segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

DO FIM A TRANSFORMAÇÃO....

Paula Barros
www.pensamentosefotos.blogspot.com
( mpaula26@hotmail.com)


Do poema, o sentimento. Do sentimento a lágrima, da lágrima o texto.
Simbolismos


Dizer adeus não é fácil. Não, não é. Me despeço da semana, das asas, do jardim, das borboletas....Sabia que esse dia ia chegar. Sabia. Eu sabia. Mas fiquei com os olhos marejando. Fiquei aturdida. Sexta-feira é sempre um dia esperado para comemorar o fim de uma semana. Mas eu não queria parar de voar agora. Sexta-feira, noite chuvosa, guardar as asas e dizer adeus. Veja como são a coisas, tudo é a nossa forma de ver a vida. Uma semana com duas mortes de colegas de trabalho, um menino de treze anos que morreu tomando banho no rio perto do meu trabalho, um avião que some com várias vidas. Mas me senti leve, entrei no mundo da fantasia e transformei meus dias. Tudo depende do ponto de vista. Em vez de ficar triste pela despedida, pelo o adeus podia está comemorando a estrada que se abre. Mas às vezes nos apegamos a algo que consideramos bom, que nos faz nos sentir leve e por isso sofremos. Sofremos pelos simbolismos que criamos. E pelo sofremos pelo novo, pela mudança, sem nem saber como vai ser. Sofremos muitas vezes só de imaginar.


Vou voltar a caminhar. Talvez seja uma estrada de barro. Comendo poeira. Chutando pedras. Me enganchando em arame farpados. Não sei ainda. Parece dolorida essa estrada. Se for muito dolorosa a caminhada, eu posso desistir. Eu sei que posso. Estou fazendo drama. Posso caminhar calada, sem me aprofundar, só observando. Posso ser superficial. Posso? Ainda não. Voar eu gostei...voar é tão bom. Tornou os dias leves. Esqueci as mortes. O enfado da semana. A rotina. Tentei sorrir mais vezes. Parei para escutar. Tentei olhar o olhar. Ouvi música. Dancei. Trouxe a fantasia para o real. Vamos ver se caminho com asas....vou tentar.


 
Tive uma ideia. Vou tentar caminhar pela estrada de barro, plantando as flores que colhi. Vou tentar colocar asas nas pedras do caminho. Em vez de construir castelos de fantasias, vou tentar outras construções. Pontes pode ser uma boa construção. Vou pensar. Outra idéia, sorrir e alisar os cactos. Poxa, alisar cactos e ainda sorrir não é fácil. Um bom desafio. Será que ele já pensou nisso? Tenho certeza que sim. Ele sabe que gente também tem espinhos. Me alegrei, comecei escrevendo triste. Ele me ajudou, sempre ajuda. Já pensou se mostro a ele que cactos precisam de carinho, e tem frutos bonitos. Alimentam com sua essência, mesmo tendo espinhos.


Ah, talvez fique mais fácil a caminhada. Que alívio! Talvez eu encontre uma saída na estrada de barro. Uma porteira. Hoje é uma linda sexta-feira chuvosa, aconchegante sexta-feira para se ficar em casa e se preparar para a caminhada. Todos tem a capacidade de transformar. De se transformar. Vou tentar....


Obs: Imagens enviadas pela autora.

UMA ECONOMIA A SERVIÇO DA VIDA



Sebastião Heber
shvc50@gmail.com


Como faz anualmente, a Igreja Católica lança mais uma Campanha da Fraternidade durante a quaresma, visando preparar a Páscoa, Festa maior da cristandade e que tem suas raízes na Páscoa Judaica, culminando com a Ressurreição de Cristo.

O tema Fraternidade e Economia quer ser um convite para que todos reflitam sobre o peso da economia em suas vidas e busquem uma economia a serviço da dignidade humana, sem exclusões, criando uma cultura de solidariedade e paz. E a inspiração para tal Campanha vem do próprio Evangelho:”Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt. 6,24).

Os manuais mais clássicos de Economia mostram como ela se interessa,essencialmente, pela produção e circulação de bens e serviços. A Economia, sobretudo a neoclássica, concebe o sujeito econômico – o homo oeconomicus – como racional. Supõe que seu comportamento pode ser considerado como o resultado de um cálculo pelo qual ele procura maximizar seu “prazer” e minimizar seus “sofrimentos “, ou, conforme diz a economia moderna, fazer escolhas congruentes com suas preferências. Outras áreas científicas têm da pessoa humana outras concepções filosóficas. Na França, na década de 70, surgiu a expressão “economia sociológica”, que tenta aplicar o que é próprio da economia – individualidade e utilitarismo – ampliando essa visão a fenômenos tradicionalmente da alçada de outras disciplinas, como a sociologia : ideologia, divórcio,crime, discriminação,movimentos sociais, educação, etc. Isso representou uma oposição a uma tendência que se desenvolvia na mesma época, o da “ economia radical”. Esse movimento de idéias comportava, principalmente, uma crítica e uma rejeição a essa visão da economia neoclássica, levando a integrar à análise econômica a contribuição de outras áreas, como a do pensamento sociológico, antropológico, filosófico e religioso.

Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade 2010 – Fraternidade e Economia – quer ser um convite à sociedade a refletir sobre uma economia que seja solidária. Não apenas números frios, renda per capita, o que dá mais lucro, mas visando o objeto dessa “funcionalidade”, que é a pessoa humana, sobretudo, os mais pobres e marginalizados.

Essa Campanha está sendo animada de forma ecumênica, isto é, muitas Igrejas Cristãs estão associadas para suscitar uma formação consciente da população, sobretudo das camadas populares, através de subsídios apropriados. Ciente dessa temática, o povo terá um maior discernimento da ação do poder econômico em suas vidas.

O Conic – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – é formado pela Igreja Católica Romana, Igreja Cristã Reformada,Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil,Igreja Síria Ortodoxa de Antioquia e Igreja Presbiteriana Unida. É sugestivo que a Campanha da Fraternidade seja celebrada de forma ecumênica, pois nesse ano se comemora o centenário do Movimento Ecumênico no mundo moderno.

