terça-feira, 30 de junho de 2009

FAROESTE

Walter Cabral de Moura
(
wacmoura@nlink.com.br)




O cowboy solitário
cavalga pela planície
semideserta;

a música rascante
acentua a grandiloqüência
da circunstância.

Súbito, uma cilada:
atiradores, dos penhascos
lançam balas sibilantes;

o cavaleiro abriga-se
desata da sela seus canos longos
e com certeira pontaria
abate ou faz correr os inimigos.

Prossegue em sua jornada
- de lugar algum ao nada –
parando na próxima city
onde irá se envolver
em tiroteios e brigas
além de deixar partido
o coração da corista.

Depois, da capo, tudo de novo
até que termine
a última sessão de cinema.

MEUS POEMAS

Rivkah Cohen
www.rivkah.com.br
rivkah@rivkah.com.br



Interpretar,
socorrer,
dançar,
tantas formas
sem precisar falar
e escolhi a mais difícil!
Preferi
usar o verbo,
mexer com véus
e dentro do possível
sinalizar os céus!!

Que disparidade,
eu poeta!
Será que a inspiração não sabe
que tipo de munição
cada um carrega?
Não existe
pré-requisito,
anos de experiência,
um preparo
para usar a cadência,
para que eu possa
dizer o que sinto?

É assim mesmo?
Sem conferir a porta,
como um disparo,
um tiro a esmo?!
Olha, falar eu falo,
mas queria falar bonito!
Não com o que vejo,
não com o que sei,
mas com o que sinto!

Que dilema..
Façamos uma coisa,
pode ignorar,
deixar de ler,
deletar,
mas não critique meus poemas!
Vou lá dentro
me lanho toda
e com que esforço
vêm isentos de problemas!

Enfim
a bailarina vem à cena,
um tanto triste,
um tanto pequena,
mas o que de belo existe.
Assim
são os meus poemas..



Obs: Imagem da autora.

S. JOSÉ DO QUADRINHO

E A PIEDADE POPULAR
Sebastião Heber (*)
shvc@oi.com.br



Na Capela do Coração de Maria, no Largo 2 de Julho, há uma devoção que está sendo retomada.É relacionada com S. José do Quadrinho. O novo capelão, Pe. Uelson Rodrigues de Souza, está revitalizando e incentivando essa devoção que ocupou um espaço no coração dos moradores daquela região e de outras partes de Salvador.

Tudo começou por conta de um incêndio na casa da família Albino dos Reis. Havia num dos quartos da casa um quadrinho com a imagem de S. José. Eis que um incêndio naquela residência atinge, sobretudo, o quarto onde estava o quadro. Mas o inusitado foi que, ao lado de tudo que pereceu no incêndio, permaneceu intacto o quadrinho de S. José. A notícia logo ultrapassou as fronteiras do bairro. As proprietárias da casa, ao restaurarem-na, recuperaram o quarto do santo e lá fizeram um altar com o quadrinho. A partir daí, a notícia correu e começou um costume de , às quartas feiras, as pessoas virem rezar o terço naquela minúscula capela. E começaram os fiéis a alcançar graças. Quando as irmãs, proprietárias do santo, morreram, o quadrinho foi para a Paróquia de S. Pedro, mas, de acordo com o desejo delas, foi depositado na capela do bairro, que é a do Coração de Maria.

A senhora Elza Renas, que convivera com elas, interessou-se em fazer essa transferência e cercada de outras pessoas devotas, o quadro foi entronizado na dita Capela. Tudo foi realizado sob a presidência de Mons. Trabuco. Depois de algum tempo, o quadro foi colocado no altar do Sagrado Coração de Jesus. Por conta de um vazamento no telhado, a igreja entrou em restauração e o quadro foi levado para o Desterro. Com o término dos trabalhos, o quadro foi recolocado na Capela e está num altar que traz o nome do santo. No dia de S. José, 19 de março, os fiéis acorrem com muitas expressões de devoção por conta da origem daquele quadro, tendo o capelão assumido com denodo essa devoção pois ele próprio se sente agraciado.

É já lugar comum dizer-se que a piedade oficial católica caracteriza-se muito mais pelo seu aspecto teórico, doutrinal, jurídico. De outro lado, a piedade popular – sobretudo na sua expressão de devoções, procissões - concretiza-se através de símbolos, do sentimento, é espontânea e contém o carisma do povo.

Nessas duas formas de piedade, que em princípio, não são antagônicas mas complementares, esses aspectos podem ser analisados sob o ponto de vista de uma abordagem científica.

Podemos afirmar sem medo de errar, que uma coisa é o corpo doutrinal da religião ( o “Depósito da Fé”), e outra coisa é a religião concreta nas suas múltiplas expressões, concretizada, encarnada, vivida pelos diversos grupos humanos. Um bom exemplo ilustrativo dessa verdade, é o Pe. Cícero do Juazeiro, que foi até excomungado, mas para o povo é o santo por excelência.

De fato, o catolicismo teórico, no sentido de “oficial”, doutrinal, tende a se concretizar na prática da vida, tendo não apenas uma dimensão espiritualista que salva a alma, mas que atinge os fiéis no seu todo, nas suas múltiplas necessidades. Na verdade, a devoção popular tem um caráter mais autônomo, mas muitas das suas expressões, como promessas e ex-votos, têm tido reconhecimento da Igreja Oficial. Tanto que para a beatificação e canonização dos santos, são necessários milagres comprovados, que tantas vezes têm sua gênese em situações de expressão bem popular. O que se nota é que, muitas vezes, falta no julgamento oficial dessas expressões, um conhecimento mais etnológico, uma reapropriação da importância dos símbolos e, até mesmo, uma dimensão antropológica subjacente a essas expressões – o que, na ausência dela, poderia aumentar ainda mais o distanciamento entre as partes. Importa ter-se em conta que a cosmovisão da piedade popular é mais lenta que a mudança social e política.

É ainda importante salientar duas dimensões nesse tipo de abordagem. A contemplativa corresponde à oficialidade, isto é, à racionalidade da devoção, enquanto para o povo é fundamental a participação. Se houve algum milagre, o povo recorre a ele, se há uma procissão, todos nela se integram e não ficam apenas a “assistir” o andor passar.
O Cura da Capela do Coração de Maria está de parabéns pelo empenho com que começou seu trabalho pastoral no Largo 2 de Julho.



(*) Sebastião Heber.Prof.Adjunto de Antropologia da Uneb, da Faculdade 2 de Julho e da Cairu. Membro do IGHB, da Academia Mater Salvatoris, do Instituto Genealógico da Bahia.

LIÇÕES DO ANO PAULINO

D. Demétrio Valentini (*)



Neste domingo, termina o ano paulino, instituído para comemorar os dois mil anos de nascimento do Apóstolo São Paulo. A iniciativa encontrou adesão espontânea em toda a Igreja.

Fazia sentido! Depois de celebrados os dois mil anos de Jesus, nada mais condizente do que celebrar a personalidade humana que, depois de Cristo, historicamente mais determinou as feições do cristianismo. Tanto que alguns o consideram como verdadeiro fundador, no sentido de ter ele, Paulo, dado o formato teórico da nova expressão religiosa, que se propagou com rapidez surpreendente no império romano, e se tornou a religião com maior número de seguidores no mundo inteiro.

Concluído agora o “ano paulino”, podemos melhor nos dar conta de como é fortemente “paulina” a formulação da fé cristã, e continuam sendo muito “paulinas” as feições da Igreja de Cristo.

Algumas dimensões merecem destaque. Uma delas sobressai, pela amplidão do seu significado. Antes de sua conversão, Saulo personificava a oposição mais radical e mais feroz à nova religião que estava surgindo. Mas a rejeição radical levou à adesão profunda e envolvente. Na experiência de Saulo, que o levou a ser “Paulo – o Apóstolo das nações”, a fé cristã mostrou sua singular força de atração, com a capacidade surpreendente de iluminar a inteligência e de seduzir a vontade humana, no pleno respeito à dignidade e à liberdade.

Em Paulo, toda pessoa encontra inspiração para empreender a mesma trajetória. Da atitude de descaso, ou até de rejeição, quem resolve se defrontar com Cristo, percebe logo a sintonia profunda que é possível estabelecer entre fé e razão. Em Cristo se harmoniza, com perfeição, a natureza humana com a natureza divina. Paulo, com sua busca radical da verdade, nos dá a demonstração cabal de quanto a fé cristã não só é palatável à inteligência, mas tem a força de atraí-la, e quanto o seguimento de Cristo abre caminho para a verdadeira realização humana.

Em Jesus, temos a presença plena do mistério de Deus na humanidade. Em Paulo, temos a demonstração de como esta presença se coaduna com nossa condição humana. Esta a grandeza maior de Paulo.

Mas as lições do ano paulino não param aí.

Sua experiência de conversão é comovente, e sobretudo exemplar. Tinha um temperamento difícil, com seu ânimo impetuoso suscitando muitos atritos, mesmo entre os cristãos. Precisou empreender um longo e penoso itinerário de conversão que o levou a passar anos em Tarso, onde finalmente Barnabé foi buscá-lo. A vida de Paulo se constitui em precioso exemplo de empenho pessoal para colocar as energias vitais a serviço da causa de Cristo.

Outra lição está na centralidade de Cristo. Da rejeição inicial, quando Saulo achava que o Nazareno tinha sido um taumaturgo perturbador da ordem religiosa, Paulo foi aos poucos se dando conta da densidade do mistério de Jesus, “em quem está a plenitude da divindade”. Tanto que no final de sua vida, Paulo pôde dizer com sinceridade: “Para mim, o viver é Cristo!” Perceber como em Cristo encontramos a síntese do mistério e do projeto de Deus, é outro salutar testemunho que Paulo nos deixou, e que o ano paulino nos recorda.

