), seguindo-se a fase moderna (1946/1958), até a fase contemporânea (1985 em diante), em cuja divisão demonstra a influência crescente da música estrangeira, fazendo com que “o samba original” fosse chamado de antiquado, na “época moderna” da música brasileira” e atribuindo a perda de raízes à indústria cultural e às influências estrangeiras que “sepultaram a expressão mais pura da alma nacional”.

          Em que pese a avassaladora consagração da Bossa Nova, outro historiador de música brasileira, José Ramos Tinhorão, ferrenho crítico da Bossa Nova, defende a tese de que a música brasileira manteve-se autêntica enquanto ligada ao universo folclórico coletivo, isto é, às suas raízes, tendo-se dissociado de sua base social “originária” na medida em que as criações musicais passaram a ser direcionadas a partir dos anos 30 para o rádio e depois para a televisão, nos anos 60, devendo-se essa ruptura ao surgimento e disseminação da Bossa Nova, bem como à sua apropriação pela classe média urbana.

          As críticas de José Ramos Tinhorão, focadas no tema da expropriação da música popular pela classe média branca e internacionalizada, não deixam de ser procedentes, vez que, a MPB recebia o patrocínio da indústria fonográfica, mercantilizada aos interesses das gravadoras internacionais. Na verdade a Bossa Nova e posteriormente o Tropicalismo, impulsionados pelo rádio e TV, conseguiram ultrapassar os limites do país, projetando-se no exterior e tornando conhecida a música brasileira para além do Brasil. Esse foi o seu maior mérito, principalmente em relação à Bossa Nova.

          Quanto à nova feição que a música brasileira tomou, diversificando-se em outras modalidades, depois da Bossa Nova, é temerário afirmar-se que a Cultura Brasileira enriqueceu com a diversidade musical, porquanto o que prevalece atualmente, é a grande profusão e enorme divulgação de uma música descaracterizada, desqualificada e distante da identidade da autêntica música de raiz brasileira, caracterizando-se, claramente, como contra-cultura.


Fonte de pesquisa: “Desde que o samba é samba: a questão das origens no debate historiográfico sobre a música brasileira”.
Por: Marcos Napolitano – Univ. F. do Paraná e Maria Clara Wasserman – Mestranda em História – UFPR


Obs: Foto enviada pela autora, que está com a pasta amarela, com outros colegas do curso de Pós-graduação da FACCAMP.

domingo, 16 de outubro de 2011

IMPRESSÕES SOBRE A 25ª SEMANA DE LITURGIA

Maria Lioza de Araújo Correia


Cheguei da 25ª Semana Nacional de Liturgia, realizada em São Paulo - SP, cujo tema deste ano foi "JUVENTUDE E LITURGIA", evento aberto a todos os que trabalham e vivem a liturgia como, padres, bispos, religiosos/as, leigos/as, catequistas, que exercem funções ministeriais ou catequéticas em comunidades paroquiais ou formativas, tendo sido uma semana riquíssima em reflexões, orações, descobertas, perplexidades e principalmente em conscientização.

Os encontristas perfaziam um total de 220 pessoas contituídas por acessores, jovens, padres, bispos, religiosos/as e leigos/as, pessoas estas, enviadas por Igrejas de quase todos os Estados do Brasil, com exceção de Pernambuco que não mandou nenhum representante, haja vista que eu e Jeane, mesmo sendo de Recife, sempre participamos independentemente de vinculação com a nossa paróquia e muito menos com diocese, mas, tão somente movidas pelo amor à Liturgia e para melhor exercermos o nosso ministério litúrgico-pastoral na paróquia e nas comunidades, situação diferente dos demais participantes do evento, que foram encaminhados por aquelas instituições paroquiais ou diocesanas, onde exercem seus ministérios litúrgicos ou pastorais.

Embora esta 25ª Semana de Liturgia tenha tido uma proposta dirigida aos jovens, não havia predominância numérica desse seguimento, podendo-se afirmar que houve equilíbrio entre os participantes jovens e os demais, nesse encontro tão diversificado em idade das pessoas. Entretanto, uma coisa me despertou a atenção nessa diversidade cronológica. Refiro-me ao ufanismo demonstrado pela juventude presente, não sei se por ter esta preciosa oportunidade de se ver como protagonista de uma reunião tão importante ou por imaginar que ali estando em grande número, poderia, de alguma forma, influenciar os rumos da Liturgia para adaptá-la às suas práticas celebrativas ou aos seus desejos e interesses, que, de modo geral, nem sempre estão necessariamente em conformidade com as práticas e as diretrizes da Liturgia considerada em toda a sua dimensão, enquanto cume e vida da Igreja, bem como, instrumento para a verdadeira espiritualidade.

Porém, à medida em que iam acontecendo os estudos formativos, as palestras, as reuniões em grupos, as celebrações, os laboratórios de vivências dos ritos, os depoimentos e experiências pessoais, notei que começou a cair a ficha para os jovens, mas também para os demais, que aos poucos iam despertando para o verdadeiro sentido da liturgia, em que "a obra de nossa redenção se realiza" *(MR, 1); e a obra da salvação continua na Igreja pela Liturgia" **(SC, 6).

Dentre esses momentos formativos, destaco a apresentação dos trabalhos, os depoimentos e as experiências dos jovens formados pela "Casa da Juventude" de Goiânia - GO e que lá estavam, já como formadores em Liturgia e puderam mostrar o trabalho litúrgico desenvolvido na citada "CAJU", destinado aos jovens, numa demonstração de que a Liturgia da Igreja é plenamente possível de ser praticada e até compreendida e amada pela juventude, desde que haja a iniciação nesse processso litúrgico formativo.

Na minha opinião, essa apresentação, juntamente com os depoimentos e as amostras através de slides, tudo feito por jovens da "CAJU", foram decisivos para mudar a compreensão da juventude ali presente, haja vista que as gerações se entendem melhor quando se igualham em idade, o que é perfeitamente compreensível.

Desta 25ª Semana de Liturgia, cheguei à conclusão de que houve realmente uma conscientização por parte dos jovens e também por parte dos demais, de que a formação é condição essencial e indispensável, sem a qual não é possível compreender o sentido da Liturgia para poder-se exercer os ministérios litúrgicos da Igreja. Nisto incluem-se as práticas celebrativas, especialmente as celebrações da Eucaristia e dos demais sacramentos, bem como a música ritual que as acompanha como parte integrante dos ritos.

Faz parte do final de cada Semana de Liturgia, a assembléia participante apresentar temas para a semana do ano seguinte. Como esses encontros são feitos nos moldes de seminários, em que os estudos levam às conclusões, daí resultou que os presentes é que deveriam lançar os assuntos, os quais depois de condensados e escolhidos seriam submetidos à votação pela própria assembléia. Isso posto, dentre os muitos apresentados, resultaram alguns temas e entre eles o mais votado foi:
"A SACROSSANTO CONCÍLIO: AVANÇOS, RECUOS, PARTICIPAÇÃO".

Em que pese este tema já ter sido anteriormente objeto de uma outra semana de liturgia, todavia, achei a escolha muito pertinente, tendo em vista os cinquenta anos do Concílio Vaticano II, em que devem ser debatidos todos esses problemas que tanto afetam a Liturgia da Igreja. Vi na escolha daquele tema, o bafejo do mesmo Espírito que iluminou e animou a Igreja para a realização do CONCÍLIO VATICANO II, que foi o grande evento reformador e evangelizador da Igreja Católica Romana no século XX.


*(Missal Romano, 1).
**(Sacrosanctum Concilium, 6).