O atual secretário-geral do Conic, o Reverendo Luiz Alberto Barbosa, diz que “ o tema da campanha é bastante atual pois a economia está presente na vida das pessoas desde quando elas nascem, mesmo antes de nascer e após a morte.Então, é um assunto que perpassa a vida toda. As Igrejas, tendo em vista a importância do tema, resolveram em conjunto, nesta Campanha, refletir por uma economia que gere a vida e não a morte, que é o modelo da economia atual. O primeiro objetivo da Campanha é denunciar o sistema econômico que está excluindo as pessoas e gerando a morte; depois, conclamar as igrejas e a sociedade em geral a um novo projeto de economia solidária, fraterna, em que todos possam ter acesso ao bem comum da sociedade, a uma vida digna. E a partir daí, inspirar os nossos governantes, principalmente em 2010, ano de eleição,a fazer com que a sociedade pense também que é preciso mudar o sistema econômico para que todos possam ter acesso a dias melhores”.

 Sebastião Heber Vieira Costa. Professor Adjunto de Antropologia da Uneb, da Faculdade 2 de Julho. Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e da Academia Mater Salvatoris.

TEXTO DE LUG COSTA



Vozes.
Cantos.
Melodias fúnebres.
Cantam os vivos.
Calam os mortos.
Sangra o coração.
Descansa o corpo.
Alivia a alma.
Clamor dos homens.
Silêncio de Deus.

( 08.09.2009 – 18:17h – Caxias/MA)

MAS ALLA DEL SILENCIO



JORGE EDUARDO RIVERO
riverojorgeeduardo@gmail.com


YO QUE SUPE DE AMORES IMPOSIBLES,
QUE AL MISMO PLATON ASOMBRARIA,
ENCONTRE, EL SENDERO IMAGINARIO
PARA SABERTE SOLAMENTE MIA.

AHORA QUE ESTOY EN LA CUMBRE DE LA VIDA,
CABALGANDO EL CORCEL DE MIS PESARES,
ENCONTRE EN LA META DEL VIAJERO Y
EL CORAZON DONDE DEJAR EL EQUIPAJE.

EN LOS MAGICOS PLACERES SIN ENCUENTRO,
ACARICIE ATARDECERES INFERNALES,
CLAMANDO UNA SONRISA SIN ESPERA,
EN EL PEREGRINAR DE LA HORA INTERMINABLE.

EN FIN,EN LA CIMA DE MI NOCHE,
SOLO TU,IMAGINARIA AMANTE,
LLEGAS, SOBERBIA,ALTIVA,HASTA MIS OJOS
CON EL ANSIA FEBRIL,A CADA INSTANTE.

Y CUANDO LLEGUE EL MOMENTO DEL REPOSO,
MAS ALLA DEL SILENCIO HE DE AMARTE.

03/08/09

QUEM AJUDA OS OUTROS...



Djanira Silva
djaniras@globo.com
http://blogdjanirasilva.blogspot.com/

O castigo de quem ajuda os outros é vê-los correr na frente deixando o ajudante pra trás.

Minha avó dizia que quem ajuda os outros, carrega o diabo nas costas. E é verdade, quem quiser ajudar, faça-o ensinando, ou então ajude a quem pedir, para não correr o risco de ouvir: fez porque quis.
Quando você cede seu lugar a alguém numa fila, automaticamente, é passado pra trás.
Quantas e quantas vezes ouvimos a queixa: dei tudo aos meus filhos e eles não retribuem, são egoístas e mal agradecidos. Não poderia ser diferente, foram ensinados apenas a receber. Ajudar os filhos, só a atravessar a rua para o carro não pegar. Deveríamos agir como os irracionais que, paradoxalmente, são mais racionais do que nós. Ninguém vê um animal adulto agarrado nas tetas da mãe ou montado nas costas do pai, nem uma mãe passarinho voando com os filhotes no lombo. É isto aí, amigos. O amor de mãe é cosido nas peças do enxoval. Os filhos já nascem amados.
Aliás, sobre o amor, os Dez Mandamentos é bem claro quando diz: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Em seguida, diz: Honrar pai e mãe. Não manda amar. Então eu penso que sofrimento de mãe é castigo por infringir as leis Divinas. Amar verdadeiramente a Deus acima de todas as coisas. Elas colocam os filhos acima de tudo. Será que isto é bom ou não agrada ao Senhor?
Quanto ao amor de filho, é nó cego. Se o sujeito ama demais, sofre, dependendo do sexo, dos famosos complexo de Édipo ou Electra. E a gente, se pensar muito no assunto, pira de vez.
Os consultórios psiquiátricos funcionam como delegacias, onde os filhos prestam queixas das mães superprotetoras que amaram demais, ou das omissas que amarem de menos. Não sei se algum deles já encontrou solução para o problema. Se o paciente gosta do médico, é transferência; se não gosta, é rejeição. Durma com esta loucura, acorde no divã e corra para casa. Lá, por pior que seja, os doidos são conhecidos.

Sem dúvida alguma, nascemos com um destino traçado e, tal e qual os atores de uma pela, temos um papel a desempenhar. É uma comparação comum, repetitiva, porém, a única capaz de explicar os encontros e desencontros da vida.
Então, eu me pergunto: por que ter raiva de Judas? Ele não escolheu, foi escolhido, do mesmo jeito que todos os que fazem parte desse grande teatro. Alguns têm papel de destaque, enquanto outros são meros figurantes, entram e saem sem serem notados. Tomemos Cristo como parâmetro, Sua paixão e morte foram pensadas e organizadas sem que os participantes fossem consultados. As próprias religiões ensinam que nada acontece por acaso e que não cai um só fio de cabelo das nossas cabeças sem que Deus o permita.
Talvez, em virtude de toda esta organização, ou predeterminação, incorramos em grave erro quando nos metemos a ajudar os outros interferindo no papel deles. Que diretor gostaria dessas interferências no desenrolar de uma peça?
A ingratidão é, sem dúvida, o castigo que recebemos por tentarmos mudar os desígnios de Deus. É como se criticássemos Seus atos, ousando corrigi-los.
É possível que no decorrer da peça, algum ator se esqueça das suas falas. Para isto existe “o ponto” colocado dentro do ouvido para ajudá-lo.
Nos Evangelhos, encontramos uma parábola que bem define a responsabilidade que temos de prestar contas diante de Deus pelos nossos atos e não pelos dos nossos semelhantes: um senhor chamou três dos seus servos e a cada um deu alguns Talentos, moeda da época. Tempos depois, voltou para saber o que haviam feito com as moedas recebidas. Cada um prestou contas do que recebera.
O Senhor, em nenhum momento, perguntou se um havia ajudado o outro mostrando, assim, que somos responsáveis pelos nossos atos e não pelos dos nossos semelhantes.