Podemos identificar outros aspectos importantes, que acabaram sendo ressaltados por este ano providencial, que está se encerrando. Como por exemplo a importância da missão, que possibilitou a Paulo desabrochar seus talentos na evangelização dos gentios. E a validade de sua estratégia de deixar por escrito suas mensagens, nas numerosas cartas que continuam alimentando a Igreja.

Na verdade, em Paulo reconhecemos um dom precioso, do qual a Igreja nunca poderá prescindir, para formular sua fé e para cumprir sua missão.

(*) (
www.diocesedejales.org.br)

REVOLTA

Djanira Silva
djaniras@globo.com
http://blogdjanirasilva.blogspot.com/



Hoje amanheci trancada a sete chaves. Não tenho sequer uma senha para afastar a pedra da entrada. Abre-te Sésamo! O mundo reage, se fecha. Nem sei se quero realmente encontrar alguma forma de sair. Já entrei aqui em fuga. Tento me esconder de um mundo que já não me encanta. Fugir desses rostos pré-fabricadas com sorrisos presos no limites do nada, no contorno de lábios reciclados que tentam esconder a história de quem há muito já está no passado.
Estou aqui de volta de uma ida onde encontrei um céu azul, tão limpo e tão brilhante como uma folha de papel em branco. Pensei em escrever uma nova história naquele deserto azul. Senti como se velhos textos tivessem sido apagados, deixando espaço à espera de novas mentiras. Enquanto penso, o céu tão limpo e brilhante parece rir da petulância de quem quer contar histórias prescritas. Com que alma hei de colorir este céu?Sinal aberto. Vou em frente. Ou para cima, ou para baixo? Nem sei.Nunca pensei tornar-me hóspede na minha casa nem visitante na minha aldeia. Com que tonalidades enfeitarei este céu que jamais será o mesmo dos meus antigos caminhos de poeira e fumaça.
Presa a sete chaves isolada de mim. Da poeira das idas e vindas, das paradas bruscas. Fumaça da incineração de sonhos no calor imensurável de uma tristeza sem razão.
O que me entristece são as alegrias passadas, cicatrizes talvez mais doloridas do que as das tristezas de agora. Ter sido alegre e não ser mais é o começo de uma morte anunciada.
Lá em cima o encantamento de um céu azul, tão azul me dá uma agonia no juízo. Espero pelas idéias.
A menina acorda, insinua molecagens. Não posso deixar aquele azul atrevido, continuar me agredindo. Picho o céu com a fúria de um pichador de paredes.
Os anjos riem e apagam, com capuchos de nuvens, as marcas da minha revolta.
Acho que aprendi os mistérios do céu.


Obs: Imagem enviada pela autora.

...RUMO AO UNIVERSO...

Maria Inês Simões - Bauru/SP
www.mis.art.br
mis@mis.art.br




"Juro! Pelos céus e pela terra, enquanto houver vida em meu ser... Jamais elevarei meus olhos ao infinito para contemplar as estrelas, falar com elas, ouvir seus risos e confidenciar meus segredos. Juro!”.

Gritava Agnes esmurrando algo invisível, como se espancasse um inimigo. Cruel, implacável. Seu destino!?

E o universo atento ouvia seu choro-gemido. Nos céus as estrelas se recolhiam em silêncio apagando uma a uma o seu brilho. Ao longe trovões e relâmpagos anunciavam a tempestade por vir.

Se existissem deuses nos céus como no Olimpo, Réia, Cronos mesmo Zeus ser supremo também na terra, deveriam estar se divertindo, apostando entre si se Agnes suportaria as provas.

Sentia-se o próprio Hércules, naquele momento “Que viessem não apenas doze, mas cem, mil, milhões de trabalhos!”. Por amor aos céus enfrentaria constelações de testes. Sua energia movia-se em direção a um único Criador. Chegaria até Ele, mesmo que precisasse arrastar a terra, e todos os planetas que encontrasse pelo caminho.

Seu pecado primeiro: havia amado as estrelas, conversado com elas.

Em suas madrugadas, sentava-se ao relento para sentir a brisa das noites estreladas beijarem seu rosto, às vezes molhado de lágrimas, outras, adornado pelas gotas de orvalho, finas e brilhantes gotas que desciam do universo, pequeninas estrelas. Imagem rara, mistérios da noite tocando um ser puro e sincero. Numa clássica melodia infinitamente bela. Somente assistida pelos seres celestiais.

Seus pensamentos chegavam aos céus e Agnes falava a língua dos anjos. Cantava louvores ao Criador. Seu coração ardia e o fogo deste Amor, acendia a chama da esperança de que um dia O veria “Face to Face”.

Porém, em algum lugar, estava escrito. - Assim concluiu a razão - Que Agnes teria que provar seu Amor. “Ele coloca a prova aqueles que ama”. Coisas dos deuses.Quando um ser mortal, tenta ultrapassar o Sagrado Portal, ponte que separa as dimensões do existir. Precisa demonstrar seu valor, não há merecimento sem sofrimento. Esta é a regra do jogo.

Depois do paraíso, o Criador criou as provações e viu que era bom! Olhou para Agnes e sorriu o riso do poder. Fazendo-a sentir, que só tem o poder... "Quem tem o conhecimento". Teoria questionável, porém esta já é uma outra história.

Demonstrando poder, o ser supremo ordenou ao Dragão que resurgisse do reino de Hades, deu-lhe poderes e temidos raios, a besta fera saiu para ameaçar a simples mortal.

Em seguida, escondeu as estrelas de Agnes, enviou-lhe chagas, abriu-lhe os ossos deixando-os expostos. Tocou o seu ser permitindo que humanos tivessem acesso ao seu coração, o cérebro os homens tiveram em suas mãos. Loucura ou razão? Livre arbítrio...

Em noites de sofrimento Agnes queria apenas contemplar as estrelas, suas lágrimas solitárias eram agora gotas do opróbrio e da vergonha, via fugir suas forças, planetas e estrelas. Seu universo de Amor fora invadido pelos buracos negros das provações. E Agnes estava só. Sentia no peito o peso da mão Criadora que lhe negava naquele momento o florir de seu coração. Não era mais um ser.

Na terra, apenas um pedacinho de Lua podia ver refletida na poça de lágrimas, que se formava aos seus pés. A imagem da Lua pequena e indefesa, também sozinha e solitária, fez renascer em Agnes uma nova razão. Via a imagem dançar naquele mar de gotas salgadas, ao ritmo dos pingos que caiam de seus olhos, como se implorasse para que Agnes resistisse as provas dos seres celestiais. E ela resistia.

Bendita imagem da Lua refletida no chão em poça de lágrimas.

Ao final da batalha capturou o dragão devolvendo-o ao seu Criador. Trancou atrás de si as portas do inferno e lançou a chave no abismo de seus pesadelos. Voltou sentindo a vida por um fio. Ironia! Podia ouvir a platéia do outro lado do Portal. Que esperava por vê-la. Estendia-lhe as mãos. Podia visualizar o aglomerado de estrelas, o sol se movia em sua direção. Agnes caminhava rumo ao universo.

Resistência, não mais queria ir. Lembrou-se da solidão, das provas, do jogo. Olhou para o chão e viu o reflexo da Lua. As lágrimas.

E voltou, afastou-se dos seres celestiais. Pensou “Estarão sempre ai... Afinal são seres eternos e apenas imortais, que cumpram suas penas!”.

Jurou! Nunca mais... contemplar as estrelas.

Nas noites, em seu leito de vida, podia ouvir o chamado dos brilhos celestiais. Suas lágrimas, seu rosto, seu canto, já não se ouvia mais no universo. Apagava-se uma estrela que um dia teria ousado contemplar o infinito.

Razão! “Amor não se coloca a prova! Não teria pensado nisto o Criador? Bastava olhar nos olhos, enxergar a alma, reconhecer o dom de sentir e viver. É pelo brilho do olhar que se entra neste portal. Único universo interestelar”. E Agnes escondeu sua voz, os louvores, não falava mais a língua dos anjos, não contemplava mais às estrelas.

Foi quando se ouviu nos céus tremendo alarido, trovões, relâmpagos. Raios riscaram palavras. E escreveu-se no universo:

"SE AGNES NÃO VEM ESTAR COM AS ESTRELAS... MANDAREI UMA ESTRELA SER COM AGNES!!!...

"Reuniram-se os seres celestiais, mandariam uma estrela ser com Agnes. Pensaram nas cadentes, nas do norte, talvez uma dupla, quem sabe a gigante, polar ou do mar, fria ou quente. Pertenceria ao sistema binário, entre a razão e o coração, para "orbitar" Agnes no centro de sua gravidade comum.

Proto-estrela foi a escolha, sua irradiação contagiava e aquecia perdidas ilusões, em seu sorriso trazia a esperança dos deuses, de que pudesse trazer de volta ao universo, o brilho de um olhar-constelação. Cujos sonhos foram um dia ouvidos nos céus, na linguagem celestial.

No dia certo, na hora marcada surgiu Proto, invadiu a vida de Agnes com sua luz angelical iluminando um novo caminho. Entre razões reais em mundos virtuais teria agora que dividir com alguém sua estada na terra. Amor-Amizade explodiu.

Desígnio dos deuses, esperança dos imortais. Agnes voltou a sorrir, na sinceridade de um ser e estar.

Proto confessou-se estrela passageira a caminho do universo. E Agnes encarou seu brilho fora do espaço estelar. Não buscou entender os mistérios celestiais.