Obs: Imagem enviada pela autora.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

IMPRESSÕES DE VIAGEM


Maria Lioza de Araújo Correia


Estive recentemente no Maranhão, com uma amiga, numa viagem missionária, para ministrar uma formação sobre música litúrgica, na cidade de Cândido Mendes, situada no extremo norte do Estado do Maranhão e já integrando a região Amazônica.

Éramos duas companheiras da caminhada litúrgica, sendo a amiga a quem me refiro, além de liturgista, também teóloga e missionária das comunidades de base da paróquia de Casa Forte, em Recife, onde exercemos nosso trabalho pastoral. Quando nos propusemos a realizar a missão na cidade de Cândido Mendes, não tínhamos noção da distância e das condições de viagem que iríamos enfrentar.

Viajamos de avião ao fim da tarde do dia primeiro de agosto até São Luis, onde pernoitamos, a fim de, logo ao amanhecer do dia dois de agosto, um micro ônibus viesse nos apanhar no seminário diocesano, onde dormimos, para nos conduzir ao ferry boat que atravessa um braço de mar, transportando muitos veículos pequenos, médios e grandes, além de centenas de passagerios que se acomodam na parte superior da referida embarcação. No trecho marítimo a partir do embarcadouro em São Luis, a viagem foi pitoresca e muito agradável, estando o mar tranquilo e sem grandes ondas que pudessem amedrontar alguns passagerios medrosos como eu.

Feita essa travessia que teve a duração de uma hora e meia, começando aproximadamente às 8:00hs e terminando por volta das 9:30hs, haja vista que esse tipo de transporte não prima pela pontualidade ao horário estebelecido, aí é que começou propriamente a viagem até a cidade de Cândido Mendes, quando já na outra margem, o micro ônibus retomou os passageiros e partiu numa longa viagem por terra, parte em rodovia estadual e parte em estrada de barro, que durou por volta de oito horas, chegando nós em Cândido
Mendes, mais ou menos às 17:30hs do dia dois de agosto de 2011.

Esse percurso foi uma verdadeira odisseia, não evidentemente no sentido poético da obra de Homero ao narrar as aventuras da viagem de volta de Ulisses, após a tomada de Troia, mas guardando as devidas e minimizadas proporções, não deixou de ser para nós uma grande aventura, no sentido de enfrentarmos o desconhecido com todos os percalços de horários, tempo de viagem, atrasos, desconforto, estradas danificadas e perigosas, enfim, todo o desgaste de uma longa viagem realizada nas condições precárias em que se encontram as estradas no interior do Brasil, e especificamente do Maranhão.

Entretanto, como fomos em missão, essas dificuldades foram enfrentadas sem maiores traumas, tendo em vista o objetivo que nos moveu até Cândido Mendes, de levar aos irmãos daquelas longínquas comunidades um pouco de formação litúrgica sobre a celebração do Mistério Pascal de Jesus (a Missa), especialmente com relação à música e aos cantos litúrgicos que acompanham os ritos celebrativos, bem como sobre o Ofício Divino das Comunidades, que é a oração da Igreja, centralizada em Jesus Cristo e no seu Mistério Pascal.

Assim é que, tendo sua origem e estrutura na própria Liturgia das Horas, o Ofício Divino das Comunidades foi elaborado pela Igreja do Brasil, com o apoio e aprovação da CNBB, após o Concílio Vaticano II, para que o povo inculto e simples tivesse acesso à Palavra de Deus, através das leituras bíblicas e dos salmos, sendo por isso, uma forma de oração cujos fundamentos bíblicos, teológicos e litúrgicos constituem-se em elementos de uma verdadeira evangelização pedagógica e acessível às comunidades que não dispõem de padres, e que necessitam da Palavra de Deus para manterem a fé e a união com a Igreja, sendo o Ofício, ao mesmo tempo, uma oração enraizada na vida e na cultura do povo, daí originando-se o seu nome de Ofício Divino das Comunidades.


Chegando ao nosso destino, fomos recebidas pelo padre Cosmo, pároco da cidade de Cândido Mendes, que nos acolheu e nos fez cientes do seu trabalho naquela paróquia e bem assim, das dificuldades enfrentadas para atender as comunidades distantes, até sete horas de viagem da séde paroquial, estando a própria cidade de Cândido Mendes situada a 300km da diocese de Zé Doca, à qual pertence. Na paróquia já se encontravam além das comunidades locais, várias outras, algumas vindas por terra e outras por mar, visto que a cidade de Cândido Mendes está localizada numa região litorânea com ilhotas, e rios que enchem com a maré alta e esvaziam quando a maré baixa.

Encantei-me com o verde e com as águas do Maranhão, que afluem através dos inúmeros igarapés, formando pequenas lagoas no meio do verde da vegetação e das palmeiras de buritis, babaçus e açaís, que inspiraram o poeta Gonçalves Dias a versejar sobre as belezas naturais de sua terra: "Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá. As aves que aqui gorgeiam, não gorgeiam como lá!. ... Em cismar, sozinho, à noite, mais prazer encontro eu lá. Minha Terra tem palmeiras, onde canta o sabiá! "

Todavia, além, das belezas naturais, o Maranhão possui outra grande riqueza que é o seu povo, simples, alegre, acolhedor. Percebi isso logo que cheguei e no dia seguinte, ao iniciarmos os trabalhos com a oração da manhã pelo Ofício Divino das Comunidades, pudemos ver como aquela assembleia de quase sessenta pessoas, era atenta a tudo e principalmente, como cantava e rezava com a voz e o coração. Também, chamou-me a atenção a facilidade com que aprendiam os cantos. Bastava ouvirem uma vez e já os entoavam corretamente.

Outro aspecto que merece destaque é a disponibilidade demonstrada pelas pessoas participantes da formação, algumas vindas de longe, tendo viajado sete horas de barco para atender o convite do pároco e receber os ensinamentos a fim de repassá-los e vivenciá-los com suas comunidades. Vislumbramos aí, o reflexo do trabalho pastoral e do empenho do pároco com a evangelização de seus paroquianos, como convém a um verdadeiro pastor com seu rebanho espiritual.

Ficamos em Cândido Mendes ministrando a formação sobre liturgia, apenas dois dias, tendo em vista que deveríamos enfrentar a longa viagem de volta, o que significava mais um dia na estrada até São Luis, para pegarmos o vôo de volta a Recife. Felizmente, o Pe. Cosmo consegui nos trazer de carro até São Luiz, proporcionando-nos um retorno mais confortável e sem os atrasos do micro ônibus.

Para nós a missão de liturgia em Cândido Mendes foi uma experiência enriquecedora, pois houve a troca do que levamos com o que recebemos daquelas comunidades ciosas de aprender mais e de aprofundar seus conhecimentos sobre litúrgia e canto litúrgico, no sentido de aperfeiçoar sua prática celebrativa com relação à Missa, mas, também, com relação à Celebração da Palavra, vez que esta é uma prática frequente, muito importante e significativa para muitas daquelas comunidades, tendo em vista a dificuldade de o padre atender a todas, e especialmente às mais distantes. Por isso nos domingos, Dia do Senhor, os leigos fazem a Celebração da Palavra para que suas comunidades tenham a presença de Jesus no meio delas, através de sua Palavra, na qual Ele se encontra presente.

Voltamos gratificadas pelo trabalho realizado e, principalmente, pela calorosa e sincera acolhida que sentimos por parte das pessoas, em relação à formação litúrgica que conseguimos ministrar, mesmo em face da exiguidade do tempo.

Agradecemos a Deus por essa oportunidade, ao Pe. Cosmo pela acolhida e às comunidades pelo exemplo de fé e de dedicação à Igreja de Jesus Cristo.

