terça-feira, 27 de abril de 2010

MEMORABILIA


cairo de assis trindade

(montagem de lembranças, edição de sonhos)



guardam-se, em memorandos, os quês, os quens & os quandos.

entre flashes perdidos no tempo, desenha-se incerto esboço:

sombras, sonhos, rostos, nomes, toques, gostos.

recriam-se algumas cenas, carrega-se nas tintas,

apagam-se alguns traços, ganham vida personagens.

vestem-se as imagens, engendrando gestos

possíveis na engrenagem. congelam-se momentos

e se auscultam cérebro, coração & células.

depois de alguns tantos zoons, abre-se o foco ao máximo,

e se deixa ir o pensamento, em liberdade,

por improváveis cenários, até alçar voo nas asas do imaginário.

checam-se todos os dados: consultam-se agendas antigas,

velhos álbuns de retrato, cartas extraviadas, vídeos,

vestígios velados nos desvãos do inconsciente.

e enfim se revela, quadro a quadro,

o abismo entre memória & passado.
Quem é Você?



Um Conto em Tempo de Meditação

por

J. A. Horta da Silva 
(14/ 03/2010)






«Quem é você?» retorquiu uma celebérrima escritora no decurso de uma sessão de interpelação que se seguiu à palestra “O Liberalismo e as Tendências Literárias Portuguesas do Século XIX” proferida num Centro de Artes do país. A questão, que havia sido posta por Emanuel, prendia-se com a influência de Almeida Garrett no Romantismo versus o arrojo deste insigne homem de cultura ao publicar o poema “O Retrato de Vénus”, que lhe valeu a acusação não só de materialista e ateu, mas também de abuso de liberdade de imprensa. Fundador de uma loja maçónica, Garrett – liberal, combatente de armas contra o absolutismo, escritor, embaixador e tantas coisas mais – teve uma adolescência norteada para a vida eclesiástica por interferência do tio Frei Alexandre, bispo de Malaca e mais tarde de Angra. Encolhido no agasalho do seu desvelo pela literatura, Emanuel sorriu-se para a palestrante e, com um à-vontade próprio de quem está habituado a sacrifícios de monta, cobriu a sala de pasmo ao responder com convicção: «ninguém» tal como havia feito D. João de Portugal, ao regressar a casa disfarçado de romeiro, anos depois da batalha de Alcácer Quibir. A mulher, não resistindo ao vazio da longa espera, havia-se casado com outro homem.¹

Emanuel trilhava por esta altura o apogeu da vida adulta metido nos seus quarenta e poucos anos e, embora preferisse o Modernismo e o Neo-Realismo como correntes literárias, continuava avesso às facetas anti-clericais do liberalismo, republicanismo e comunismo, muito embora aceitasse que as duas primeiras correntes políticas obrigaram a Igreja a viver menos fechada sobre si mesma e mais tolerante. À revelia do que aconteceu com Garrett, foi seminarista, muito embora não chegasse a ser ordenado padre por caprichos que a vida gosta de propiciar. Crestado pela dação a uma intelectualidade pouco canónica, deixou o seminário quando roçava o fim do curso atirando-se, por conta e risco, à vida ascética. Aceitava que os monges convivessem com a presença do sagrado, quer labutando sob o calor do deserto ou sob o frio da montanha, quer meditando enclausurados na grandeza das suas exíguas celas. Mas a dúvida persistiu mesmo depois de um franciscano, imbuído da bondade agreste da penitência, lhe ter dito: «a alma de um monge é uma gruta da natividade à espera de Cristo nascer, mas o Natal só é alcançado por muito poucos e nunca por excesso de contemplação mística. O amor reside na verdade, mas a verdade é difícil de alcançar. Sempre que damos um passo em frente, a verdade gosta de dar um passo a trás». Desorientado, Emanuel sorveu textos admiráveis de Thomas Merton, mas deixou-se arrastar para o misticismo oriental influenciado pela leitura de Aldous Huxley e pela faceta histórica da vida de Sidarta Gautama.

Um dia resolveu ir até ao Jardim Botânico de Coimbra. Entrou pela porta dos Arcos do Jardim, contornou as estufas, desceu as escadas e sentou-se debaixo do gigantesco Ficus magnolioides que ali existe. Fez de uma das raízes o escabelo da sua preocupação e pôs-se a olhar o vácuo cheio de arvoredo, onde a abundância de espécies exóticas raramente é motivo de atenção. De facto, há no Jardim Botânico de Coimbra espécies que são o paradigma da existência de floras excêntricas – raras, longínquas e, nalguns casos, em vias de extinção – que constituem relíquias desse legado de que nós fazemos parte como o maior predador. Trazia no bolso uma carta oriunda de Glasgow que entregara ao desprezo por amargo de consciência mas, quando abriu o envelope, acordou da abstracção sob o sussurro de um arrastar de pés. Era um idoso, encarquilhado e frágil, que se deslocava a tropeçar nos passos da sua própria existência, a caminho de uma palmeira de onde colheu tâmaras podres, que começou a comer. Espreitou o homem e sentiu uma estranha sensação que lhe mostrou a primeira aparição de Sidarta “O Velho”. Contrariado, desviou os olhos e preferiu concentrar-se na carta de Hazle, ex-colega e amiga dos tempos em que militou na Legião de Maria:

… Aos poucos e poucos, tens vindo a perder a fé e eu, que sempre me alimentei dela, sou o patinho feio que te segue, a beber a crença que vais derramando …

Imerso nas imagens do passado, Emanuel não deu pela presença de um moço coberto pela síndroma da morte que, subitamente, se interpôs à leitura. Fixou o pedinte, com repugnância, meteu os dedos ao bolso e deixou cair uns trocos na palma de uma mão mosqueada de pústulas. O rapaz retirou-se, sem agradecer, procurou mais alguém a quem pudesse mostrar o desencontro da sua vida e foi-se. Emanuel levantou o olhar e fixou-se no tronco da árvore que estava cheio de inscrições. Eram nomes ao acaso, corações traçados por flechas, memórias em espaços perdidos. O Ficus magnolioides sangra leite quando é cortado. A árvore Bo de Gautama também sangrava leite, mas o sidoso pingava de penitência e sangrava as derradeiras agruras da vida. Emanuel voltou a olhar a carta, mas demorou a reencontrar o ritmo da leitura ao recordar-se da segunda aparição de Sidarta “O Doente”.

…Steve venceu os vícios do álcool e das apostas em galgos e cavalos. Anda sóbrio, traz o vencimento para casa e deixou-se de euforias em pubs. Mantém a paixão pelo Celtic e só perde o tino nos jogos com o Rangers. O padre Melani vai lembrando que o futebol é um tempero inócuo da vida e que devemos estar gratos a Deus por Steve ter vencido a bebida e o gambling, duas das grandes perdições da existência humana. Os amigos continuam a perguntar por ti. Vou dizendo que um dia destes apareces , mas sei que minto…

Sentindo um espasmo acerado que lhe apertou a alma, Emanuel tentou reagir, mas o arrepio trouxe, por companhia, o corpo desventrado e insepulto da terceira aparição de Sidarta “O Morto” Era uma dor que não remitia o remorso, não obstante Hazle tentar apaziguar-lhe o constrangimento.

