segunda-feira, 3 de agosto de 2009

POR QUE A INDIFERENÇA?

Edilberto Sena
(
edilrural@gmail.com)



Que reação teria uma pessoa se alguém chegasse no cemitério e começasse a destruir os túmulos, inclusive o tumulo da avó da pessoa? Pois é, os restos mortais dos antepassados são relíquias que todos preservam com respeito. Até por isso, a constituição brasileira garante em lei que onde há um sítio arqueológico, não se pode destruir e fazer qualquer obra em cima.

A Universidade Federal do Pará está fazendo o que a equipe chama de “operação salvamento de sítios arqueológicos” num trecho da rodovia transamazônica, entre as cidades de Rurópolis e Itaituba, no Pará, antes que passe lá o prometido e ainda não realizado asfaltamento.

Dizem os técnicos que todas as peças, cerâmicas, ossadas e qualquer vestígio dos antepassados, serão retirados e levados a Belém, para estudos. Aqui surge o problema. No tempo do Brasil colônia, os portugueses levavam as riquezas para Portugal “para estudos” e museus; Hoje se diria que aquilo era pirataria. Anos atrás, um grande acervo arqueológico de Santarém foi vendido para o museu de São Paulo; no museu Emílio Guoeldi estão preciosas cerâmicas tapajoaras, levadas da região de Santarém. Está certo que isso aconteça?

Uma coisa é salvamento de um sítio arqueológico – retirar as relíquias debaixo do chão e levar para um museu qualquer, seja São Paulo, Belém ou além; outra coisa é preservação, que significa, identificar o sítio arqueológico e cuidar para não ser violado. Assim fazem os peruanos com Machu pichu; assim fazem os egípcios com as pirâmides e tantos outros países. Por que então em Santarém, no Oeste do Pará e na Amazônia toda se faz o contrario? Identifica-se o sítio arqueológico, arrancam-se as peças e leva-se para outros locais? Por que não se desvia a rodovia para preservar o patrimônio arqueológico? Onde há povo civilizado não permite tal pirataria. O que fazer? Onde estão as autoridades locais? Onde as universidades da região? Por que a indiferença?