Obs: Imagens enviadas pela autora.

domingo, 3 de julho de 2011

COMENTÁRIOS SOBRE A CONJUNTURA ECLESIAL PARA UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO

Maria Lioza de Araújo Correia
 lioza.correia@gmail.com


O excelente artigo de autoria do Pe.Mário de França Miranda, cujo conteúdo foi objeto de estudo e discussão na recente 49ª Assembleia dos Bispos do Brasil, tendo sido publicado pela CNBB, faz uma análise objetiva e realista dos aspectos que devem ser considerados como anti-evangelizadores na Igreja, além de mostrar outros em que a Igreja deveria se apoiar para obter mais êxito no seu papel primordial que é a evangelização. Assim, o teor do texto suscita, naturalmente, uma reflexão para alguns pontos que merecem nossa avaliação crítica, especialmente no que diz respeito a algumas posições estabelecidas ou assumidas pela Igreja, que em nada favorecem e até, pelo contrário, dificultam a maior conscientização e o entrosamento dos fiéis no processo de evangelização que é para todos, indistintamente.

Nesse sentido, tomo por base alguns desses pontos analisados com muita propriedade e sabedoria por quem conhece as fragilidades da nossa Igreja "santa' em sua essência, face ter sido edificada por Jesus Cristo: "Pedro, tu és pedra e sobre esta pedra edificarei minha Igreja", mas, também, "pecadora", posto que é formada por pessoas humanas frágeis e imperfeitas, passíveis de acertos e erros. Assim, concordando plenamente com os caminhos,ora apontados, para uma nova evangelização, na condição de leiga cristã e membro dessa Igreja que amo e a qual pertenço pelo batismo e pela fé em Jesus Cristo, apresento algumas observações atinentes a problemas recorrentes, relacionados com as questões tratadas nesta análise conjuntural. Destaco em negrito minhas observações pessoais sobre alguns temas abordados no texto à epígrade, recortados e transcritos em itálico e entre parêntesis, como se vê abaixo:


3 - A missão da Igreja:


"... Daí ser a nova evangelização a missão fundamental da Igreja (L 10). E como todos os batizados constituem a comunidade eclesial, todos eles, por serem católicos, devem também ser missionários. Razões históricas, que não nos cabe aqui discutir, limitaram ao clero a atividade pastoral, levando o laicato a uma passividade que perdura até nossos dias, e que, felizmente, começa a ser superada." ........


- Entretanto, essa mentalidade tem mudado muito lentamente. Observei que, numa celebração Eucarística da 49ª Assembleia dos Bispos do Brasil, um bispo que estava presidindo a celebração, saudou os outros bispos, os padres, os diáconos, religiosos e religiosas e ignorou solenemente a presença dos leigos. Não se dirigiu a eles, sequer, para tratá-los por irmãos ou fiéis. Como se tratava de um bispo emérito, é possível que no seu tempo de bispado ainda não houvesse a Sacrosanctum Concilium ensinando que por força do batismo todos são celebrantes. A propósito, um certo vigário geral, nos tempos de hoje, ainda diz: "leigo é como unha, quando começa a crescer precisa ser cortada". Infelizmente, essa é a mentalidade de boa parte do clero. O fato é que o protagonismo dos leigos que foi uma das coisas importantes afirmadas pelo Concílio Vaticano II, não é respeitado e muito menos valorizado, ainda hoje, pela Igreja que continua sendo clerical e centralizadora.


" ...Deste modo, “o problema da falta de fecundidade da evangelização hodierna é um problema eclesiológico, que diz respeito à capacidade de a Igreja se configurar, ou não, como uma comunidade real, como uma verdadeira fraternidade, como um corpo e não como uma máquina ou uma empresa” (L 2)." .......


- Na verdade, as estruturas da igreja, especialmente a das grandes paróquias, bispados com suas catedrais, assumem a prática empresarial, tornando-se verdadeiras empresas, a exemplo de uma determinada paróquia que é conhecida como a maior empregadora do bairro onde está localizada, canalisando os recursos decorrentes do dízimo e de atividades promocionais arrecadadoras, em sua maior parte, para o pagamento de salários e encargos sociais dos vários empregados ali existentes.


" ...Se no passado só a hierarquia tinha voz ativa e o comando das iniciativas, naturalmente o laicato se comportava como uma massa silenciosa, obediente e passiva. Portanto, não conseguiremos incutir no laicato uma consciência missionária se não oferecermos novas estruturas de comunhão e de participação."


- Essa mudança passa, certamente, pela inclusão de todos no processo de evangelização. Assim, não se justifica que numa paróquia onde são celebradas cinco missas dominicais, as comunidades do entorno próximo, só tenham uma celebração eucarística, cada uma, a cada mês, sendo alimentadas pela oração do Ofício Divino das Comunidades, pela Celebração da Palavra e pela vivência de muito devocionismo. E outras paróquias que possuem comunidades distantes, não têm sequer a Celebração da Palavra. Entretanto, as igrejas matrizes têm missa diária, mas os padres não se dignam de se desinstalar para irem ao encontro dos muitos que necessitam de serem incluídos na evangelização, através de mais presença paroquial e pastoral nessas comunidades.


4. Iniciação à vivência cristã


" ...A iniciação cristã constitui um processo em vista de um encontro cada vez maior com o Filho de Deus (DAp 289). Este processo se inicia por um encontro inicial com o Mestre de Nazaré através do anúncio salvífico (querigma) e da ação missionária da comunidade, ao qual se segue a resposta correspondente na mudança de vida (conversão) que se desenvolve gradativamente ao longo do discipulado, alimentado pela catequese e pelos sacramentos."


- Neste aspecto, é sabido que a iniciação cristã que vem sendo aplicada pela Igreja há séculos, baseada numa catequese destinada à recepção dos sacramentos do batismo, da eucaristia e da crisma, tem se mostrado deficiente e obsoleta. Finalmente, a Igreja vem reconhecendo no processo do catecumenato, um caminho eficiente e formador, através do qual a evangelização de crianças e adultos poderá se realizar com maior conscientização e aprofundamento na fé cristã, como experiência para toda a vida.


5. Igreja Local e comunidades menores


" ...Afirma o Concílio Vaticano II : “Não se edifica no entanto nenhuma comunidade cristã se ela não tiver por raiz e centro a celebração da Santíssima Eucaristia” (PODAp 180). 6). Já o Documento de Aparecida faz eco a estas palavras quando assevera que “todas as comunidades e grupos eclesiais darão fruto na medida em que a Eucaristia for o centro de sua vida e a Palavra de Deus o farol de seu caminho” (Entretanto a realidade eclesial hodierna nos oferece numerosas comunidades eclesiais privadas da eucaristia pela escassez de ministros ordenados."


- Em virtude da falta de padres, a Igreja poderia preparar e estimular o leigo para dar seu testemunho comunitário e evangelizador, celebrando a Palavra, onde o padre não vai, ou não consegue chegar, porquanto, é sabido que Jesus Cristo é presente, também, na assembléia reunida em seu nome e quando se celebra a Palavra. Recentemente, participando de um curso sobre o Ministério de Proclamadores e Salmistas, foi dito que uma comunidade sobrevive sem a Eucaristia, mas não sem a Palavra, citando como exemplo, exatamente a situação das comunidades distantes, que mantém viva sua fé, através da frequente celebração da Palavra de Deus.


6. Igreja e realidade sociopolítica


" ...O cristão não pode ceder de modo simplório ao “maniqueísmo político”, nem cair na tentação do “evangelismo político” que identifica a fé cristã com alguma opção política concreta (GS 43)." .......

