quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FESTAS DE FIM DE ANO COMO SINAL E SONHO – PARTE I

Dasilva, 21 Dezembro, 2009



1. Ouvi dizer que toda forma de cultura – música, dança, teatro, pintura – deve ser a manifestação entusiasmada de uma vitória alcançada, ainda que em sinal. E a arte seria a busca ansiosa para partilhar o vulcão de alegria ou de buscas que invadem a alma das pessoas.

2. As festas de fim de ano, apesar dos 500 anos, ainda representam a canalização do entusiasmo e das explicações de outra cultura. Elas foram introjetadas, na alma brasileira, pela força e pelo hábito, como imposição cultural, para fins de domínio, conquista e comércio.

3. O povo bem que tentou incorporar essas importações – auto de natal, pastorinhas – dando-lhe um colorido tropical. Mas, foi sempre visto como algo marginal e folclórico. O que domina é o papai Noel recriado pela Coca-cola, com trenó, neve, rena e a mercantilização dos presentes.

4. As festas não brotam ‘natural’ como o São João reinventado e temperado com o sabor nativo. Os símbolos e festejos parecem ocos, já não traduzem a gratidão pela fartura da colheita, nem o anúncio cristão de uma nova ordem onde quem trabalha não come o pão de ninguém.

5. Mas, não basta bradar com Aldemar Paiva (Monólogo de Natal): “Não gosto de você Papai Noel. Também não gosto desse seu papel de vender ilusões pra burguesia. Se os garotos humildes da cidade soubessem do seu ódio à humildade, jogavam pedra nessa fantasia”.

6. Toda indignação legítima é justa, porém, a denúncia não pode ser o centro de nossa crença. A vida é viver e anunciar a vida. Só os pastores da noite e os que lêem nas entrelinhas, ao viver a contradição sem a ela se render, são capazes de perceber a Esperança, seguindo sua estrela.

7. Hoje, é um tempo de buscas. A iluminação dos shoppings centers e presépios atraem a multidão à procura. Ansiosa e à deriva, ela se aglomera, corre atrás da miragem consumista e enche a praça de alimentação. O rebanho, por ínvios caminhos, estaria atrás da Vida Fraterna?

UM SENTIDO À VIDA

Saulo Marden


O acordar numa manhã ensolarada é sempre prazeroso. E, quando as expectativas para o enfrentamento do dia são aceitáveis, nos sentimos eufóricos. Assim, muitos esperam que aconteça no período Natalino. É nesse momento que percebemos a necessidade de rever nosso modo de pensar. O dia a dia, a luta pela sobrevivência alterou nossos valores. O “ter”, o “poder” substituíram o “ser”. A solidariedade, a partilha esquecida e, quando existe, é insignificante.
Qual o motivo de nos lembrarmos Dele com intensidade apenas nessa época de Natal? É por que não adotamos Seus ensinamentos no decorrer do ano? Por que nossas ações são mesquinhas? O que nos levou a agir dessa forma? Esses e muitos outros questionamentos continuarão latentes se não nos determinarmos a refletir, a agir.
Vejam o exemplo escrito por Mitch Albom no livro “A última grande lição”:

“... Vivemos envolvidos em trilhões de pequenas coisas apenas para continuar tocando para a frente. ...É só isso que eu quero? Não está faltando alguma coisa? ...Sabe o que realmente traz satisfação? ...Oferecer aos outros o que tem para dar... Dedique-se à comunidade, empenhe-se em criar alguma coisa que dê sentido à sua vida.”
Que a lição deixada por Mitch Albom sirva para a reflexão de nossas ações não apenas no Natal, mas em todos os dias, em todas as horas. Com esse propósito desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de realizações.
“Deus tem surpresas para nós, é só acreditar.”

(21/12/2009)

POSSO ESTAR ENGANADA!

Rivkah Cohen
http://www.rivkah.com.br/
rivkah@rivkah.com.br


O planeta Terra visto entre os anéis de Saturno,
capturado pela sonda Cassini.


Posso até estar enganada,
mas minhas razões, teus ódios,
não levam a nada, bem olhando
nossos tamanhos!
Não somos aquela bolinha,
estamos dentro dela!
Cheios de defeitos,
chagas, mazelas,
vivendo em desalinho!
Dizem para salvarmos o Planeta,
mas como, se nem caminhamos direito,
se nem de nós cuidamos?
Vamos caminhando
qual cegos para cada precipício!
Quando digo vamos,
é claro, que estou me incluindo.
Quantas vezes não vi,
não ouvi, pois a solução
pretenciosamente estava comigo!!
Presunção,
olha o tamanho onde moramos!
Nesse Local minúsculo,
temos fronteiras bem marcadas,
fincamos bandeiras,
nos tornamos servis, sem músculo
e um material é a linguagem falada!
Ouro, dolar, petróleo, armamento
e vejo a hora que lutaremos por água..
Entra Ano, sai Ano,
enchemo-nos de Esperança,
mas qual criança vamos seguindo
deixando os brinquedos usados,
antes queridos..
Temos que fotografar essa proporção,
esse tamanho
para que fique registrado em nossas mentes.
Só assim, mais conscientes
teremos vontade de somar,
de nos juntarmos a algo mais valioso,
vendo que fazemos parte desse Todo!


Obs: Imagem da autora.

MAZELAS DO NATAL

Djanira Silva
djaniras@globo.com
http://blogdjanirasilva.blogspot.com/



Não é fácil falar sobre o Natal sem entrarmos no mundo das conjecturas e das ilusões, mundo no qual nos escondemos sob várias máscaras numa brincadeira infantil de faz de contas.
Começa o ano. Um calendário repleto de festas e comemorações nos é imposto. Sabemos que por trás de cada uma dessas datas existem outros interesses. O comércio, amparado pela mídia vale-se da sugestão sentimental embutida em algumas datas e disso se aproveita para manipular sentimentos.
Termina o ano. O desencanto por um ano que termina, uma ilusão esperançosa por outro que começa. De começo e fim são feitos nossos dias. Há um grande simbolismo nas velas de aniversário. Ao acendê-las desejamos iluminar os dias que virão. Ao apagá-las tentamos eliminar as mazelas do passado.
Os símbolos do Natal nos comovem: os sinos, as músicas, o incenso, as luzes coloridas. Na alma das crianças deixam impressas mensagens que se transformarão em saudade, tristezas, frustrações.
Durante o ano, temos várias festas. No Carnaval ninguém está nem aí para a tristeza. Na Semana Santa a boa mesa e os bons vinhos fazem esquecer jejum e abstinência. No São João cada um que dance o seu forró. Sem falar no dia das mães, dos pais, da criança, do índio, da bandeira de todos os santos e da farra de finados que os vivos fazem nos cemitérios.
Chega o Natal. Recebem-se os restos de um décimo terceiro sonhado durante o ano inteiro, gasto por antecipação e, às vezes, o pouco que sobrou, dá ainda para fazer novas dívidas.
Natal! Natal! Quanta tristeza se faz em teu nome. Festa de cobranças, de presentes obrigatórios, de uma comilança desenfreada quando sequer cantamos parabéns para o Aniversariante.
Natal do toque saudoso dos sinos, festa para enganar crianças, entretê-las com a figura de um Papai Noel pra lá de superado, cheio de promessas ocas e sem sentido. Para alguns, a alegria das festas de rua, balanços e carrosséis, barracas de doces, banda de música e as figuras da lapinha. Saudades plantadas, saudades cobradas.
Natal, festa da esperança, esperança de começar um novo ano de se enterrar queixas e magoas. Esperança de construir uma felicidade que se estenda por trezentos e tantos dias.
Natal, festa de lembranças remoídas. Imagens trituradas pelo tempo que tentamos ressuscitar para inventar uma felicidade que nunca existiu
Festa montada no passado com vários personagens, personagens que aos poucos vão sendo eliminados como num jogo de damas e no final nos vemos diante de um tabuleiro vazio.
É uma data boa para a criatividade de quem sabe inventar histórias, escrever poemas, ou dançar cirandas. Contar histórias de pobres e ricos. Inventar milagres que na maioria nem aconteceram.
Enfim, vejo o Natal como um arremate mal feito nos remendos da minha vida.

DÉCADA DE AMOSTRA

D. Demétrio Valentini (*)


Era grande a expectativa para a chegada do ano dois mil. Em torno dele tinha se criado denso imaginário, onde não faltavam cenários apocalípticos, próprios de contextos do milenarismo.

A realidade se encarregaria de mostrar que a natureza continua com seu ritmo, e a história com sua dinâmica. O novo milênio carrega a herança do anterior, e precisa enfrentar os desafios recebidos.

Agora, já se passou a primeira década do novo século. Olhada com atenção, pode servir de amostra para o que nos aguarda no futuro próximo.

Alguns acontecimentos se destacam. O atentado de onze de setembro, o poderio econômico da China, e a crise ambiental, para ficarmos com alguns sintomas mais evidentes.

A virulência da derrubada das torres gêmeas, a 11 de setembro de 2001, se paramentou perfeitamente com a liturgia midiática dos grandes espetáculos. Mas não deixou de transmitir um recado claro e contundente. As torres gêmeas eram símbolo da escandalosa concentração econômica, eticamente perversa, e ecologicamente insustentável. Num mundo cada vez mais globalizado, vão ficando sempre mais intoleráveis as injustas desigualdades sociais, produzidas por um sistema econômico explorador e excludente. Os excluídos já não toleram os injustos privilégios excludentes.

O atentado de 11 de setembro levanta o claro desafio, de uma nova ordem econômica mundial, como tarefa impostergável para este século. Só assim, o mundo poderá cultivar uma razoável expectativa para o milênio. Se continuar do jeito como está, a economia mundial ficará inviável dentro de pouco tempo.