Agnes cantou-lhe louvores sem esperar nada em troca. Amou seu brilho, como quem ama o infinito do universo real, de um ser perfeito que sabe vir e ir além.

E a estrela veio a ser com Agnes, por ordem do Criador. Resgate? Castigo? Ambigüidade celestial.

No dia certo, na hora marcada Proto voltará para seu lugar. E a platéia espera do outro lado do portal, que após este dia esta simples mortal, que ousou amar as estrelas, conversar com elas, confidenciar seus segredos, falar a língua dos anjos, contemplar o universo, cantar louvores ao Criador, neste dia ouse ir além... E esqueça seu juramento.

PEREGRINOS DO AMOR

Marcelo Barros*
(irmarcelobarros@uol.com.br)



É tempo de romarias em Trindade, em Bom Jesus da Lapa e outros santuários do Brasil. A vocação de todo ser humano é a de ser peregrino rumo a uma vida melhor, ou como dizia Leon Bloy, no começo do século XX: “peregrino do absoluto”. Na China, desde séculos antes de nossa era, o Taoísmo é a sabedoria espiritual que ajuda multidões. Esta tradição espiritual ensina que o termo Tao significa “caminho”. Tai-Chi-Cuan são os exercícios físicos e espirituais para “uma vida longa e saudável”.

Na tradição judaica, a romaria é um costume que se desenvolveu nas peregrinações ao templo de Jerusalém. Mais tarde, os Evangelhos contam que Jesus costumava peregrinar a Jerusalém e freqüentar o templo por ocasião das grandes festas litúrgicas. Embora no Cristianismo primitivo, as comunidades celebravam nas casas de família e acreditavam que a casa de Deus somos todos nós, desde o século IV, também no Cristianismo, tornou-se um costume de espiritualidade peregrinar aos túmulos dos apóstolos e mártires. Daí vem o nome de “romaria” (ir a Roma) e até hoje, milhões de pessoas vão anualmente aos lugares sagrados da vida de Jesus na Terra Santa, a Santiago de Compostella ou a santuários marianos como Lourdes, Fátima e Sallete.

Na espiritualidade islâmica, a peregrinação a Meca é um dos pilares da fé. Desde séculos, na Índia, existem santuários aos quais os fiéis gostam de acorrer. Na piedade de muitas camadas de nosso povo, a romaria de Trindade, como a outros santuários de peregrinação do Brasil, é uma maneira de orar não somente com a mente, mas com os pés e, como, na Idade Média, dizia São Bernardo de Claraval, com o coração e a vida. Nos santuários, as pessoas pagam promessas, ouvem a Palavra de Deus e praticam a caridade. Por isso, tantos pobres se juntam nos átrios dos santuários de peregrinação. Mas, de nada adianta a romaria dos pés se o coração não marchar primeiro. O ato de caminhar revela a disposição de mudar interiormente. É preciso avançar sempre na busca de Deus que não se encontra em um santuário de pedra e sim no mais íntimo de cada ser humano, principalmente dos que aceitam peregrinar ao mais profundo do próprio coração e reconhecer no outro irmão e irmã esta morada do divino. Nós todos somos peregrinos do Amor.

Caminhar é importante para a saúde, mas é mais do que uma necessidade física. Conforme muitos livros sagrados, o ser humano é caminheiro. A Bíblia diz que cada pessoa tem diante de si dois caminhos: um que leva à vida e outro que provoca morte (Cf. Dt 30, 15 – 19 e Salmo 1). É preciso escolher um dos dois. O caminho da vida é a solidariedade amorosa e o que contém dentro de si um germe de morte é o do egoísmo, da concorrência e do desamor.

Quando, no final dos anos 60, várias dioceses e grupos cristãos decidiram unir fé e compromisso social pela transformação do mundo, o nome a que se deu este movimento foi “caminhada”. Em meio a riscos e perseguições, as pessoas se diziam irmãs e companheiras de caminho. Hoje, quem se sabe neste caminho tem o orgulho de ter partilhado a aventura da fé e do compromisso com mártires como o padre Josimo, a irmã Doroty e tantos outros que deram a vida por esta causa.

Em uma romaria tradicional, em Trindade ou em outros santuários, há costumes e ritos comumente seguidos por todos os que costumam fazer o caminho. As pessoas costumam visitar as relíquias, dar uma volta à Igreja e cumprir sinais de penitência. Dos tempos bíblicos da subida dos peregrinos aos templos de Jerusalém, ficaram na Bíblia cânticos e orações que são chamados de graduais, orações dos degraus ou “cânticos da subida” ao templo (Cr. do salmo 120 ao 134).

Na peregrinação da vida, o itinerário supõe um aprofundamento no caminho interior que é como uma aventura no deserto, na solidão do próprio eu, onde o Espírito nos espera. Um mito antigo conta que as peregrinações surgiram porque o ser humano quer recuperar a dimensão divina que perdeu por não ter sabido usá-la amorosamente. Então, ele a procura nos santuários e nos confins da terra. Mas, o Espírito a escondeu no lugar que ele menos desconfia: no mais profundo do coração humano. É para lá que temos de fazer romaria e peregrinação.



(*) Monge beneditino, teólogo e escritor.

www.empaz.org/

A UNIÃO FAZ A FORÇA

Edilberto Sena
(
edilrural@gmail.com)




“Todas as coisas são...mistério, mistério...”diz uma cantiga. Mistério é a vida, o frio, o calor, mistério é o ser humano e o amor. O ser humano e o amor são tão misteriosos mesmo. Observe isto: há um ano os políticos lá em Brasília cometeram mais uma arbitrariedade política com efeitos sociais sobre os povos da Amazônia, inclusive Santarém. Sem consultar a gente daqui, decidiram mudar o horário do Norte, igualando ao horário da capital federal.

Na época da violência da mudança, poucas pessoas no Oeste do Pará reagiram, por indiferença ou por não se darem conta dos efeitos danosos à população. Interessante que Manaus ficou de fora da mudança. Dizia um político amazonense que o povo de lá tinha quem defendesse suas cultura, já no Pará o povo estaria sem políticos comprometidos com suas causas. O horário do sol como era normal na região foi deixado de lado. Todos do Oeste do Pará tiveram que se adequar à imposição dos grandes de Brasília.

Agora, um ano depois do fato consumado, quando os efeitos mais negativos se tornam mais evidentes, como nas crianças e adolescentes que freqüentam escolas, quando Igrejas sentem dificuldade de atender a seus congregados que tinham um horário anterior adequado para celebrações e sofreram com a mudança, o Presidente da Câmara de vereadores tomou iniciativa de buscar uma solução. Convocou vários representantes da sociedade para discutir e encontrar uma estratégia para uma mudança de horário.

O bom senso e o auto respeito começaram a funcionar. Compareceram representantes dos meios de comunicação social, diretores de escolas, representantes de empresários e comerciantes, um padre e um pastor protestante. O debate foi rico, cheio de pontos de vistas até divergentes. Duas propostas tomaram caminho, uma de toda a sociedade se adequar ao novo horário, que já funciona há um ano. Afinal diziam uns, as coisas já estão funcionado há um ano. A outra proposta era de se lutar com firmeza para se respeitar o horário do sol, que nos levava a viver normalmente.

Como não houve consenso entre os participantes foi levantada a proposta de se fazer um referendo popular para consulta à opinião dos e das eleitoras da região. Aceita a proposta, o presidente da Câmara se comprometeu em produzir o material gráfico para a consulta popular e todos os participantes se comprometeram em promover nas igrejas, escolas, emissoras e sindicatos, a chamada para assinatura da consulta.

Duas questões serão o ponto da votação: a) você é a favor que o horário de nossa região seja o original com uma hora diferente de Belém? - Sim x Não; b) você é a favor que toda a população da região se conforme com o atual horário decidido pelo congresso nacional – Sim x Não. Embora os políticos não tenham feito a consulta, a população mostrará sua dignidade manifestando sua vontade e então, a Câmara de vereadores encaminhará o resultado com solicitação que os políticos escutem a voz do povo e a respeitem. Quando a democracia representativa não funciona a pressão direta deve ser respeitada.

O que não é mais possível se ficar indiferente quando está em jogo a vida e a cultura do povo. Sabe-se que também ainda que tardiamente os povos do Acre e do Mato Grosso do Sul estão reagindo contra a imposição dos políticos e querem a volta do horário original. Se a pressão for grande e unida, não há outra força contra ela.

DOM JUAN ABATIDO

Dannie Oliveira
www.dannieoliveira.blogspot.com
poeiraepalavras@gmail.com



A primeira vez que se encontraram foi numa festa de um amigo. Ela chamou a atenção dele de cara, assim que entrou naquele encontro cafona. Ele observava o ambiente. Dava uma geral atrás de carne nova. Era o matador. O cara.

Ela chegou acompanhada de uma mulher gostosa, daquelas de arrasar quarteirão, mas não foi a gostosa que ele viu, foi a moça que estava ao lado.
A criatura lhe prendeu o olhar. Sentiu-se hipnotizado. A Letícia Sabatella perto dela era um patinho feio. Ele achou a jovem linda. Se ele tinha chegado a essa conclusão pode acreditar que ela era realmente bonita.

A calça jeans desbotada, a camiseta surrada e o all star faziam dela uma figura ímpar. Ficou desconcertado quando ela sorriu pra ele. Meu Deus! O que estava acontecendo? Ele nunca ficava tímido. Logo ele, o terror das menininhas, o cara-de-pau. Dificilmente levava um não. Era tão manhoso que todas as mulheres sempre lhe diziam sim, quer fosse sua proposta. Todas! Sem exceção, mas aquela ali na sua frente era diferente. Ele sabia. Teve certeza quando ela entrou na sala.