" ...Logo pode um bispo emitir sua opinião pessoal, em nome próprio e para seus diocesanos, sobre temas da vida política, como observa a Nota da CNBB por ocasião das últimas eleições (08/10/2010)."


- Contanto que os bispos evitem o acirramento de temas que sejam bandeiras empunhadas por determinados candidatos, a fim de que o pronunciamento oficial emitido por um bispo em sua diocese não pareça desqualificar os demais candidatos, tendo em vista o respeito à liberdade dos fiéis e um possível efeito contrário ao pronunciamento pastoral, como sóe acontecer, também, na eleição de 2010, quando do envolvimento pessoal de bispos e padres na campanha eleitoral de um dos candidatos.


- Com merecidos encômios ao autor, pelo excelente trabalho de conscientização e evangelização.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

FATORES NEGATIVOS PARA A VIDA DA “SACROSANCTUM CONCILIUM”


Maria Lioza de Araújo Correia
lioza.correia@gmail.com


Lamentavelmente, após a grande enxurrada de movimentos que surgem frequentemente na Igreja Católica, constata-se, até com preocupação, o esvaziamento das celebrações eucarísticas em que é observada a liturgia em sua forma autêntica, isto é, que segue os ditames da Sacrosanctum Concilium, especialmente com relação à musica e ao canto litúrgico. Ao contrário, são preferidas as missas dos padres cantores, em que se privilegia o canto emocional, individualista, intimista e apelativo, sem os critérios balisadores do verdadeiro canto litúrgico. Nessas celebrações o que se vê são verdadeiras hordas de louvadores extasiados, assim formados através das grandes mídias católicas, que não estão preocupadas em preservar das distorções anti-litúrgicas o sagrado rito eucarístico, mas, preocupam-se, principalmente, em priorizar como objetivo maior, o aumento quantitativo de adeptos e de grande audiência televisiva. Diante de tal subversão, não seria o caso, de se indagar se não há por trás de tudo isso, algum imperioso motivo estimulando tamanha alienação que transforma a celebração eucarística do Mistério Pascal de Jesus Cristo em palco de diversão religiosa para multidões? Embora a resposta não seja explicitada, está claramente implícita no benefício financeiro auferido por meio desse estímulo aos movimentos que atraem as multidões, sob a pretensão de evangelização.

Importa ressaltar que a pseudo evangelização, pretendida por padres que incentivam a alienação religiosa das multidões e até por bispos que se omitem, diante dos excessos e extravagâncias praticadas nas tais missas, cujas recomendações litúrgicas para a celebração da Mistério Pascal de Cristo não são observadas, em nada edifica a Igreja. São antes um desserviço à verdadeira evangelização a nós transmitida pelos apóstolos e discípulos, posto que, fundamentada nos ensinamentos de Jesus, os quais interpelam e despertam nossa consciência para a ação evangelizadora. Portanto, o compromisso com o Evangelho de Jesus, que acontece através da conscientização e conduz ao amadurecimento da fé é um processo, que certamente, não se desenvolve por meio de exacerbação das emoções, mas, seguramente, acontece nas consciências despertadas pela Palavra e amadurecidas no seguimento do Evangelho.

Não obstante a influência devastadora das mídias católicas e dos movimentos neopentecostais surgidos na Igreja, todavia, mister se faz reconhecer que, de fato, verificam-se alguns motivos que podem ser atribuídos como causadores do esvaziamento das igrejas, quais sejam: missas mal organizadas, mal cantadas, barulhentas, cheias de improvisações e espiritualmente vazias, que não suscitam nas assembléias a presença do Mistério Pascal de Cristo. Nesse sentido, o próprio Bento XVI, confirmando a importância da verdadeira e autêntica liturgia renovada pelo Concílio Vaticano II, enfatizou que “a melhor catequese é uma missa bem celebrada”.

Também, a respeito das “missas alegres”, importa esclarecer que, não existe nos livros e manuais litúrgicos qualquer recomendação nesse sentido. Existem sim, orientações para que a missa seja bem preparada, bem celebrada e para que “os ritos resplandeçam de nobre simplicidade” (SC 34), a fim de que suscitem a participação efetiva da assembléia que é a destinatária principal da celebração eucarística e que não deve ser levada a confundir a celebração do Mistério Pascal de Cristo com uma diversão religiosa, porquanto, é pela liturgia que ”a obra da nossa redenção se realiza”, especialmente pelo divino sacrifício da Eucaristia. (SC/MR). E ainda, a liturgia “é um sinal das disposições providenciais de Deus. É uma passagem do seu Espírito pela Igreja”. (SC 23).

Por tudo isso, é forçoso reconhecer que os ministros hierárquicos da Igreja têm uma grande responsabilidade e um enorme desafio em sua missão de reconduzir a Igreja que lhe foi confiada, às suas raízes verdadeiras, plantadas por Jesus Cristo e espalhadas pelos apóstolos, a qual, guiada pelo Espírito Santo, foi abençoada com o Concílio Vaticano II, através do qual o sopro benéfico e renovador do Espírito veio reformar a Igreja, restaurar e estimular a Liturgia, "em que a obra de nossa redenção se realiza" (MR), especialmente pelo divino sacrifício da eucaristia, contribui decisivamente para que os fiéis expressem em sua vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a natureza genuína da verdadeira Igreja". (Proênio SC).

Agora que a Sacrosanctum Concilium está prestes a completar cinquenta anos de existência, estando em pleno vigor, apesar da incompreensão e rejeição que alguns obtusos integrantes do clero lhe dedicam, seria oportuno que os bispos, padres e leigos se debruçassem sobre seus inspirados e sábios ensinamentos para reformarem seus corações e mentes à obediência devida ao Concílio Vaticano II, que é a suprema instância da Igreja. Certamente, guiados pelo mesmo Espírito que inspirou a realização desse importante Concílio, conseguiriam enxergar o valor e a riqueza espiritual que emana de suas diretrizes, as quais viriam contribuir para a realização da missão precípua que lhes foi destinada, qual seja, a verdadeira evangelização pela Palavra e pela Eucaristia bem celebrada. Eis o grande desafio para a Igreja pós conciliar. Se ela vai realizá-lo, só o tempo dirá.



domingo, 10 de abril de 2011

A GRANDE VIAGEM DO PADRE JOSÉ COMBLIN


Maria Lioza de Araújo Correia
lioza.correia@gmail.com


Soubemos da morte do padre José Comblin acontecida em 27 de março de 2011, na cidade Barra-BA, onde estava radicado e colaborando com o bispo Dom Luiz Cápio, aquele que jejuou pela preservação do RIo São Francisco e contra a exploração indevida de suas águas pelos grandes proprietários e grandes industriais, em detrimento dos pequenos proprietários e das populações ribeirinhas que desse Rio tiram sua subsistência material ao longo dos anos e por isso dedicam ao "Velho Chico" um grande sentimento de irmandade e filiação.

Pois bem, voltando ao padre Comblin, tendo sabido que ele iria ser enterrado em Solânea-PB, local onde viveu algum tempo e onde vivenciou com os pobres o sofrimento de sua condição de excluídos e com os oprimidos pela ditadura militar ora vigente no Brasil, também a sua própria opressão, perseguição e expulsão do Brasil, nos dirigimos à Santa Fé, precisamente ao Santuário e à casa do Padre Ibiapina, localidade onde ele esteve em visita, há poucos dias antes de sua morte e onde marcou o espaço para seu repouso eterno, junto a duas mudas de pau-brasil, por ele ali plantadas naquela ocasião.