Um fato que chama a atenção, neste início de novo século, é a surpreendente ascensão da China no cenário mundial da política e da economia. A China está desequilibrando o mundo. Ela conseguiu a proeza inesperada, de juntar os dois piores ingredientes produzidos peloso embates dos últimos séculos, e colocá-los a serviço do seu crescimento econômico, às custas do verdadeiro desenvolvimento humano mundial. De um lado, ela continua com um regime político estatizante e ditatorial, no exercício de um comunismo radical e intolerante. De outro lado, adotou as práticas do pior dos liberalismos econômicos, explorando a mão de obra barata de centenas de milhões de chineses que estão na fila dos desempregados. Assim a China consegue invadir o mundo com uma gama de produtos cada dia mais ampla, fruto de uma nova forma de escravidão, que é repassada ao mundo inteiro, que se vê forçado a pagar menos os operários para manter a competitividade dos seus produtos. O “fator China” se faz presente em todas as situações.

Um dos claros desafios da política mundial, neste início de século vinte e um, é integrar a China no convívio da democracia, no respeito mínimo aos direitos humanos elementares.

Mas a amostra mais evidente desta primeira década do novo milênio vem revestida das cores da crise ambiental. No início deste milênio, está caindo a ficha da consciência ecológica. Os sinais são cada dia mais evidentes. O desequilíbrio se manifesta de muitas maneiras. O sintoma mais incontestável é o rápido derretimento das geleiras, que se constituem na maior reserva de água doce do planeta.

Ou a humanidade reverte este quadro, ou as conseqüências serão catastróficas, com o risco de inviabilizar o sistema vital em nosso planeta.

Entramos no novo milênio carregando nas costas as conseqüências de equívocos acumulados nos últimos séculos. A vantagem pode estar na consciência de que chegou a hora de enfrentá-los, com determinação e coragem.

O fracasso de Copenhague mostra que ainda não estamos preparados. Vamos mudar em tempo?


(*)
www.diocesedejales.org.br

UM SEGREDO OBSCURO

Daniel Lucas Praciano Guimarães (*)



É guardado pelo anjo do mal
A verdade de alguém que nunca morreu,
E sua alma percorre os séculos
Em busca de seu amor verdadeiro
Alguém que busca a verdade
De toda uma vida,
De toda uma jornada.
Alguém que não se mostra
Aos olhos humanos.
Um segredo de sangue
Jamais revelado,
Guardado por muitos,
Procurado por poucos.
Um segredo que vai além da realidade,
Abre as portas pra uma horrível verdade,
Sem sentido,
Sem razão.
Ela saiu numa jornada,
Jamais parou
E nunca irá parar
Até descobrir a verdade
E finalmente poder se revelar
E mostrar a todos o que realmente é.


(*) Aluno concluinte da 8ª Série em escola pública)

NATAL: DEUS ENTRE NÓS

Frei Betto


O Natal marca um acontecimento inusitado na história da humanidade: "o Verbo se fez carne", anuncia o evangelho de João (1, 14). Santo Atanásio, no século IV, dizia que o Verbo, ao se fazer carne, verbificou todo o Cosmo. Toda a natureza está prenhe da presença de Deus.

Ainda não sabemos se o Universo é eterno, finito ou ilimitado. De qualquer modo, o Universo é o ventre de Deus. Todos haveremos de viver um outro Natal, definitivo, ao irrompermos junto Àquele que nos deu, em 25 de dezembro, a presença do Menino.

Natal é o momento de voltarmos a ser meninos. Abandonar tudo aquilo que, em nós, não é próprio de menino: sentimentos de vingança, mágoa, ressentimento; lembrança de coisas más; ambições desmedidas... Esses não são sentimentos de menino.

O Natal nos remete à criança que nos habita e que, muitas vezes, sufocamos, impedimos que ela atue em nossa subjetividade e nos permita ser adultos por inteiro, resgatando e assumindo aquilo que somos e fomos. Só assim conseguiremos ser plenamente humanos. Quem é plenamente humano se diviniza.

Quanto mais humanos somos, mas nos aproximamos de Deus. A divinização que Jesus propõe não implica deixar de ser humano, evitar o humano ou desumanizar-se. É justamente o contrário: a plenitude da humanidade coincide, no próprio Jesus, com a plenitude da divindade.

Quando olhamos os símbolos do Natal - o presépio, o boi, o asno, os pinheirinhos, os pastores -, tudo se torna sentimento. Perdemos um pouco o arcabouço lógico, essa inútil tentativa de compreender, através da razão, o mistério da fé. Então, somos tomados por uma energia, uma vibração, um encanto, que provocam empatia com o mistério do Menino Jesus na manjedoura.

Esse o momento da poesia, em que a fé é vivida, não como esforço de entender ou explicar Deus e os mistérios do Universo, mas na intensidade da comunhão. A fé se faz companheira, partilha e cumplicidade com o projeto de Deus na história.

Se a história humana não tivesse sido marcada pela irrupção de Deus, todo o nosso esforço de justiça, alegria, paz e fraternidade seria vão, pois as forças da morte prevaleceriam sobre os sonhos de justiça.

Contudo, sabemos que, naquele Menino, Deus entrou em nossa história pela porta dos fundos. Não entrou como filho de César ou do faraó. Entrou como filho de um carpinteiro e uma camponesa. Filho de uma família tão pobre que não encontrou lugar em Belém. Teve de nascer no cocho, lá onde se guardam os animais.

Quantas vezes Jesus não encontra lugar também no presépio do nosso coração! Este se impregna de vaidades, de luxos, de prepotências, transformando-se num hotel cinco estrelas, no qual não há lugar para o filho de Maria e José.

O próprio Jesus nos advertiu: "Felizes os que têm espírito de pobre" (Mateus 5, 3). Espírito de abertura ao outro, ao novo, ao inusitado, ao desafio, à partilha, à solidariedade, à justiça e à possibilidade de renascer em plena vida.

Sem fazer do coração presépio, o Natal não tem razão de ser. É Natal de esvaziar pratos e garrafas, de saciar o estômago e deixar o coração vazio.

Celebrar o nascimento de Jesus, presente que nos foi dado por Deus, é nos fazer presentes ao próximo, imagem e semelhança de Deus. Na medida em que nos tornamos presentes em outras vidas, reatualizamos o verdadeiro sentido do Natal.

Quem ama se interessa pela vida da pessoa amada. Daí surgiram os relatos de Mateus e Lucas a respeito do nascimento de Jesus. Os evangelistas não tiveram a intenção de fazer uma reportagem histórica das circunstâncias reais e verdadeiras em que Jesus nasceu. Não se pode ler o Evangelho com olhos de quem faz pesquisa histórica.

O que Mateus e Lucas querem nos passar - ao descreverem Belém, o presépio, os pastores, a estrela de Davi, enfim, toda a imensa poesia que perdura em nosso inconsciente coletivo - não é tanto a história de Jesus, mas sim o olhar da fé sobre o acontecimento Jesus. E o olhar do amor, que brota do coração.

Portanto, quando se descreve a sagrada família, o encontro do Menino com os doutores da lei, ou quando se fala da matança de crianças inocentes promovida por Herodes, não interessa tanto se isso ocorreu historicamente. Interessa que, ao narrar tais acontecimentos, os evangelistas tecem uma relação simbólica da figura de Jesus com os grandes personagens do Antigo Testamento, especialmente Davi e Moisés.

A matança de crianças inocentes já ocorrera no Êxodo, por ocasião do nascimento de Moisés, tanto que sua mãe viu-se obrigada a escondê-lo, pois o faraó, desconfiado de que o Libertador havia nascido, ordenou o sacrifício de todos os bebês masculinos (1, 15-22 a 2, 1-10).

Ao aplicar aqueles fatos à pessoa de Jesus, o evangelista quis acentuar que Jesus é, de fato, o novo Moisés, o Grande Libertador. E, assim como Jesus deu prosseguimento aos ideais de Moisés, devemos hoje abraçar as propostas contidas no Sermão da Montanha (Mateus 5, 1-12). Isto, sim, é Natal.


Frei Betto é escritor, autor do romance “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros.

Copyright 2009 – FREI BETTO - É proibida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)

FELIZ NATAL!

Walter Cabral de Moura
(
wacmoura@nlink.com.br)


E volta a ser Natal, assim como voltam sempre as estações do ano, a primavera com as suas flores, o verão com os seus frutos, o outono com as suas folhas cadentes, o inverno com os seus rigores. É tempo de renovar as velhas esperanças, e de virem ao mundo as novas, assim como vêm ao mundo as crianças e veio outrora uma delas, em especial.
Se às vezes nossas dores, nosso desencanto, nosso cansaço, parecem tão fundos que cabe dentro deles a vida inteira, é tempo de seguir o exemplo das crianças, para quem fundo é o mundo, sempre por descobrir. É tempo de fundar, dentro de nós mesmos, um novo mundo.
Porque volta a ser Natal, para nos mostrar recomeços, inaugurações, alegrias, novas esperanças.
FELIZ NATAL !

INSPIRAÇÃO

José de Alencar Godinho Guimarães (*)
jfdelvitoralencar@hotmail.com



Procuro as palavras
E elas me fogem,
Consumo-me em cansaço
E tamanha fraqueza
De poeta incapaz,
Revoltado,
Que procura uma rima
E nunca que acha,
E se cala inquieto
Em pequenos pedaços
Sobre o branco papel
Que espera ansioso
A chegada dos versos,
Que falem ao mundo
Seus grandes desejos,
Angústias
E desilusões,
Mas acaba sem nada,
Inútil espera,
Nem sequer uma linha
De inspiração
Que refaça a mortalha
Em poeta cantante
Com seu fácil poder
De interpretação,
As coisas do mundo
E o ato da vida
Sua grande paixão
Enquanto viver,
Falando do tudo
E ensinando o nada,
Rimando em poesia
Uma frase de amor,
Falando do verde
Que é tão envolvente,
Do chão, dessa gente,
Da hora da dor,
Daquilo que vai
E em pouco se perde,
Com ida e sem volta
Mudando a paisagem,
Deixando um vazio
De devastação,
É a chuva que alaga
E o vento que expulsa,
O caos em miséria
De tudo que foi,
A mãe natureza
Em revolta infinita
Mostrando ao mundo
O porquê dessa dor.