Tentou disfarçar que ela mexeu com suas estruturas. Pensou em não se aproximar. Ainda puxou um papo com o cara sentado ao seu lado no sofá, mas as palavras saíram vagas. Estava estranho. Não era ele. Seria a criatura sua criptonita? Enquanto os mais dispersos pensamentos passavam por sua cabeça, se distraiu e não viu ela se aproximando.

Voltou pra terra quando a viu bem ao seu lado, cumprimentando seu interlocutor. Ficou desconcertado. Ela sorriu. Ela era uma pessoa sorridente, simpaticíssima. Gostava de abraçar os amigos e beijá-los também. Ao vê-la tão perto apurou os sentidos e sentiu seu perfume. Teve vontade de agarrá-la e beijá-la, mas suas pernas tremeram.

Enquanto a contemplava ela partiu. Ele se mexeu no sofá. Passou a mão por entre o rosto. Cruzou as pernas. Descruzou. Olhou o relógio. Eram 23h15. Deu um tchauzinho para uma amiga que estava a menos de dois metros. Ficou com o braço estendido mesmo depois do aceno. Pensou numa estratégia. Montou um plano rápido, não era perfeito. Preferiu arriscar. Primeiro uma boa cantada, em seguida o ataque. Ensaiou um pequeno discurso. Isso nunca aconteceu antes. Desistiu. Disse para si mesmo ‘Você é forte. Você consegue. Você é o cara”, mas o incentivo não funcionou. Continuou ali, parado no mesmo lugar. Ela tinha dado um curto-circuito no seu sistema. Derrubado suas muralhas.


Obs: Imagem enviada pela autora.

CORAÇÃO PARTIDO

Marcante


Meu coração está partido, retalhado em mil pedaços.
O interessante é sentir, que em cada pedaço fragmentado, encontro você. E o mais admirável ainda, é que neles você está inteirinho. Só eu me fragmentei totalmente! Eu já não me encontro por inteiro, sou pedaços que pra me encontrar; tenho que virar mercúrio, onde aos poucos irei juntando as bolinhas menores me tornando grande outra vez...

INSCRITOS NO LIVRO DA VIDA

Maria Clara Lucchetti Bingemer(*)
teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio




O mundo acompanha com atenção e respeito a visita do Papa Bento XVI ao conturbado e sofrido Oriente Médio, com o claro objetivo de ajudar a construir a paz na região e unir as três religiões abraâmicas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. No entanto, seu início foi cercado de angústia e tensão.

Por parte de alguns, havia medo de que o Papa não fosse bem acolhido em território muçulmano, após suas declarações de 2006 a propósito da conexão entre Islã e violência. De outro, o temor de que sua condição de alemão e sua biografia que aponta uma pertença - involuntária – quando criança na Juventude Hitlerista, provocasse rejeição à sua presença.

Até agora, Bento XVI foi bem recebido na Jordânia, onde visitou chefes políticos e grupos e autoridades religiosas. Em todo momento, declarou a disposição da comunidade católica de contribuir para a paz. E conclamou também os católicos a adotarem essa attitude.

A entrada em Israel foi marcada por uma visita solene e da maior importância: ao memorial Yad VaShem. A tradução literal do nome hebraico é “Autoridade de recordação dos mártires e heróis do holocausto”. Trata-se do memorial oficial de Israel para homenagear as vítimas judaicas do holocausto nazista. O monumento data de 1953 e encontra sua origem em um versículo da bíblia hebraica, canônico também para os cristãos: "E a eles darei a minha casa e dentro dos meus muros um memorial e um nome (Yad Vashem) que não será arrancado." Isaías, capítulo 56, versículo 5.

O Papa recolheu-se em silêncio no monumento e pronunciou um emocionante discurso. Resgatou a profundidade contida no nome Yad Vashem - memória, recordação, não esquecimento de todo o sofrimento e o horror que o holocausto representou. Trata-se de um momento carregado de força simbólica, em que o Papa alemão se recolhe no memorial e declara sua total e compassiva solidariedade, assim como a de toda a comunidade católica, às vítimas do genocídio perpetrado contra os judeus.

Para expressar sua cordialidade com os judeus ali presentes, fez apelo a algo muito caro à religião de Israel: a importância do nome, que Deus inscreve no livro da Vida. Sempre que o judaísmo fala a respeito da vida, pensa em um livro. Assim como outras tradições encontram a santidade e o mistério divino em pessoas, locais e/ou objetos, a santidade judaica existe, acima de tudo, na palavra e na linguagem. Pois a fé de Israel proclama que Deus criou o mundo pela palavra. Com palavras revelou sua Lei ao povo no Sinai. Através de palavras, Deus e o povo judeu se comunicam e relacionam em grande pacto amoroso e Salvador.

A maior bênção para um israelita é ser inscrito no livro da vida, e a maior desgraça ser dele excluído. Diante do monumento que leva inscritos os nomes dos judeus assassinados durante a Segunda Guerra Mundial, Bento XVI falou aos judeus de hoje com suas próprias categorias e a partir de sua própria fé. Recordou aos presentes que aqueles milhões de judeus podiam estar mortos, mas não para Deus e para os seus seres amados. Seus nomes estão indelevelmente inscritos nos corações de seus familiares, de seus companheiros de tortura e sofrimento, dos justos que hoje combatem para impedir que tal tragédia se repita na história. E de modo especial e mais forte, na memória de Deus Onipotente.

A fé provada dos judeus mortos no holocausto foi a linguagem que o Papa usou para exortar os crentes e todos os homens de boa vontade a lutar para que a memória das vítimas jamais se apague, que o ódio nunca mais reine nos corações humanos. Pois só essa atitude nos faz dignos de ser inscritos no Livro da Vida. Embora não isenta de tensões e opiniões divergentes, certamente a visita do papa alemão ao monumento do Holocausto é um marco na história das relações católico-judaicas.


(*) Autora de "Simone Weil - A força e a fraqueza do amor” (Ed. Rocco).
wwwusers.rdc.puc-rio.br/agape

BISPOS EM ASSEMBLÉIA

Dom Edvaldo G. Amaral S.D.B. (*)
dedvaldo@salesianosrec.org.br




No vetusto convento dos jesuítas de Itaici, perto de Campinas S.P., de 22 de abril a 1º de maio último, realizou-se a 47ª Assembléia Geral da Conferência dos Bispos do Brasil. Éramos em torno de 350, vindos de todo o país, desde o extremo norte nos confins da Venezuela até à diocese de Bagé, na fronteira com o Uruguai.

Ao menos em plenário, não se disse uma palavra acerca de problemas que afligem nossas Igrejas irmãs do continente, como certa imprensa sensacionalista andou divulgando. Os dois assuntos tratados são de importância vital para a Igreja do Brasil: a formação de nossos padres e a iniciação na fé cristã de nossos batizados.

O tema central recebeu o título de “Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja no Brasil.” Partindo das mudadas situações da realidade social e da riqueza missionária do documento de Aparecida (maio de 2007) e elaboradas no contexto do Ano Sacerdotal que começa a 5 de agosto, as Diretrizes querem ser fiéis ao ensinamento de Bento XVI no discurso aos seminaristas de Colônia em agosto de 2005. Nas coordenadas da formação presbiteral, é necessário ter em vista o contexto social de hoje, incidindo como desafio na personalidade dos nossos jovens vocacionados. Após esclarecer os fundamentos teológicos dos sacramentos do Batismo e da Crisma, que levam ao seguimento de Cristo, as Diretrizes tratam da opção do jovem pelo sacerdócio no sacramento da Ordem. As partes seguintes tratam dos espaços formativos e dos tempos para a formação. As partes finais tratam das dimensões da formação: humano-afetiva, comunitária, espiritual, pastoral-missionária e intelectual. Conclui, tratando da formação permanente dos presbíteros, após sua ordenação. Numa bela demonstração de unidade e num aplauso ao grande trabalho realizado pela comissão de redação, o documento foi aprovado por absoluta unanimidade.

O outro tema que tomou a atenção e o estudo dos bispos nesta Assembléia como tema prioritário teve por título “Iniciação à vida cristã” e didaticamente responde a seis perguntas: Iniciação à vida cristã – Por que? – o que é? – como? – para quem? – com quem? - onde? Preocupa-nos o fato de que para muitas de nossas crianças e jovens a Primeira Comunhão é também a última. Nossa esperança são os novos movimentos, que engajam os cristãos adultos na vida da Igreja.

Ainda de destacar foi a Santa Missa em rito maronita, com a consagração do pão e do vinho em língua aramaica, como Jesus falou, e o encontro ecumênico com várias igrejas cristãs. Belo momento de fé e piedade dos bispos foi a peregrinação do Ano Paulino à Catedral da Sé de São Paulo (onde fui ordenado sacerdote) no domingo, 26, encerrando dois dias de retiro espiritual. Sentida e agradecida homenagem o episcopado brasileiro quis prestar à memória de Dom Hélder Câmara, no centenário de seu nascimento, contando com um comovente testemunho fraterno de Dom José Maria Pires, venerando arcebispo emérito da Paraíba, na força e extraordinário vigor de seus 90 anos de idade.



(*) É arcebispo emérito de Maceió.