ECONOMIA E VIDA



D. Demétrio Valentini (*)

Já é auspiciosa uma Campanha da Fraternidade ecumênica. Ela mostra que é possível as Igrejas se entenderem em torno das questões importantes, que dizem respeito à vida. Uma campanha ecumênica começa fazendo o serviço de casa, advertindo as religiões que elas precisam se colocar a serviço da vida, se querem ter sentido e se pretendem ser acolhidas no seio da sociedade. Colocando-se em função das questões vitais, as religiões aprendem também a relativizar as diferenças, e a minimizar as controvérsias. A fé ilumina a vida, mas a vida motiva e direciona a fé.

Juntas, as Igrejas que compõem o Conic – o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – se sentiram animadas a desafiar a sociedade brasileira a olhar de frente a economia, com a convicção de que ela pode ser pensada em função da vida de todos. Daí o tema da campanha: Fraternidade e Economia, com um lema que logo coloca o dedo na ferida: “não podeis servir a Deus e ao dinheiro!”, citando a frase contundente de Jesus.

O lema é, certamente, desafiador. Ele logo diferencia o absoluto do relativo. Só Deus é absoluto, o dinheiro não! E por derivação, nada é absoluto na economia, nem a pretensa imutabilidade de suas leis, como se apregoou nos tempos áureos em que o sistema econômico hegemônico no mundo parecia estar com a razão, com a verdade, e com o dinheiro.

A recente crise econômica mundial deixou bem claro que a economia precisa estar submetida a critérios que a regulem, a direcionem para suas verdadeiras finalidades, e a tornem viável e adequada às possibilidades reais que a condicionam e a fazem buscar sua racionalidade e sua função no contexto do mundo em que vivemos.

A primeira tarefa da campanha da fraternidade deste ano é desmontar a pretensa auto suficiência do mercado, expressão cabal do sistema econômico predominante nos últimos séculos. A economia é uma atividade humana, com profundas incidências na vida das pessoas, e que necessita ser guiada por critérios éticos, que lhe dêem não só viabilidade prática, mas também finalidade e sentido humano.

Na verdade, o desafio é complexo. O seu enfrentamento precisa ser feito de maneira global e solidária. Repensar a economia mundial, para que ela se realize em sintonia com as exigências ecológicas e esteja a serviço da vida de toda a humanidade, não é tarefa a ser realizada por iluminados que detenham soluções mágicas ou arbitrárias. E um desafio que pede a participação adequada e responsável de todos. O tamanho do problema convida para uma postura de diálogo e de colaboração. A crise mundial da economia é oportunidade para despertar sentimentos de moderação e de busca coletiva de soluções. Já é apelo para a fraternidade.

Mas a campanha não se limita à dimensão macro econômica, por mais importante que ela seja, e por mais que convoque os governantes para a busca de soluções.

Pois a economia, além de sua evidente dimensão global, apresenta também aspectos práticos e cotidianos, que interferem diretamente na vida das pessoas. Por isto, faz parte dos objetivos da campanha explicitar as repercussões cotidianas da economia, para perceber como ela pode se tornar terreno propício para a prática da solidariedade.

Neste sentido, pode parecer estranho que uma realidade como esta, com tantas incidências humanas, tenha demorado tanto para ser abordada por uma campanha de fraternidade. Em todo o caso, agora a campanha chega num bom momento, favorecido pela abertura ecumênica e pela consciência ecológica.

Neste contexto, recebem motivação e interesse as experiências de economia solidária que poderão ser divulgadas. Em todo o caso, estamos diante de uma campanha com evidentes apelos globais, mas também com abundantes oportunidades concretas da prática da solidariedade no exercício da economia.

Um bom convite, que chega em boa hora!
(*) www.diocesedejales.org.br

VOCÊ QUE SE DÁ COM O INIMIGO



Rivkah Cohen

Você que se dá com quem não gosto,
não lhe fale
que me sinto sem espaço,
abrigo,
o carinho de um colo!

Você que se dá com o inimigo,
não conta que às vezes,
de modo sofrido,
saio como onça
e que sumo por meses..!

Não lhe diga que já me viu
como se não tivesse ninho
ou como quem
esquecesse o caminho
e quando afirmo,
não estou mentindo!

Fale que tenho os olhos preparados,
nariz aguçado
para ver,
detectar,
saber!

E que nenhuma dor me é perene,
mesmo se entre as coisas negativas,
me façam de palhaço.
Diga que sigo em frente
sem abatimento, sem nostalgia,
sem estardalhaço..

Obs: Imagem da autora.

PODER DO ESPÍRITO



Padre Beto
www.padrebeto.com.br

Perto de minha residência morava um senhor que, apesar de ser cego, passava quase todo seu tempo cuidando do jardim que possuía em frente de sua casa. Graças à sua dedicação, o jardim sempre estava repleto de flores das mais diversas qualidades. Certo dia, uma senhora que deveria estar voltando das compras parou para observar o cego trabalhando no jardim. Depois de alguns minutos, a senhora perguntou em alta voz: "Por que tanta dedicação com essas flores? O senhor não pode vê-las mesmo, não é?" O cego ergueu-se e enxugando o suor concordou: "Correto, eu não posso ver nenhuma delas!" "Então", continuou a senhora, "Por que o senhor perde tempo com esse jardim?" O cego, com um sorriso no rosto, respondeu: "Bom, eu poderia dar à senhora alguns bons motivos. Primeiro, eu adoro jardinagem. Segundo, eu posso ter o prazer de sentir a textura e o perfume das flores. O terceiro motivo é justamente a senhora!" "Eu?", perguntou a mulher com um sorriso, "Como eu posso! ser um dos motivos se o senhor nem me conhece!" "Sem dúvida alguma, eu não a conheço.", respondeu o cego, "Mas eu sabia que a senhora iria aparecer, admirar minhas flores e nós teríamos o prazer de nos conhecer melhor!"