(*) Professor da Rede Pública Municipal de Santarém
Graduado Pleno em Pedagogia pela UFPA

NATAL E COMPROMISSO

Edilberto Sena
edilrural@gmail.com


Aniversário de Jesus, e se ele tivesse nascido 30 anos atrás aqui na Amazônia?


Hoje acontece mais um aniversário de Jesus de Nazaré, Emanuel, Deus conosco na fé cristã. Os povos festejam essa data de diversos modos.Uns, piedosamente, outros mais cristãmente e ainda outros, festejam a data de modo pagão, num total desrespeito ao Nazareno, Filho de Deus, que se despojou de seu poder divino, ao passar 9 meses no ventre da moça de Nazaré, tornando-se em tudo igual a todos os seres humanos, menos no pecado.Os que festejam de maneira pagã, dão mais importância ao deus lucro e utilizam o mitológico papai Noel como instrumento de propaganda comercial. Os que festejam de olhos presos no menino Jesus do presépio, esquecem logo no dia seguinte o significado. Vivendo na Amazônia, neste período de discussões sobre mudança climática e sobre Amazônia devastada e eldorado de minérios e madeiras preciosas saqueados pelo capital, será interessante uma reflexão natalina sobre Jesus e a Amazônia.

Se Jesus Cristo, que nasceu, cresceu e adquiriu consciência de sua vocação, na sua terra, a Galiléia e portanto, assumiu sua missão a partir dos problemas e esperanças do povo daquela região, se ele nascesse 30 anos atrás, numa comunidade ribeirinha da Amazônia e então hoje, aos 30 anos de idade, vendo o que está ocorrendo nesta região,com grilagem de terras, destruição de meio ambiente por madeireiros e mineradoras, omissões de órgãos públicos diante do desastre, planos perversos de construir tantas hidrelétricas, narcotráfico, etc, como será que ele agiria?

Jesus aplaudiria as obras do PAC? Diria que as hidrelétricas são necessárias para o desenvolvimento da Amazônia? Diante da poluição dos igarapés e dos rios, será que ele incluiria esses assuntos em seu evangelho? Ou será que ele ficaria indiferente? Ou será que ele diria que essas coisas estavam fora de sua missão? Falaria Jesus às autoridades públicas de hoje, como falou a Herodes, Pilatos e aos sacerdotes da Palestina? Falaria ele aos corruptos que se enriquecem à base de propinas e sonegação, como falou aos Saduceus de seu tempo?E assim por diante, o que diria ele às igrejas tão divididas, cada uma dizendo que é sua verdadeira seguidora? O que diria ele a cada líder social e religioso, a padres, pastores e bispos, seus hoje apóstolos como Pedro e os outros?

Para buscar resposta a essas questões temos que olhar nos evangelhos, como agia o Nazareno, hoje aniversariando, como foi que ele encarou os demônios e as pragas de seu tempo. Assim saberemos como ele agiria hoje e como ele espera que seus seguidores também se comportem. Não basta cantar piedosamente o Noite Feliz, distribuir uns presentes e roupas usadas aos pobres neste dia apenas. O Natal é uma data muito comprometedora para cada ser humano e mais ainda para quem se dizcristão. Feliz natal! É mesmo?

O TEMPO

D.Edvaldo Amaral (*)
(
dedvaldo@salesianosrec.org.br)



Termina o nono ano do novo século. Já tem início o último ano da primeira década do novo milênio, É o tempo que corre célere.
Vamos respigar no dicionário de citações de Goicoechea alguns ensinamentos de grandes sábios a propósito do Tempo..

Comecemos por Santo Agostinho em seu comentário ao livro bíblico Eclesiástico: “Ne dicas, priora tempora meliora fuere, quam nunc sunt; virtutes faciunt dies bonos, vitia malos” – “Não digas que o tempo passado era melhor que o de hoje; são as virtudes que fazem bons os dias e os vícios os tornam maus.”
Já A.B.Acott adverte: “O tempo é nosso melhor amigo; é ele melhor que ninguém que nos ensina a sabedoria do silêncio.”
“To choose time is to save time” - ensina-nos Francis Bacon: “Escolher o tempo é aproveitar o tempo.”
Sábia a observação de A. de Gasparin: “Entre o passado que nos escapa e o futuro que desconhecemos, está o presente onde se encontram nossos deveres”. Semelhante a essa, é também a arguta observação de Gustave Flaubert, nos seus Pensées: “L´avenir nous tormente et le passé nous retient. Voilà pourquoi le présent nous échappe.” O que seria mais ou menos isso: “O futuro nos atormenta e o passado nos amarra; é por isso que o presente nos escapa.”
Diz Plínio, o Jovem, nas suas Epístolas latinas: “Se contas os anos, o tempo te parecerá breve; se consideras os acontecimentos, te parecerá um século.” Ao que o grego Periandro acrescenta com pessimismo: “Não confies no tempo!”.
E vou encerrar essas citações com a bela composição do Frei Zeca para a Editora Paulus :”O Tempo é a expressão da pressa. Saiu de algum lugar no passado e nunca mais parou. Hoje, passa pela estação do presente e segue adiante para a estação do futuro. Não envelhece, não se cansa, não se atrasa, não espera por ninguém. Atrás de si, ficam as faces da vida, os anos e as marcas da história. Paz e guerra. Progresso e decadência. Infância e adolescência. Puberdade e juventude. Maturidade e decrepitude. O futuro chega e se faz presente. O presente envelhece e se torna passado. E o Tempo prossegue seguro com destino certo para outro futuro.”

Para nós, fiéis cristãos que temos fé, o tempo é a caminhada para o não-tempo, é a estrada que nos leva para o eterno, enfim, para o encontro definitivo com Aquele que é “o termo último de toda a expectativa humana” (Liturgia da Igreja).
No limiar deste ano novo, espero que meus leitores aproveitem dessas reflexões para um início feliz de um novo ano, com as melhores bênçãos de Deus.

(*) É arcebispo emérito de Maceió.

O QUE ESPERAR DE 2010

Marcelo Barros(*)
(irmarcelobarros@uol.com.br)



Em cada final de ano, os meios de comunicação escutam videntes que prevêem como será o ano novo que vai começar. Sejam quais forem os instrumentos usados para estas previsões, elas nos revelam também a sensibilidade e a experiência de vida das pessoas que as proclamam. Respeito os videntes e as pessoas das mais diversas tradições capazes de vislumbrar alguma luz sobre o futuro para nós desconhecido. E´ bom lembrar, no entanto, que na Bíblia e na tradição judaico-cristã, profeta não é quem advinha o futuro e sim quem consegue ouvir uma palavra divina de tudo o que está acontecendo. Assim, quando falam do futuro, os profetas não tanto predizem o que vai acontecer, mas revelam a promessa de Deus para a caminhada humana.

A diferença entre previsão é promessa é que a previsão é neutra. Quem lê o futuro só pode anunciar algo que vê. Como um médico interpreta uma radiografia. Não pode ser culpabilizado pela doença que anuncia. A promessa, ao contrário, engaja. Quem promete, se compromete. O objeto da promessa não é o que se espera como nuvens escuras avisam que vai chover. A promessa visa uma transformação da realidade. Na Bíblia, a promessa divina foi que mulheres estéreis passariam a ser fecundas e a própria humanidade venceria todas as suas esterilidades para viver em uma terra de amor e de partilha. Crer na promessa não é resultado de uma análise neutra da realidade que pode ser pessimista. É uma adesão pessoal no sentido de se engajar para que aconteça aquilo que é prometido. Neste sentido, quando dizemos que 2010 será um ano de graça, nos comprometemos a trabalhar para que esta graça divina se manifeste e vença todos os prognósticos pessimistas possíveis.

No plano do mundo, o fracasso da Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Compenhague, reenvia a humanidade para a próxima reunião no México, nos meados de 2010. Na América Latina, apesar das contradições, um novo processo social e político vigora em vários países. Valoriza o protagonismo dos povos indígenas e das comunidades populares. Organismos regionais como o Mercosul, a ALBA e a Unasul testemunham que o tempo do colonialismo está acabando e o continente latino-americano pode ter uma verdadeira autonomia com relação ao governo dos Estados Unidos e aos organismos internacionais.

No Brasil, será um ano de eleições. Mais importante do que o resultado das eleições, pode ser o processo de discussões políticas que a campanha eleitoral acarreta. Oxalá que estas discussões possibilitem ao povo todo tomar mais consciência da realidade e dizer claramente através das urnas o que quer como projeto para este país.

No seu 10º aniversário, o Fórum Social Mundial será descentralizado. Ocorrerão diversos fóruns regionais e temáticos. Em janeiro, haverá um em Porto Alegre e um temático em Salvador, BA. Eles revelam o aprofundamento da busca de “um novo mundo possível”.

No plano das religiões, 2009 se concluiu com a 5ª Conferência Mundial do Parlamento das Religiões pela Paz. Esta reunião ocorreu em dezembro, em Melbourne, na Austrália e contou com a participação do Dalai Lama, do rabino chefe de Israel, de autoridades islâmicas e de representantes de quase cem religiões e tradições espirituais. Um cardeal representava o papa. Muita gente simples e de base participou do encontro. O tema foi significativo: “Vamos fazer um mundo de diferença: escutando uns aos outros e cuidando da Terra”. O documento final é um apelo para que as religiões se unam na missão urgente de transformar esta sociedade em um mundo mais justo para salvar a vida no planeta.

Para as Igrejas cristãs, 2010 marca o centenário da Conferência Missionária de Edimburgo (1910) que deu origem ao atual movimento pela unidade dos cristãos. O Conselho Mundial de Igrejas, que reúne 349 confissões cristãs, celebrará este aniversário através de uma nova conferência em Edimburgo (junho de 2010). Ela traçará linhas de ação comum entre as Igrejas a serviço da humanidade e do planeta. Neste ano, os cristãos também recordam os 500 anos do nascimento do reformador João Calvino, assim como, no Brasil, os 100 anos da fundação da Assembléia de Deus e da Congregação Cristã do Brasil.