TEXTO DE PAULA BARROS

www.pensamentosefotos.blogspot.com




Penso que temos botões invisíveis. Botões que não sabemos que existem. E às vezes eles são tocados e acendem. O botão verde. Do amor, paixão, encanto, sorrisos, carinho, bem-estar, viver plenamente a vida, disposição, harmonia, esperança....O botão vermelho. Da raiva, ciúme, dor, saudade, receio desapontamento, infelicidade, tristeza, medo, insegurança....Muitas vezes vem um dedo invisível e buuuum! Acende o botão. Pode ser em forma de uma palavra, um aroma, um gesto, um sorriso, uma música, uma foto, algo que lemos e eles acendem. Acontece. É mágico. Depois deles acessos cada um decide o que fazer com eles. Alguns conseguem desligar o botão. Há quem quebre o botão. Ignore tudo. Outros aproveitam a luz acesa, qualquer uma delas e tira as melhores lições. Aprende, reaprende. Muda. Vive. Tem coisas até que acendem os dois botões ao mesmo tempo. Fica-se divido.
Pensei inicialmente em dois botões. Mas pensando bem, talvez existam inúmeros botões.Tem quem fique como discoteca, com todos os botões acesos, piscando. É muita emoção de uma vez só para lidar, para compreender. E haja botões.


Obs: Foto da autora.

SERTANEJO

Malu Nogueira




Tem coisa melhor do que dizer que nasceu no sertão?
Que é um cabra da peste, não pisa em rastro de corno, nem tem medo de lobisomem?
Que come feijão, farinha seca, rapadura e tira uma madorna, numa rede de punho puído?
Que só tem uma camisa e uma calça e se acha mesmo assim o mais bem vestido do mundo? Não se importa de andar a pé quilômetros e quilômetros para prosear com um amigo?
Matuto orgulhoso do chão de sol inclemente, que o alimenta, onde tem sua casa de taipa, um fogão de trempe, uma corda com carne seca, tamboretes para as visitas, um candeeiro, uma lata de óleo usada como chaleira? Uma porta cheia de buracos, um cachorro magro e pulguento, um par de sandálias de pneu velho e um sorriso desdentado e sincero para acolher quem quer que chegue ao seu alpendre?
Um ser despojado de malícia, que não entende por que o homem da cidade tem tanta empáfia e menosprezo por aqueles que, como ele, só querem um pouco para ser feliz.
Ele entende, na sua simplicidade, que a arrogância desses cidadãos produz, no homem, uma limitação de suas qualidades racionais.
O matuto sertanejo dispensa bajulações e balelas. Fala arrastado e manso, sem igual em outros rincões.
O matuto que se preza não dispensa uma viola, uma cantoria noite afora, um aboio ao entardecer, um cigarro de fumo da terra, fedorento de matar. Um chapéu de palha velho. Um oratório para rezar. Um cavalo velho e magro, mas que lhe serve de montaria. Um não-viver sem uma boa cusparada, um par de mãos calosas e sujas. Enfim, um homem completo e feliz, pois, ao derredor dele, está o seu mundo completo.

UM AUTÊNTICO SÃO JOÃO

Odete Melo de Souza(*)



Uma grande fogueira a queimar aquecendo e iluminando noites escuras e frias…
Em volta dela, amigas a se tornarem comadres, jovens fazendo adivinhação para descobrir o nome do seu bem-amado, todos com traje matuto, pessoas assando milho e soltando fogos, os céus brilhando de fogos e enfeitados com balões.

Na cozinha, os milhos se transformando em canjica, pamonha, mungunzá...
Nos terreiros, pátios, ruas e na zona rural, ao som da sanfona, zabumba e triângulo, crianças, jovens e adultos e até idosos, numa coreografia da mais ensaiada quadrilha extravasam toda a animação contida no seu íntimo.
Tudo isso era o SÃO JOÃO!...

Com o desenvolvimento tecnológico e demográfico o panorama junino modificou-se consideravelmente, tornando-se mais abrangente, descaracterizado e diferente.
A acertada proibição de “soltar balão”, evitando acidentes e até morte, deixou-nos muitas saudades...
Os departamentos de queimados nos hospitais, depois dos festejos juninos são muito procurados e às vezes, lamentavelmente, com casos fatais.
Os fogos são também monitorados pelos poderes públicos.
As quadrilhas foram substituídas por umas tais drilhas com ritmos e vestuários estranhos, parecendo mais um desfile carnavalesco.

Felizmente os dirigentes caruaruenses, num gesto de verdadeiro amor à nossa tradição cultural, elaboraram um programa de festa realmente junina.
O SÃO JOÃO DE CARUARU, com certeza, está voltando às suas raízes, com regulamentação oficial, equilibrada e certa, proibindo a execução de músicas incompatíveis com o evento.

O forró é a mais popular e típica festa nordestina, de origem afro-indígena, talvez remanescente de longínquos portugueses e holandeses, interpretado sob vários ritmos, como o baião, o xote, o xaxado, o coco. O baião é o preferido pela maioria. Aqui queremos ressaltar que o forró é a melodia e o baião é a coreografia.
O nosso SÃO JOÃO apesar de ter se afastado bastante da sua autenticidade, usufruiu sempre de grandioso destaque na mídia local e internacional.

Atualmente a festa do tão venerado santo é um espetáculo-apoteose em nosso já tradicional PÁTIO DO FORRÓ, reunindo uma multidão incalculável.
E sob as vozes dos ídolos, sejam compositores ou autores como o imortal Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Elba Ramalho, Jorge de Altinho, Zé Ramalho e outros, dançam, cantam, pulam e se divertem incansavelmente até o raiar do dia.
42 DIAS DE ANIMAÇÃO E FOLIA!...

Há vários símbolos juninos como o balão, o abano, a urupema, o tamanco, etc., entretanto, a bandeirinha singela e tradicional foi a preferida para a ornamentação da nossa cidade, este ano.

O SÃO JOÃO DE CARUARU é também enriquecido com a apresentação dos célebres bacamarteiros e ainda com o preparo do maior cuscuz, da maior pamonha, do maior pé-de-moleque, da maior pipoca, atraindo os festeiros para saciarem a incontida gula pelas iguarias.

Aguardemos um SÃO JOÃO – 2009 super-animado e ordeiro com a participação de uma segurança pública eficiente e preparada. E assim, todos os caruaruenses terão a felicidade de vivenciarem uma festa feliz, alegre e fraterna, com imensa repercussão em todo o Brasil e todo o mundo.
SÃO JOÃO!... e CARUARU juntos, fazendo a festa e a ALEGRIA!...


(*) Autora de Retalhos do Coração.

MISTÉRIO DE AMOR...

resomar
(
desafiomar@gmail.com)



Aprendi a desbravar sonhos...
Colhi faíscas da ventania,
dissequei o pensamento em um momento inusitado de ser...
Mergulhei em incertezas e melancolia,
desviei o percurso silencioso,
tentei evitar a explosão do coração...

Aprendi a contemplar o poder e o desafio da perda irreparável da paz,
a ternura do olhar e o aconchego da caminhada partilhada...
Senti o acalanto da solidão,
a expectativa do inesperado,
o minuto da partida,
farpas da indiferença...

Aprendi a adormecer os projetos rascunhados e embriagados,
modelar o perfil inacabado da paixão...
Bebi os pingos da nostalgia deitado no tapete insano da saudade...
Busquei no intervalo da melodia ensombrada desejos de versos soltos e fugidios...

Aprendi no equilíbrio da alma deixar-me ser e acontecer...
Esculpi a tua face no vazio da esperança...
Derramei no abismo paisagens amarrotadas,
folhas amareladas e pisadas...

Aprendi que o amor reparte e acrescenta...
Esperei o tempo parar ou desabar,
o momento exato de tomar as tuas mãos,
ouvir a tua voz., decifrar o teu soluço,
regar a tua sede e não mais mastigar dissabores e atropelos...

Aprendi a sabedoria do amargo no percurso interrompido,
fruta vencida, repartida e distribuída no medo e na fragilidade das fantasias...

Aprendi que sem ti vago no imperfeito e o dia se termina...
Abracei o descontínuo da vida na mudança de cores,
alteração dos sons e espantos,
fatalidade de desencontros...

Aprendi finalmente que a serenidade reúne fragmentos,
reconstrói histórias e faz outra vez germinar o mistério da entrega...

(12.11.2001)

terça-feira, 23 de junho de 2009

TUDO

Lug Costa


Tudo é quase tudo
do tudo que não sou.
Alguma coisa é parte de alguma parte
que deixei de ser.
Nada é quase tudo
do que na minha insensatez
eu de fato sou.


(02.05.2009 – 17:45h – Caxias/MA)

SACRAMENTOS – PARTE II


INTRODUÇÃO
Tomé


A gente aprende muita coisa quando está crescendo. Quem aprende a andar de bicicleta ou como fazer um bolo nunca vai esquecer o que aprendeu. Mas, do que pomos na memória, como nas aulas da escola ou de catecismo, acabamos nos esquecendo aos poucos. Quando aprendemos o porquê de fazermos uma coisa de um jeito, normalmente continuaremos fazendo daquele jeito—como por a mesa ou trocar um pneu.

Por exemplo: uma menina notou que a sua mãe fazia dois furos na lata de óleo de cozinha. Perguntou à mãe porque e ela respondeu: “A minha mãe sempre fez assim.” Insatisfeita, a menina foi falar com a avó e perguntou: “Vovó, a senhora sempre faz dois furos na lata de óleo?” A velha respondeu: “Sim, querida.” “Por quê?” continuou a menina. “Porque o furo menor é para o ar entrar e assim o óleo sai melhor pelo furo maior,” respondeu a velha.

Como a mãe da menina, nós aprendemos o nosso catecismo e, provavelmente, aprendemos a “receber” os sacramentos, sem saber o porquê. Assim quantos pais batizam as crianças porque, na sua família, as crianças sempre foram batizadas ou para a criança não ser mais “pagã?” Comungamos na missa porque é para comungar na missa. Os noivos se casam na Igreja para que ”tenha valor com Deus.” Assim vai a vida de tantas pessoas, sérias sobre a sua fé, mas sem crescimento, sem amadurecimento na fé, como que abrindo dois furos na lata de óleo sem saber o porquê..