Segundo a antropologia cristã, o ser humano é constituído de corpo, alma e espírito. Esta estrutura humana deve ser entendida como uma construção teórica para um melhor conhecimento de nosso desenvolvimento e potencialidades. De fato, o ser humano não é fragmentado, mas se constitui em uma unidade. Esta, porém, possui dimensões que devem ser compreendidas para alcançarmos uma melhor harmonia e qualidade de vida. O ser humano não é uma entidade abstrata, mas é corpo, um organismo que depende de ambiente e hábitos saudáveis: ar puro, água potável, boa alimentação, exercícios físicos regulares, etc. O corpo necessita destas condições, porque é um organismo vivo. Este estado de ser vivo, de corpo animado, é a comprovação de que possuímos uma "anima", ou seja, uma alma. Em uma visão cristã, a alma é um presente do Deus da vida que ganhamos a partir de nossa concepção, que nos mantém vivos e nos coloca em desenvolvimento por toda a nossa exi! stência. No que diz respeito à esta força vital não existe diferença entre os humanos e os outros seres de nosso universo. Todos possuem alma, pois são seres vivos, interagem entre si e transformam seu meio ambiente. O espírito, porém, constitui-se em um ponto diferencial. O espírito, na verdade, é a consciência que nós seres humanos desenvolvemos a partir de nosso corpo e de nossa alma. Ele é a nossa identidade como pessoa. Em outras palavras, o espírito é a soma de todas as características que adquirimos durante a nossa existência: inteligência, experiências de vida, memória, estado emocional, etc. Enquanto a alma é a força que nos mantém vivos e nos anima para um desenvolvimento, o espírito é aquilo que construímos através deste. Portanto, o ser humano desenvolve seu espírito durante toda a caminhada de vida até a sua transmutação, sua libertação do corpo físico, fazendo a experiência que chamamos de morte.

Através das diversas situações da vida e de nossa interação com o universo, a alma, nossa força vital, pode se enfraquecer. A anima pode ser carregada de muitos aspectos negativos que fazem com que o ser humano perca o animo de viver, a vontade de permanecer na vida. A debilidade de nossa força vital é sempre expressada nas outras dimensões de nosso ser: no espírito através do pessimismo, da depressão, de emoções desarmônicas ou no corpo através de uma somatização, do surgimento de doenças físicas. O que muitas vezes se esquece é que a parte inteligente de nosso ser não é a alma e muito menos o corpo, mas o espírito. Segundo Pedro Makiyama, o espírito pode prevenir a totalidade de nosso ser contra a debilidade da força vital, mantendo-se vigilante em relação aos hábitos, situações, relações humanas e até pensamentos que possuímos. "O objeto adequado da imaginação é proporcionar beleza ao mundo... lançar sobre um simples dia de traba! lho um véu de beleza e fazê-lo tremer com nossa alegria estética" (Lin Yutang). Além da vigilância, o espírito é capaz de purificar a alma através de pensamentos positivos e uma voz de comando libertando-a de sentimentos negativos como rancores, remorsos ou tristezas. "Depois de algum tempo você... aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo" (W. Shakespeare). O espírito pode manter uma disciplina para que o corpo tenha condições saudáveis de existência, a alma se mantenha cada vez mais livre de influências negativas e a totalidade de nosso ser possa sempre estar em sintonia com Deus. "Uma prova de que Deus esteja conosco não é o fato de que não venhamos a cair, mas que nos levantemos depois de cada queda" (Santa Teresa de Ávila).

FIM DO MUNDO?



Edilberto Sena
(edilrural@gmail.com)

Será que as previsões apocalípticas da Bíblia estão se realizando? Quem toma os textos Bíblicos ao pé da letra deve estar reconciliando sua consciência, pedindo perdão de seus erros e aguardando o fim do mundo. Afinal, sinais de catástrofes se repetem com mais freqüência. Tsunamis, maremotos, derretimento do gelo nos pólos e nas cordilheiras,desmoronamento de terras no Rio de Janeiro, 45 dias de chuvas constantes em São Paulo, como no tempo do dilúvio, à época de Noé e na Amazônia, secas grandes e cheias anormais, desmoronamento de terra em Manaus e assim, a lista de sinais de catástrofes é maior ainda.

É bem possível que já haja pessoas aguardando o escurecimento do sol e a caída de estrelas do céu. Mas nada disso é causado pela ira de Deus.

Deus não se vinga porque é a misericórdia em pessoa. Então, precisam-se buscar explicações aqui mesmo entre os seres humanos. Quando uma cidade como Manaus, que há 70 anos era uma cidade de porte médio, calma e quase isolada do resto do mundo e hoje incha sem controle urbanístico, chegando a ser uma metrópole de 1 milhão e 800 mil habitantes; como São Paulo, que não é mais cidade, nem metrópole, mas megalópole de 11 milhões de moradores, vai inchando sem respeito ao equilíbrio da natureza; quando o desmatamento da floresta Amazônica chega a 96 mil quilômetros quadrados em apenas 12 anos, o que se pode esperar?

O fim do mundo não será causado por ira divina, o planeta não desmanchará, exceto se algumas da poderosas bombas atômicas forem disparadas por Israel, Norte América ou Rússia; Mas certamente que a floresta Amazônica se tornará Savana, se continuar como estão fazendo hoje; que mais maremotos, terremotos vão acontecer caso os seres humanos continuem o absurdo de querer lucro e mais lucro, crescimento econômico a qualquer custo. O ser humano poderá desaparecer e não o planeta, aqui restarão baratas e amebas!

A VIDA...



Célia Cavalcanti
(cglcavalcanti@terra.com.br)

É como um rio que corre,
O sol que nasce e morre,
Criança que chora e sorri,
Jogador que perde e sofre.
É noite que precede a aurora,
É como neve a queimar...
É sombra que traz calor,
É mar que nunca esvazia...
É o amor que parte e o coração que se parte
E outro amor que renasce...
É gente pedindo paz e guerra que gente faz,
É luta do mal contra o bem e pouco importa ninguém.
É rico que pouco tem e pobre que rico é.
É como a chuva a cair e a seca que nunca tem fim...
A promoção já definida pra quem devia sair,
E fica sempre por baixo aquele que deve subir...
É uma rotina sem fim é um viver para quê?
È um lutar, um querer, uma esperança a morrer...
E num eterno contraste, aqui se vive e se nasce,
E não se encontra igualdade,
Onde estás felicidade?
É como o rio que corre,
É ponteiro a circular...
É dado que só marca zero pra quem nunca sorte terá...
Aqui se vive, se morre e a vida fica a girar...
É como um rio que corre, é alegria e dor sem parar,
É muito amor a queimar que não se pode conter,
É tudo isso a vida,
Como é difícil viver!

( poema de Célia Cavalcanti - já musicado- 1976)

Obs: Imagem da autora.