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs que, no Brasil, reúne oito Igrejas, coordenará a terceira Campanha da Fraternidade Ecumênica, a ser lançada na 4ª feira de cinzas. O tema é “Economia e Fraternidade” e visa aprofundar elementos de uma economia que se ponha a serviço de todos e não apenas do lucro de alguns. Esta campanha mostra o profundo laço que une a questão econômica com a espiritualidade.

Neste ano, muitos cristãos percebem uma verdade sobre a qual, já no século XIII, São Francisco de Assis insistia: mais do que levar o evangelho aos de fora, o melhor modo das Igrejas e dos cristãos cumprirem sua missão é viver o amor divino e a abertura aos outros. Isso é o que o evangelho propõe, como o modo mais eficaz de fazer com que, em comunhão com o universo, a humanidade possa viver um feliz ano novo.


(*) Monge beneditino, teólogo e escritor.

PENSANDO ALTO

Therezinha Paiva
26.12. 2009


Natal: nascimento, vida, amor, união, sabedoria, famílias reunidas.
Vivemos a cada ano este momento maravilhoso: NATAL
Dezembro cheio de luz, alegria, esperança, sonhos e mais sonhos para o novo ano, sorrisos, música, beijos e abraços, muito carinho no ar.
E depois?
Por que desaparecem estes sentimentos?
Por que as pessoas deixam de lado as idéias positivas e se entregam a uma caminhada muitas vezes desumana, indesejável e que tanto sofrimento e apreensão causam?
Quantas e quantas mensagens maravilhosas recebi. Fico a indagar: são verdadeiras? Quem as escreveu realmente assim pensa, sente, deseja?
Se assim é o que as leva a esquecê-las e não mais conduzir suas vidas pautadas nessas idéias tão sublimes que o nascimento de Jesus lhes traz?
Esquecem Jesus? Esquecem de si, dos amigos, da família, dos mais necessitados, dos doentes, dos inválidos, das mãos estendidas, do abraço fraterno?
Mesmo os não cristãos se deixam levar por esse momento mágico.
Então?
Vamos lutar para que o Natal deixe de ser apenas o mes de dezembro e passe a ser todo o ano, sem exclusão de um dia sequer.
Tomara eu que todos nós consigamos transformar nossas vidas num eterno NATAL apesar dos inevitáveis tropeços, dos tristes acontecimentos que nos envolvem e entristecem.


Um belo 2010 para todos nós!

Um abraço e o meu carinho


Obs: Imagem enviada pela autora.

O ESPÍRITO DE DEUS

Padre Beto
www.padrebeto.com.br



Devido a uma tragédia, uma cidadezinha foi despertada durante a madrugada. A única igreja do vilarejo estava em chamas. Enquanto o povo assistia em pânico ou em profunda tristeza a igreja se acabar em uma imensa fogueira, o padre permanecia calmo e lia seu livro na varanda da casa paroquial. Algumas pessoas, admiradas com a atitude do sacerdote, perguntaram a ele se a destruição de sua igreja lhe era indiferente. O velho padre mirou os curiosos sobre as lentes dos óculos e, com um pequeno sorriso, respondeu: "Bem... se existe realmente o Espírito de Deus, com certeza os culpados irão se arrepender, todos nós iremos nos unir e a igreja será reconstruída. Mas, se não existe o Espírito de Deus, nós não precisamos mais de igreja!"
Graças ao surgimento de um movimento pentecostal tanto na Igreja Católica como nas Igrejas Evangélicas, a fé dos cristãos centrou-se no Espírito de Deus. Nunca se falou tanto na ação do Espírito Santo como em nossos dias. Já há alguns anos vem se descobrindo a abertura para ao Espírito de Deus como característica da espiritualidade cristã. Porém, é necessário o cuidado de não se envolver a fé cristã em uma névoa de misticismo religioso, o que faz com que deixemos o essencial do cristianismo e nos apeguemos em aspectos ilusórios. O ser humano é, muitas vezes, atraído por fenômenos sobrenaturais, acontecimentos que fogem às leis da natureza, e acaba associando tais fenômenos à ação de Deus. Assim, quando ouvimos falar, muitas vezes, da experiência do Espírito Santo, necessariamente devemos ouvir sobre milagres, visões, curas, falar línguas estranhas, "repouso no Espírito", sonhos reveladores, etc. Sem dúvida alguma, ao se tratar de Deus,! tudo é possível, porém muitas vezes nos esquecemos que foi o seu Espírito que deu origem ao nosso imenso universo, do qual nem conhecemos ainda os limites; foi o Espírito de Deus que gerou a vida e chamou a cada um de nós para a existência. Neste sentido, o Espírito Santo não está distante da vida, mas o encontramos verdadeiramente quando nos aprofundamos na existência descobrindo seu sentido maior. Ser místico não é vivenciar algo sobrenatural ou possuir um "dom" mágico, mas fazer um mergulho profundo em nossa vida cotidiana. Seguindo a mensagem dos Evangelhos, ou seja, as palavras de Jesus Cristo, o verdadeiro dom do Espírito Santo é a capacidade de fazermos o bem, o esforço de possibilitarmos, em todos os nossos ambientes, o desenvolvimento da vida. "O amor é a asa veloz que Deus deu à alma para que ela voe até o céu" (Michelangelo). Fazer a experiência do Espírito Santo é participar ativa e conscientemente como co-autor na criação do universo! inacabado, na construção do Reino de Deus. E para isso não há nec essidade de efeitos especiais ou de fenômenos para-normais e sim ações concretas de solidariedade. "Para mim sábio não é aquele que proclama palavras de sabedoria, mas sim aquele que demonstra sabedoria em seus atos" (São Gregório).

Se compreendemos que Deus é a origem de toda a vida, enxergamos em todo o fenômeno que gera e possibilita a vida a presença de seu Espírito, como também em toda a situação que dificulta o desenvolvimento da vida, o distanciamento do homem em relação à Deus. Toda descoberta científica, todo avanço tecnológico, toda mudança política e social que nos oferece uma qualidade de vida melhor expressa a presença do Espírito Santo. O dono de uma empresa que através de uma gestão empresarial moderna oferece a seus empregados a possibilidade de uma vida segura e digna, um ambiente de trabalho solidário e de realização pessoal é movido, com certeza, pelo Espírito Santo. Todo político que abre mão da politicagem e não se envolve em jogos de corrupção, mas luta pelo bem estar da sociedade que o elegeu está em sintonia com o Espírito de Deus. Todo membro de uma família que não tolera o silêncio, mas cultiva o diálogo no ambiente familiar faz de seu lar! um templo do Espírito Santo. Independentemente da religião que possuímos, somos movidos pelo Espírito de Deus se nos engajamos, de coração sincero, para que nossos semelhantes possam viver dignamente e realizarem-se como pessoas, como filhos de Deus. O Espírito Santo não se manifesta em reuniões secretas, em ritos misteriosos ou ambientes movidos por música e emoção, mas na vida diária através da serenidade, lucidez, inteligência, bom senso e solidariedade humana. Aqui se revela a verdadeira mística, uma mística tão profunda que leva à transformação da realidade, ao surgimento de verdadeira e concreta vida. "O amor é a imagem de Deus. É, isto sim, a verdadeira essência de toda a natureza divina que fulge em bondade" (Martinho Lutero).

ENFIM... NATAL!

Marcante


Da janela do meu quarto, também era Natal.
Luzes a piscar coloridas e cristalinas, davam a impressão que tudo caminhava em perfeita harmonia. Do outro lado porém, já não havia tanto esplendor!
Corações angustiados e vingativos se enfrentavam, anulando o Natal dentro de si. Coisas terríveis aconteceram. Apesar de fatos incríveis ocorrerem, podia se dizer que também era Natal. Natal é paz, para quem com ela está.
É luz, para quem ainda não perdeu a esperança. É amor, para quem sabe vivenciá-lo.

O Natal está se tornando uma epidemia popular. Feliz Natal! Bom Natal! Será, que só balbuciar ajuda? Não sei, talvez ajude...
Vivenciar o Natal é dar de si o melhor para quem tem o pior cada dia. É tentar transformar a dor em amor.
Tarefa difícil.
É não ir com a onda.
É olhar os lados.
É tentar mergulhar nos braços Daquele, que se deu a nós, com a única esperança de ver entre seus filhos dias melhores.

FELIZ NATAL!... BOAS FESTAS!... FELIZ ANO NOVO!...

Poly
apoloniapereira@hotmail.com


São palavras que se ouve, que se lê, que se fala nestes dias natalinos, que nos levam ao Ano Novo!

Isto já está tão comum... Tão costumeiro...
Fala-se, escreve-se, é lido muitas vezes... Aí estão os cartões!!!
Porém o que mais se vê nestes cartões de Natal? Um velhinho barbudo, vestido de vermelho: o famoso Papai Noel?
Mas de quem é a festa mesmo? Quem é o aniversariante? Onde está Ele? E... a festa já começou! Será que ele não foi convidado?...As crianças gritam: Viva o Papai Noel! O que recebi dele! Cada uma quer exibir o que recebeu!
Todas não! Há aquelas para quem o papai Noel nada trouxe. Por que? perguntarão elas no seu triste coração. Será que ele só vem para as crianças ricas? E choram no seu coraçãozinho a tristeza que o invade. Desejaram tanto, tanto receber alguma coisa. Mas nada!
Finalmente, de quem é esta festa de Natal? Por que não é para todos?
Nem a TV mostra o Dono da festa! Só se vê propagandas, velhinhos barbudos, vestidos de vermelho...

CALCINHAS DE JANEIRO

Paulo Rebêlo
(
www.rebelo.org)


O melhor do Natal é que acaba logo e a gente já pode pensar onde vai acordar de ressaca, talvez após uma injeção de glicose, no primeiro dia do ano.