EXCESSO DE ZELO?

Edilberto Sena
(
edilrural@gmail.com)


A República federativa do Brasil vive uma época de crise de credibilidade dos poderes responsáveis pela administração do bem comum da nação. Embora a constituição nacional afirme que todos são iguais perante a lei, na prática, aumenta a cada ano, a desigualdade social e a lei é quase sempre aplicada de modos diferenciados. Se é para um pobre, chega o rigor dela; se é para um político corrupto, ou um mafioso rico e esperto, chegam as filigranas da lei, que os deixam livres.

Fala-se hoje da urgência de uma reforma política, pois do jeito em que está, é uma desmoralização da democracia, mas a reforma não sai. O judiciário é criticado, não só pela morosidade, mas principalmente pela parcialidade de muitos juízes e até desembargadores (as). Uns até entram na onda de criminalizar os movimentos sociais, como se estes fossem os responsáveis pela desordem a falta de progresso. O legislativo, em toda a cadeia descendente, já chegou ao fundo do poço da falta de credibilidade.

Resta um setor da república que merece respeito e confiança, o Ministério Público Federal, o MPF. Isto porque até hoje tem sido zeloso no respeito ao patrimônio nacional e talvez por ter em seus quadros a maioria de procuradores jovens e éticos.

No entanto, os que andam fora da lei, especialmente os grandes criminosos ambientais e sociais, estão incomodados com a coragem do MPF. No Estado do Pará são vários os incomodados.

Nestes dias, redes de supermercados, frigoríficos e derivados, acusam o MPF de “excesso de zelo que inviabiliza toda a cadeia de pecuária de corte do Pará”. Essa reação nervosa é porque o MPF está processando todo frigorífico e supermercado que esteja comprando e vendendo carne de gado, criado em áreas públicas, provocando crimes ambientais. Ora, como vários fazendeiros invadiram terras públicas, derrubaram florestas para fazer pastos, não se preocuparam em respeitar as leis da nação, fiados na impunidade constante, agora encontraram um setor da república que faz valer as leis constitucionais.
O MPF é acusado de excesso de zelo e este os acusa de excesso de criminalidade. Basta ver o crescimento do rebanho bovino na Amazônia. Nos últimos 10 anos o rebanho passou de 32 milhões de cabeças de gado em 2000, para 75 milhões, em 2009 . Pode-se imaginar quanta mata e floresta foram derrubadas para abrir tanto pasto.
Daí a ação, já um pouco atrasada do MPF, considerada excessiva, imagine! A situação de ausência do Estado é tão grande e até conivente, deixando acontecer a lei do mais forte, que quando o MPF cumpre seu dever, logo é considerado excessivo e prejudicial à economia no país. Só se espera que o MPF não se intimide nem se corrompa como alguns outros setores da grande república federativa do Brasil têm feito.

TELA VAZIA

Djanira Silva
djaniras@globo.com



Vivo um tempo de espera.
No princípio era uma idéia e a idéia se fez dor. Um simples pensamento sem endereço, sem sentido, sem destino, transformado em esquecimento.
Pensar, dói. Sorrir dói. Espremer os sentidos colher da vida uma idéia vazia.
E eu nem fiz nada. Apenas pensei diferente. Custou-me caro. Uma prestação de contas muito longa. Nem sei quantas lágrimas chorei, nem quantos gemidos gemi, nem quantas madrugadas frias deixei entrar pela janela. Também não sei quantas vezes voltarei, ainda, pelas mesmas dores.
O pensamento envelheceu e hoje nem eu acredito que amei e fui amada. Cambaleio sobre a insegurança do que me resta viver. Procuro me segurar para não cair sempre.
Lamento a perda de pensamentos que se foram deixando-me na esquina à espera de um vulto que passasse sob a lâmpada dando-me de graça a ilusão da volta. Nunca pude fotografar meus sonhos nem minhas infelicidades, emoldurá-los e pendurá-los nos túneis vazios cavados pelo esquecimento.
Tela em branco, espaços sem riscos nem rabiscos. Linhas tortas, linhas, apenas linhas onde tento me equilibrar.
Caminho, agora, como quem nunca soube e nunca saberá de onde veio, por que veio, e para onde vai.Dias sobreviverão guardados nas marcas de uma felicidade inventada.
Resta-me, ainda, um minuto de silêncio.


Obs: Imagem enviada pela autora.

A VEZ DO CONGRESSO NACIONAL

D. Demétrio Valentini (*)



Nestas próximas semanas vai entrar na agenda do Congresso Nacional a votação do “ACORDO” celebrado entre o Brasil e a Santa Sé, assinado a 13 de novembro de 2008, por ocasião da visita do Presidente Lula ao Vaticano.

Conforme nossa constituição, cabe ao Presidente da República assinar acordos com outros países, e cabe ao Congresso Nacional referendar estes acordos, depois de assinados pelo Presidente.

Portanto, se trata de um procedimento constitucional, visando a sintonia de responsabilidades entre o Executivo e o Legislativo, no estabelecer relacionamentos e compromissos com outros países.

Desta vez se trata das relações do Brasil com um país muito pequeno por sua extensão territorial, mas muito importante por seu simbolismo, como é o Estado da Cidade do Vaticano, reconhecido como país soberano, e membro das Nações Unidas.
O acordo visa regular, em seus diversos aspectos, a situação jurídica da Igreja Católica no Brasil.

E´ importante observar que este Acordo, propriamente, não inova nada. Ele só consolida e sistematiza várias normas que foram sendo incorporadas ao direito brasileiro a esse respeito. Mas com isto, estes dispositivos legais já incorporados na prática jurídica brasileira, são elevados ao status de normas de direito internacional.

Um desses pontos concretos de relacionamento do Estado Brasileiro com a Igreja Católica foi explicitado com a colaboração da Diocese de Jales, quando anos atrás ela recorreu ao Supremo Tribunal Federal, que acabou reconhecendo o direito à imunidade tributária da Diocese, fato que criou jurisprudência em todo o território nacional. Agora, estes diversos dispositivos já integrados na prática jurídica brasileira, passam a ser consolidados de maneira clara pelos termos do acordo, já assinado pelo Presidente da República, e que está agora aguardando ser referendado pelo Congresso Nacional.

O que poderia estranhar não é o fato do Brasil ter assinado um acordo com a Santa Sé, mas de ter demorado tanto para fazê-lo. Dá para dizer que este Acordo estava sendo aguardado desde a proclamação da República. Aliás, a data de sua assinatura, a 13 de novembro, nas proximidades do dia da República, teve por finalidade acenar para esta carência, que agora fica sanada.

A Santa Sé já tem acordos firmados com setenta países, das mais variadas formações jurídicas e tradições culturais. O primeiro deste acordo foi a Concordata de Worms, assinada ainda em 1122.

Ao analisar e votar este Acordo, o Congresso Brasileiro tem uma ótima oportunidade de demonstrar sua grandeza e sua importância. Ultimamente, os índices de popularidade apresentam um vivo contraste, entre a elevada aprovação do Executivo, e a baixa estima do Legislativo. A rápida apreciação e a conseqüente aprovação deste acordo poderá oferecer ao Congresso Nacional a demonstração de sua capacidade de analisar e aprovar importantes dispositivos legais, que definem o relacionamento do Brasil com uma entidade como a Santa Sé, cuja importância no cenário internacional acaba de ser novamente demonstrada pelos efeitos positivos que teve a recente e corajosa visita que Bento 16 fez à Jordânia, Israel e o território palestino.

Trata-se de um acordo longamente esperado, cuja efetivação é agora colocada nas mãos do Congresso Nacional. Seria uma grande frustração para o conceito do Brasil no cenário internacional se ele não for referendado pelo Poder Legislativo.


A GENTE CONDENA!

Rivkah Cohen


Já sei,
pensaste que não doía
e se não visses hoje,
verias outro dia.
Quantas vezes pensei assim..

Entendo,
achaste que estavas atento,
mas esqueceste que o vento
pode ficar zangado,
virar tornado
e levá-la de ti..

Hoje já é outro dia
e nada te dará alegria
de vê-la aqui!

Pode colocar bandeiras,
alto-falante, som,
recomendar a música primeira
que a pessoa que amas
não ouvirá tua declaração!

Vai, tenta aí !
Pode gritar do meio da praça
que a amas de graça
que não a verás sorrir!

Isso nunca se pensa
e se vem a mente,
a gente condena,
mas não deveria ser assim!

Antes
que levem quem amas,
antes
que o orgulho te cegue
diga a quem teu coração reclama:
- PRECISO DE TI! -


We do condemn it!


I know,
You thought it wouldn't hurt,
You thought it was okay
Leaving for tomorrow the comprehension
Of what you should've understood today
How many times I myself thought this way...

I know,
You suposed you were fully attentive,
But you forgot
A calm wind can suddenly run riot
And take her away from you.
Now things are different
And no bliss would fill this moment
Nothing would bring her back!

You could state it,
Shout at the top of your voice,
You could even shout yourself hoarse,
But the person you love is not there anymore
Can no longer hear your declaration of love!

Scream out in the middle of a crowd,
Say that you love her, but say it out loud!
Go! Have a try!
See? Too late:
She won't have a single butterfly.

Nobody ever dares thinking of such possibility,
And if it comes to one's mind,
The idea is soon condemned.
It's vanished, but shouldn't!

