Para José Bezerra Gomes
João Batista Pinto
(melopintoneto@uol.com.br)
Os poetas montaram em cavalinhos de pau,
Sorrindo na outra face perdida do mundo.
A alegria dançava nos olhos dos meninos,
A infância era uma canção no rosto dos poetas.
Poetas e meninos cantavam.
Poetas e meninos sorriam.
O tempo era um enorme cavalo de pau em disparada.
Depois, os cavalinhos pararam.
Os meninos entristeceram,
E a outra face visível do mundo
Desfez-se em prantos no rosto dos poetas.
É que homens de olhos devoradores
Cavalgam bombas atômicas.
Desceram o pano do carrossel vazio.
Os cavalinhos de pau continuam correndo,
Como sombras no rosto dos meninos,
Como sombras na face dos poetas.