Quando os fogos aparecem no céu, geralmente já estou dormindo. Porque meu réveillon começa ao meio-dia. É injusto esperar por doze horas para começar a farra enquanto japoneses, australianos e tanta gente bacana já está comemorando a passagem de ano antes da gente.
Esse negócio de esperar um determinado horário para abrir a primeira garrafa sempre me intrigou.
É quase maquiavélico.
No entanto, nada é mais intrigante do que a cor da calcinha delas. Não a cor em si, mas a importância que tantas mulheres dão à cor da calcinha do réveillon.

Conheço mulheres burras e mulheres inteligentes, mulheres surtadas e mulheres equilibradas, mas poucos dias antes do réveillon todas elas se juntam feito zumbi na loja de lingerie e entram em discussões homéricas sobre a cor da calcinha para a “hora da virada”.

Ainda mais intrigante é o enorme contingente de mulheres de todas as idades que realmente levam a sério essa história toda.

Virar (o ano) de calcinha vermelha vai ajudar a trazer muita farra e putaria (as meigas preferem o termo ”grandes paixões”), calcinha amarela vai trazer dinheiro, calcinha rosa vai trazer amor, calcinha violeta é transformação, calcinha bege é para deixar tudo do jeito que está, calcinha preta é (além da banda de forró) um sinal de que a perseguida está fechada para balanço.
E a calcinha branca vai trazer paz, será? A pomba não dava conta do recado?

Quando vemos mulheres novas se preocupando com isso, a gente tolera, é paciente, respira fundo, deixamos passar. Bate uma certa nostalgia. A gente passa a mão na careca, coça a barba e suspira “ah, essa juventude não-transviada”, quão ingênuas são essas jovens mancebas.

O problema é quando você encontra com semi-balzaquianas ou que já passaram (e muito) dos trinta, rodeadas de amigas temporariamente retardadas numa loja da Marisa refletindo sobre o que ela quer para o próximo ano porque irá comprar a calcinha do réveillon de acordo com esse objetivo máximo-cabalístico.

As revistas femininas estão dizendo que 60 anos é “o novo 40″, então a conclusão cartesiana óbvia é que 30 anos deve ser “o novo 15″.

Já não basta usar cremes para rugas e fazer lipoaspiração para ter corpinho de adolescente, será que agora elas precisam se comportar como adolescentes para estar na moda?

Tanta gente preocupada com calcinhas, não sei, mas em vez de escolher a cor, devíamos todos pular nus dentro do mar, sem roupa alguma. Homens e mulheres.

Superstição por superstição, melhor se livrar de todas as cores, tecidos, revistas e seriados que estão fazendo com que nossas mulheres entrem em janeiro ainda sem aprender que nem todos os homens são fiéis e nem todas as crianças são felizes.

Talvez assim a gente comece um novo ano sem esperar que o amor da nossa vida vá cair do céu dentro do nosso quintal, que vamos viver uma tórrida paixão proibida em Paris ou ganhar na mega-sena sem nunca ter jogado um bilhete.

Obs: Imagem enviada pelo autor.

NATAL

Antonio Pires de Moura


É Natal, dia de harmonia, de paz, de alegria, de felicidade, de muito amor.
A cidade se embeleza de muitas luzes. Como seria mais harmonioso se o natal tivesse 365 dias, um ano de paz. Felicidade, sem violência.
No Natal, vamos pedir em oração, as coisas boas da vida. Fazer um apelo sincero, eu e todos, pelo mundo afora: AMOR.
É o que desejo, e o que espero.
Bom Natal! Bom Ano Novo!

TEXTO DE PAULA BARROS


( mpaula26@hotmail.com)


São tantas portas que precisamos abrir Algumas até fechar Portas do mundo interno e externo Sem abrirmos algumas portas principais do mundo interno Trancamos as portas do mundo externo Não conseguimos abrir Ou mesmo abertas não conseguimos entrar ou sair Às vezes as chaves estão conosco e o outro ajuda a girar Às vezes temos as fechaduras e a chave o outro carrega Existem portas abertas e que temos medo de entrar ou sair Outras vezes a porta está fechada e tentamos passar Abrindo, forçando, muitas vezes até derrubando Às vezes pulamos por janelas para facilitar a entrada Ou entramos por elas para poder sair Assim seguimos na vida, Com portas, janelas e chaves Observo as tantas portas e janelas Tento abrir algumas Seguir pela vida



Obs: Imagem enviada pela autora.

DEZEMBRO...

(Maria Inês Simões)
www.mis.art.br
mis@mis.art.br


- Enfim chegou o final de mais um ano...
- “Poiszé” e como passou rápido, estes doze meses.
- Muitas lutas... E pelo que vejo ainda continuam, ano que vem vai ser “brabo”.
- Sim, mas existiram também muitas vitórias...
- Concordo... Muitas vitórias... Agradeço ao Criador por elas. Mas final de ano... Não gosto não.
- Mas o que dezembro tem a ver com isso? Afinal é só mais um mês desenhado na linha do tempo.
- "Capricharam" na história deste mês. Tem um gorducho, velho, cabeludo e barbudo que ainda faz a cabeça das crianças, obeso... Alcoólatra... E só dirige em disparada. “Bons exemplos”.
- Mas, sinta acima de tudo ele é um símbolo de paz e fraternidade.
- Onde? Na entrega de brinquedos? Ainda espero aquela boneca dos oito anos.
- É... Mas ele trouxe a casinha dos nove...
- Não... A casinha dos nove não foi ele, foi o carpinteiro do quarteirão. Minha mãe comprou uma para minha irmã, e eu ganhei outra de lambuja. Tipo: compre uma leve duas? Foi assim... Para mim... Papai Noel? É símbolo de tapeação... Mentira...
- Não seja severa... Imagine quantas crianças são felizes por conta dele...
- Sublimação... Agora inverta o pensamento... Quantas, mas quantas muito mais não são?
- Ok... Esquece o infrator... E quanto ao aniversário do Dia 25?
- Hummm... Nunca vou a este aniversário... Ou a festa é para todos ou então nem me convide.
- E o Dia de Ano Novo???
- Gosto do Ano Novo... É quando realmente as crianças ganham comidas, balas, dinheiro... Ainda mais se for menino o primeiro a vir bater a sua porta: “feliz ano novo, me dá um feliz ano novo”. Se for menino é sinal de sorte para o ano que se inicia.
- Mas e se for menina?
- Se for menina??? Assim diz a tradição... Se for menina não é bom não.
- Enfim... Chegou dezembro... E o que você me diria nestas festas de final de ano?
- "Perdoe-me por eu desacreditar do Papai Noel... Perdoe-me por eu não ir ao aniversário do dia 25... Perdoe-me por bater a sua porta... Afinal sou só uma menina querendo te desejar um Feliz Ano Novo".


Obs: Imagem enviada pela autora.

O QUE EU GOSTARIA...

Irmão Ronaldo Hein CSC


O que eu gostaria de dizer para mim mesmo para observar durante 2010: "Respeitar o outro como eu gostaria de ser respeitado."

NATAL: RELEMBRANDO NOSSA VOCAÇÃO DE SERMOS HUMANOS

Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga,
professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio.



Natal é festa de Deus entrando na história e realizando o milagre da Encarnação. É festa da Virgem Maria, dizendo SIM ao plano de Deus e ficando grávida do Espírito Santo, passando a trazer em seu seio aquele que seria o homem Jesus, conhecido como o Galileu. É a festa do amor, da aliança de Deus com a humanidade, festa da Luz e da Alegria.

Por isso mesmo é a festa que nos ensina e nos relembra que nossa verdadeira e mais profunda vocação é sermos humanos, verdadeiramente humanos, profundamente humanos. Pois somente mergulhando fundo em nossa humanidade realizamos aquilo para o que Deus nos criou: sermos imagem de seu Filho que se fez humano aprendeu a ser humano, é humano sem deixar de ser Deus.

Assim, Natal é a festa de nossa vocação: vocação de sermos humanos. Achamos sempre que ser humano é algo que não se aprende. Já nascemos assim, já somos assim, já sabemos tudo sobre o que somos. É verdade apenas em parte. Ser humano é algo que se aprende. Senão, como se explica que tantas vezes agimos desumanamente? Como entender o fato de que em tantas situações nos comportamos mais animalescamente que o mais instintivo dos animais?

São muitas as ocasiões em que, em lugar de nos humanizarmos, nos animalizamos, nos vegetalizamos. E, pior ainda, em lugar de ajudarmos a humanização do outro, o animalizamos, o desumanizamos. Toda vez que não nos abrimos à solidariedade, mas violentamente guardamos tudo para nós, nos assemelhamos ao animal que avança e morde quem quer pegar sua comida. Toda vez que usamos irresponsavelmente nossa sexualidade, nos assemelhamos aos animais que, por instinto e guiados pelo olfato, sentem o cio da fêmea e o assédio do macho e copulam por instinto, garantindo a multiplicação da espécie, mas não vivendo o amor que é entrega e doação ao outro.

A Encarnação de Deus que celebramos no Natal quer nos dizer que Deus, sem deixar de ser Deus, abre mão de suas prerrogativas e entra na carne frágil e limitada que é a nossa. Aprende a ser humano, a ser temporal, espacial; a ter frio, fome, sede, calor e sono; a cansar-se e a sentir desânimo; a ter de superar angústias e a não saber o futuro; a caminhar em disponibilidade diante de um amanhã que pode levantar-se ameaçador ou sorridente, trazer alegria ou opressão. Deus feito carne, feito ser humano, caminha na história para ensinar que ser humano é uma vocação alta, séria, que se aprende a cada dia, deixando a alteridade do outro requerer nossa atenção e nosso amor; deixando que o outro diga o que devemos fazer de acordo com suas necessidades e seus desejos; renunciando a nossas vontades e instintos imediatistas, para que o outro ocupe o espaço do nosso querer e nosso agir, através de seu rosto que interpela e constitui uma epifania.