AVATAR E NÓS



Marcelo Barros(*)
(irmarcelobarros@uol.com.br)

Avatar, filme de James Cameron já é considerado não apenas o filme mais caro do Cinema, como também o mais lucrativo de todos os tempos. De fato, mesmo para quem não teve oportunidade de vê-lo em terceira dimensão (3 D), - o que o torna ainda mais belo e instigante -, sem dúvida, é sempre um filme interessante e comovente. De fato, não se pode esperar de um block-buster norte-americano algo mais profundo. Nem este filme se propõe a isso. Quer, acima de tudo, ser uma fábula com linguagem de ficção científica e com certo conteúdo ecológico e humanitário. Mesmo que fosse apenas por isso, Avatar já seria melhor do que todos os Rambos e outras obras que exaltam a vingança pessoal com todos os requintes de crueldade como se fosse heroísmo e direito dos cidadãos que perdem entes queridos vítimas da violência. Mesmo atores excelentes têm vendido seu rosto e sua arte para tornar palatáveis filmes violentos que dão legitimidade a esquadrões da morte e às arbitrariedades cometidas pelos norte-americanos em Guatánamo e outras prisões, em países por eles dominados.

Este novo filme de Cameron não deixa de ter sua dose de violência e manter a filosofia maniqueísta tão comum no Cinemão norte-americano. Nele também, as personagens se dividem em boas e más e separadas por um abismo bem maior do que a existente na vida real.

Em várias tradições espirituais do Oriente, avatar é um termo comum. Significa uma espécie de encarnação da divindade em forma humana. Na Índia, se diz que o homem Jesus de Nazaré é um avatar de Deus. No budismo tibetano, o Dalai Lama é considerado uma reencarnação do Buda da Compaixão. Isso quer dizer: pelo caminho da iluminação interior, ele é um avatar do ser humano divinizado.

No filme do Cameron, o termo avatar tomou outro significado. É uma espécie de cópia ou clone de uma pessoa humana. Em um futuro que seria a metade do século XXI, uma expedição de conquista vai a um planeta chamado Pandora. Aquele mundo é habitado por seres chamados na´vi, humanóides azulados que vivem em profunda comunhão com a natureza e têm uma civilização comunitária e espiritual. Os cientistas da tal expedição conquistadora querem espionar a tal civilização dos na´vi para melhor conquistá-los. Para isso, fazem o avatar de um soldado impossibilitado de andar para que este possa se inserir em meio aos na´vi, sem ser descoberto.

Afinal, aquele planeta contém uma substância como urânio, cobiçado pela empresa promotora da expedição.

Sem querer contar a história, para não retirar o gosto da surpresa para quem ainda quiser assistir o filme, basta lembrarmos que, como era de se esperar de um herói bom e justo, o tal avatar muda de lado e passa a defender a cultura e a civilização dos na´vi. Quem quiser ver nisso, uma parábola da conquista sofrida pelos povos indígenas tem toda a liberdade. Quem preferir vislumbrar nos na´vi a imagem de povos que ainda hoje sofrem invasões violentas por parte de governos ditos civilizados, como o dos Estados Unidos, também pode. Não custa recordar que, na língua hebraica, o termo bíblico para profeta é navi, ou nabi. Seria coincidência em meio ao uso de vários termos comuns às religiões antigas para designar seres deste mundo futuro possível?

Como se trata de um filme norte americano e comercial, o filme até permite que o público vibre com a vitória da ecologia e com a possibilidade de que os índios pobres e “primitivos” vençam a tecnologia e a prepotência dos poderosos do mundo. Oxalá que isso seja assim no mundo real em que vivemos.

Antigamente, todas as culturas desenvolviam relatos das origens e lendas que faziam parte da fé. Conforme o evangelho, Jesus gostava de anunciar o projeto divino no mundo através de histórias da vida que até hoje são atuais. Entretanto, a sociedade contemporânea tem em artes como o Cinema mananciais de belas parábolas de amor. Com toda a sua tecnologia futurista, Avatar nos recorda que todos nós temos em nosso íntimo uma dimensão amorosa que vem de Deus e não nos deixa ser apenas cópia ou reprodução de um mero consumidor e sim, ao contrário, um irmão ou Irmã dos outros seres humanos e de todo o universo.

(*) Monge beneditino, teólogo e escritor.
www.empaz.org/

CANTO PARA SUZANA FLORENCE NERY BRIDHEAD



João Batista Pinto
(melopintoneto@uol.com.br)

Do fundo do abismo,
O tempestivo amor,
A sombra de outros luares,
A face perdida de Judas,
Uma réstia de sol sem brilho.

Pálida está,
Entre escombros,
A pura alma sacrificada
Por errantes desígnios
À procura da primavera de Deus,
Que se foi em sonatas e em cores.

Resta somente o consolo
De minguados sonhos
Postos numa toalha de linho
De tão suave brancura
Que entorpece a alma.

Minha impura e afável Suzana
Ides como viestes
Sem esquecer no último momento,
Entre rosas brotadas pelos ventos
O beijo que esquecestes no caminho.

Ides, enquanto a amarga lágrima
Presa em comovente anseio
Cristaliza em lembranças consumidas
Em dores, antes que a morte se aproxime.

SACRAMENTOS: RECONCILIAÇÃO – PARTE IV


Tomé

Alguém me disse uma vez que não ia ao padre, mas diretamente a Deus para o perdão, como se aquele fosse um desvio. Também no início da missa rezam: (Sacerdote) “O senhor Jesus, que nos convida à mesa da Palavra e da Eucaristia, nos chama à conversão. Reconheçamos ser pecadores e invoquemos com confiança a misericórdia do Pai. Confessemos os nossos pecados: (todos) Confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos e irmãs [...]” São perdoados assim, é a verdade. E é um bom início que todos se sintam de bem com Deus. Mas, que tal aqueles a quem ofendemos? Ainda faltam os últimos passos para ficar de bem com a comunidade ou paróquia e com os vizinhos.

O padre não está no confessionário por curiosidade. Primeiro ele tem que julgar se a pessoa está arrependida de seus pecados. Agindo no nome da comunidade de fé, ele está aí para nos perdoar no nome dela e de nos ajudar a ficar de bem com o mundo todo. Ele deve procurar nos dirigir ao arrependimento e à reconciliação total.

Quando o penitente fica com os frutos do pecado e diz: “Contei umas mentiras do vizinho,” aonde pode o padre ir com isso? É bem diferente de quem reconhece os pecados e diz: “Tive muito ciúmes e tanta raiva do vizinho que contei umas mentiras sobre a sua vida. Ajudei a destruir o seu nome.” Agora o padre tem várias pistas para dirigir a pessoa para endireitar o mal feito e de ajudá-la a achar pistas para se reconciliar com o vizinho e sua família. Pode ver que a confissão não é nem como um banho da alma, nem uma brincadeira. Ela é um instrumento que nos ajuda a modificar as nossas vidas, ajudado pelos conselhos do confessor e pela graça de Deus e o poder do seu Espírito.