Before consciousness proves you're just being proud,
And makes you take the blame,
Before life takes the one you love away from you
Just say to that person for whom you heart claims:
- I NEED YOU! -


rivkahcohen/versão: Rei


Obs: Imagem da autora

O PROFETA NO DESERTO

Marcelo Barros(*)
(irmarcelobarros@uol.com.br)



Nestes dias, a cultura popular brasileira é tomada pela memória do nascimento de São João Batista. Muitos cânticos tradicionais recordam o que conta o início do evangelho de Lucas. Trata-se de uma linguagem narrativa, como os mestres judeus costumavam comentar passagens bíblicas do primeiro testamento. Os grupos de novena e de folia sabem que o importante destas tradições é a proclamação de que começou um tempo novo. O útero da mulher estéril (Isabel) tornou-se fértil e o pai mudo começou a profetizar. São sinais de uma transformação que, durante toda a sua vida, João Batista, como profeta, anunciou e pelo qual trabalhou.

Conforme a espiritualidade cristã, João Batista é uma figura paradigmática de todos os tempos e não apenas um santo que viveu há mais de dois mil anos. Como os profetas de todos os tempos, ele nos recorda que o deserto pode ser fértil e, como dizem profetas populares de movimentos messiânicos brasileiros, “o mar vai virar sertão”.

Hoje, a sociedade tende a nos tornar meros consumidores de um mundo banalizado como imenso centro comercial. E a natureza sofre as conseqüências de ser tratada como mercadoria. Neste contexto, a figura do profeta toma outro contorno. Ao ressaltar no deserto o rio Jordão e o batismo como mergulho em uma vida nova, nos chama a valorizar a água como sinal de vida e a descobrir, mesmo na aridez, oásis de fertilidade e caminhos de vida nova e sadia. João Batista nos ajuda a descobrir que, em meio a todas as dificuldades e como profetas no deserto, podemos ser pessoas mergulhadas no divino (é isso que quer dizer batizadas) e testemunhas da ação divina de transformação do mundo.

Há quem se espante que tanto João como Jesus de Nazaré reuniram mais pessoas consideradas socialmente pecadoras do que os religiosos de sua época que, aliás, não os aceitaram. Existe um tipo de espiritualidade que põe as pessoas em uma espécie de elite sagrada, a se impor uma série de ideais e metas que as pessoas tentam alcançar através de exercícios espirituais e orações. Este tipo de espiritualidade tem seu valor porque aponta um alto objetivo que as pessoas devem alcançar. O risco é que muita gente não enfrenta o negativo presente em suas vidas. Então, o edifício espiritual fica construído como se fosse uma casa sem alicerce. A qualquer momento, aquilo que é negado, mas nem por isso deixa de existir, assoma e toma conta da casa. Faz parte essencial da espiritualidade, nos lembra João Batista, assumir nossas negatividades e trabalhá-las, nos descobrindo frágeis e divididos, mas objetos prediletos do carinho divino. Um monge antigo do Oriente dizia que o céu, mas também o inferno estão dentro de nós mesmos.

A espiritualidade da Bíblia não idealiza profetas nem se concentra em ideais e metas muito altas. Assume as ambigüidades de Abraão, capaz de, para escapar com vida, entregar a própria mulher a um rei estrangeiro como concubina. Não nega a esperteza mentirosa de Jacó para roubar do irmão Esaú o direito à primogenitura. Não disfarça que Moisés, ao encontrar com Deus no Horeb, estava fugido, porque tinha assassinado um egípcio. Não idealiza Davi que, por gostar de mulheres, é capaz de mandar matar um auxiliar que lhe servia. Não desconhece a inconstância de Salomão e assim por diante. Nos evangelhos, Jesus lida com a impetuosidade de Pedro, com a ambição de poder dos discípulos e a enorme fragilidade da adesão dos amigos. Corrige o que precisa ser corrigido, mas não nega a realidade e sim parte dela para caminhar. É isso que faz João ao batizar o povo e dizer “No meio de vós, (em vós), está Alguém que não conheceis”. É quando Jesus mergulha nas águas do rio Jordão, carregadas dos pecados de todo o povo batizado por João, que o Espírito Divino desce sobre ele e o Pai manifesta o seu imenso bem querer por Jesus e pela humanidade, chamada a escutá-lo e acolhê-lo como testemunha do amor e mestre de vida.

Corremos o risco de transformar o mundo inteiro em deserto e precisamos ser instrumentos da profecia que anuncia a transformação dos desertos em jardins floridos. Mas, o deserto geográfico nos mostra que temos também um deserto interior, um espaço de solidão e silêncio no qual precisamos entrar para nos encontrar e para reconhecer a realidade interior a partir da qual podemos acolher o divino e ser transformados por ele. Carl Jung dizia que somos apenas o estábulo, no qual Deus se digna nascer. Mas, isso é muito e precisa ser descoberto e valorizado.


(*) Monge beneditino, teólogo e escritor.

PEDRAS E CAMINHOS

Padre Beto
www.padrebeto.com.br



Havia, certa vez, um jovem que estava contagiado por um forte sentimento de tristeza. Não suportando mais a situação, o rapaz resolveu procurar um velho sábio que morava em sua região. O velho, ouvindo as preocupações do jovem, deu-lhe, então, um pequeno conselho: "Você deve hoje mesmo ir ao circo que se encontra em nossa cidade! Com certeza, você irá se divertir assistindo um bom espetáculo. Lá trabalha um palhaço que consegue animar as pessoas e fazê-las voltar para a casa com disposição de viver". O jovem ficou, então, assustado e, colocando as mãos no rosto, disse desoladamente: "Mestre, esse palhaço sou eu!"

Tudo nos leva a crer que o ser humano nasceu para ser feliz. Todos nós procuramos, de forma consciente ou inconsciente, este estado de satisfação diante da vida. À medida que surgimos na existência iniciamos uma busca de realização de nosso ser e de momentos felizes. Sem dúvida alguma, esta realização pessoal é vivida de forma subjetiva, ou seja, cada ser humano possui a sua forma de sentir-se bem. Porém, Russell nos ensina que a felicidade não é algo que cai na boca como um fruto maduro, mas sim um estado a ser conquistado. Ela depende, em parte, de circunstâncias externas e, em parte, de nossa vida interior. Algumas coisas, escreve o filósofo, são indispensáveis à felicidade da maioria dos seres humanos como alimento, moradia, saúde, trabalho compensador, respeito dos outros, pessoas que nos amem. Mas, o ser humano é feliz a partir do momento que encontra um sentido para sua vida e que descobre sua plenitude em contato com outros seres humanos movidos pelo mesmo ideal. De qualquer forma, ser feliz está diretamente ligado à sensação de prazer. "Não é o que possuímos, mas o que gozamos que nos proporciona a felicidade" (Charles Spurgeon). O prazer é talvez o único aspecto objetivo do ser feliz, aquele ponto de semelhança entre todos os ideais da satisfação humana. Ninguém pode dizer que está feliz se não tiver a sensação do prazer. Mesmo em nossos esforços mais difíceis podemos estar bem, a partir do momento que encontramos nestes esforços um caminho para prazeres futuros. O prazer é a forma sensível, palpável, da felicidade. Sem ele a vida não valeria a pena ser vivida, pois ela se tornaria uma tortura interminável. O Prazer é necessário para o desenvolvimento do ser humano e é em busca de momentos de prazer que enfrentamos outros não muito prazerosos.

Um dos obstáculos mais fortes para a sensação de prazer é, sem dúvida alguma, a dor. Esta, porém, pertence obrigatoriamente à vida. Dizia, certa vez, um amigo: se um dia você se levantar e não sentir dor, pode ter certeza de que você está morto. Sem exageros, a dor está na dinâmica do viver e, muitas vezes, ela se torna necessária principalmente quando vivemos intensamente. "Onde há muito sentimento, há muita dor" (Leonardo da Vinci). Apesar de não prazerosa, a dor, muitas vezes, é benéfica, pois ela nos mostra quase sempre que algo não se desenvolve bem. Ela é um sintoma de que a vida necessita de maiores cuidados ou de mudanças. De qualquer forma é necessária a superação da dor para alcançarmos o prazer. O grande erro, porém, é confundir superação com fuga. A superação da dor se inicia pela compreensão do sofrimento. Para que superemos a dor é necessário encontrarmos a razão de sua existência. Ninguém deve sofrer desnecessariamente. A dor deve possuir uma razão que nos faz compreender melhor a vida e nos ensina uma lição para futuros passos. "O importante é isto: Estar pronto para, a qualquer momento, sacrificar o que somos pelo que podemos vir a ser" (Charles Du Bois). Sem esta compreensão da dor, nunca chegaremos a momentos prazerosos na vida. Ao encararmos o sofrimento como aprendizado superamos automaticamente outra origem da dor: o medo. Muitas vezes sofremos desnecessariamente por termos medo do novo, do desconhecido, do erro diante de uma situação por nós ainda não vivenciada. A partir do momento que nos conscientizamos que a dor é um momento de aprendizagem, compreendemos que o prazer é alcançado à medida que experimentamos o novo com a disposição de aprender. "Você precisa fazer aquilo que pensa que não é capaz de fazer" (Eleanor Roosevelt). Descobrindo seu sentido e perdendo o medo de encará-la, tornamos a dor algo transitório, pois alcançamos um determinado domínio sobre ela. Desta forma, existirão dores em nossa vida que facilmente serão superadas, outras que não irão passar totalmente, mas com certeza não serão obstáculos para o nosso prazer de viver. "Venham até a borda, ele disse. Eles disseram: Nós temos medo. Venham até a borda, ele insistiu. Eles foram. Ele os empurrou... E eles voaram" (Guillaume Apollinaire).