O Natal é a festa dessa vocação comum a todos nós: o aprendizado de ser humano, único caminho de acesso ao verdadeiro Deus. A partir desta vocação que é nosso solo comum, desenvolvem-se então todas as vocações específicas, leigas, ordenadas, consagradas, religiosas. Porque é humano o homem um dia deixa seu pai e sua mãe para unir-se à sua mulher e formar com ela uma só carne. Porque é humana a mulher um dia deixa sua família e a proteção do lar paterno para unir-se ao homem que ama e dele gerar filhos e formar a sua família. Porque é humano um dia um homem atende ao chamado que lhe ressoa dentro do peito de não constituir família nem nada ter de seu a fim de colocar-se inteiramente a serviço do povo de Deus. Porque são humanos, tantos homens e mulheres renunciam a possuir bens, a constituir família, e a decidir sobre a própria vida, consagrando-se pelos votos religiosos e dispondo-se a ser enviados em missão longe de seu país, sua língua, sua cultura. E muitas vezes ali dão seu sangue e sua vida, como a religiosa americana Dorothy Stang, assassinada em Anapu, no Pará; como o jesuíta basco Ignacio Ellacuria, assassinado com toda a sua comunidade em El Salvador; como o eremita francês Charles de Foucauld, assassinado em pleno deserto islâmico, em terras touaregs.

A vocação primordial do ser humano é essa: ser humano. E viver plenamente essa humanidade poderá expressar-se de muitas maneiras. Porém, se a expressão primordial não estiver expressa e vivida, todas as maneiras e especificidades estarão falseadas, desviadas e não poderão comunicar nada aos homens e mulheres com quem convive. Só é testemunha quem é primeiro e antes de tudo humano. O Natal ensina isso, revelando ser esse o caminho que o próprio Deus escolheu: revelar quem é, manifestar sua divindade assumindo plenamente a humanidade.


Maria Clara Bingemer é autora de "Deus amor: graça que habita em nós” (Editora Paulinas), entre outros livros. (wwwusers.rdc.puc-rio.br/agape)

Copyright 2009 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER - É proibida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)

TEXTO DE LUG COSTA

Ao declinar do velho ano
as esperanças reacendem no coração humano
sonhos e desejos que se repetem todos os anos:
paz entre os povos,
fim das guerras,
extermínio dos preconceitos e divisões sociais,
comida na mesa dos pobres,
uma convivência social sem violência e tolerância,
o respeito pleno dos direitos humanos.
Ao despertar no novo ano
se percebe a fragilidade e a utopia
dos sonhos e desejos.
A renovação da humanidade
é mais que um desejo,
é uma necessidade vital para continuarmos
a sobrevivência no planeta Terra.

(31.12.2006 – 16:30h – Caxias/MA)


Obs: Imagem enviada pelo autor.

REFLEXÕES NATALINAS...

Rômulo José
reidromacsc@hotmail.com
www.poematisando.blogspot.com



Então é natal... Assim cantam todos os anos, muitas pessoas que conhecem a “musiquinha” por intermédio da emissora do “plin-plin”. E por que cantam? Talvez pelo mesmo fato que os induzem a comprar o PANETONE, O PERU, O BACALHAU, O PORQUINHO com aquela maça de enfeite na boca... E porque compram? Talvez para estarem na mesma tribo daqueles que compram: deixa a vida me levar; vida leva eu...
Uma única certeza: natal é tempo de festejar, celebrar a vida. E para o grande aniversariante do dia devemos dar o que de melhor tivermos. Lembremos da oferta da mulher que tinha somente duas moedas. Duas moedas que valeram por todas as outras contribuições. Podemos não ter a mesa farta com tudo o que foi citado acima. Não nos reclamemos!!! Deus nos dá o alimento por todos os dias do ano (pode até não ser o bacalhau, mas pode ser a sardinha).

Agora vou contar uma historia que se tivessem me contado não acreditaria. Aconteceu que, aqui no Santarenzinho, ao fazer uma de suas entregas Papai Noel (e por que não mamãe?) adoeceu e os seus presentes foram todos roubados. O Bom Velhinho pediu logo ajuda a Jesus de Nazaré. O combinado fora: Jesus seria o Papai Noel no restante daquela noite. Trato feito assim cumpriu-se o combinado. O nazareno distribui o restante dos presentes. Mas antes... A surpresa. Ele trocou todos os presentes do saco do Noé (não me entendam mal). Presenteou todas as pessoas do mundo inteiro. No dia seguinte já recuperado o Bom Velhinho foi indagar se Jesus havia entregue os presente conforme fora planejado. _Sim, entreguei. Respondeu o Nazareno. Noé replicou: _Mas como?! se só o que ouço são reclamações.
Responda-me você: o que você gostaria de ganhar de presente das mãos do próprio Cristo? Dantes saibamos quais os presentes que foram entregues às pessoas. Em vez do caráter supérfluo, material e egoísta dos presentes do... Jesus deu ao povo pacotes de harmonia, felicidade, amor, prosperidade, alegria... Ah! povo ingrato. Queria rádio, roupa, telefone celular, MP 10, carro (tudo nesse rumo). O mais triste: JESUS O ANIVERSARIANTE DO DIA FICAR SEM MORADIA.

Jesus nasce todo dia. Mas também morre, quando trancamos a porta do nosso coração a ele. Faço minhas as palavras de Isabel dirigidas a Maria: “Bendita és tu que acreditaste, pois em ti serão cumpridos os desígnios de Deus”. E bendito somos todos nos que acreditamos, louvamos e sabemos o verdadeiro significado do natal: Nascimento de Cristo Jesus para a remissão de todos os nossos pecados.

UM TÃO DESEJADO NATAL

Odete Melo de Souza (*)

Seria necessário realmente uma alma imaculada, um coração puro, uma mente bondosa com corpo perfeito, para idealizar, arquitetar um panorama santo em nossa morada universal – o Planeta que gratuitamente habitamos para elaborarmos e assistirmos a um NATAL DO SENHOR.

Que as regiões de guerra fossem transformadas em plagas tranqüilas onde o trabalho, o lazer e o amor fossem uma constância.

As tragédias naturais cedessem o seu lugar ao equilíbrio das leis naturais.
O homem violento e mau restringisse suas potencialidades malfazejas em prejuízo dos irmãos, acalentando-os, protegendo-os e amando-os.

As penitenciárias vazias, pois, não haveria nenhum criminoso.
Os meios de transporte funcionassem acertadamente evitando desastres.
As doenças encontrassem eficazes descobertas concretizando no rosto das pessoas a alegria da saúde.

Os sinos das mais pequeninas capelas, até das opulentas catedrais repicassem festivamente!...
Eis, então o mais lídimo ambiente para comemorar o maior acontecimento terrestre – divino – a vinda do Deus do Céu para Terra.

Utopicamente o nosso planeta se transformaria num só e imensurável presépio em cuja manjedoura acolheria o SANTO DOS SANTOS e toda a humanidade piedosa e atenta prestaria as homenagens ao Deus Menino, exaltando as maravilhas do TODO-PODEROSO. Utopia!... Grande utopia!... Inconcebível utopia!...

Entretanto, o Natal, ou melhor, a comemoração do Natal poderia ou poderá ser bem diferente do que vivenciamos.

Assistimos a uma época de compras e mais compras, um verdadeiro consumismo. As pessoas necessitadas são lembradas apenas no dia 25 DE DEZEMBRO.
Primeiramente deveríamos nos conscientizar de que NATAL é vida, é festa perene.
Natal é permanente doação, tornando-nos uno com todos os irmãos.
Deveriam ser feitas campanhas para coibir a violência, assaltos, depredação do meio ambiente etc. etc.

A partilha dos bens materiais e espirituais realizada consciente e equitativamente com os pobres.
E dispensando-lhes ainda assistência, atenção e AMOR.
Tudo isso deveria constituir a razão de ser de nossas vidas. Faça aos outros o que gostaria que fosse feito a você.

Procuremos viver o NATAL-2009 e todos os NATAIS DO MUNDO em clima de FRATERNIDADE UNIVERSAL, no mais afetuoso abraço com O DONO DA FESTA e todas as pessoas deste mundo SALVADOR.

Aguardemos a maior e significativa FESTA DA CRISTANDADE com otimismo, esperança, FÉ e sobretudo, AMOR, MUITO AMOR, SOMENTE AMOR!...
FELIZ NATAL!... FELICÍSSIMO NATAL!...


(*) Autora de Retalhos do Coração.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

TEMPOS DE MENINO

Cláudio do Patrocínio Pereira


SAUDADE DANADA,
BICHINHA ROEDEIRA . . .
DA INFÂNCIA FAGUEIRA,
QUE TEMPO NÃO FAZ !
UMA BOA VIRADA,
DA VIDA QUEM DERA,
VIVER A QUIMERA,
QUE NÃO VOLTA MAIS . . .

E QUANDO ME LEMBRO,
FAZENDO CARRINHOS,
PINTANDO BICHINHOS . . .
A INFÂNCIA DITOU,
DO MEU PAI RANZINZA . . .
A FERRAMENTA QUEBREI,
E POR ISSO APANHEI,
A DESCULPA FALTOU . . .

CÉDULA DE CAFÉ,
PRA FAZER COLEÇÃO.
RODANDO O PINHÃO,
O GUDE - A BOLINHA,
CUTELO E CASTANHA,
E PRA QUE SOFRER?
SONHAR É VIVER,
QUE DOCE VIDINHA . . .

ROL DE BALAS CARLITOS,
CANTAVAM AS CIGARRAS . . .
TIVEMOS AS FANFARRAS,
PRA JOGAR COM O CACO:
"TOU AQUI, VOU LÁ,
A TARDE CAÍA . . .
E A NEGRADA SEGUIA
JOGANDO BURACO . . .