Ao chegarmos,à Santa Fé, já encontramos o Santuário completamente tomado pelos fiéis que se alternavam desde a noite anterior, rezando, cantando e até chorando diante do féretro aberto com o corpo do querido padre José, como era chamado pelos pobres, seus amigos do Nordeste a quem destinou seu trabalho e parte de sua vida, tendo expandido seu trabalho missionário, também, em outras regiões do Brasil e de alguns países onde se refugiou após sua expulsão do Brasil pela ditadura militar. Era tocante de se ver e ouvir aqueles rostos tristes e as vozes embargadas a entoarem os benditos e cantos próprios das exéquias, em memória do Padre Comblin.

Precisamente, às 15:00hs, saiu da casa do Padre Ibiapina o cortejo processional formado por vários bispos, inúmeros padres, seminaristas, diáconos, religiosas, em direção à frente do santuário, onde foi celebrada a missa de corpo presente. Ali a mutidão tomou todo o espaço disponível e as imediações, acomodando-se como podia para fugir do sol escaldante da tarde sertaneja . Foi uma celebração pungente de dor e saudade, mas onde reinava o clima de esperança e de ressurreição, qual uma verdadeira páscoa, que chegou para o Padre José Comblin.

Antes do início da celebração eucarística foi relatada toda a trajetória de vida religiosa do Padre Comblin, inclusive suas perseguições políticas e até religiosas, em face das posições por ele adotadas em defesa da Teologia da Libertação, da qual foi um dos teólogos mais estudiosos, dedicados e atuantes, tendo desenvolvido importante trabalho pastoral na zona rural de Pernambuco, com o apoio de alguns bispos, dentre eles, Dom Helder Câmara, que foi quem o convidou para aqui realizar sua missão pastoral.

Seguiu-se a chamada das representações ali presentes, destacando-se a da CNBB Nordeste 2 , bem como a leitura das inúmeras mensagens de bispos, padres, leigos brasileiros e até de outros países onde o Padre Comblin viveu. Dentre essas muitas mensagens, ouviu-se a do bispo Dom Pedro Casadáliga, e de outros bispos brasileiros e estrangeiros, sendo relevante, também, a presença de representantes vindos do Chile e do Equador, países onde viveu e trabalhou após sua expulsão do Brasil pela ditadura militar.

A missa em memória do Padre Comblin foi presidida pelo bispo de Guarabira e concelebrada pelos demais bispos e inúmeros padres presentes e participada por toda a multidão de pessoas que acorreram ao local, marcado pelo clima de oração e reverência, de muita consternação, mas também de muita esperança e sobretudo de ressurreição. Depois da missa foram lidas mais mensagens de condolências que iam chegando e cuja leitura se prolongou até a hora do enterro, às 19:30hs. Foi um dia memorável para os sertanejos e pobres do Nordeste, extensivo, também, para todas as pessoas que o conheceram e com ele conviveram, as quais guardarão na lembrança as lições de fé e vida, recebidas do Padre Comblin, bem como a lembrança da despedida solene e dolorosa, para todos os amigos e conhecidos que ali o acompanharam até a sua última morada.

Entretanto, é de lamentar-se o silêncio da Arquidiocese de Olinda e Recife, que não enviou um representante e nem sequer uma mensagem de condolências pela morte do Padre Comblin. Tal omissão soou inexplicável e injustificável, tendo em vista o serviço pastoral prestado por ele a convite do próprio Dom Helder de quem sempre mereceu todo apoio e reconhecimento, além de ter sido um teólogo cuja importância pode ser medida no legado teológico que deixou através do grande acervo dos livros que escreveu e da vida dedicada à conscientização dos pobres para a sua própria libertação, que se origina da fé no Evangelho de Jesus Cristo.

Ao padre Comblin, a nossa saudade e a paz merecida na volta à casa do Pai, ao encontro de Jesus Cristo!

 
 

segunda-feira, 28 de março de 2011

CONSIDERAÇÕES SOBRE LITURGIA, MÚSICA E CANTO LITÚRGICO

Maria Lioza de Araújo Correia
lioza.correia@gmail.com


É sabido por todos que lidam com liturgia, que esse importante serviço nem sempre é compreendido, valorizado e respeitado por bispos, párocos, padres, leigos e até pelas próprias equipes de liturgia, quando se tornam refratárias às mudanças da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, sob a alegação do “sempre foi assim”. Tal assertiva vem em defesa da continuidade de práticas obsoletas, face à reforma litúrgica e em detrimento do aprimoramento dos serviços ministeriais celebrativos, bem como, da evangelização que a liturgia proporciona pela participação consciente no Mistério Pascal de Cristo, haja visto o que diz a Sacrosantctum Concilium 10: “A liturgia é o cume e a fonte da vida da Igreja”; e “A obra da salvação continua na Igreja, pela liturgia”; (SC 6).

Na verdade, por força do nosso batismo, todos nós cristãos fomos inseridos nesse grande mistério da morte e ressurreição de Cristo, e, por essa graça, recebemos o espírito de adoção como filhos de Deus,(Rom 6,4; Ef 2,6; Cl 3,1; 2Tm 2,11). Por isso é que, a nossa participação na celebração do Mistério Pascal de Cristo deve ser "consciente e ativa, de acordo com as exigências da própria liturgia e por direito e dever do povo cristão, em virtude do batismo" (SC 14), como "raça eleita, sacerdócio régio, nação santa e povo adquirido" (1Pd 2,9, cf. 2,4-5). Daí, a recomendação para que os ministros da Igreja procurem "por todos os meios, restabelecer e favorecer a participação plena e ativa de todo o povo na liturgia". (SC 14).

Com efeito, é através da liturgia, em que a "obra de nossa redenção se realiza", especialmente pelo divino sacrifício da eucaristia, conforme reza o Missal Romano, na oração sobre as oferendas do IX domingo depois de Pentecostes. Para realizar tal obra, Cristo está sempre presente nas ações litúrgicas de sua Igreja. Assim, além de sua presença especial sob as espécies eucarísticas, Cristo se faz presente, também, nos sacramentos; por meio de sua palavra, quando se lê a Escritura; enfim, na oração e no canto da Igreja (SC 7). Daí que, os agentes de pastoral litúrgica carecem de permanente e contínua formação, tendo em vista que o bom desempenho da liturgia depende do processo formativo, cuja finalidade é propiciar que os ministérios litúrgicos sejam exercidos com conhecimento e consciência do que significam, para não se tornarem meras tarefas auxiliares das celebrações.

Dentre os elementos de grande importância para a liturgia, a partir do Concílio Vaticano II, destacam-se o canto e a música. Entretanto, a implementação do canto litúrgico nas celebrações, foi uma caminhada difícil e tormentosa por falta de um entendimento de que o canto e a música tem a finalidade de acompanhar os ritos que estão sendo celebrados, ou de ser o canto o próprio rito, a exemplo do Hino do Glória. Assim é que, os cantos litúrgicos vieram substituir os chamados "benditos" e hinos devocionais, geralmente de cunho catequético, que eram cantados nas missas. Daí surgiu a necessidade de que fossem observados alguns critérios para que o canto e a música pudessem, realmente, exercer a função ministerial de acompanhar o rito nas celebrações eucarísticas, ao invés de serem apenas um atrativo para motivar a assembléia. Nesse sentido, a Instrução Romana "Musicam Sacram", explicando a intenção do Concílio Vaticano II, através do seu primeiro documento, a "Sacrosanctum Concílium", para a sagrada liturgia, afirma que Liturgia é cantada e não existe uma celebração litúrgica na qual a música tenha apenas a função de "enfeite". (CNBB Hinário Litúrgico, 3º Fascículo, PÁG 10).