…Por isso, não quero que tenhas pena de mim. Pensa em ti no sentido positivo da vida, entumecido da esperança que nos enleva o futuro. Quando não tivermos corpo, vamos ter tempo para analisarmos, em conjunto e serenamente, as contradições da nossa própria existência …

Emanuel quedou-se à espera da quarta aparição, mas o mendigo religioso e errante, “O Asceta”, não apareceu. Em seu lugar, surgiu uma algazarra de crianças. Junto ao Ficus, a garotada calou-se, enquanto a professora explicava o quê das coisas, num tom calmo, paciente e pedagógico. Os catraios estavam cobertos de pasmo a pensar como é que a árvore podia dar a borracha com que apagavam os erros. A professora disse-lhes que aquele tipo de árvores deitava um leite que, depois de tratado em fábricas, acabava por dar a borracha. As crianças desceram a escada à frente da professora e olharam para Emanuel, como se ele fosse parte integrante da turma e uma delas perguntou-lhe, como quem fala para o colega: «Onde está o leite que dá a borracha?» Emanuel guardou a carta e pegou num canivete. Os gaiatos transbordavam de expectativa, à espera da incisão, para ver a borracha antes de ser borracha até que a seiva brotou e a algazarra também. A professora agradeceu a ajuda, os catraios falavam uns com os outros e todos com ele, desejosos de apalpar o líquido espesso que corria, até que uma voz vinda de trás ciciou: «Não te sabia com dotes de educador de infância!» Emanuel olhou e viu Clotilde, uma amiga do tempo do Liceu. E ao som da algazarra que voltara, deixou-se integrar na excursão agarrado ao braço da colega. «Como é que apareces aqui, desta forma?» perguntou Emanuel, incrédulo de satisfação. «Vim ajudar a minha colega a dar uma aula no Portugal dos Pequenitos e, a pedido do acaso, alguém me mostrou o caminho que dá acesso ao Nirvana.

Quando da palestra sobre “O Liberalismo e as Tendências Literárias Portuguesas do Século XIX”, Emanuel acabara de chegar de uma missão na área Subsariana, onde trabalhava com Clotilde numa escola de um campo de refugiados. Tinham a seu cargo o ensino de crianças desnutridas, polvilhadas pelo pó do deserto e estavam felizes por terem encontrado o rumo certo das suas vidas.
__________________
¹ Frei Luís de Sousa (Romance de A. Garrett)

A LIBERDADE DOENTE



Dade Amorim
dedaamorimo@gmail.com


Os convites para sites de relacionamento e chat, que chegam todo dia no e-mail da gente, em geral vêm em nome de alguém de nossa lista que pode não ser o autor da mensagem. Não são somente os vírus e spams declarados que chegam assim. Vêm em tom invasivo e falsamente descontraído, mas não passam de marketing descarado, já tão incorporado a nosso dia-a-dia que às vezes nem nos damos conta. Por que estranhos a léguas de distância estariam preocupados em nos trazer de volta amigos extraviados ou antigos colegas de escola e de trabalho? Quase sempre o mesmo pretexto para oferecer produtos supérfluos, serviços que ninguém pediu e outras mercadorias perfunctórias, esse tipo de mídia eletrônica onde piscam mil e um patrocínios de construtoras, lojas, hotéis, carros, utilidades, inutilidades, garotos(as) ou amigos de programa, que em certos casos pagam para se ofertar via internet.
Cada vez mais forças externas tentam dirigir os atos que deveriam ser de iniciativa exclusiva de cada um. Isso lembra muito 1984, de George Orwell, ou Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. Outro dia, revendo Zorba, o Grego (que filme!), e vendo os camponeses de Creta esperando a morte de Hortense para saquear sua casa, pensava na analogia entre aquela cena e a constante intrusão de empresas e pessoas que insistem em nos convencer de que o melhor para nós é o que eles querem – e eles sempre querem nos passar alguma coisa em troca de nosso dinheiro e/ou nossa submissão para fomentar seu poder.
Por conta dessa luta de interesses, que se disfarça de luta de ideias, este mundo às vezes parece um grande manicômio. O inconsciente coletivo virou um amontoado de noções sem fundamento e preconceitos distorcidos explorados por aventureiros. Diante destes, os sofistas da antiga Grécia eram seres sem malícia. Nos anos 1960 passamos por um período em que as ideologias se digladiavam e geravam debates e contendas sem fim. Agora porém as ideias e visões de mundo chegam aos pedaços, mal assimiladas e achacadas pelo mercado, pelos políticos e por aquele tipo de gente que corre atrás da fama a qualquer preço.
O lado virtuoso da comunicação em tempo real, que chega da televisão e da internet, traz em seu bojo dois vícios capazes de anular grande parte das vantagens de tanta rapidez: a informação chega muitas vezes mal elaborada e quem a recebe na outra ponta quase sempre deturpa seu sentido, por estar mal preparado ou desinformado de dados anteriores, sem os quais a notícia perde seu sentido principal. Diante disso, a mentalidade do público em geral flutua entre juízos precipitados e dúvidas sem resposta; e grande parte das pessoas desiste de entender e se acomoda na alienação, ou então assume uma atitude irracional diante dos acontecimentos.
Talvez tenha chegado a hora de reunir de novo na praça os pensadores, os artistas e o povo, como faziam os antigos gregos na ágora. Quem sabe ainda se consegue plantar em nossas cabeças a semente de uma reflexão sem compromisso com os interesses do dinheiro, do poder e da violência? A liberdade humana é um conceito pouco claro, porque, em qualquer caso, é sempre muito limitada. Mas sem essa reflexão, a liberdade de cada um de nós se reduz a miragem, palavra vazia do vocabulário politicamente correto, e só.

Obs: Imagem enviada pela autora ( Imagem de André Cypriano)

mago



Wilson Guanais
wilson_guanais@hotmail.com


fazia amanhecer
ou anoitecer
num abrir e fechar
de olhos

: as pálpebras
eram seus únicos
poderes.

TEXTO DE DJANIRA SILVA



djaniras@globo.com
http://blogdjanirasilva.blogspot.com/


Abro o portão. Agora, será sempre assim todos os dias, a mesma angústia. Penso em ficar, desejo sair. Quando saio, me angustio pensando na volta. É difícil a gente se dizer: estou só. Queria uma ausência que me afastasse de mim.
Ponho a chave na porta, abri-la, entrar é o que devo fazer. Lá dentro a cara grossa do silêncio. Não consigo aceitá-lo, segue-me, persegue-me. Na presença do invisível sou covarde. Aliás eu sempre tenho medo: medo de não ouvir nada, de não ver, de não saber, de ver o que não quero, de sentir a dor, o sofrimento me consumindo como agora. Preciso de coragem para enfrentar lembranças.
Diante do nada me detenho. O mundo calado, cheio de segredos, me assusta. Esta menina tem medo de tudo. A mãe, inquieta conta-me histórias para afugentar temores.
A noite chega depressa. As sombras se espalham pela casa e dentro da alma. O jarro da mesa, fora do lugar, as janelas abertas. A casa desarrumada. Se chover molhará as cadeiras, o chão da sala. Já não tenho a quem me queixar, nem reclamar pelas coisas erradas. Certeza da solidão.
No quarto, a falta de presença, a cama vazia. O tapete esticado, morto no meio do quarto. Acendo a luz. Estremeço. Mesmo com a luz acesa, ainda tenho medo. Fecho a porta para não ver o escuro. Tenho medo do movimento das sombras. Não me preparei para ser só.

Obs: Texto retirado do livro da autora – Memórias do Vento.

