
Pe. Eduardo Delazeri
pe.eduardo.delazeri@gmail.com
Um dia o místico e o revolucionário se encontram em um ponto da história, que é na ante-sala do poder, e travaram o seguinte diálogo.
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Um dia o místico e o revolucionário se encontram em um ponto da história, que é na ante-sala do poder, e travaram o seguinte diálogo.
Místico: vocês revolucionários são muito voltados para fora, até parece que estão fugindo de si.
Revolucionário: Vocês místicos é que são voltados para dentro, até parece que estão fugindo do mundo.
Místico: que bom seria se a gente pudesse casar a mística e a revolução.
Revolucionário: É verdade eu até acho que esta mistura daria liga.
Místico: Já estou imaginado a cena, a Mística virá vestida de vida e a Revolução viria vestida de história. Os padrinhos já sei podem ser os movimentos sociais.
Revolucionário: Isso mesmo, e os convidados: seriam os últimos, para ao menos uma vez o mais simples ser visto como o mais importante. Vamos chamar as putas, os gays, miseráveis que moram nas ruas, os catadores de lixo, os aidéticos e toda a turma deles.
Místico: Pois que comece o casamento. Mas não será realizado em nenhuma Igreja, de nenhuma religião, vamos celebrá-lo na catedral da vida, para ser mais real. Que entre os noivos.
Revolucionário: Nós viemos aqui para beber ou para conversar?
Místico: (que é meio quietão, faz pausa. Só olha nos olhos dele.
Revolucionário: (num estalo percebe. Pega na mão do místico e comenta) Já sei. Nós viemos foi para amar não é?
Místico: É. Então é bom tirar os sapatos, assim a gente caminha descalço, pois essa terra que pisamos é sagrada.
Revolucionário: Não vamos tirar a roupa toda. Afinal, foi assim que nascemos.
A mística e a revolução tiveram então um filho, que não pôde ser batizado nem ter nome: chamou-se simplesmente homem-novo, embora fosse mulher.