Por outro lado, o Motu Próprio de Pio X, definia a música sacra como "parte integrante da Liturgia solene, participando de seu fim geral, que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis". (Idem, ibdem).

Ainda, a propósito do canto e da música, cumpre observar que, para caracterizá-los como litúrgicos, alguns critérios devem ser levados em consideração, tais como: os textos dos cantos serem originados ou inspirados na Bíblia; haver a relação clara dos referidos textos e das respectivas melodias com o tempo e as festas do calendário litúrgico, observando-se também o sentido teológico dos textos. Além disso, há outros critérios, como: possuírem os cantos melodias simples e acessíveis e que sintonizem com a linguagem poética; tenham raízes na cultura popular, facilitando a aprendizagem pela assembléia, afim de que esta possa exercer a participação ativa consciente e frutuosa no Mistério Celebrado. Sobre o assunto, vale transcrever o que diz Gregório Lutz, padre e doutor em Liturgia, em magistral entrevista à ZENIT: "Penso que devemos ter cuidado não somente com a qualidade artística do nosso canto, mas também com sua função litúrgica. Sendo de uma assembléia, o canto não deve ser individualista, nem totalmente subjetivista ou até sentimental. Evidentemente não deve faltar uma boa qualidade artística na letra e na melodia".

E mais adiante explica: "Liturgia não é só o ritual que o clero realiza, mas é Jesus Cristo, nosso Sumo Sacerdote no meio do seu povo sacerdotal e com os membros do seu corpo místico celebrando a obra divina de salvação da humanidade. O Concílio Vaticano II, como suprema instância da Igreja, ratificou esta visão da Liturgia e colocou as balizas para a reforma litúrgica que devia facilitar que todos que no batismo foram ungidos sacerdotes, pudessem celebrar a Liturgia, participando dela ativa, externa e interna, consciente, plena e frutuosamente, e assim exercer o seu direito e dever como povo sacerdotal (cf. SC 14), em lugar de apenas assistir da nave da igreja ao que o clero faz no altar. Conforme o Concílio, os fiéis devem até aprender "a oferecer-se a si próprios, oferecendo a hóstia imaculada, não só pela mãos do sacerdote. (SC 48)." (ZENIT.org - 20.03.2011).

Infelizmente, falta ainda, essa consciência de que as assembléias celebrantes "têm direito e dever como povo sacerdotal" de cantar os cantos litúrgicos que favorecem a sua participação efetiva e consciente nos ritos celebrados, conforme acima explicitado na SC 14. Todavia, para que a ação participativa se realize, é de suma importância que a assembléia seja motivada para os cantos, através de ensaio dos mesmos, a realizar-se sempre um pouco antes da celebração.

Tais importantes observações, apontam para a conclusão que logicamente se impõe, qual seja: a não substituição do canto e da música litúrgica por outro tipo, não condizente com os critérios recomendados pela liturgia, nem afinados com o sentido da celebração e do tempo litúrgico, porquanto, isso vai de encontro à unidade litúrgica da Igreja, bem como, à linha adotada pela própria CNBB. No caso, mister se faz uma formação litúrgico-musical que pode ajudar o entendimento e a aceitação das orientações para que o canto e a música se tornem propriamente litúrgicos, como requerido para as celebrações rituais da Igreja, especialmente no que se refere à celebração eucarística.

Essa conclusão é válida, também, para as denominadas "missas de envio", de "encontros", de "pós encontro", etc., em que se constata a invasão de cantos não apropriados à celebração eucarística, oriundos dos movimentos religiosos divulgados pela mídia, aplicando-se, a mesma conclusão, também, às missas de sétimo dia, de bodas, de aniversários, etc., em que os cantos litúrgicos são totalmente ignorados e substituídos por outros, escolhidos aleatoriamente ao gosto dos interessados, através de pessoas alheias à lirturgia, resultando na apropriação da celebração para se prestar culto à personalidade do morto, em vez de uma celebração em sufrágio de sua alma. Mutatis mutandi, o mesmo se aplica, também, às outras celebrações acima referidas, em que, o culto às personalidades, ofusca o Mistério Pascal de Cristo, que está sendo celebrado. Tais distorções merecem uma reflexão por parte daqueles que tem a responsabilidade na preservação da celebração eucarística, tendo em vista que a liturgia não é uma opção, mas, uma diretriz para toda a Igreja, por força do Concílio Vaticano II, cuja Constituição sobre a sagrada liturgia, a ‘Sacrosanctum Concilium’, no número 7, diz; "com razão se considera a Liturgia como o exercício da função sacerdotal de Cristo". E no número 16, assim prescreve: "Nos seminários e nas casas religiosas de estudo, a liturgia deve ser considerada matéria indispensável e prioritária".

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O FARISAÍSMO PARLAMENTAR

Maria Lioza de Araújo Correia
lioza.correia@gmail.com


Revolta-nos a todos os brasileiros assistirmos a farra salarial aprovada pelas "excelências" (para o caso seria mais apropriado o termo excrescências), que no apagar das luzes do mandato anterior, ajustaram seus polpudos e desproporcionais salários, do valor de R$ 16.512,00 para a bagatela de R$ 26.723,13, sem contar que cada deputado e senador recebe 15 salários anuais, correspondentes aos 12 meses, mais o décimo-terceiro, além de duas “ajudas de custo”, no mesmo valor do salário. Isso significa que o aumento para cada congressista, por ano, é de R$ 152.820,00, o que multiplicado por 513 deputados e 81 senadores, representa um acréscimo de 90 milhões para os cofres da União.

E não fica só nisso, pois, além dos 15 salários, os senadores têm direito a R$ 82.000,00 mensais, para contratar funcionários, R$ 15.000,00 para aquisição de materiais de gabinete, oito passagens aéreas para os seus Estados de origem, cujo valor varia de R$ 6.000,00 a R$ 23.000,00 e, como se não bastasse, ainda têm auxílio moradia no valor de R$ 3.800,00. Somadas todas essas despesas, mais os salários, chega-se ao total de R$1.800.000,00, que é o custo anual de cada senador.

Estes, são os benefícios conhecidos, porquanto, existem ainda outros, mais difíceis de serem estimados e impossíveis de serem justificados perante a opinião pública e a grande massa dos assalariados brasileiros, tais como: plano de saúde ilimitado para o parlamentar e todos seus dependentes, telefone celular sem limite de gastos, assinatura de jornais, revistas e internet.

No que se refere aos deputados a média mensal de despesas fica em torno de R$ 124.833,00, que por ano totaliza R$ 1.500.000,00. Tal como os senadores, também os deputados recebem, além do salário, verba de gabinete de R$ 60.000,00, para contratar funcionários, auxílio moradia de R$ 3.000,00 e uma cota para o exercício da atividade parlamentar, que inclui passagens aéreas em torno de R$ 23.000,00, para deslocamento aos seus Estados de origem.

Somados todos os custos e multiplicando-os pelo número de deputados e senadores, o total gasto num ano, com os salários, benefícios e demais despesas dos congressistas, é de mais de R$ 916.000.000,00, afora, o plano de saúde ilimitado, cabendo aí trocar-se a expressão popular "moral da história", para, imoralidade da história. Sim, porque isso representa um verdadeiro assalto permitido, aos cofres públicos.