REFLEXÂO SOBRE A ESPÈCIE



Nicole Bianchini
nicole_bianchini@hotmail.com


mulheres sofrem com cólicas,dores de parto,chifres,menopausa,menstruação
depilação,perda de sapatos,gestação
e suportam tudo com a cabeleira no lugar
(na maioria das vezes)
sabe,começo a achar que mulheres são mesmo
algum tipo de heroína,um tipo que não colocaram na ''liga da justiça''
Sem querer sobrepo-las a nada ou a ningúem
Mas,voce há de convir comigo
que homem aguentaria tudo isso?

HAITI: SOBERANIA E SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL



D. Demétrio Valentini (*)


Às vezes é necessária a teimosia de Tomé. Precisamos ver para crer. Tal a situação em que se encontra o Haiti, depois do terremoto. A realidade é muito mais complexa do que imaginávamos. Em decorrência, a ajuda solidária requer uma atenção redobrada, para que seja conveniente e adequada.

E´ o que vai fazer a Cáritas Brasileira, dentro de suas possibilidades, procurando valorizar os recursos colocados à disposição pela generosidade do povo brasileiro que aderiu à campanha em favor do Haiti.

A situação do Haiti já era muito precária, antes do terremoto. Este só veio agravar a situação. O terremoto não é a causa principal do caos em que se encontra o país. Na verdade, como propõe com insistência Mons. La Fontant, o terremoto se torna oportunidade para todos se darem conta das causas que levaram a esta situação, e dos caminhos a empreender para sair dela.

A causa principal está no colapso das estruturas constitutivas do país, da nação, da pátria! Uma análise atenta da realidade, mostra a derrocada da cidadania, provocada por diversos fatores, entre eles a longa ocupação do país pelos Estados Unidos no século passado, com a seqüência de ditaduras apoiadas pelo capitalismo, que propiciaram a crescente corrupção política, agravada pelo atraso educacional, que facilita a submissão das consciências.

Este pano de fundo é importante para compreender a situação em que se encontra o Haiti.

Ao mesmo tempo, para a “refundação” do país, é imprescindível colocar como pano de fundo a retomada da plena soberania nacional, através da reorganização das instâncias políticas, a reestruturação da sociedade pelo incentivo à participação comunitária, pela incidência da cidadania nas políticas públicas, com a rearticulação da economia nacional, a reorganização do sistema educacional e a reafirmação da cultura do país.

Ao mesmo tempo, é preciso ser realistas, e constatar que estas metas não se alcançam de um momento para outro, nem podem prescindir do apoio internacional.

Aí se coloca um desafio especial, sobretudo para o Brasil, em decorrência da missão que ele recebeu de comandar as forças das Nações Unidas, presentes no Haiti desde 2004, com a finalidade de colaborar para a estabilização política do país.

Claro que o ideal para todos os países é não dependerem de forças estrangeiras em seu território. E quando isto acontece, a demanda mais espontânea é pedir que as forças se retirem.

Acontece que a situação atual do Haiti leva a conclusões diferentes. Ainda mais agora, após o terremoto. Seria uma covardia se retirarem neste momento, dado o indispensável serviço que estão prestando ao povo haitiano, sobretudo em Porto Príncipe. As forças da ONU viabilizaram a socorro imediato a toda a população da capital, não só organizando a distribuição de alimentos e a montagem das milhares de tendas onde muita gente ainda se abriga, mas garantinto ordem e segurança para todas as pessoas.

Dada a oportunidade de conferir de perto a situação do Haiti, sinto-me no compromisso de dar um testemunho altamente positivo sobre a presença das Forças Brasileiras no Haiti, representadas pelos 2.300 soldados do Exército e pelo Batalhão da FAB com seu hospital de campanha.

Prova da eficiência do seu trabalho é a grande estima que granjearam junto à população. Nossos soldados souberam impor sua autoridade por sua postura correta e pela maneira respeitosa e humana com que se relacionam diariamente com a população, em tarefas que exigem equilíbrio, firmeza e bom senso, e que eles executam com muita competência.

As Forças Armadas Brasileiras estão de parabéns. No Haiti elas estão honrando nosso país, e proporcionando aos haitianos uma experiência diferente de relacionamento internacional. Acredito que está se forjando no Haiti uma nova figura de exército, não caracterizado pelo poder das armas, mas pelo serviço à solidariedade internacional.

A situação do Haiti enseja outras ponderações, a serem feitas oportunamente.

(*) (www.diocesedejales.org.br)

ALAGAMENTOS URBANOS



José de Alencar Godinho Guimarães (*)
jfdelvitoralencar@hotmail.com


Furacões me atormentam,
Tempestades tiram minha paz,
Deslizamentos me conduzem perplexo.
Fico triste,
Vidas levadas,
Arrastadas pelos esgotos imundos,
Soterradas na incompetência política.
Funerais de sonhos,
E o recomeçar com saudade.
Saudade daquilo que era nossa única dignidade,
Nossa casa, família,
Nossos poucos bens materiais
E uma montanha de bens humanos
Acabando como lixo em meio aos escombros da improbidade.
Morros deslocados para as portas das mansões dos inabaláveis,
Uma lama da pobreza estrema
Procurando abrigo,
Aconchego.
Lágrimas da dor de uma invalidez insuportável,
Restos humanos nessa barbárie natural
Conformados por não terem mais nada,
Até a vontade de viver se esvai na enxurrada urbana
Produzida pela ganância...


(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA

NOTAS SOBRE UMA VIZINHA



Walter Cabral de Moura
(wacmoura@nlink.com.br)


é na minha memória
mais que na realidade em volta
ou em qualquer fantasia
que habita a poesia que me restou.

às vezes pergunto-lhe, para ser gentil:
– como tem passado? ou
– estão lhe tratando bem? ou ainda
– as noites têm sido frescas, não?
e outras amenidades do gênero

mas ela, todo sobrevivente é assim,
é de poucas palavras e raramente responde.
quando estou tranqüilo e de folga
gosto de observá-la (sem que me veja, é claro):
surpreendo-a então com o olhar distante
mirando longes, absorta em alheamentos.

penso, sem ter certeza, que uma vez
ouvi-a sussurrar, para si mesma:
“passou, nevoeiro, passou. adiante.”
mas sua voz, quase inaudível
e sua pronúncia indistinta
podem me ter confundido.

lembra-me às vezes um pássaro triste,
que já não pode voar muito.
algumas vezes, no entanto, penso vê-la
quase feliz, distraída com alguma coisa
que nunca, ainda que tente a vida inteira,
saberei direito o que é.

EM QUE NÃO CRÊ QUEM CRÊ EM DEUS



Marcelo Barros(*)
(irmarcelobarros@uol.com.br)


Com um título parecido com este, (O que crê quem não crê), o Cardeal Carlo Martini, ex-arcebispo de Milão e o escritor Umberto Eco nos presentearam com um belo livro de diálogos sobre a fé, a dúvida e a descrença. De fato, estamos sempre desafiados a aprofundar este assunto, quando nos deparamos com certas posições de pessoas que não somente se dizem crentes, mas pretendem falar em nome de Deus.