Carlota Augusta
(
carlotaugusta@terra.com.br)



Dúvida, incerteza, medo,
momentos de angústia,prenúncio de dor.
O que fazer?
O nosso lado humano, fica meio insano
e quer correr prá qualquer lado.
Mas prá que lado correr?
Esconder-se?
Fingir que nada está acontecendo?
Refugiar-se no mundo do faz-de-conta?
NÃO, NÃO E NÃO !!!
O divino que habita em nós,
com certeza nos guiará,
certamente nos mostrará o rumo certo,
aquilo que não podemos deixar desabar: A FÉ !!!
O que mais, senão a fé inabalável em Deus, pode nos segurar, nos sustentar nos momentos mais difíceis?
Precisamos continuar a crer, sem hesitação e também acreditar fortemente, que esses momentos são momentos preciosos, nos quais Deus nos testa, Deus nos prova; mas Ele só testa e prova "aqueles que n'Ele crêem.
É nesse caminho que procuro andar, é esse rumo que quero tomar,
é essa estrada que procuro trilhar, mesmo que as pedras façam sangrar os pés e o coração.
É na fé que nós ( eu e vocês) , encontraremos a verdadeira força, como diz o poeta e sábio !
"Porque a vitória que vence o mundo, é a FÈ ! "
Se conseguirmos que a dúvida, a incerteza, o medo, o prenúncio de dor sejam vistos aos olhos da fé....com certeza, seremos vitoriosos !


( 18/05/2009)

PROFESSORES DE ÉTICA

Frei Betto (*)


É tautológico falar em falta de ética no Congresso Nacional. Os escândalos se sucedem, do deputado que está "se lixando" para a opinião pública aos funcionários do Senado que, a exemplo de notórios senadores, ostentam um padrão de vida muito superior a seus vencimentos e à renda declarada.


Felizmente há exceções. Lástima que a indignação e o protesto de parlamentares íntegros tenham pouca ressonância nas ruas. Em geral, noticiam-se farra de passagens aéreas, castelos mirabolantes, mansões paradisíacas. Poucos tomam conhecimento da coerência de parlamentares incorruptíveis, incapazes, inclusive, de aceitar caixa dois em suas campanhas eleitorais.

A corrupção decorre da falta de caráter. Esta se manifesta, de modo especial, quando a pessoa se vê investida de uma função de poder, do policial que extorque o comerciante ou do delegado que embolsa pagamento de fianças ao empresário que suborna o funcionário público para obter licitações fajutas; do prefeito que se apropria dos recursos da merenda escolar a parlamentares que se julgam no direito de pagar, com dinheiro público, o salário de sua empregada doméstica.

Como dar um basta em tanta maracutaia? Difícil. O ser humano padece de duas limitações insuperáveis: defeito de fabricação e prazo de validade. É o que a Bíblia chama de "pecado original". Sempre haverá homens e mulheres desprovidos de caráter, de princípios éticos, dispostos a não perder a primeira oportunidade de enriquecimento ilícito. A solução não reside no cultivo das virtudes, que tem sua importância. Fosse assim, os colégios religiosos, onde estudaram Collor e Maluf, seriam fábricas de anjos.

A solução é criar, via profunda reforma política, instituições que inibam os corruptos e mecanismos de controle popular. Em suma, tornar a nossa democracia, meramente delegativa, mais representativa e, sobretudo, participativa.

Enquanto a solução não aparece, sugiro que convidem, para ministrar um curso de ética no Congresso Nacional, Suas Excelências José Gomes da Costa, Rodrigo Botelho, Francisco Basílio Cavalcanti, Clélia Machado, Sebastião Breta e Fagner Tamborim.

O que essas pessoas fizeram não deveria ser considerado extraordinário. No entanto, frente aos casuísmos, ao nepotismo, à malversação, ao cinismo de parlamentares tentando justificar o injustificável, convém propalar o exemplo desses professores de ética.

José Gomes da Costa é gari da prefeitura de São Paulo. Ganha R$ 600 por mês. Vinte e seis vezes menos que um deputado federal. Com este salário, sustenta a si e três filhos. Dia 18 de maio último, ao varrer a rua, encontrou um cheque do Banco do Brasil no valor de R$ 2.514,95. José precisaria trabalhar quatro meses, sem nenhuma despesa, para acumular esta quantia. Procurou uma agencia do banco e devolveu o cheque. Motivo: vergonha na cara.

Gari, Rodrigo Botelho encontrou, em 26 de maio de 2008, durante Campeonato Mundial de Tênis de Mesa, no Rio, mochila com R$ 3 mil em dinheiro. Viu o nome do dono nos documentos, chamou-o pelo microfone e devolveu. Rodrigo é normal, tem caráter.

Francisco Basílio Cavalcante, faxineiro do aeroporto de Brasília, pai de 5 filhos, ganha salário mínimo. No dia 10 de março de 2004, encontrou uma bolsa de couro no banheiro do aeroporto. Dentro, US$ 10 mil e um passaporte. Se fosse juntar o salário que ganha, sem gastar um só centavo, levaria 3 anos e 4 meses para obter igual soma.

Francisco declarou: "Tem que ser assim. O que não é nosso precisa ser devolvido. Um dinheiro que não é da gente não pode ser do bem. Não pode trazer felicidade".

Clélia Machado, 29, é auxiliar de serviços gerais e faz bico como manicure. Sozinha, cria duas filhas, uma de 7 anos, outra de 9. Sua renda mensal não chega a R$ 550. Todos os dias ela faz a faxina do banheiro do posto da Polícia Rodoviária Federal em Seberi (RS), onde trabalha há três anos. A 11 de março de 2008, encontrou, junto à privada, um pé de meia enrolado em papel higiênico. Dentro, US$ 6.715.Clélia entregou os dólares aos policiais. Entrevistada, declarou: "Bem que podia ser meu de verdade. Mas já que não me pertencia, devolvi na hora. Era o certo a fazer".

O gari Sebastião Breta, 43, da prefeitura de Cariacica (ES), devolveu os R$ 12.366,00 que achou num malote no lixo. O nome do homem que fora roubado estava gravado numa etiqueta.

Sebastião ganha salário mínimo.Indagado se pensou em ficar com o dinheiro, disse: "Nunca. Desde a primeira vez que vi sabia que devia devolver. Quando não consigo pagar as minhas contas fico doido, pensava o tempo todo como estaria o dono do dinheiro, imaginava que ele também não podia pagar suas contas porque tinha perdido tudo. Eu e minha mulher não conseguiríamos dormir à noite. Acho esquisito pegar o que não é da gente".

Fagner Tamborim, 17 anos, entregador de jornais na cidade de Pirajuí, a 398 km de São Paulo, ganha R$ 90 por mês. Enquanto pedalava sua bicicleta, encontrou na rua um malote com R$ 6 mil. Devolveu-o ao dono. "Vi que tinha muito dinheiro e cheques. Levei pra minha mãe, que ligou para o banco".

O melhor do Brasil é o brasileiro, não necessariamente nossos parlamentares.


(*) Autor, em parceria com Veríssimo, Cristovam Buarque e outros, de "O desafio ético" (Garamond), entre outros livros.


Copyright 2009 – FREI BETTO - É proibida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)



AINDA AMO SER JORNALISTA

Dannie Oliveira
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poeiraepalavras@gmail.com



Não vou mentir e dizer que não fiquei triste com a decisão do Supremo Tribunal Federal - STF na última quarta-feira (17).

O dia não tinha sido fácil e confesso que chorei no final da noite.
Meus sentimentos oscilaram entre raiva e frustração.

Fiquei tentando entender como seriam as coisas dali pra frente.
Hoje parando para analisar, depois de dezenas de textos lidos sobre o assunto, depois de diversos comentários eu prefiro o meio-termo.

Gilmar Mendes não soube usar as palavras certas para expressar sua opinião.

Posso considerá-lo um vacilão ou ainda um burro, isso vai depender do modo como prefiro analisá-lo.

No fundo a decisão do STF era previsível.
Os políticos estão no olho do furacão, viraram a Geni da imprensa.
Teríamos nós, jornalistas, cutucado as ‘onças’ com vara curta?
Seria a queda do diploma uma tentativa para desanimar e desestabilizar os profissionais?
O fato é que derrubando uma conquista histórica que foi o diploma, os senhores ministros só fizeram aflorar ainda mais a gana que nos move.

Nós jornalistas somos movidos pela contradição. Contrariar-nos e aguçar nossos sentidos. O que será visto daqui pra frente é um novo jornalismo (bom e ruim).

A queda da obrigatoriedade do diploma abriu portas. O meio agora será multifacetado. As opiniões mais dispersas.
Quando se agregam pessoas diferentes, agregam-se valores e novas idéias.
O novo nesse ponto é bem-vindo.

Mesmo que existam desvantagens, no fim vai prevalecer à recíproca ‘Só os mais fortes predominam’.

Não afirmo que haverá uma guerra nos bastidores. O fato é que os sensacionalistas de plantão, os pseudo-jornalistas podem até ganhar um lugar ao sol, mas no fim aquele que souber ser verdadeiro ao expressar a informação irá se sobressair.
Aos colegas que já atuam na área ... vocês são uns vencedores. Mesmo na adversidade não se deixaram desanimar e nem a peteca cair.
Aos novos profissionais que se encantaram pela profissão ... não é nada fácil, mas saibam que é estimulante.

Aos meus colegas de faculdade ... não perdemos 4 anos, aprendemos a ser pessoas melhores no trato da notícia.
Aos que já são formados, a vida é um constante aprendizado, cada pessoa é única, assim também é cada jornalista. Vocês são detentores de um conhecimento que nem todos tiveram acesso.
Com diploma ou sem diploma para ser jornalista é preciso ter instinto.


Obs: Imagem enviada pela autora.