Sobre o mal

Todas as seis raízes, de uma maneira ou de outra, alimentam o pecado dominante, o próprio orgulho da gente. Todos os sete pecados principais são motivos maus que agem contra o temor de Deus e a fé. O temor de Deus não é medo dele, mas receio de ofendê-lo. Assim, quando a Bíblia condena o rico, o poderoso, o farto, é que dificilmente eles temem a Deus. Eles põem a sua segurança nas suas posses e bens e não nEle. Vê-se isso no cântico de Maria: “Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço, desconsertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes [...]” (Lc 1:50-52).

Por uma mistura destes sete pecados as estruturas governamentais e os sistemas econômicos e sociais são humanos e vão mal. Facilmente se vê como as estruturas da família e da sociedade estão se desintegrando por cause do mal: esposos abandonados, gangues de crianças e jovens morando na rua, aborto provocado, e muito mais. E vemos como os sistemas econômicos e políticos escravizam povos inteiros e produzem fome, guerra, desemprego, opressão, grilagem, tortura, assassínios e mil outras coisas, por causa desses pecados. Todos são atos maus e frutos da árvore do pecado (Lc 6:43-45). São resultados da fraqueza humana separada do amor e do poder de Deus.

Os sistemas e estruturas são humanos e imperfeitos, mas não são maus. Um sistema pode ser melhor para um povo do que a outro, mas quem condena um sistema por se mau é como alguém que condena uma faca porque ela matou alguém.

Nós somos responsáveis pelos sistemas que temos se não trabalharmos para modificá-los e melhorar. Se os cristãos crêem que Jesus tirou o pecado do mundo (Jo 1:29), é a missão de eles todos aceitar esta libertação e a levar para os outros. Eles têm que pregar a Boa Nova, o Evangelho, pela palavra e por sua vida, a toda criatura (Mc 16:15). Eles têm que lutar pela libertação sua e da toda humanidade, do pecado e dos frutos do pecado como o fez São Paulo. Se Jesus e outros sofreram pregando e fazendo isso, o cristão pode esperar sofrimento e oposição pelas agentes do Reino do Mal (Rom 8:17; 2Cor 1:6).

Questionário

1. Como era feito o sacramento da reconciliação dentro das comunidades cristãs antigas conforme a carta de Tiago?
2. O que é arrependimento? Por que ele é importante?
3. Dê dois exemplos de como um pecado pode ofender outras pessoas.
4. Quais as palavras de Jesus que nos mostram que o perdão e a reconciliação são importantes na vida do cristão?
5. O que são frutos do pecado? Cite cinco deles.
6. Qual é a diferença entre os pecados e os seus frutos?
7. O que é mais fácil ver, o pecado ou os seus frutos? Por quê?
8. Como é que os meios de comunicação social - o rádio, a televisão, as revistas e os jornais etc. - provocam em nós o impulso ou a tentação para a ganância e a cobiça?
9. Quais são as más ações causadas pela inveja e o ciúme?
10. Quais são uns males causados na família pelo pecado? Na sociedade? Nos sistemas políticos?
11. O que deve um penitente confessar no confessionário, pecados ou os seus frutos? Por quê?
12. Como é a diferença entre o perdão quando alguém confessa a) diretamente a Deus, b) no início da missa, e c) no confessionário? Qual é mais vantajoso ao penitente? Por quê?

“PROPAGANDA ENGANOSA”



Dom Edvaldo G. Amaral (*)
(dedvaldo@salesianosrec.org.br)

Propaganda enganosa – é o que se poderia chamar em termos de pastoral a chamada “confissão comunitária”. Se os termos fossem válidos, seria declarar em público, diante da comunidade, os próprios pecados. Haverá alguém disposto a isso? Creio que não. Já pensou a confusão que causaria? Aliás, parece que na velha história do império bizantino se diz que uma imperatriz certa vez teria se acusado em público de haver traído o marido imperador. Facilmente se imagina a confusão que isso provocou. Talvez surgiu daí a confissão só auricular, dentro do mais rigoroso sigilo.

Na verdade, com esse termo equívoco de “confissão comunitária”, o que se pretende dizer na verdade é a absolvição coletiva de grande número de penitentes, sem acusação dos pecados, nem encontro pessoal com o ministro sacerdote. Advertindo antes que a confissão individual e íntegra constitui o único modo ordinário, com o qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja, o direito admite também uma forma extraordinária de administração do Sacramento da Reconciliação dentro de certas e determinadas condições, previstas nos cânones de números 961 a 963. E são as seguintes, de acordo com as determinações do bispo diocesano: a) acidentes graves coletivos (catástrofes, desastres, terremotos, inundações, etc) sem haver tempo para que o sacerdote presente possa ouvir individualmente as pessoas em confissão; b) afluência imprevista de fiéis com número insuficiente de sacerdotes presentes. Compete ao Bispo julgar essa condição que não se verifica, por exemplo no caso de peregrinações e grandes festividades, para as quais deve ser providenciado oportunamente número suficiente de sacerdotes confessores.

E agora vem o que chamei no título deste artigo de “propaganda enganosa”. Para o fiel receber validamente sem confissão individual a absolvição coletiva - não se trata de simples liceidade, veja bem, mas sim de validade – ele deve estar disposto a confessar--se individualmente, quando lhe for possível (cânon 962). E o cânon 963 acrescenta: o fiel não pode receber outra absolvição coletiva, sem antes fazer a confissão individual dos pecados graves – “a não ser que se interponha justa causa” – diz o direito da Igreja.

Fica claro que o fiel católico, iludido pela eficácia da tal “confissão comunitária”, não pode passar anos e anos sem receber individualmente o santo sacramento da Penitência. Exigem-no o bom senso e a prática sacramental da Igreja.

Observava recentemente o diretor do “L`Osservatore Romano” : “A reconciliação realiza-se antes de tudo no sacramento da Penitência, que em grande parte desapareceu dos costumes dos cristãos, porque se perdeu a veracidade em relação a nós mesmos e a Deus.” Isso ele afirma com a experiência romana e mundial.

Queria afinal ainda notar que o I Sínodo Arquidiocesano de Maceió, em seu número 26 das Normas litúrgico-pastorais, dá orientação segura em relação à administração coletiva do Sacramento da Penitência.