Moscou ainda se recuperava dos violentos ataques terroristas que sofreu neste mês com dezenas de vítimas fatais e muitos feridos, quando, nos jornais, um pregador cristão fundamentalista declarou que aquilo aconteceu como castigo divino, porque a sociedade russa é cada vez mais alheia à fé e à moral cristã. Já o pastor norte-americano Pat Robertson afirmou à imprensa: “o terremoto do Haiti aconteceu porque, há 200 anos, os haitianos teriam feito um pacto com o diabo para obter o fim da dominação francesa. Agora, seus descendentes sofrem as consequências daquela aliança maléfica”. Racismos e discriminações sociais à parte, este tipo de teologia não existe apenas em ambientes pentecostais. Na Itália, na Semana Santa de 2009, um terremoto devastou a cidade de Áquila e seus arredores. A Rádio Maria divulgou a opinião de Lívio Gonzaga, líder católico carismático: “O Senhor quis que, nesta semana santa, os habitantes de Áquila participassem do seu sofrimento e sua paixão” (6ª f., 10/04/ 2009).

Há quem use este mesmo tipo de pensamento para consolar uma mãe que chora a perda de um filho ou filha, arrancada da vida em plena infância: “Deus quis assim”, ou “foi a vontade de Deus”. Que Deus é esse que quer a morte de crianças inocentes? Recentemente, no Recife, em um sinal de trânsito, um taxi parou ao lado de um automóvel de luxo que tinha colado no vidro um adesivo: “Este carro foi presente de Deus”. O taxista reagiu: “Que Deus é este que te deu um presente tão caro e a tantos aí, não dá nem o que comer?”. Lembrei-me do primeiro acidente da TAM. O fokker decolou de Congonhas e caiu perto da pista, matando 89 pessoas. Quando parentes das vítimas se acotovelavam no aeroporto a procurar, aflitos, notícias de seus entes queridos, apareceu um senhor que declarou tranquilamente: “Eu devia tomar este avião, mas houve um engarrafamento no trânsito e cheguei atrasado. Deus me salvou!”. Salvou a ele e deixou morrer 89 pessoas...

A Bíblia é muito sábia ao insistir no mandamento que a tradição cristã traduziu como:“Não pronunciar o nome de Deus em vão”. Em cada celebração pascal, na renovação do batismo, a comunidade cristã é convidada a dizer em que Deus crê. Entretanto, para isso, deve antes deixar claro em que Deus não crê. É isso que significa hoje o que, em outros tempos, se denominava renunciar ao demônio e a suas obras. Hoje, mais do que nunca, somos chamados a rejeitar as falsas imagens de um Deus que dá êxito a poucos e despreza a maioria da massa humana. Não podemos crer em uma divindade com a qual podemos negociar. Deus não é tapa-buraco para resolver problemas e mistérios que, através da ciência ainda não conseguimos superar. Em 1943, de uma prisão nazista, em uma carta ao cunhado, Dietrich Bonhoeffer, pastor e teólogo luterano, escreve: “Deus nos faz viver neste mundo, sem nos servirmos de sua presença. Durante todo o tempo, vivemos diante de Deus e com Deus, mas como se Deus não existisse. Não devemos nos utilizar dele como uma hipótese de trabalho. Desde que criou o mundo, ele deu a suas criaturas e ao ser humano a autonomia de existir. Aceitou se retirar e fica feliz quando nos vê como seres que podem viver e prosseguir por conta própria sem, para tudo, se esconder em seu manto” Cf. Resistência e Submissão).

Na mesma época, Simone Weil, intelectual e mística francesa, afirmava: “Eu sei quem é de Deus não quando me fala de Deus, mas pela forma como se relaciona com as outras pessoas e como orienta a sua vida”. Na Idade Média se conta de São Francisco de Assis que este se aproximava de Roma com alguns irmãos. Um mendigo se aproxima do grupo e pede comida. O irmão encarregado da bolsa responde que não tem nada, já que eles também estão vivendo de esmola. Francisco procura o irmão e lhe diz: Por que você não vende a Bíblia que temos para dar comida ao mendigo? O irmão responde: “Nós precisamos da única Bíblia que temos. Além disso, vender a Bíblia seria um sacrilégio”. Francisco retruca: “Como todo pai, Deus prefere que alimentemos um filho seu que está com fome. E não é certo que precisamos da Bíblia. Já a escutamos e as palavras do livro sagrado devem se transformar na pessoa que a lê ou escuta. Nós é que somos a Bíblia viva de Deus” (Cf. Os fioretti).


(*) Monge beneditino, teólogo e escritor.

A PERSISTÊNCIA DA RELIGIÃO



E AS CONTRADIÇÕES DA MODERNIDADE
Sebastião Heber
shvc50@gmail.com


Uma das contradições da modernidade é que ela pretende se preencher a si mesma apenas pela razão, com resultados tecnológicos positivos, precisos, com dados controláveis por uma ciência mensurável a olhos nus.E, de fato,o que vemos é uma explosão do sagrado,muitas vezes até sob forma radical.Presenciamos a uma demanda de milagres, seja a nível popular,em lugares que já se tornaram clássicos na fé cristã, como Fátima e Lourdes. Também há um crescimento marcante daqueles grupos chamados de Seitas, que proliferam não apenas nas periferias das grandes cidades, mas, sobretudo, nos grandes centros.Fora do âmbito estritamente cristão ,sabemos como o mundo ficou chocado com o atentado de 11/09/2001.Lá, por causa de um ato fanático, a realidade islâmica foi repensada, não apenas sob a forma fundamentalista, mas tem sido ocasião de se estudar a sua essência.

Dentro desse contexto, podemos nos perguntar sobre o porquê da volta do sagrado nos nossos dias, em alguns casos até com uma extrema dose de fanatismo. Acredito, acompanhando alguns estudiosos do problema, que as atuais expressões religiosas, como os milagres,são o aspecto de um conjunto bem maior. É como se fosse a ponta de um imenso iceberg.

Os movimentos religiosos mais importantes , desenvolvem uma estratégia de ruptura com a ordem estabelecida que passa pela tomada de poder de forma revolucionária, enquanto que em alguns países eles aparecem sob a forma pietista, para transformar o sistema sem violência. Na ocasião da eleição do Primeiro Ministro polonês, Lech Wallensa, parecia indicar que a volta do sagrado sobre o cenário político era uma lógica conseqüência da queda do comunismo. A Polônia parecia mesmo servir de modelo e fonte de inspiração para a “segunda evangelização da Europa”, conforme a palavra de muitos representantes da Igreja Católica, sobretudo do Papa João Paulo II.Alguns querem ver nesses acontecimentos o fim do ciclo histórico da modernidade inaugurada pelas Luzes do século XVIII e caracterizada por uma emancipação de uma razão muito segura de si mesma em face da fé.

Entretanto,a crise de uma descristianização maciça que o Ocidente tem sofrido, esse espírito de secularização, pode, por outro lado,explicar o retorno da religião. O recurso à espiritualidade pode funcionar como uma resposta ao desencantamento engendrado pela crise das ideologias e pelo vazio espiritual de um mundo sob o signo da racionalidade técnica.

Não se deve fazer uma distinção apenas entre fé e não-crença, mas será melhor partir de três termos:fé, crença e não-crença.Na verdade,nós assistimos ao surgimento de crenças “irracionais” e o fenômeno de Deus volta por toda parte onde não se espera e,sobretudo, fora das igrejas oficiais.

O sagrado, revestido de variadas formas, tudo reaparece,atualmente, sob formas até primitivas, arcaicas, “selvagens”.Vê-se, com facilidade, que até intelectuais e cientistas se voltam para a astrologia e o esoterismo; os nossos cultos afro-brasileiros não são freqüentados apenas por descendentes de escravizados, mas por pessoas de outras procedências étnicas vão ali buscar alívio para os seus problemas espirituais e materiais.

