terça-feira, 2 de junho de 2009

TEXTO DE WALTER CABRAL DE MOURA

(wacmoura@nlink.com.br)


Faço poemas rotos
faço poemas sujos, ou limpos
que diferença faz?

Faço poemas rasgados
faço poemas banidos
faço poemas soturnos
faço poemas sombrios

Poemas gemidos, amaldiçoados
poemas proscritos, gritados
não, gritados não
apesar de tudo
são poemas bem comportados

Faço poemas como quem morre
faço poemas intranqüilos
faço poemas como quem é inútil
faço poemas agitados
faço poemas como quem não ama
faço poemas como quem digere
um prato mal preparado

E se alguém pergunta o destino
que tem essa poesia
verá que é quase nenhum
além de encher cadernos
e me mostrar o inferno

Queria ser bom menino....
e só mesmo por desatino
faço poemas toscos
faço poemas roucos.