Pe. Eduardo Delazeripe.eduardo.delazeri@gmail.com
No coração da vida do celibatário, há um vazio, uma ausência. Está só. É uma solidão pesada para carregar. E mesmo assim é vivida. Alguns encontram nela um sentido profundo. Talvez possamos encontrar a explicação no jogo infantil chamado Puzzle, em que se devem alinhar diversos números, fazendo-os escorregar no lugar certo. Para que o jogo funcione, é necessário que haja um lugar vazio. Sem ele, tudo estaria bloqueado; graças a ele, tudo é possível.
Não é este o mistério da ausência ou, se quisermos o da ressurreição? Para aquele que sabe acolher a sua solidão, os encontros adquirem todo um outro sentido. O desejo de uma presença e mesmo de uma presença privilegiada, é vivido assim de outra forma. Ë a experiência que Maria Madalena fez junto ao túmulo. "Não me retenhas, vai a meus irmãos" (Jo 29, 17).
O celibato é debilidade sim, mas debilidade geradora de força, debilidade que se torna abertura para o outro, fraqueza que nos torna semelhantes aos que sofrem, e por isso capaz de compreender, acolher e amar.
O celibatário, longe de procurar compensações para a sua forma de vida, deve orientar toda a sua existência para o "OUTRO", e testemunhar que em seu interior já vive no horizonte parusáico.
A vocação celibatária não consiste numa incapacidade, mas na sede ardente de um amor incondicional sem preferências e sem exclusões.
Mas tudo isso não se pode compreender, porque o amor humano foge à razão, seria estulto o homem que se tenta explicá-lo. O amor é dom de Deus, e assim a sabedoria do mundo torna-se ineficaz diante dele, "pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus" (1Cor3, 19).