As Ciências Sociais e Humanas e a própria Teologia, vêm que por trás dessa explosão religiosa e plural, escondem-se questões de extrema importância. Há uma velada crítica às igrejas tradicionais, formais, que teriam perdido boa parte do seu caráter iniciático, isto é, do seu mistério, permanecendo quase que somente caracterizadas por seu aspecto institucional na comunidade dos fiéis ( talvez tenham se tornado, por demais, religião de Estado...).

No Brasil,no Nordeste, particularmente, na Bahia, vivemos imersos num profundo sincretismo religioso – ele é o resultado de uma soma de sincretismos étnicos gerados pelo próprio modelo de ocupação da região, caracterizado pelo modo de produção escravista e pelo isolamento populacional. Essa acumulação mágica tem permitido ao homem brasileiro uma experiência religiosa de grande amplitude, envolvendo a crença na proteção dos santos católicos, no controle dos orixás, na cura xamanística dos caboclos, nas operações mediúnicas, na prevenção divinatória dos horóscopos e tarôs, numa angeologia esotérica.

O filósofo Horkheimer já dizia em 1935:”Com a passagem da nostalgia religiosa para a práxis social, sobrevive sempre uma ilusão, que pode ser refutada, mas não exorcizada. A humanidade perde a religião ao longo do seu caminho, mas ela não desaparece sem deixar vestígios. Em parte, os impulsos e desejos que a crença religiosa preservou, se desprendem da forma que os tolhia e ingressam, como forças produtivas, na prática social”.

Pode-se inferir daí que como impulso utópico (no sentido grego do termo) e como conseqüência dos limites, a religião tem um lugar assegurado na sociedade do conhecimento.


Sebastião Heber.Prof. Adjunto de Antropologia da Uneb, da Faculdade 2 de Julho. Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e da Academia Mater Salvatoris.

OLHANDO MINHA ESTRADA


Rivkah Cohen


Na pressa
deixei folhas jogadas,
como se não me dissessem nada
e nada tivesse para acumular!

Abraçada ao vento
não olhei placas
mesmo que seu intento
fosse de sinalizar..

Não me ative se os céus estavam cinzentos,
como se a ordem, o madamento
fosse nada mais que lutar!

Que doidice, quanto engano!

Olhando minha estrada,
vejo só a poeira de um sonho
de quem sequer conseguiu chegar..


Obs: Imagem da autora.

PILEQUE PRECOCE

Frei Betto (*)


Pesquisas indicam que o perfil preponderante do jovem brasileiro de hoje é, ao contrário da minha geração, conservador, individualista, distante daqueles que, em meados do século XX, queriam mudar o mundo.

Agora, ele se mostra mais preocupado em ter um bom emprego do que motivações ideológicas; menos propenso a riscos e mais apegado à família. A relação com a sociedade é mais virtual que real: fechado em seu quarto, ele nem precisa rezar “venham todos ao meu reino”, pois tudo lhe chega através do telefone, da TV, da internet, do MP3.

A cultura consumista a todos nós oferece, em cálice dourado, o elixir da eterna juventude. Os jovens não querem deixar de ser jovens; adultos e idosos insistem em imitar os jovens. E o principal fator de afirmação é a autoimagem, a valorização da estética.

O jovem atual não quer se arriscar; anseia por experimentar. Na falta de motivação religiosa, experiência espiritual e ideologia altruísta, tende a buscar na bebida e na droga a alteração de seu estado de consciência. Sem isso não se sente suficientemente relaxado, loquaz, divertido e ousado.

É óbvio que a mídia dita padrões de comportamento, hábitos de consumo e paradigmas ideológicos. A diferença é que tudo isso chega ao jovem de tal forma bem embalado em papel brilhante e fita colorida, que ele nem percebe o quanto é vulnerável à ditadura do consumismo.

No Brasil, a ingestão de bebidas alcoólicas é legalmente proibida a menores de 18 anos (nos EUA, 21 anos). A fiscalização pouco funciona e o Estado permite a publicidade de cerveja a qualquer hora em rádio e TV – concessões públicas – e o estímulo ao consumo precoce. Inclusive a utilização publicitária de pessoas famosas das áreas de entretenimento, artes e esportes, para suscitar em crianças e jovens reações miméticas de consumo de álcool.

Dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) informam que 42% das crianças brasileiras com idade entre 10 e 12 anos já consumiram bebida alcoólica, e 10% dos jovens de 12 a 17 anos podem ser classificados como dependentes de álcool.

Os adolescentes acreditam que um copo de chope não implica risco à saúde. Talvez. O problema é que, ao se enturmar num bar, ele bebe oito ou dez. Ou apela para o mais barato, no duplo sentido da palavra - custo e efeito: uma garrafa de cachaça ou vodca custa menos que uma rodada de chope e provoca rápido “um barato”...

O Ministério da Saúde já calculou quanto o alcoolismo custa aos cofres públicos? Quanto gasta o INSS com os alcoólicos afastados do trabalho por razões de dependência? De que adiantam as campanhas de prevenção se atletas de renome fazem propaganda de bebida alcoólica?

A publicidade de bebida destilada – cachaça, uísque, vodca – obedece à restrição de horários, regulados pela lei 9.294/1996. Entre 6h e 21h é vetada a publicidade de destilados, embora muitas rádios burlem a proibição. A cerveja, que responde por 70% de todo álcool ingerido no Brasil, é livre de regulamentação. E é por ela que muitos jovens ingressam na dependência química.

Pela lei 9.294, bebida alcoólica é a que possui mais de 13 graus na escala Gay-Lussac. O Congresso Nacional assim determinou pressionado pelos produtores de cerveja e vinho. Normas internacionais consideram que é alcoólica toda bebida com 0,5º GL ou acima.

Todas as demais leis do Brasil – de trânsito, fabricação etc – consideram alcoólica toda bebida com mais de 0,5º GL. A cerveja tem cerca de 4,8º GL. Verifique com lupa o rótulo de uma cerveja dita “sem álcool”. Com exceção de uma marca, as demais possuem 0,5º GL, ou seja, fazem, com respaldo da lei, propaganda enganosa. Assim, pais desavisados deixam crianças ingerirem a cerveja “sem álcool” e alcoólicos em tratamento são vítimas do mesmo engodo.

O Código de Autorregulamentacao do Conar (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) alerta que comerciais de cervejas não devem ser atrativos para o público jovem. O que se vê é o contrário. As peças publicitárias exalam jovialidade, bom humor, espírito de tribo, linguagem própria de jovens, sem que haja nenhum controle.

Vêm aí a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Se permanecer liberado o direito de associar desportistas com bebidas alcoólicas a Lei Seca, com certeza, vai dar água...

Em muitos países, como no Canadá, há regulamentação à publicidade de bebida alcoólica, visando à proteção do público infantil. Lá não se vende bebida alcoólica em supermercados, lojas, padarias e mercearias. Só se permite em bares e restaurantes.

O Free Jazz, festival de música, foi cancelado por ser patrocinado por uma marca de cigarro. O mais badalado camarote do sambódromo exige que se vista a camisa de uma produtora de cerveja. Não existe o alerta: “Se fumar, não dirija”. Já no caso da bebida...

O argumento de que regular a publicidade é censura ou fere a liberdade de expressão é mero terrorismo consumista centrado em sobrepor interesses privados ao interesse público, como é o caso da proteção da saúde da população, em especial de nossas crianças e adolescentes.


Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Barros, de “O amor fecunda o Universo – ecologia e espiritualidade” (Agir), entre outros livros.
http://www.freibetto.org


Copyright 2010 – FREI BETTO - É proibida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br).

DESFERIANDO



Ronaldo Coelho Teixeira
ronteixeira@bol.com.br


O Brasil comporta feriados em excesso. São treze por ano, enquanto que a Grã-Bretanha adota onze e os Estados Unidos doze. Aqui no Tocantins, o calendário apresenta três feriados que, somados aos nacionais e aos municipais que são dois, resulta em dezoito dias de folga. Isso sem contar os famigerados pontos facultativos nas repartições públicas.

Sou contra os feriados porque, primeiramente, a maioria é pobre, já que, de acordo com o IPEA 50% da renda nacional está nas mãos de apenas 10% da população. E, segundo, porque o feriado só faz o pobre lembrar o quanto ele é pobre mesmo.

Em um feriado o rico já tem a sua agenda turística. Uns vão para o exterior gastar em dólar, enquanto outros passeiam e curtem as belezas desse ainda fantástico paraíso chamado Brasil.

O pobre, quando chega o feriado, não tem um tostão no bolso, mas apenas contas a pagar. A maioria vai para um boteco da esquina encher a cara pra tentar esquecer a vida miserável. O resultado são mais dívidas e, em alguns casos, até porradas para a mulher e filhos. Os outros vão para um clube de quinta com a família gastar o pouco que têm e geralmente acabam também contraindo mais dívidas.

Que tal se trocássemos os feriados pela redução na carga horária de trabalho? Afinal, já foi provado que ninguém produz, de fato, trabalhando uma rotina de oito a doze horas por dia. Apenas cumpre-se horário o que não é sinônimo de produção.

Outro fator positivo para essa mudança é que, com essa redução, sobrariam mais vagas para tantos desempregados, com a adoção de mais um turno de trabalho. O salário também seria reduzido. Certo! Mas ver tanto desemprego e miséria é que penso ser insuportável.

Assim, como pobre que também estou, lanço essa proposta para todos, especialmente para os políticos que, decididamente, não precisam cumprir horários e nada produzem, salvo raras exceções. E, no meu canto, continuo me indagando porque a Rede Globo, através do Globo Repórter, ao invés de veicular matérias cujos temas sejam ligados à cidadania, insiste em nos torturar com imagens de recantos paradisíacos até internacionais, se a maioria de nós jamais chegará até eles?


Obs: Texto retirado do livro do autor – Surtos & Sustos
Imagem enviada pelo autor.

RELATÓRIO SOBRE A CONFERÊNCIA MUNDIAL DOS POVOS DIANTE DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E OS DIREITOS DA MÃE TERRA



COCHABAMBA, BOLÍVIA DE 17 a 18 e 19 a 22 DE ABRIL 2010
Edilberto Sena (*)
(edilrural@gmail.com)


1. Como o Edilberto Sena chegou a participar de tão importante evento internacional – A Rádio Rural é sócia da Associação latino americana de educação radiofônica – ALER, com sede em Quito Equador. Esta associação apóia a Rede de Notícias da Amazônia, a RNA e dentro desta, a Rádio Rural de Santarém. Então a coordenação de ALER montou uma equipe de radio jornalistas para fazerem cobertura da CMPMCDMT em Cochabamba, precedida de dois dias em uma oficina da referida equipe, sobre o Plano IIRSA (Iniciativa de interligação de infra estrutura na América do Sul) e seus impactos climáticos na América do Sul. Então a coordenação de ALER me convidou para fazer a cobertura da Conferência em portunhol, junto com a equipe que faria a cobertura para as emissoras de língua espanhola da ALER, além de fazer cobertura em português para a RNA. Eu faria o trabalho voluntário, eles pagando as despesas todas. Aceitei, pela oportunidade de aprender mais sobre a questão, poder fazer cobertura de tão importante acontecimento para os e as ouvintes da Rádio Rural e da Rede de Notícias da Amazônia.

2. A oficina sobre Plano IIRSA e impactos climáticos na America do Sul – Foram dois dias de estudos com 17 participantes radio jornalistas de ALER (associação latino americana de educação radiofônica), Ceadesc (centro de estudos aplicados em defesa dos direitos econômicos, sociais e culturais), AMARC/PULSAR (associação mundial de rádios comunitárias) e RNA (Rede de Notícias da Amazônia brasileira). Foi um momento de troca de experiências sobre os grandes projetos na América do Sul e de como estão dentro do plano do IIRSA, a serviço da exploração das riquezas da região para o Mercado internacional, especialmente, pelo oceano pacífico para India, China, Japão e Coreia do Sul; pelo atlântico, para os mercados da Europa, EUA, Rússia e Canadá. Daí o Programa de aceleração do crescimento, o PAC do governo federal brasileiro, que o presidente Lula está enfiando goela abaixo, com hidrovias, hidroelétricas, telecomunicação, asfaltamento de rodovias estratégicas. E de como isso afeta gravemente o clima do planeta. Partilhamos vários documentos de aprofundamento sobre o assunto. Tal estudo ocorreu nos dias 17 e 18 de abril.

3. A Conferência mundial dos povos diante das mudanças climáticas e os direitos da mãe terra - foi convocada e organizada pelo governo Evo Morales da Bolívia e aconteceu na Universidade Del Valle, cidade de Tiquitaia, anexa à cidade Cochabamba (1.500.000 habitantes, no altiplano boliviano).

Mais de 20.000 participantes de 140 países participaram de tão importante evento, com forte presença de indígenas bolivianos, peruanos e paraguaios.

Foram dois dias (20 e 21/04) de debates, mesas redondas, grupos de proposições e conclusões práticas sobre o grande tema – Direitos da Pachamama, a mãe Terra. O terceiro dia, 22/04 foi mais um diálogo entre governo e sociedade civil, já que um dos objetivos do governo boliviano era colher propostas concretas de como salvar o planeta terra e seus habitantes, para serem levadas a Cancum, México , em dezembro próximo, quando ocorrerá uma segunda etapa da fracassada Conferência de Copenhagem. No dia 19 foi a abertura solene no estádio local lotado de participantes e com a presença de vários representantes de países, inclusive a representante da ONU que levou estrondosa vaia da platéia, por causa da omissão da ONU em Copenhagem em dezembro passado.

4. Avaliação da Conferência mundial – “A terra é um ser vivo, não apenas matéria e por isso, tem direitos que precisam ser respeitados”, afirmação bem feita por Leonardo Boff em sua exposição.

Outra frase relevante do presidente Evo Morales é “A terra não nos pertence, nós é que pertencemos à terra, ela é a Pachamama, a mãe terra”. Essas duas afirmações resumem a importância da Conferência. O fato de ela ter sido convocada por um governo latino americano e ter atraído mais de 20 mil pessoas de 140 países, cada grupo chegando lá por sua conta ou de suas organizações, releva que o assunto é sério e há um crescente número de pessoas tomando consciência de que o cuidado com a natureza é responsabilidade de cada pessoa, de coletivos e de governantes. Esse é o grande mérito do presidente Evo Morales que certamente chegará no México com a força moral de levar em mãos conclusões de propostas, oriundas das discussões com tantas pessoas de variadas partes do mundo, para se salvar o planeta . Evo Morales não deixa de ser contraditório e criticado por parte de grupos e organizações bolivianas comprometidas com as lutas populares e não apenas pela burguesia. Ele tem um discurso firme em defesa do meio ambiente e da mãe terra, mas continua se valendo da extração de petróleo, e vários minérios, alem de planejar construir duas grandes hidroelétricas no rio Madeira, parte da Bolívia para vender eletricidade ao Brasil.