NOSSO FUTEBOL,
COM BOLA DE MEIA
PASSAVA DA CEIA,
NÃO TINHA HORÁRIO,
VIBRAVA O "CRAQUE"
JOGO DE BOTÃO,
PALETA NA MÃO
E LAÇAVA CANÁRIO . . .

NO BANHO DE RIACHO,
A TURMA ESBALDAVA,
TAMBÉM SE GRITAVA
COM TODA EMOÇÃO,
SEM RESSENTIMENTO:
GALINHA GORDA É ELA !
NO PRATO OU PANELA?
GRANDE A VIBRAÇÃO . . .

FALCÃO DE LACERDA,
A RUA BEM VIVA,
DA INFÂNCIA QUERIDA,
NOSSA MENINADA,
BAIRRO TEGIPIÓ,
NA VENDA DO CHICÃO,
PAPAVA O PÃO,
COM RECHEIO E COCADA . . .

A GENTE ERA AMIGA,
UM SÓ BLOCO FORMAVA,
BEM FELIZ SE BRINCAVA,
VIVENDO A CANTAR . . .
NOSSA TURMA ADORAVA:
OS ANOS NÃO PASSASSEM,
SÓ CRIANÇAS FICASSEM
MAIS TEMPO A SONHAR . . .

OH, TRAQUINÕES QUERIDOS,
AONDE VOCÊS ANDARÃO?
EM QUE PAGOS, EM QUE CHÃO?
DEVEM SER AVÓS . . .
E O GERALDO DE BARROS?
E O PEDRO PEDOCA,
O NARIZ DE TABOCA,
ZOMBANDO SEMPRE DE NÓS . . .

RELEMBRO NOSSO JANDE,
ÉZIO, IVAN E ANTENOR,
E OS NETOS DE BÔBÔ .. .
OUTROS E OS DA SAUDADE,
QUE O PAI OS CHAMOU.
TODOS TÊM O TROFÉU,
SÃO ANJOS LÁ DO CÉU,
NOMEIO DA SANTIDADE . . .

QUE DIAS FELIZES
DAQUELA CRIANÇADA!
NOSSA INFÂNCIA SAGRADA,
COM SAÚDE E VIGOR . . .
ERA TUDO TÃO LINDO !
E DE SAUDADE PADEÇO,
MAS, A DEUS AGRADEÇO
SEU IMENSO AMOR.

Recife, 22 de outubro de 2009.

FELIZ NATAL ?

Rivkah Cohen
www.rivkah.com.br
rivkah@rivkah.com.br



Ei, tu que hoje estás tão feliz,

por que nos outros dias te era tão difícil?

Por que hoje tu dizes que amas e nos outros
dias as mesmas palabras pesavam em tua bocaa
ponto de só balbuciares?

Durante tantos dias não tiveste medo de perderes
quem te ama, não tiveste receio de ficares sem amigos,
de ofenderes teus vizinhos..

Durante tantos dias somaste só as coisas
ruins e hoje, parece-me que só hoje ou talvez,
por esses dias, tens visto o que tem de bom na vida!

Durante tantos dias parecia que viverias
para sempre e hoje tu te voltas para dentro
e estás mais compenetrado, mais sério, mais sábio.

O que te falta não tem o buraco que tanto
apregoavas, mas um furinho à toa, fácil
de conviveres, "levares"..

A grama da tua casa começou a verdejar
no momento que deixaste de olhar a do teu vizinho.

Falando no teu vizinho, claro que não achou normal,
mas sabe que comentou com alegria o teu abraço
e teu desejo de Feliz Natal?

Só precisava ser assim todos os dias,
não se atendo a momento, época e espaço!

Obs: Imagem da autora.

O ENGANO DE NASCER

Djanira Silva
djaniras@globo.com
http://blogdjanirasilva.blogspot.com/



Nasceu, respirou sol, lua estrelas. Então, entre os momentos de chegar e ficar a mentira se fez. A claridade anunciou o dia, alegrou pássaros e plantas. Com a noite vieram a escuridão e o medo.
Com o tempo, apagam-se os rastros. A vida, engano de nascer, é apenas emprestada, devolve-se o que se recebeu sem pedir.
O que nos faz ir adiante é o vício de viver. Persistir é sofrimento. Mesmo sem saber o que há em frente, seguimos e perseguimos a dor, o silêncio, os mistérios do infinito.
O medo é implacável, senhor cruel que sequer sabe chamar as coisas pelo nome. Muda tudo. Manipula o pensamento e a alma.
O último passo havia sido dado e eu sabia que não poderia seguir. Detive o pensamento porque o medo de pensar me fazia covarde. Se não estivesse tão possuída por ele poderia, quem sabe, até sonhar. O medo torna-me estéril. Não posso ter ilusões. Já não posso voltar desses longos silêncios, dessas estradas misteriosas onde passos desconhecidos marcam o meu chão. Uns que vão, outros que vêm. Quais ficarão? A dúvida é grande. O medo maior. Comigo estão as dores sinalizando – parar, desistir. Nestas paradas não me reconheço. Ao longo da estrada a entrega de um mundo imprevisível. Os caminhos nunca terminam onde terminam os passos.
Trapaceio. Mudo de direção. É como querer enganar a morte. Se morrer fosse o fim não teria medo.
Nas estradas as marcas dos meus pés misturam-se à poeira dos que vão e vêm. As certezas falham. O imprevisível me espera.
Perco-me antes do fim. Nunca soube onde terminam os caminhos.


Obs: Texto retirado do livro da autora – Morte Cega -

RITO PARA UM NOVO NATAL

Marcelo Barros(*)
(irmarcelobarros@uol.com.br)



Podemos comparar a festa do Natal com um destes lindos pacotes de presente que, ao se abrir, se descobre, internamente, outro pacote colorido que, ao ser aberto, dá lugar, por sua vez a outro pacote menor e, assim, sucessivamente, até chegar a um pequeno objeto misterioso que só alcançamos depois de desembrulhar cinco ou seis invólucros diferentes. O Natal é assim: temos de superar vários envelopes externos da festa para chegar ao mais profundo sentido da celebração. O consumismo, com seu apelo de compras e sua agitação, assim como o sentimentalismo, com seus cânticos infantis e comoventes, são aspectos externos do Natal que, facilmente, as pessoas criticam. É ótimo que o Natal seja ocasião para os encontros de família e confraternizações de amigos, mas temos o direito de desejar que mesmo esta dimensão humana possa ser mais profunda do que um simples momento de encontro. Desde o tempo antigo, quando o Natal começou a ser celebrado, as pessoas se confraternizavam e celebravam a presença divina na natureza.

Séculos antes do cristianismo, muitos povos viam esta dimensão sagrada no solstício do inverno. Na noite do 25 de dezembro, festejavam o renascimento do sol, em meio ao frio mais rigoroso. Cada ano, nestes dias, o Judaísmo festeja a Chanukká, a celebração da luz no meio da escuridão do inverno, onde sol quase desaparece totalmente. E a celebração das luzes nas sinagogas e nas casas não é apenas para acender luzes e candeias exteriores, mas tem como objetivo adorar a Deus como luz amorosa de nossas vidas e lhe pedir a graça de nos tornarmos luzes uns para os outros e para o mundo.

No século IV, o cristianismo assumiu os festejos ao sol e os transformou na memória do nascimento do Cristo. Não pretende fazer do 25 de dezembro o aniversário do menino Jesus, mas dizer ao mundo que, através do homem Jesus de Nazaré, Deus iluminou a humanidade com o esplendor de sua presença de amor. Sabemos que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, mas cantamos, nesta festa, que o divino se fez humano para divinizá-lo. Leonardo Boff escreveu: “Humano assim, só sendo Deus!”.

No dia do Natal, muitas Igrejas cristãs lêem o primeiro capítulo (prólogo) do evangelho de João, cujo centro é a afirmação: “A Palavra divina se fez carne e armou sua tenda no meio de nós” (Jo1, 14). Por isso, um espiritual do século IV dizia: “Para encontrar a Deus, é preciso encontrar o ser humano”. Hoje, com muitas outras religiões podemos dizer: “Para encontrar a Deus, é preciso descobri-lo atuante no universo, presente em todo ser vivo”.

Neste mundo cada vez mais pluralista e diversificado, os cristãos convivem com pessoas de outras tradições espirituais e com muitos que amam a vida e têm uma atitude reverencial para com todo ser vivo, embora não pertençam a nenhuma religião. Pouco a pouco, essas pessoas se tornam maioria. Muitas delas também recebem votos de um feliz Natal. Não para que se tornem cristãos/ãs ou participem da celebração cristã desta festa, mas para que, em seus caminhos próprios e em suas tradições específicas, possam fazer a experiência da divinização progressiva a que cada Natal nos chama. Os homens e mulheres que iniciaram as grandes tradições espirituais da humanidade desenvolveram o que alguns chamam de “consciência crística”, (crística quer dizer consagrada). Trata-se de um estado de união com o universo e com as outras pessoas que só o Espírito Divino pode realizar no coração da pessoa.

O Natal pode ser excelente contribuição do Cristianismo para toda a humanidade, se esta festa puder ser ocasião para se celebrar o diálogo e a amizade humana. No nível das relações pessoais, podemos aprender a reverenciar em cada pessoa uma imagem viva de Deus, para ajudá-la a superar os aspectos menos nobres de si mesma e se tornar mais de acordo com a imagem divina presente no próprio coração. No plano mais amplo das comunidades e grupos religiosos, o diálogo e a busca de comunhão podem ser instrumentos excelentes de serviço na construção de um mundo mais justo e irmanado, assim como na possibilidade de que cada tradição espiritual veja na outra os traços mais nítidos de uma presença e atuação divina da qual cada caminho religioso pode ser testemunha diferenciada. Assim, toda humanidade se transformará o que a tradição judaica chama de Shekiná, a tenda em que Deus vem habitar. Um rabino ensinava: “Por onde a comunidade caminha, a presença divina está sobre a Shekiná. Ela só se afasta se a comunidade se dividir e não quiser mais dialogar”. Que este Natal seja esta festa do diálogo.