Ora, dirão os senhores congressistas, o reajuste salarial é normal e legal. Porém, nem tudo que é legal, é legítimo, lícito ou justo e, no caso do aumento salarial dos parlamentares, deixou, também, de ser normal e beirou as raias da anormalidade, levando-se em conta a descomunal diferença entre aquele e o aumento salarial dos trabalhadores, que realmente pegam no pesado e que sustentam os cofres da União com os impostos retidos na fonte, de seus magros proventos de subsistência, considerados como renda pelo órgão arrecadador da Administração Pública, a Receita Federal.

Outra diferença difícil de se entender é a da jornada de trabalho dos senhores congressistas, os quais permanecem no Senado ou na Câmara, apenas três dias por semana, isto é, terça, quarta e quinta feira, tempo suficiente para deixá-los exaustos e ter que retornarem às suas bases, onde encontrarão repouso e guarida para reiniciarem a nova semana de três dias. Todavia, mesmo com esta exígua jornada, são frequentes as ausências, posto que muitos parlamentares não se dignam de comparecer às sessões da Câmara e do Senado, a não ser no final do mês, sendo, portanto, inexplicável e injustificável essa enorme desídia dos deputados e senadores brasileiros, complacentemente tolerada pelo próprio Congresso. Também, pudera! Quem haveria de coibir essa vexatória situação, vez que todos ou a grande maioria dos parlamentares dela se beneficiam? Resultado: a tão falada, desejada e esperada reforma política permanece no terreno utópico dos sonhos e das ilusões de uns poucos e bem intencionados congressistas.

Por outro lado, uma boa parte dos deputados e senadores resolveram encampar, juntamente com alguns sindicalistas, a luta por um salário mínimo acima do que foi estipulado pelo governo da presidenta Dilma. Pura demagogia oportunista para se mostrarem perante os trabalhadores que incautamente os elegeram, como defensores das causas e dos direitos populares. É claro que os trabalhadores merecem um salário que atenda o mínimo de suas necessidades e para isso, a legislação deve prever mecanismos que preservem de eventual desgaste inflacionário o reajuste salarial anual, a fim de que, ao longo do tempo, o valor do salário não se torne defasado nem fique sujeito à instabilidade das leis de mercado, como aconteceu em governos anteriores, de orientação política neo-liberal, em que o salário mínimo era reajustado com taxas ínfimas, aviltantes da dignidade do trabalho e do trabalhador.

Portanto, no sentido da defesa e do aperfeiçoamento da legislação salarial é que os senhores deputados e senadores deveriam se empenhar, e dessa forma estariam, de fato, defendendo os direitos dos trabalhadores, sem extrapolar as funções legislativas que lhes compete exercer, para se apropriarem demagogicamente das atribuições pertinentes aos líderes sindicais, a ponto de com estes serem confundidos ou servirem como porta-vozes de sindicalistas.

É nesse aspecto que se revela o farisaísmo da maioria dos políticos, quando se comovem com o valor do salário mínimo, mas não demonstram o menor sentimento de pejo em aprovar o aumento de seus salários básicos de R$16.512,00 para R$26.723,13, como se o dinheiro para custear tais nababescos proventos fosse caído do céu ou do tesouro de Ali Babá e não do tesouro nacional. Um aumento salarial desse porte representa não só um acinte, mas uma apropriação, uma abocanhada nos recursos públicos, em detrimento do próprio salário mínimo e de outras prioridades como saúde, educação e moradia, que poderiam ser mais favorecidas.

Como se sabe, não é de todo injustificada essa apropriação de funções alheias ao exercício legislativo de competência específica dos deputados e senadores, tendo em vista que, infelizmente o que se vê, com frequência, são políticos do parlamento brasileiro que ignoram os princípios basilares da Administração Pública, quais sejam: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, previstos no Art. 37 da Constituição Federal Brasileira, bem como outros, expressos ou implícitos no texto da Carta Magna, ou ainda outros, enunciados no Art. 2º da Lei Federal 9.784, de 29.01.1999, cujo teor se aplica às atividades administrativas, não só da União, mas também dos Estados e Municípios, como se vê: " A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público
e eficiência.

Ademais, é publica e notória a disposição de grande parte dos parlamentares para atitudes não condizentes com a ética, conhecendo-se, também, a propensão quase generalizada de deputados e senadores para a demagogia, o fisiologismo, o corporativismo, o oportunismo e outros "ismos" deletérios, que de tão corriqueiros já se tornaram característicos de alguns partidos, quando não pessoais, de certos parlamentares, salvando-se, contudo, as poucas e honrosas exceções porventura existentes.

Por tudo isso é que, em tempo, a presidenta Dilma Roussef, tomando as rédeas das finanças orçamentárias do governo federal, anunciou um corte de R$ 50 bilhões no orçamento da União, decisão que o Diário de Pernambuco publicou nos seguintes termos:
"O sacrifício financeiro atingirá os três poderes e os ministérios. Foi proibida a compra de carros e imóveis e criado um teto para gastos com passagens e diárias. A maior parte do dinheiro de emendas de deputados e senadores também foi congelada. Só as ações sociais e obras do PAC não serão atingidas pela tesourada."

E assim, o Brasil espera que através destas e de outras medidas sanatórias implementadas pela presidente Dilma, o país continue sua trajetória de crescimento e de inclusão social sem correr o risco de inflação desmedida e degenerativa da economia e sem o desvio de recursos públicos, oriundo da corrupção ou da má utilização desses recursos por quem tem o dever de pugnar pelo desenvolvimento econômico e social do país e de seu povo. Somente pela determinação, responsabilidade e eficiência demonstradas pela presidenta Dilma Rousseff, no comando do governo federal é que poderá ser barrada no Congresso Nacional a materialização do patético e vergonhoso "slogan" de campanha do ora deputado Tiririca, segundo o qual, "pior do que está não fica".

domingo, 12 de dezembro de 2010

É TEMPO DO ADVENTO



Maria Lioza de Araújo Correia
lioza.correia@gmail.com


Estamos em pleno Advento, quando a Igreja Católica se prepara durante quatro semanas para a celebração do Natal. Este tempo de preparação, conhecido como Advento, é carregado de profundo sentido espiritual advindo de suas raízes bíblico-teológicas, cuja densidade transcende as quatro semanas e projeta-se para além do Natal, apontando para a escatologia, para a outra vinda de Jesus, não mais sob a humilde e frágil forma de uma criança, mas, glorioso e triunfante, “o Filho de Deus, um dia, virá como Juiz e Senhor da História, revestido de poder e glória, a quem todos deveremos prestar contas de nossa vida”.


Entretanto, cronologicamente, o Advento está inserido no calendário litúrgico, dando início ao Ano Litúrgico da Igreja, o qual, diferentemente do ano civil que se inicia no primeiro dia de janeiro, o Ano Litúrgico, tem início no 1º Domingo do Advento, sendo certo que o Ano Litúrgico não tem começo nem fim, é contínuo, é o Kairoz, tempo de Deus. Apenas, por uma questão de compreensão prática situamos o Advento como início do Ano Litúrgico, tempo de preparação para a vinda do Senhor no Natal e para sua vinda escatológica.

Destacam-se no calendário litúrgico duas grandes festas da Igreja: o Natal e a Páscoa. O Natal celebra a vinda de Jesus e a Páscoa a sua ressurreição, revestindo-se estas festas da maior importância dentro do Ano Litúrgico, o que requer para ambas uma preparação condizente com a sua significação dentro da história da salvação.