As importantes conclusões da Conferência Mundial dos povos diante das mudanças climáticas e os direitos da mãe terra:

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA

1. Respeitar a Terra e a vida em toda a sua diversidade.

a) Reconhecer que todos os seres estão interligados e que cada forma de vida tem valor, independentemente da sua utilidade para os seres humanos.

b) Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

a) Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de impedir danos causados ao ambiente, e de proteger os direitos das pessoas.

b) Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica aumento da responsabilidade na promoção do bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.

a) Assegurar que as comunidades, a todos os níveis, garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais, e proporcionem a cada um a oportunidade de usar o seu potencial.

b) Promover a justiça econômica e social, proporcionando a todos alcançar uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.

a) Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.

b) Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, a longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.

5. Algumas conclusões do grupo chamado Mesa 17 sobre a agricultura familiar:


Conclusiones Finales de la Mesa 17 de la Conferencia Mundial de los Pueblos sobre Cambio Climático y Derechos de la Madre Tierra, sobre Agricultura y Soberanía Alimentaria. Los 27 artículos fueron debatidos en la Plenaria efectuada el día miércoles 21 de abril en el coliseo de Tiquipaya y puestos a consideración durante la Plenaria del día 22 de abril de 2010.

Los movimientos sociales y organizaciones populares reunidos en la Conferencia Mundial de los Pueblos sobre Cambio Climático y Derechos de la Madre Tierra constatamos que a pesar de nuestras numerosas movilizaciones y constantes denuncias, los gobiernos capitalistas, los organismos internacionales y las entidades financieras continúan en la senda de agravar la destrucción del planeta. El cambio climático es una de las más serias amenazas a la Soberanía Alimentaria de todos los pueblos del mundo.

Una vez más constatamos que:

1. El agronegocio a través de su modelo social, económico y cultural de producción capitalista globalizada y su lógica de producción de alimentos para el mercado y no para cumplir con el derecho a la alimentación, es una de las causas principales del cambio climático. El cambio de uso de suelo (la deforestación y la expansión de la frontera agrícola), los monocultivos, la producción, comercialización y utilización de insumos agrotóxicos y agroquímicos, el procesamiento industrial de alimentos y toda su logística para transportarlos miles de kilómetros hasta llegar al consumidor, la producción de GEI en los megadepósitos de basura y estiércol de la ganadería industrial intensiva; son causantes principales de la crisis climática y del crecimiento del número de personas hambrientas en el mundo.

Frente a esta realidad que sufren los pueblos en todo el mundo, los movimientos sociales y las organizaciones populares reunidas en esta CMPCC nos comprometemos a seguir luchando por un conjunto de soluciones y movilizarnos hasta lograr que los gobiernos cumplan con su deber de llevarlas adelante. Pondremos al centro de nuestros esfuerzos la construcción de Soberanía Alimentaria, defendiendo y apoyando a la agricultura campesina e indígena como generadoras de alimentos, dignidad e identidad y como una alternativa real y concreta para enfriar al planeta y colocando la equidad de género como eje de nuestro accionar. Las soluciones que vemos como prioritarias son:

a. Reconocer el derecho de todos los pueblos, los seres vivos y la Madre Tierra a acceder y gozar del agua. Asimismo, reconocer el derecho de los pueblos y países a controlar, regular y planificar el uso y manejo respetuoso y solidario del agua y sus ciclos en el marco de los acuerdos y convenios internacionales y el derecho consuetudinario; prohibiendo cualquier forma de privatización y mercantilización del agua, creando órganos de participación popular que regulen sus usos múltiples, protejan su calidad y planifiquen su uso futuro para consumo de los seres vivos y para la producción alimentaria. En este marco apoyamos la propuesta del Gobierno de Bolivia para reconocer al agua como un Derecho Humano Fundamental según se expresa en la “Declaratoria del Derecho Humano al Agua” y que vemos como un paso importante en la dirección correcta.

b. Prohibir las tecnologías y procesos tecnológicos que ponen en peligro el bienestar y la supervivencia de la Madre Tierra y los seres vivos y que se impulsan exclusivamente por su potencial para producir ganancias para un reducido número de empresas, a la vez que provocan y aceleran el cambio climático como: los agrocombustibles, los organismos genéticamente modificados, la nanotecnología, la geoingeniería y todas aquellas que bajo el supuesto de ayudar al clima, en realidad atentan contra la Soberanía Alimentaria y agreden a la Madre Tierra. Prohibir a nivel mundial de manera definitiva las tecnologías Terminator, farmacultivos y similares.

c. Prohibir la pesca por arrastre por depredadora y destructora de la biodiversidad y del sustento de los y las pescadoras artesanales.

d. Prohibir la minería a gran escala contaminante que destruye los ecosistemas, expulsa a las poblaciones locales, contamina los cursos de agua y amenaza la Soberanía Alimentaria de los pueblos.

e. Rechazar, condenar y prohibir cualquier estrategia político-militar y comercial que atente contra la soberanía alimentaria de los pueblos y los vuelva vulnerables al cambio climático.

f. Defender la primacía de los derechos humanos, económicos, sociales y culturales, los derechos de la Madre Tierra, y la biodiversidad por encima de los TRIPS (tratados que protegen la propiedad intelectual) y cualquier otro acuerdo comercial de derecho internacional. Los países deben también asegurar el respeto al carácter colectivo de los conocimientos de las comunidades indígenas/originarias y campesinas, y por tanto, el derecho colectivo de decisión sobre el acceso y el uso de estos conocimientos. Las medidas nacionales para implementar esto no serían sujeto de litigio bajo las reglas de acuerdos comerciales que fortalecen o protegen los derechos de propiedad intelectual. Toda investigación formal desarrollada con apoyo público debe ser bien público, no sujeto a las reglas de propiedad intelectual que restringen compartir la información.

g. Prohibir el patentamiento y cualquier forma de propiedad intelectual sobre toda forma de vida y conocimiento ancestral y tradicional anulando las patentes existentes.

h. Prohibir las prácticas de dumping (venta de productos por debajo del costo de producción) y prácticas comerciales desleales de los países industrializados que distorsiona los precios de los alimentos afectando la Soberanía Alimentaria y haciendo que los países no industrializados sean más vulnerables al cambio climático.

i. Implementar políticas y normativas de protección de la pequeña producción nacional de alimentos, incluyendo el tipo de subsidios que considere necesario hacia su sector agropecuario, como también garantizar su derecho para poner barreras arancelarias equivalentes a cualquier subsidio incorporado en productos exportados y permitiendo la libre circulación de las producciones locales.

j. Afirmar que parte central de la solución del cambio climático se da a través del fortalecimiento y ampliación de los sistemas agroalimentarios campesinos, originarios, de agricultura urbana y de pescadores artesanales. Esto significa que no solamente es necesario cambiar la lógica de producción industrial de alimentos orientada al mercado global y el lucro, sino también cambiar la visión que asume que la tierra es un recurso de explotación sin derechos orientada a satisfacer la avaricia del ser humano. Nosotros como pueblos reunidos afirmamos que el planeta es un ente vivo con derechos y espíritu.