(*) É arcebispo emérito de Maceió.

A IGREJA DAS CATACUMBAS



Maria Clara Lucchetti Bingemer,
teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio

Neste ano em que se celebra o centenário de Dom Helder Camara, muitas lembranças e recordações do grande Dom, que foi um dos presentes maiores de Deus à Igreja do Brasil têm sido desentranhados e trazidos à luz novamente. Limpos da poeira do esquecimento por nossa às vezes curta e ingrata memória, brilham como estrelas de primeira grandeza realimentando nossa vida espiritual e nossa capacidade ética.

Talvez um dos mais importantes seja a re-visita do chamado Pacto das Catacumbas. No dia 16 de novembro de 1965, poucos dias antes da clausura do Concílio Vaticano II, cerca de 40 Padres Conciliares celebraram uma Eucaristia nas catacumbas de Domitila, em Roma, pedindo fidelidade ao Espírito de Jesus.

Após essa celebração, firmaram o "Pacto das Catacumbas". O documento é um desafio aos "irmãos no Episcopado" - aos bispos presentes, portanto - a levarem uma "vida de pobreza", a construir uma Igreja que se queria "servidora e pobre", como sugeriu o papa João XXIII. Os signatários - dentre eles, muitos brasileiros e latino-americanos, sendo que mais tarde outros também se uniram ao pacto - se comprometiam a viver na pobreza, a rejeitar todos os símbolos ou os privilégios do poder e a colocar os pobres no centro do seu ministério pastoral.

O texto teve forte influência sobre a Teologia da Libertação, que despontaria e floresceria nos anos seguintes. Um dos signatários, propositores e mesmo articuladores do Pacto foi Dom Hélder Câmara. O belo texto do Pacto é altamente inspirador para toda a Igreja hoje como ontem. Aqui o transcrevemos do livro "Concílio Vaticano II", Vol. V, Quarta Sessão (Vozes, 1966), organizado por Dom Boaventura Kloppenburg, pp. 526-528.

PACTO DAS CATACUMBAS DA IGREJA SERVA E POBRE

Nós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre as deficiências de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados uns pelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar a singularidade e a presunção; unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado; contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a oração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses; colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante da Igreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, na humildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda a determinação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça, comprometemo-nos ao que se segue:

1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daí se segue. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.

2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias de matéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc 6,9; Mt 10,9s; At 3,6. Nem ouro nem prata.

3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., em nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome da diocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s.

4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e material em nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seu papel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores e apóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.

5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor...). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28; 23,6-11; Jo 13,12-15.

6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceitos, classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.

7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por qualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suas dádivas como uma participação normal no culto, no apostolado e na ação social. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.

8) Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração, meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que isso prejudique as outras pessoas e grupos da diocese. Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem os pobres e os operários compartilhando a vida operária e o trabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e 9,1-27.

9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relações mútuas, procuraremos transformar as obras de "beneficência" em obras sociais baseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas as exigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf. Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s.

10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem e dos filhos de Deus. Cf. At. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim 5, 16.

11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral - dois terços da humanidade - comprometemo-nos:

• a participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres;

• a requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem de sua miséria.

12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida com nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim:

• esforçar-nos-emos para "revisar nossa vida" com eles;

• suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundo o espírito, do que uns chefes segundo o mundo;

• procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores...;

• mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião. Cf. Mc 8,34s; At 6,1-7; 1Tim 3,8-10.

13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão, seu concurso e suas preces.

AJUDE-NOS DEUS A SERMOS FIÉIS. Com essas humildes e fervorosas palavras terminavam os bispos seu pacto. Elas precediam suas assinaturas. Que a mesma prece habite nosso coração e que o pacto das catacumbas, devidamente adaptado a nosso estado de vida, quer sejamos leigos, religiosos ou clérigos, possa ser o norte de nossas vidas.

Maria Clara Bingemer é autora de "Simone Weil - A força e a fraqueza do amor” (Ed. Rocco). wwwusers.rdc.puc-rio.br/ágape, entre outros livros.

Copyright 2009 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER - É proibida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)

... dia triste...



Maria Inês Simões - Bauru/SP
www.mis.art.br
mis@mis.art.br


amanheceu tristeza em mim
o dia se fez maldade
você pisou em mim
lembrança de sonho-saudade
amizade
caminho do dia ao fim

ENSINO SOCIAL E PROMOÇÃO HUMANA – PARTE V



Luiz Moura
(lmoura.pe@uol.com.br)

Empobrecimento e solidariedade.

As denúncias feitas em Medellín e Puebla, frente ao crescente empobrecimento devastador e humilhante, são retomadas em Santo Domingo, com preocupação e angústia. Os bispos assumem, com decisão renovada, a opção preferencial pelos pobres (não exclusiva nem excludente). O povo latino-americano e caribenho é muito criativo em sua forma de buscar a própria sobrevivência; por isso, os bispos ressaltam a importância dos que lutam para sobreviver, através da economia informal.

O uso do termo “empobrecimento” é mais significativo e mais adequado do que os termos “pobreza” e “pobres”, usados no documento de Puebla. O que se dá na realidade. Mais do que de “pobres” temos, na A. Latina, uma população, em sua maioria de empobrecidos. O termo carrega um significado sociológico mais profundo.

O Trabalho

Não há muita novidade no documento de Santo Domingo sobre o mundo do trabalho. Aí se reafirma a doutrina social da Igreja, sobretudo o que está expresso nas encíclicas mais recentes do papa João Paulo II: Laborem Exercens, Sollicitudo Rei Socialis e Centesimus Annus. Contudo, o tema é mais completo que o expresso no documento de Puebla.

UFS: UMA ANÀLISE REFLEXIVA, RETROSPECTIVA E PERSPECTIVA -



PARTE IV
Uziel Santana (*)

“Em foco: o programa Universidade Aberta do Brasil (UAB), o Centro de Educação Superior a Distância da UFS e a expansão da UFS na Pós-graduação Stricto Sensu”


Neste quarto ensaio desta série que estamos desenvolvendo sobre a UFS, ainda com o olhar focado no processo de expansão porque passa a nossa universidade federal, vamos analisar hoje – nos mesmos moldes das análises até então realizadas – a expansão virtual da UFS no interior e a expansão da UFS na pós-graduação stricto sensu.