(*) Monge beneditino, teólogo e escritor.

TEXTO DE PAULA BARROS

www.pensamentosefotos.blogspot.com
( mpaula26@hotmail.com)


A vida é um trânsito Livre, congestionado Fluindo, engarrafado Buzinas atormentando a paz Sinais fechados, quando queremos seguir Sinais abertos, quando queremos parar Sabedoria, discernimento Sempre, sempre! A vida é um trânsito Com rua, ruelas Avenidas, becos sem saída Esquinas, encruzilhadas Caminhos a serem decididos Sempre, sempre! A vida é um trânsito Dizem para não viver do passado Mas é preciso olhar para trás Nem que seja pelo retrovisor Mas é preciso seguir Olhando para frente Para os lados Desviando dos obstáculos Atentos Sempre, sempre A vida é um trânsito Pessoas vão e vem Querem passar Observam Carros com uma pessoa Individualismo, solidão Ônibus lotado Nem sempre o companheirismo Famílias, união, desunião A vida não pára O trânsito da vida segue Querendo ou não Sempre, sempre! A vida é um trânsito Mão estendida Olhar desviado O ser em construção A vida fluindo O egoísmo atropelando as relações O individualismo congestionando o trânsito O atropelamento A alma estendida no chão A vida pede passagem Sempre, sempre!

RUMO AO NATAL 2009

D. Demétrio Valentini (*)


Este mês de dezembro já chega ao seu meio. Ele sempre tem a missão especial de nos levar à grande celebração que o caracteriza. É o último mês do ano civil. Mas é sobretudo o mês da festa de Natal, cuja chegada se faz sentir com a antecedência que o dezembro vai cadenciando.

Já passamos duas semanas de advento, já foram três domingos deste tempo de preparação para o Natal. Ele nos ensina a recolher a longa caminhada da humanidade, que aos poucos foi se dando conta do mistério do Deus verdadeiro, que foi revelando seu rosto de misericórdia e de bondade.

Este tempo nos ensina a percorrer este caminho de progressiva descoberta do Deus verdadeiro, ao longo de nossa existência humana. Desta maneira nos damos conta de sua presença, que continua nos despertando, para percebermos que a realidade de Deus nos envolve, e nela aos poucos vamos mergulhando, pois dentro dela percebemos como Deus abriu espaço para nos acolher em seu reino.

Passado, presente e futuro, se conjugam, convergindo para a mesma direção, nos apontando a riqueza do mistério de Deus, que aos poucos foi revelando seu rosto divino, a ponto de assumir em Jesus nosso rosto humano.

Tempo de meditação e de oração. Tempo de acolhermos a luz, que para não nos ofuscar, foi gradativamente se intensificando, para se adaptar à nossa capacidade humana. O advento vai dosando sua intensidade. Que no Natal tenhamos os olhos abertos para acolher a presença de Deus que assume as feições de nosso Salvador.


(*)
www.diocesedejales.org.br

A MENINA NO BANCO DE RESERVAS

Dannie Oliveira
www.dannieoliveira.blogspot.com
poeiraepalavras@gmail.com


Não.

Não fui a jogadora mais ativa da escola.
Aquela venerada pela torcida, a que jogava bem e que todo mundo queria no seu time.
Sempre ficava no banco ou ainda só entrava em quadra quando a melhor equipe queria descansar.
Eu até gostava de Vôlei, mas levei tanta bolada que vi que não era pra mim.Tentei Futsal, levei canelada, fui empurrada e cai.
No Basquete nem toquei na bola, meus braços não alcançavam as girafas e me sentia uma anãzinha correndo pra lá e pra cá.
Na corrida sempre chegava entre aqueles que se arrastavam para alcançar a linha de chegada (às vezes nem isso, ficava ali pelo meio do caminho mesmo).
Em contrapartida minha performace valia muitas risadas para quem acompanhava o meu desempenho.
Quem detestava isso era um ex. Bom de bola, o bam-bam-bam do time tinha que ouvir as piadinhas.
'- Pô vê se ensina essa tua namorada a jogar. Ela é muito ruim. Coitada das meninas.
'Uma vez ele cansou e me deu um toque.
'-Amor faz um favor pra mim? Não jogue! É melhor. Você não vai se machucar e também não vai machucar as meninas do outro time. Tá bom?'
Quanta franqueza.Percebi que algumas pessoas nascem para o esporte e outras não, o que era meu caso.
Prefiro as palavras ...

IMAGEM E SEMELHANÇA

Walter Cabral de Moura
(
wacmoura@nlink.com.br)


"Tudo vale a pena, se a alma não é pequena", e temos a vida miúda para levar, batatas a cozinhar, dinheiro para ganhar, feridas a pensar, sarna pra nos coçar. Mas temos também, ora bolas, a vida grande para viver, pois somos homens, à imagem e semelhança de Deus feitos, se é que Deus não se incomoda de parecer conosco, de aparência às vezes tão lastimável, e o pior é não raro serem mais que aparências, enfim o importante é que sermos miniaturas de Deus dá-nos uma grandeza que a princípio não se suporia fosse alguém achá-la em nós.
Assim, pequenos no entanto reproduções, é certo que defeituosas, dO que não se pode medir, seguimos sem metro, reversos do que seria de se esperar, se é outra vez que de nós se deveria esperar algo mais que sermos o que somos, ou antes deveríamos ser: calungas, imitações do Criador.

SÍMBOLOS DO NATAL

D.Edvaldo Amaral (*)
(
dedvaldo@salesianosrec.org.br)


Preparando nosso coração para um Natal de Jesus, vamos passar em resenha alguns símbolos natalinos, dos mais conhecidos, baseando-nos em parte na revista Família Cristã - especial de Natal.

Comecemos pelo 25 de dezembro. É quase certo que Jesus não nasceu neste mês. É inverno no Hemisfério Norte e é impossível que o imperador romano decretasse um censo geral neste tempo, nem os pastores estariam, num frio de inverno, montando guarda a seus rebanhos nos arredores de Belém “durante as vigílias da noite”, como narra S. Lucas. Como então o dia 25 do último mês ficou sendo a celebração do Natal? Muitos povos da antigüidade, como os romanos, os gregos, os celtas, os germanos, celebravam neste dia, solstício de inverno, a festa do Dies Natalis Solis Invicti (Nascimento do Sol invicto), quando acontece a noite mais longa do ano, e o Sol retoma no dia seguinte seu ciclo no firmamento, aumentando progressivamente a duração do clarão do dia até o verão. A festa, como muitos outros elementos culturais do paganismo, foi apropriada pelos cristãos de Roma, que passaram neste dia a celebrar o nascimento do verdadeiro Sol Invicto, Jesus. Instituída pelo papa S. Telésforo (125-136), a festa de Natal em 25 de dezembro só foi realmente estabelecida por Júlio II, papa de 337 a 352 (Datas do Annuario Pontificio).

A árvore, desde tempos remotos, é expressão de fertilidade da mãe-natureza, recorda Afonso Soares, professor de teologia da PUC. Por essa razão, os povos germânicos na Idade Média costumavam, no rigor do inverno, montar dentro de casa um pinheirinho verdejante, para anunciar a esperança da primavera que haveria de vir. Os cristãos tomaram o pinheiro como símbolo da manutenção da vida, mesmo nas condições mais adversas. As bolas da árvore de Natal simbolizam os dons que o Menino Jesus trouxe para a humanidade. As velinhas acesas significam a luz de Cristo, que ilumina e aquece os corações dos homens. A árvore de Natal era costume só da Alemanha até o século 19, quando penetrou na Inglaterra e daí se difundiu para todo o mundo.

A guirlanda de quatro velas é mais um símbolo do tempo do Advento, preparação do Natal, comum na Europa, e que só em época muito recente, propriamente nesses últimos anos, chegou até nós.. Tem origem também alemã. Suas quatro velas, de cores diferentes, são acesas em cada um dos quatro domingos do Advento, significando a caminhada litúrgica da preparação para o Natal do Senhor.

E o Papai Noel, podemos aceitá-lo? Pessoalmente, eu tenho duas objeções contra sua divulgação entre as crianças, embora já o tenha até representado para os meninos da Casa Dom Bosco de Maceió. Foi numa festa natalina, nos primeiros tempos, em que faltou inesperadamente o rapaz que o deveria apresentar. Minha primeira objeção contra o Papai Noel é que ele, impulsionado pela propaganda comercial, rouba ao Menino Jesus as atenções e se torna o centro da festa do Natal. Segundo, é que a criança, chegada à idade adulta, vai saber que o Papai Noel era um mito inventado pelos adultos para enganá-la. E Jesus, e as verdades cristãs que lhe foram inculcadas na infância, não seriam elas também um mito irreal? Mas a origem do Papai Noel é até bem cristã.. Atribui-se sua origem ao bispo São Nicolau (festa: 6 de dezembro) que nasceu em 271 e foi bispo em Myra (atual Turquia). Uma tradição dizia que havia em sua cidade 3 moças que não conseguiam casar por falta de dote e o bondoso bispo cada noite colocava pelo muro de suas casas um saco cheio de presentes que lhe possibilitaram o suficiente para formar o desejado dote e casar-se. Na Alemanha é chamado Santa Klaus. Um livro do inglês Clement Moore em 1823 fê-lo nórdico com neve e trenó, puxado por renas. E o cartunista norte-americano Thomas Nast no jornal Hasper´s Weekly criou a figura do velhinho simpático de longas barbas brancas que atraiu as simpatias gerais e tornou-se a figura oficial. A expressão Papai Noel tem origem francesa ( como se sabe, Noel é Natal em francês; na Itália ele é chamado Babbo Natale) e teria sido cunhada maliciosamente por inimigos da Igreja, exatamente com a finalidade de desviar as atenções do Natal do Menino de Belém, coisa que a exploração publicitária vem conseguindo às mil maravilhas.

(*) É arcebispo emérito de Maceió.