k. Impulsar procesos amplios, profundos, genuinos de Reforma Agraria Integral y de reconstitución de territorios indígenas, afrodescendientes, campesinos de construcción participativa de los pueblos con enfoque de género, a fin de que los pueblos campesinos e indígenas/originarios, sus culturas y formas de vida recuperen su papel central y fundamental en las agriculturas del mundo para lograr la Soberanía Alimentaria y recuperar la armonía para lograr el equilibrio climático del planeta. Una reforma agraria de este tipo debe incluir el respeto a los conocimientos locales y ancestrales y garantizar los medios necesarios para asegurar la producción en todas las etapas de la cadena (cultivo, procesamiento, comercialización). Exigimos el reconocimiento de los derechos de los pueblos indígenas en aislamiento voluntario y que se reconozcan y respeten sus territorios

l. Promover y consolidar la educación integral (espiritual, material y social) para la Soberanía Alimentaria como sustento de las transformaciones necesarias integrando sus propuestas a todos los niveles de educación formal y no formal; desarrollando contenidos surgidos de las realidades locales sobre la base de una visión pluricultural y una plena participación de las comunidades respondiendo a las necesidades de cada región y comunidad. Al mismo tiempo sostenemos que la amplia información y comunicación sobre estos temas es uno de los mayores desafíos que enfrentamos.

m. Declarar a las semillas nativas y criollas como patrimonio de los pueblos al servicio de la humanidad, base fundamental de la Soberanía Alimentaria y de libre circulación en manos de los pueblos indígenas/originarios y campesinos; cuidadas y multiplicadas por los custodios de semillas de acuerdo a las culturas de cada pueblo.

n. Exigir que los impactos del calentamiento global sobre la Soberanía Alimentaria se inserten dentro del marco de discusiones sobre el cambio climático y se inserten en las legislaciones nacionales.” - Mesa 17 Agricultura y Soberanía alimentaria – CMPCC

Estas conclusiones serán puestas en debate, en la siguiente cumbre que se llevara a cabo en el mes de diciembre en Cancún México.

Algumas observações pessoais sobre a Conferência que me chamaram a atenção:


a) A presença maciça de indígenas bolivianos, peruanos, equatorianos e alguns brasileiros, inclusive um Juruna do Xingu. O colorido das roupas indígenas era visível. Mas não só as roupas, em vários plenários que participei, vi indígenas expondo seus pensamentos com firmeza em defesa da mãe terra.

b) Os discursos mais repetidos se referiam aos danos do capitalismo e a necessidade de se cuidar da mãe terra. Um discurso que me chamou a atenção pela clareza e profundidade foi o do Leonardo Boff. Ele buscou fundamentos filosóficos, mas coerentes e científicos também, para explicar que a terra é um ser vivo, que sente os impactos das violações de sua dinâmica. Por isso, ela é um ser de direitos, que quando não respeitados ela reage. Daí os terremotos, chuvas demasiadas e secas intensas, maremotos e vulcões.

c) A organização da Conferência me pareceu bastante boa, logística, motivação, ordem nos debates e liberdade de expressão dos que estavam participando. Havia inclusive almoço grátis para a imprensa e outras delegações.

d) O que se pode esperar depois da Conferência – maior consciência da sociedade civil de que a salvação da terra está nas alianças que organizações sociais, igrejas, universidades e associações , na medida em que forem sendo criadas as alianças para cuidar do planeta a nível pessoal, coletivo e depressão sobre os governantes. O capitalismo enquanto sistema de vida é destruidor permanente do planeta. É preciso muar essa cultura capitalista que está nas empresas, nos governantes e na própria população, que já depende do supermercado, dos enlatados, etc.

e) Ausência visível foi do presidente Lula que nem mostrou delicadeza de explicar sua ausência. Nem poderia, certamente quando está enfiando goela abaixo as hidroelétricas na Amazônia, a transposição do rio São Francisco, entre outras violações do meio ambiente.

f) Lá esteve o presidente Hugo Chaves, justificaram ausência os presidentes Rafael Correa, que mandou representante e Fernando Lugo, que está vivendo uma crise com ameaça de golpe de Estado no Paraguai.

g) O que se discutiu e concluiu na grande Conferência mundial de Cochabamba, só terá força se levarmos adiante as lutas em defesa da vida, da mãe terra e o bem viver. Para isso, temos fazer alianças locais, regionais, nacionais e continentais nesse enfrentamento das forças que destroem a mãe terra.


(*) Pe. Edilberto Sena, representante da Rádio Rural, Rede de Notícias da Amazônia, RNA e Associação Latino americana de Educação Radiofônica, ALER.
Santarém, 24 de abril de 2010

A BANDA DO ALTO



Dannie Oliveira
www.dannieoliveira.blogspot.com
poeiraepalavras@gmail.com


Enquanto rabisco estas palavras a banda do alto destila seu rock n' roll (se bem que está mais para rock emo) a cerca de 20 metros (pelo menos deduzo que seja essa a distância, nunca fui boa de matemática e a única vez que tirei um 9 foi quando recebi uma forcinha de um amigo). Voltando a banda ..não sei ao certo quantos são e nem a idade, mas a julgar pela voz e repertório dá vontade de apresentar aos pupilos, AC/DC, Creedence e Pearl Jam.

Uma hora atras quis gritar ‘Socorro!’, no entanto minha intuição me dizia que o show estava só começando. Quinze minutos atras, tocaram NX Zero, aquela banda para garotinhas, e garotos que querem impressionar menininhas. Ainda pensei em ir lá, mas não queria ser eu a desencentivadora (que coisa feia!).

Meu primo bem que poderia ter ficado em casa (Sim! Dey está lá tocando. Oh Céus!). Quem será que o incentivou? Não quero dá uma de estraga prazer (longe de mim!), afinal sou visitante aqui, então melhor ficar de boa para não perder a amizade ... e nem o primo.

Eles poderiam tocar Ramones ou Guns n’ Roses, ia ficar tão feliz! Claro, eles podem não falar inglês, mas já me contentaria com Camisa de Vênus, Capital Inicial ou com o bom e velho Raimundos. E se forem estes os roqueiros de amanhã? F&*%$! (Desculpa o palavrão ando assistindo muito o Dean e o Sam) Não quero nem pensar nisso!

Me veio um pensamento ainda mais insano e sem sentido ... será que esses caras fazem sucesso com as minas? Convenhamos (me desculpe os homens que leem esse blog para o que vem em seguida) um carinha com uma guitarra nas costas ou com uma baqueta na mão sempre chamou a atenção da mulherada. Vai ver isso foi na minha adolescência... mas que fazia sucesso, isso fazia!

E os acordes parecem longe do fim. O sono já se foi a essa altura do campeonato. O Nilson Lage teve que ser deixado de lado com sua ‘A Reportagem: teoria,técnica de entrevista e pesquisa jornalística’ (Ok! Eu ainda continuo estudando, o hábito da leitura técnica foi mais forte do que eu). Até a Yumi (gata da tia Bê) parece incomodada com a bateria desajustada. É ... entre uma batida, um desajuste e um solo, só me restou escrever.


P.S1: O Dey está me odiando por causa deste post. Primo Te Amo! Não fica com raiva não.
P.S2: Querido leitor sugira um bom rock para apresentar a banda do meu primo. Deixe sua sugestão na caixinha de comentários. Obrigada.