A primeira – a expansão virtual da UFS no interior do Estado – dá-se através da implementação em Sergipe do Programa do MEC “Universidade Aberta do Brasil (UAB)”, constituído e desenvolvido no âmbito da UFS através do Centro de Educação Superior a Distância (CESAD). Por sua vez, a recente expansão da UFS na pós-graduação strico sensu, deu-se com a aprovação, pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), de 7 novos mestrados e 2 novos doutorados.

Vamos tentar analisar, reflexiva e perspectivamente – com base no suporte fáctico que temos lido, visto e ouvido e sempre com o objetivo de informar e despertar a sociedade sergipana e a comunidade acadêmica, dirigente e dirigida, a respeito do que precisa ser melhorado – , essas duas vias de expansão da nossa UFS.

O Sistema “Universidade Aberta do Brasil” - desenvolvido pelo Ministério da Educação – é um programa que tem como objetivos principais, segundo consta do documento oficial do MEC de projeção e desenvolvimento do mesmo, “a democratização, a expansão e a interiorização da oferta de ensino superior público e gratuito nos municípios brasileiros que não têm oferta de ensino superior ou cujos cursos ofertados não são suficientes para atender a todos os cidadãos”.

Aqui em Sergipe, coube a UFS a implementação do Sistema UAB através do CESAD – Centro de Educação Superior a Distância – e os municípios, inicialmente, contemplados e enquadrados foram: Arauá, Areia Branca, Brejo Grande, Estância, Japaratuba, Laranjeiras, Poço Verde, Porto da Folha e São Domingos.

Esses municípios funcionam como pólos presenciais onde se monta a estrutura mínima de funcionamento da UAB. Prevê o projeto que a estrutura mínima é composta dos seguintes elementos de infra-estrutura: “laboratórios de ensino e pesquisa, laboratórios de informática, biblioteca, recursos tecnológicos dentre outros, compatíveis com os cursos que serão ofertados”. O funcionamento de todo o processo ensino/aprendizagem, a partir disso, dá-se virtualmente. O aluno – que pode ser qualquer cidadão que concluiu a educação básica – essencialmente, não tem contato presencial com os professores e o sistema de avaliação do mesmo segue as mesmas linhas da tão criticada LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei 9.394/96) que quase que abertamente proíbe a reprovação.

O que podemos pensar e dizer a respeito desse programa do MEC? Basicamente o que já dissemos no segundo artigo dessa série, quando fizemos uma analogia entre o programa de expansão das IFES – o REUNI – e as políticas-públicas dos militares que ensejaram a formação do MOBRAL e do Ensino Supletivo. No caso da UAB, as similitudes das proposições político-educacionais que fundamentam um e outro programas (UAB e MOBRAL) são quase totais. Quem conhece a história da educação desse país vai notar que sim.

Em assim sendo, o que falamos quanto ao MOBRAL, no segundo artigo desta série, é o que falamos agora: o intuito inclusivo do Governo Federal é louvável, assim como o foi no passado. A expansão do ensino universitário em municípios como esses que foram contemplados em Sergipe é, realmente, algo necessário, premente e imediato. Agora, que fique claro à comunidade dirigente que o implementa que essa é uma política pública, tão-somente, emergencial para socorrer aqueles que, em termos e perspectivas educacionais, nada têm hoje. Não se pode tentar incultir no imaginário coletivo da sociedade sergipana que uma política dessas é uma política inovadora e solucionadora dos problemas educacionais, no ensino superior, do nosso Estado. Trata-se, tão-somente, de um “prato de comida para quem tem fome”, isto é, uma espécie de Fome Zero da Educação. Não há como dizer diferente.

Na realidade, a expansão e interiorização do ensino superior da UFS – nesses municípios – deveria se dar como está ocorrendo em Itabaiana, com recursos próprios, advindos de programas específicos, para implementação de unidades de ensino presencial.

No mais, acreditamos e torcemos para que o está projetado para a UAB em Sergipe seja, realmente, implementado, porque, como afirmamos acima, em alguns municípios desse Estado o direito fundamental à educação é uma realidade muito menos que virtual.

Pois bem. Falemos, agora, um pouco, como prometemos, sobre a expansão da UFS na pós-graduação strico sensu com a implantação de novos cursos de mestrado e doutorado.

Tal notícia, realmente, merece aplausos da comunidade acadêmica local. É uma vitória importante para a UFS, fruto da qualidade dos pesquisadores – mestres e doutores – dos grupos de pesquisa existentes e, também – não se pode deixar de afirmar –, fruto das incursões políticas da UFS na CAPES, já que o nosso ex-Reitor, Prof. Dr. José Fernandes Lima, foi o Diretor de Programas da CAPES de 2004 a 2006. No caso, queremos crer que prevaleceu a competência dos nossos grupos de pesquisa e da nossa Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, muito embora, por conhecermos como funciona a CAPES, sabemos das suas atuações e avaliações muitas vezes políticas.

O fato é que 7 novos mestrados e 2 novos doutorados foram aprovados e esses agora se juntam aos 10 programas de mestrado e dois de doutorado até então existentes, o que dá um total de 17 programas de mestrado e 4 programas de doutorado. Isso, realmente, é de se comemorar. Uma expansão de quase 100%.

Agora, sobre essa expansão, a preocupação que temos, conhecendo um pouco a história da pós-graduação na UFS, é com o seguinte dado: todos os cursos de mestrado e doutorado da UFS, nas avaliações trienais que a CAPES já realizou aqui, sempre obtiveram conceito 3 (três). E três é o conceito mínino! (o máximo é 7) A um passo de acontecer o descredenciamento do Programa de Pós-graduação!

Esse ano, a CAPES está realizando novas avaliações. Oxalá possamos obter uma qualificação melhor agora, tendo em vista os investimentos dos últimos dois anos feitos pela atual composição da Reitoria. Mas o fato é que esperamos que esses novos programas aprovados possam obter, no futuro, uma avaliação melhor, porque se não houver um planejamento e investimento específicos, novamente, teremos, apenas, programas de pouca representatividade e de módico grau de indispensabilidade e contribuição científica, sobretudo, observando o que, em termos de ciência e tecnologia, outros programas de pós-graduação em todo o país têm produzido.

Expansão com qualidade e planejamento estratégico é o que devemos sempre buscar para a nossa UFS. Acreditamos que esse é o escopo maior da atual Administração. Aliás, sobre esta atual gestão e os 39 anos da UFS, discorreremos no próximo artigo.

(*) Advogado. Professor da UFS – (ussant@ufs.br).