“As antigas comunidades cristãs, quando começaram a celebrar o Natal, o fizeram ao mesmo tempo, como o desdobramento da alegria pascal e como celebração do início do mistério da salvação. E assim como a festa da páscoa era preparada por um tempo de jejum e escuta da Palavra, colocaram também um tempo de preparação antes da festa do Natal.” (*¹)

Todavia, o Advento caracteriza-se como tempo não só de preparação mas, de espera e vigilância. Teologicamente essas dimensões contidas e vislumbradas nas celebrações do tempo do Advento, estendem-se para além do Advento, porquanto, "toda celebração cristã tem uma dimensão de espera do Reino, pois a cada dia suplicamos na oração que o próprio Jesus nos ensinou: "Venha o teu reino"; e no coração da prece eucarística aclamamos: "Vem, Senhor Jesus". Por isso é que, o advento nos é dado a cada ano como sacramento da ESPERA que nos prepara para celebrar as solenidades no Natal, quando ele VEIO a primeira vez “revestido de nossa fragilidade, para realizar seu eterno plano de amor”; e nos coloca na perspectiva da segunda vinda quando ele VIRÁ revestido de glória, para conceder-nos plenitude de salvação”. (*²)

Por isso é que a Liturgia Ocidental, nas duas primeiras semanas do Advento, acentua a espera da segunda vinda de Cristo no final dos tempos, enquanto nas duas últimas semanas enfatisa a preparação para a celebração do Natal. Assim, as orações, leituras, salmos, cantos e prefácios expressam o sentido próprio de cada domingo, a exemplo do canto de abertura do primeiro domingo: "Ouve-se na terra um grito, do povo um grande clamor: Senhor, abre os céus, que as nuvens chovam o Salvador!" ; ou no segundo domingo em que se canta: "Eis que de longe vem o Senhor para as nações do mundo julgar e os corações alegres estarão como numa noite em festa a cantar. Já no terceiro e quarto domingos, cujo sentido é de de preparação para o Natal, o contexto é da vinda do Messisas que chega e dessa forma tudo expressa essa chegada, como nos cantos: "Alegrai-vos irmãos no Senhor. Sem cessar, eu repito, alegrai-vos; veja o mundo a vossa bondade. Perto está o Senhor, em verdade"; e no quarto domingo: Das alturas orvalhem os céus e as nuvens que chovam justiça, que a terra se abra ao amor e germine o Deus Salvador.

Da forma como acontece com os cantos, também, as orações, leituras, etc, tudo está em consonância com o sentido bíblico-teológico de cada semana, apontando-nos a atitude espiritual de sujeitos em estado de permanente vilgilância e espera, carregadas de temor e ao mesmo tempo de esperança nas promessas anunciadas pelos profetas e aguardadas com ansiedade pelo povo de Israel. A espera e a vigilância encontram-se na parábola das virgens sábias, com suas lâmpadas acesas, contada por Mateus 25, 1-3, lembrando o mandamento de vigiar, que se aplica também a todos nós, hoje e sempre, conforme nos exorta e ensina o texto a seguir:

"Tal como a terra se abre à semente, ou como a sentinela espera a aurora, entramos nesta atmosfera de piedosa e alegre espera. Esperamos por alguém que já está presente. A vigilância então é uma atenção ao momento presente.

Estar vigilantes a nós mesmos, para não nos deixar enganar ... para não confundir o nosso desejo mais profundo com o desejo de posse ou para não sermos guiados por desejos desorientados: desejos de vingança, desejo de sempre ter razão, desejo de vencer a qualquer preço, etc;

Estar vigilantes à palavra que nos é dada na liturgia, prolongando a escuta na oração pessoal, para que possamos encontrar a plena orientação dos nossos desejos pela mediação do Verbo que vem ao nosso encontro. “É Ele que ama em nós” (Jean Yves Leloup);

Estar vigilantes no cotidiano, no `cuidado da casa`; viver o momento presente com atenção ao espaço que ocupamos, aos gemidos da terra..., às pessoas, “acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem”. (*³)

Por outro lado, "a palavra Advento, como tantos outros termos importantes do cristianismo foi tirada do vocabulário pagão e significa chegada ou vinda. Ao longo do tempo, foi assumindo o sentido tanto do nascimento do Senhor (o Senhor veio!), quanto da preparação para este evento (o Senhor vem!) e também da espera da segunda vinda de Cristo (o Senhor virá!)”. Essa dimensão de espera do Reino perpassa toda celebração cristã. Assim é quando suplicamos a cada dia na oração que o próprio Jesus nos ensinou: "Venha o teu reino!" E quando no coração da prece eucarística aclamamos: “Vem, Senhor Jesus!”. Na verdade, ele VEIO, VIRÁ e VEM agora. Por isso, a liturgia do advento nos situa neste VEM, no HOJE intermediário entre o passado e o futuro, e nos impulsiona a fazer de cada AGORA um tempo de salvação. Portanto, a invocação ”Vem Senhor Jesus!”, dos cantos e orações, expressa os gemidos e anseios da humanidade e de todo o universo à espera da libertação. É o grito do próprio ESPÍRITO que se une à Esposa para dizer: “Maranatá, VEM, Senhor Jesus” (1Cor 16,22 e AP. 22,20), pois o Espírito é o verdadeiro precursor do Messias: ele que falou pelos profetas e que antecipou em João Batista, em Zacarias, Isabel, em Maria, a alegria pela VINDA DO SALVADOR. (*³ idem).

Algumas características litúrgicas do Advento são expressas através de sinais sensíveis próprios desse tempo rico de significado e espiritualidade, tais como: " a cor roxa que não tem caráter penitencial, como na quaresma, mas expressa a ânsia e a alegria da espera; a ausência de flores e do Glória, reservados para a festa do Natal; a coroa do advento, cujas quatro velas vão se acendendo progressivamente e expressa a nossa atitude de vigilância, como as virgens do Evangelho de Mateus 25, 1-13. A luz da vela evoca o próprio Cristo, Sol da justiça, a quem esperamos “com toda a ternura do coração”. A forma circular da coroa refere-se à harmonia cósmica. Os ramos sinalizam a relação com a natureza e o seu verde é sinal de esperança". (*³ idem).

Destacam-se, também, como sinais sensíveis do Advento, os textos bíblicos da primeira aliança que falam das promessas messiânicas, tendo Isaías como profeta do deserto, figura importante do Advento.

Também, no Evangelho, aparecem outros sinais sensíveis representados por figuras importantes do Advento, a exemplo de: João Batista, a voz que clama no deserto; Maria, a virgem grávida do Verbo da vida; Isabel, a mulher estéril que fica grávida; Zacarias, o pai de João Batista: José, o homem justo e solidário; os anjos cantores da boa nova... Porém, o grande personagem é o CRISTO, o esperado, o desejado, o sol do oriente, o Emanuel.

Revelam-se, ainda, como sinais sensíveis: os prefácios, as demais orações, as antífonas dos salmos responsoriais e do Ofício Divino (LH) que explicitam os sentidos do Advento em cada um dos quatro domingos, bem como os cantos e a música que expressam, também, de forma especial, toda a dimensão litúrgica do Advento.

E por fim, é sinal sensível especialmente característico do tempo do Advento, a prece bem antiga, "Vem Senhor Jesus!", que expressa a fé e a esperança de todos os homens e mulheres na unidade, com a transformação do ser humano e do cosmos sob o juízo de Deus. Ela envolve a súplica da manifestação universal da glória divina na realização escatológica da salvação." (*4)


Subsídios Bibliográficos:

*¹ (Pe. Marcelo Rezende Guimarães, Liturgia em Mutirão, nº 15, pág. 47).

*³ (Idem, Liturgia em Mutirão, nº 15, pág. 48).

*³ (Ir. Penha Carpanedo pddm, Curso realizado em Recife - 2009).

*4 (Ione Buyst, Liturgia em Mutirão, nº 17, págs. 54/55).